Poucos se lembram ou sequer se dão conta, mas graças ao status de Capital Federal, Brasília é possuidora de um excepcional acervo de arquitetura estrangeira, quase todo ele constituído por complexos diplomáticos. Localizado nos Setores de Embaixadas Sul e Norte, neles se encontram principalmente legações nacionais, das quais a primeira a ser concluída foi a da Iugoslávia, inaugurada já em 1965. Atual Embaixada da Sérvia e Montenegro, foi projetada por Alexander Brezovski e é representativa da estética de formas ortogonais do modernismo dos primeiros anos da cidade.
Cinco vigas similares unidas num ponto e logo abertas em leque conformam o perímetro da laje de cobertura que em projeção horizontal forma um triângulo isósceles de vinte e cinco metros de base e vinte e nove metros de altura.
Brasília, a capital federal do Brasil, foi projetada pelo arquiteto-urbanista Lúcio Costa – inicialmente – para 500 mil habitantes (atualmente possui mais de dois milhões). Sua construção iniciou-se em 1956 e contou com inúmeros edifícios desenhados pelo nosso arquiteto Oscar Niemeyer. Brasília é a única cidade do século XX declarada Patrimônio da Humanidade pela Unesco.
A seguir, apresentamos algumas fotografias do fotógrafo franco-brasileiro Marcel Gautherot durante sua construção. Nelas aparecem emblemáticos edifícios como o Palácio do Planalto, a Catedral Metropolitana de Nossa Senhora Aparecida e o Congresso Nacional, todos obras de Niemeyer.
https://www.archdaily.com.br/pt/765687/brasilia-em-construcao-por-marcel-gautherotKaterina Gordon
Os membros do Conselho de Planejamento Territorial e Urbano do Distrito Federal (Conplan) aprovaram recentemente o artigo do Plano de Preservação do Conjunto Urbanístico de Brasília (PPCub) que prevê a construção de uma garagem subterrânea para 10 mil veículos no gramado central da Esplanada dos Ministérios. Essa possibilidade havia sido vetada pelo grupo de técnicos e especialistas, formado pela Câmara Legislativa para revisar o PPCub, mas acabou aprovada na votação de semana passada.
Oscar Niemeyer nunca foi um erudito, nunca lhe interessou as teorias, os jargões, os clichês. Seu traço torto sempre foi preciso. Sempre levou consigo o peso de suas ideais. Ou, talvez, era somente uma ideia que tinha, simples e inocente: presentear beleza ao mundo. E assim o fez. Presenteou mais de quinhentas obras aos homens de diversas nações, durante seus cento e quatro anos de vida dedicados à arte da arquitetura.
No Brasil do século XXI, cujas cidades - onde vivem 85% da população nacional - são palco de contradições, violência, “incivilidades”, especulação imobiliária e disputas de poder, o espaço público parece sucumbir ao medo e à segregação, atuando, cada vez menos, como cenário de trocas culturais e de convívio cidadão.