O escritório Open Platform for Architecture (OPA) divulgou o último projeto de sua série de edifícios em penhascos: Lux Aeterna / Capela da Santa Cruz. Assim como em seu projeto anterior, Casa Brutale, a capela apresenta um estilo que OPA se refere como "brutalismo transcendental", e está situada na borda de um penhasco. O perfil frontal do edifício tem a forma de uma cruz, para ser visto como um ponto de referência espiritual, na medida em que se aproxima da água.
Cinco vigas similares unidas num ponto e logo abertas em leque conformam o perímetro da laje de cobertura que em projeção horizontal forma um triângulo isósceles de vinte e cinco metros de base e vinte e nove metros de altura.
A Capela assenta-se no alto de uma pequena colina junto à sede da Fazenda, onde se localizam as ruínas de uma antiga edificação. Formadas por três espessas paredes que preservam a técnica edilícia da construção de barro e pedra, essas ruínas foram envolvidas por uma estrutura de aço, vidro e madeira e transformadas em altar-mor.
A Igreja da Vila Madalena organiza-se desde um espaço interno praticamente livre de quarenta por vinte metros, com acesso pela porção média da dimensão maior, disposta faceando a rua, mas bem recuada desta. Cria-se assim um amplo adro que aproveita a porção mais plana do lote, organizado em patamares devido à inclinação da rua lindeira, isolando a construção na porção posterior do terreno; que, devido à sua grande declividade, vai obrigar a apoiar o volume da igreja sobre colunas, de maneira a apresentar o nível de acesso em continuidade à praça.
O local destinado à construção da Igreja do Centro Administrativo da Bahia conserva intacta sua beleza natural característica da paisagem de Salvador. Sentimos que nos impunha preservá-la respeitando seu relêvo e sua vegetação. Com êste critério foi fixado o partido do projeto. A indispensável modelação do terreno se integra à topografia existente e limita-se exclusivamente aos trechos onde se localizam as construções. Para o estabelecimento do sistema viário foi levada em conta, ainda, a intenção de utilizar os espaços vizinhos à Igreja como áreas de lazer do Centro Administrativo. Arruamentos estreitos, pavimentados em pedra e acompanhando as curvas de nível naturais serão usados indistintamente por veículos e pedestres. Os gramados que margeiam as vias de acesso e vias secundárias ligadas ao tronco principal serão utilizados como áreas de estacionamento. As ruas se alargam em locais mais sombreados e aprazíveis criando áreas de estar e descanso e servindo também para manobras de automóveis.
Por Bernardo Brasil Bielschowsky e João Serraglio.
Numa rua estreita, entre residências em fileiras, flutua, há quatro metros e meio do chão, uma caixa: sem símbolos, toda em concreto aparente, ritmado horizontalmente pelas marcas das fôrmas de tábuas de madeira.
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