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Uma das turbinas eólicas flutuantes instaladas nas águas de Portugal. Foto: EDP
Entre os dias 31 de outubro e 6 de novembro de 2023, Portugal produziu energia renovável mais do que suficiente para atender todo o país. Isso não significa que as centrais de combustíveis fósseis não estivessem funcionando, mas que a energia limpa gerada era mais do que suficiente para o abastecimento. O resultado é que as tarifas para os consumidores finais também caíram drasticamente.
Enquanto escrevo esse texto uma chuva torrencial toca a janela do quarto. Aqui, no sul do Brasil, há semanas não sabemos o que é a luz do sol. Em várias cidades o volume de chuva já superou o total acumulado dos demais meses do ano. Alagamentos, inundações e deslizamentos são notícias corriqueiras nos jornais regionais. Neste cenário caótico, um estudo apresentado pela Confederação Nacional dos Municípios afirma que, entre as chuvas intensas no sul e a seca no norte do país, 5,8 milhões de brasileiros foram diretamente afetados pela catástrofes em 2023, incluindo casos de perda de vidas, desalojamentos e prejuízos econômicos significativos.
O prognóstico, infelizmente, também não é dos melhores. A versão nacional do renomado relatório de mudanças climáticas do IPCC, documento organizado pelo Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas (PBMC) já alertou: o Brasil, assim como outros países da América Latina, não apenas ficará mais quente com as mudanças climáticas, como também verá seu regime de chuvas mudar drasticamente. Ou seja, aqui no sul, é melhor nos acostumarmos com o barulho da chuva na janela, assim como o norte deve esperar secas históricas.
Entre os dias 23 e 25 de novembro, o ‘Conexão SP/Amazônia: Ação pelo clima’ vai promover seminário de comunicação, arte e urbanismo climático, incluindo oficinas, debates, palestras e exposições gratuitas, no Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo (CCBB SP). Encerrando a agenda, haverá uma intervenção artística na lateral externa do Anexo do CCBB até 25 de dezembro.
Idealizado pelo Novo Acordo Verde, o NAVE e pela plataforma Fervura, o ‘Conexão SP/Amazônia: Ação pelo clima’ usa a linguagem artística e a ocupação do espaço público urbano, estrategicamente, como ferramenta para amplificar a informação e aproximar o público geral de temas como a crise climática e a construção de soluções necessárias para a humanidade e o meio ambiente superar esse que é o maior desafio da história.
No País dos Arquitectos é um podcast criado por Sara Nunes, responsável também pela produtora de filmes de arquitetura Building Pictures, que tem como objetivo conhecer os profissionais, os projetos e as histórias por trás da arquitetura portuguesa contemporânea de referência. Com pouco mais de 10 milhões de habitantes, Portugal é um país muito instigante em relação a este campo profissional, e sua produção arquitetônica não faz jus à escala populacional ou territorial.
Neste episódio da sexta temporada, Sara conversa com o arquiteto e curador Pedro Gadanho sobre a exposição Generation Proxima: Práticas Ambientais Emergentes na Arquitetura Portuguesa. Ouça a conversa e leia parte da entrevista a seguir.
Os países africanos emitiram uma dura declaração conjunta em que cobram os principais países poluidores a ajudar as nações mais pobres a se desenvolver sem destruir ainda mais o clima e a natureza do planeta, como fizeram os países ricos. Os africanos defendem uma taxa global sobre o carbono como forma principal de viabilizar os investimentos sustentáveis nos países vulneráveis.
Subúrbios de Mumbai, na Índia, com telhados de metal nas casas. Uma análise do WRI Índia mostra que, embora a vegetação possa amenizar as temperaturas de superfície nas cidades, uma ampla parcela das residências de Mumbai possui telhados de metal, contribuindo para uma temperatura de superfície mais alta. Foto: KishoreJ/Shutterstock
O atual verão no Hemisfério Norte tem sido tão quente, com as temperaturas atingindo recordes – inclusive no mar –, que as discussões já giram em torno dos limites da sobrevivência humana. Mesmo na Antártida, o gelo marinho não tem conseguido se reconstituir, um desvio drástico em relação aos padrões normais para o inverno. Não é apenas impressão que eventos de calor extremo têm acontecido cada vez mais. Como resultado das mudanças climáticas, o número desses eventos aumentou – e deve piorar.
De fato, na maioria dos anos, o calor é o fenômeno mais letal, matando em média 490 mil pessoas no mundo e causando problemas graves de saúde para muitas outras. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, as mortes em decorrência do calor devem aumentar em 50% até 2050. Mas esse impacto não é distribuído de forma equilibrada, tanto ao redor do mundo quanto dentro das comunidades: populações que já vivem em condições mais vulneráveis são as que enfrentam os maiores riscos.
https://www.archdaily.com.br/pt/1006087/como-resfriar-as-cidades-com-o-planeta-cada-vez-mais-quenteEric Mackres, Gorka Zubicaray e Bina Shetty
Todos os dias, governos, instituições financeiras e corporações têm uma decisão a tomar: investir em ativos físicos que emitem gases do efeito estufa e prejudicam a natureza ou priorizar o desenvolvimento de soluções verdes que fomentam uma economia estável, resiliente e equitativa. À medida que as comunidades enfrentam os impactos severos das mudanças climáticas, a decisão de construir um futuro sustentável fica mais evidente.
https://www.archdaily.com.br/pt/1006690/6-mudancas-necessarias-para-o-sistema-financeiro-ajudar-a-promover-um-futuro-sustentavelAnderson Lee
Situação em Rio Branco, capital do Acre. Foto: Pedro Devani | Secom
A última semana foi de caos e desespero para milhares de famílias brasileiras que vivem no Norte e Nordeste do país. Fortes chuvas atingiram cidades localizadas no Pará, Maranhão, Acre e Amazonas, centenas de residências foram alagadas enquanto outras foram totalmente destruídas pelas correntezas.
Muita coisa aconteceu desde que os países se encontraram em Paris, em 2015, e estabeleceram um acordo para combater as mudanças climáticas. Até aqui, mais de 196 países ratificaram ou se juntaram de alguma maneira ao Acordo Climático de Paris, representando mais de 96% das emissões globais dos gases de efeito estufa. Em paralelo, 57 países – incluindo Estados Unidos, Japão, Canadá, Alemanha e México –, também elaboraram planos de longo prazo para descarbonizar suas economias.
https://www.archdaily.com.br/pt/998221/a-trajetoria-dos-10-maiores-emissores-de-carbono-desde-o-acordo-de-parisJohannes Friedrich, Mengpin Ge e Andrew Pickens
Reunindo pesquisas científicas atuais, um novo relatório de ciência climática do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) da ONU foi aprovado e divulgado depois de intensas negociações entre os principais cientistas do mundo e governos. Com 37 páginas, o Relatório de Síntese da Sexta Avaliação do IPCC (AR6), reúne seis relatórios científicos e políticos aprofundados, e tem como público alvo principal os formuladores de políticas.
As chuvas que atingiram o Litoral Norte de São Paulo neste Carnaval foram as maiores já registradas no Brasil em 24 horas. O resultado é uma tragédia ambiental que provocou uma série de alagamentos e deslizamentos – milhares de pessoas estão desabrigadas e 48 mortes foram confirmadas.
O governo federal, estadual e a prefeitura de São Sebastião estão trabalhando em conjunto para reestabelecer os serviços e acessos para a região. Com a abertura de algumas estradas, o pedido é que os turistas deixem o Litoral Norte o mais rápido possível. No feriado de Carnaval, São Sebastião recebe mais de 500 mil pessoas, número 5 vezes maior do que a população da cidade de cerca de 91,6 mil pessoas. A população extra aumenta a pressão por atendimentos e mantimentos.