O sistema de transporte coletivo nas grandes cidades brasileiras já estava em crise anterior à pandemia do coronavírus. Operadores de transporte viram a demanda de passageiros cair gradualmente ao longo das últimas décadas, em um cenário envolvendo múltiplos fatores como: políticas urbanas incentivando o uso do transporte individual; espraiamento urbano, perdendo ganhos de escala no atendimento de periferias; congestionamentos crescentes; rotas cada vez mais defasadas em relação aos padrões de deslocamento das cidades; a exigência crescente de transferências/baldeações nas rotas realizadas pelos passageiros; a depreciação das frotas e da qualidade de serviço; o aumento da renda da população, com a adoção de alternativas como o automóvel individual, a motocicleta e, ainda, serviços de transporte individual por aplicativo; e, acima de tudo, tarifas de transporte coletivo cada vez mais altas.
https://www.archdaily.com.br/pt/945182/como-evitar-o-colapso-do-transporte-coletivo-pos-pandemiaAnthony Ling, Marcos Paulo Schlickmann e Gabriel Lohmann
Em uma das cidades mais atingidas pela pandemia de Covid-19 do país – São Paulo – e diante da sufocante crise socioambiental que assola o mundo e o nosso tempo, como arquitetas, arquitetos e urbanistas podem se posicionar e, efetivamente, agir contra a asfixia generalizada e pelo direito fundamental de respirar, de existir e de habitar a Terra?
https://www.archdaily.com.br/pt/945129/espacos-para-respirar-nil-xv-seminario-internacional-da-escola-da-cidadeEquipe ArchDaily Brasil
O Royal Institute of British Architects (RIBA) anunciou três vencedores do concurso internacional de projeto Rethink: 2025. Buscando projetos para um mundo pós-pandemia, a competição convidou arquitetos e estudantes a imaginar como será a vida e o ambiente construído até 2025. No total, foram mais de 147 inscrições vindas de 18 países, todas procurando reinventar a vida cotidiana.
A cruel pedagogia do vírus – A pandemia tem um trágico poder de revelação. Ela coloca à mostra uma série de paradoxos que não estavam claramente delineados, ou que eram subestimados. Tem, nesse sentido, uma dimensão educativa, como todo momento de crise. Sem dúvida, com tantas mortes, muitas delas evitáveis, trata-se de uma "cruel pedagogia do vírus", na expressão do sociólogo português Boaventura de Sousa Santos. Em meio ao sofrimento, são diversos os debates e propostas que têm se multiplicado, na forma de "lives", textos e reportagens, abaixo-assinados, pesquisas, agendas de ação, cartilhas, denúncias, redes de solidariedade e mesmo de autogoverno nas periferias em semi-abandono. Neles, se avalia em especial a tragédia brasileira, que combina diversas crises associadas a problemas estruturais (como a desigualdade e o racismo), acrescentando-se agora uma crescente crise da razão, ou do mero bom senso, formando um quadro macabro de regressão social, ódio, obscurantismo e genocídio.
https://www.archdaily.com.br/pt/944738/arquiteturas-da-distancia-o-que-a-pandemia-pode-revelar-sobre-o-ensino-de-arquitetura-e-urbanismoMariana Wilderom e Pedro Fiori Arantes
Das privações que temos enfrentado em função da pandemia, uma das mais reconhecidas é, talvez, a da liberdade de usufruir das áreas livres públicas. Caminhar numa rua de pedestre, encontrar com amigos numa praça, se exercitar em grandes parques ou praias, usufruindo de uma natureza que é, também, urbana. Além do desejo de encontrar com alguém, há o desejo de encontrar em algum lugar, para além do espaço de domínio privado e íntimo.
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Ciclovia em Manaus, AM. Cortesia de Caos Planejado
As cidades estão na linha de frente no enfrentamento da Covid-19. Esta pandemia manifesta-se como uma crise global, e as decisões tomadas neste delicado momento pelos governantes, formuladores de políticas, tomadores de decisão e a população têm sérias consequências futuras. Inúmeros contextos já estão sofrendo alterações que modificam — mesmo que momentaneamente — o comportamento da humanidade. Medidas de distanciamento social, lockdown, cuidados sanitários e a contenção da mobilidade urbana apresentam-se como elementos consideráveis na transformação dos novos cenários urbanos.
An aerial view of the High Line with Chelsea Market. The park plans to reopen, with certain restrictions, on July 16. Cortesia de Timothy Schenck
A Metropolis Magazine abordou a produção da High Line Network, um consórcio norte-americano de projetos de reuso que tem compartilhado ideias e práticas ao longo da pandemia.
Desde o início da pandemia, a High Line Network — um associação dedicada ao planejamento e execução de projetos de requalificação urbana em toda a América do Norte — tem realizado uma série de encontros virtuais entre seus membros e parceiros, tanto para comunicar informações à respeito dos projetos em andamento quanto para compartilhar experiências de como cada um dos escritórios está lindando com as dificuldades impostas pela recente crise sanitária. Com muitos projetos sobre a prancheta e outros tantos para serem concluídos e inaugurados em breve, a High Line Network acredita que iniciativas como esta passarão a desempenhar um papel ainda mais relevante na vida das pessoas, especialmente à medida que as restrições de circulação começam a ser abrandadas.
Centro Esportivo e Passarela da Rocinha | Autores: Mayerhofer & Toledo Arquitetura e Oscar Niemeyer| Data: 2010 | São Conrado. Via Arqguia Colorir
Arqguia Colorir é um livro de colorir digital que instiga a todas e todos a fazer releitura visual dos principais ícones arquitetônicos da cidade do Rio de Janeiro. Disponível para download gratuito nas versões inglês e português, os desenhos vêm acompanhados de código QR que dão acesso direto à descrição da obra no guia online de arquitetura ArqGuia Rio.
https://www.archdaily.com.br/pt/944637/rio-de-janeiro-ganha-livro-de-colorir-com-tema-de-arquiteturaEquipe ArchDaily Brasil
Cidades ao redor do mundo enfrentam um novo êxodo urbano. À medida que a pandemia do COVID-19 se espalha, as condições de vida e as crises habitacionais são ressaltadas, desde o trabalho remoto até a reconstrução das economias globais. De acordo com um artigo da Fast Company, desde o início da pandemia, quase 40% das pessoas que vivem nas cidades, já consideraram se mudar. Com a possibilidade da pandemia se prolongar por anos, cada vez mais habitantes estão considerando a mudança para áreas rurais e cidades pequenas.
Assim como escolas, restaurantes, centros comerciais e outros locais de aglomeração de pessoas, os museus ao redor do mundo tiveram que fechar as portas com a chegada da Covid-19. Hoje, algumas cidades, onde as taxas de contágio diminuíram significativamente, estão se preparando para a reabertura das atividades consideradas não essenciais. Como parte deste grupo, os museus, que durante o período de isolamento buscaram novas formas de se conectar com o público à distância, devem agora se adaptar a uma nova forma de receber os visitantes.
A cidade de São Paulo vai testar um projeto-piloto que transforma ruas e calçadas normalmente destinadas a vagas de automóveis em áreas externas para bares e restaurantes. A iniciativa foi batizada de "Ocupa Rua" e é capitaneada pela Prefeitura de São Paulo com o escritório de arquitetura Metro Arquitetos Associados e a crítica gastronômica Alexandra Forbes.
Desde o início da pandemia no Brasil muito tem se debatido acerca dos impactos nos diferentes territórios e segmentos sociais. Algo fundamental tanto para encontrar os melhores meios de prevenir a difusão da doença como de proteger aqueles que estão mais vulneráveis. Entretanto, a forma como as informações e os dados têm sido divulgados não auxilia na análise dos impactos territoriais e da difusão espacial da pandemia, dificultando também o seu devido enfrentamento.
Na cidade de São Paulo, a escala de análise da pandemia ainda são os distritos, que correspondem a porções enormes do território e com população maior do que muitas cidades de porte médio. Essa visão simplificadora ignora as heterogeneidades e desigualdades territoriais existentes na cidade. Conforme apontamos anteriormente, infelizmente a dimensão territorial não é considerada de forma adequada, prevalecendo uma leitura simplificada e, até mesmo, estigmatizada, como por exemplo quando se afirma “onde tem favela tem pandemia”.
https://www.archdaily.com.br/pt/942641/instituto-tomie-ohtake-lanca-publicacao-digital-sobre-experiencias-do-corpo-com-a-arquitetura-no-isolamento-socialEquipe ArchDaily Brasil
Um intervenção criada pelo Lmnts Outdoor Studio em Toronto, Canadá, disponibilizou 50 pequenos domos translúcidos individuais para a prática de ioga ao ar livre em isolamento. A principal intenção por trás do projeto é incentivar as atividades físicas em locais abertos, respeitando obviamente, as medidas de distanciamento social.
Florença, Itália. Foto de Jonathan Körner, via Unsplash
Pouco mais de quatro meses após o primeiro caso confirmado de coronavírus no Brasil, e cerca de três meses e meio após os primeiros decretos da quarentena, muitas cidades ainda mantêm medidas restritivas como forma de promover o isolamento social. Apesar da recente flexibilização que alguns estados e municípios têm adotado, as mudanças no cotidiano de arquitetos e estudantes permanecem e a popularidade de atividades remotas, como os cursos online, tem crescido nos últimos meses.
Enquanto muitos escritórios de arquitetura se encontram diante de demandas reduzidas e obras paradas, estudantes estão com aulas interrompidas ou transferidas para a modalidade online. Com mais tempo livre, seja pela diminuição dos deslocamentos ou pela redução de atividades, estudantes e arquitetos têm buscado nos cursos online uma forma de aprimorar ou ampliar conhecimentos em ferramentas, programas e conteúdos teóricos.
O Royal Institute of British Architects (RIBA) publicou orientações para ajudar escritórios a passar por este momento de recuperação da crise do COVID-19 que alguns países já vivenciam. O Roteiro de Recuperação é dividido em três partes: Resposta, Recuperação e Resiliência. Cada fase considera uma série de ações que os escritórios podem adotar para responder aos desafios em diferentes áreas de seus negócios ao longo desta crise e para além dela.
Um dos efeitos colaterais da pandemia global de coronavírus no campo da arquitetura é a reflexão sobre o futuro das cidades e do ambiente construído. Talvez nunca se tenha debatido tanto sobre isso e muitas propostas e visões vêm sendo divulgadas, abordando desde o convívio nos espaços públicos até os pormenores dos novos usos para espaços privados. Em relação às dinâmicas urbanas, mudanças de programa talvez sejam uma possível saída para garantir que bairros comerciais e de serviço mantenham sua vitalidade.
Com mais pessoas trabalhando remotamente, há uma possibilidade de que alguns edifícios comerciais sofram ligeiro esvaziamento. A partir desta reflexão, os arquitetos Matheus Marques, Ricardo Goncalves, Luis Favilla e Rolando Figueiredo, do escritório paulistano Hiperstudio, desenvolveram uma proposta que aborda a conversão de edifícios comerciais monofuncionais em conjuntos de uso misto, incorporando unidades residenciais e espaços de convívio público.