Enquanto um espaço eminentemente hegemônico, em que os homens brancos cisgênero representaram ao longo do tempo e ainda representam a maioria nas posições de maior prestígio — desde as lideranças de grandes escritórios às premiações internacionais, como o Prêmio Pritzker —, a prática arquitetônica tradicionalmente tem invisibilizado a trajetória e experiência profissional de muitas arquitetas.
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Frame de "Meu negro", de Ricardo Aleixo. Imagem: Reprodução/Youtube
A coletiva Terra Preta Cidade publicou um trecho da entrevista realizada por Natália Alves com Ricardo Aleixo - que é poeta, artista visual e sonoro, performador, pesquisador das poéticas intermídia, cantor, compositor, ensaísta e editor -, onde, em um encontro especial, Ricardo contou seus enredamentos com a cidade, espaço urbano, o corpo, a performance, questões raciais, entre outras coisas.
https://www.archdaily.com.br/pt/956724/performancidade-entrevista-com-ricardo-aleixoTerra Preta Cidade
É neste contexto que realizamos a entrevista a seguir, na qual perguntamos sobre seus interesses atuais, as motivações territoriais e seus projetos colaborativos, além de discutirmos sobre sua carreira ascendente, seus próximos projetos e prospecções para o futuro da arquitetura do Chile.
A arquiteta e urbanista Nadia Somekh, de São Paulo, foi eleita hoje presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU/BR) para o triênio 2021-2023. É a primeira vez que uma mulher ocupa o cargo. A escolha se deu, por votação secreta, entre os 28 conselheiros federais. A arquiteta obteve 19 novos votos. Em seu plano de gestão, Nadia Somekh afirma que “a conjuntura do país e a ameaça em curso às entidades profissionais representativas demandam uma dupla postura”.
The Liberal Archive (2020). A proposal for an open repository of digital and material culture, located next to the British Library in London. Image Courtesy of Adam Nathaniel Furman
Para uma profissão que gosta de se vangloriar por suas boas intenções e que se acha super liberal, diversa, aberta e progressista, no contexto do Reino Unido e além, por outro lado, podermos dizer que a arquitetura é completamente o oposto disso tudo. A profissão da arquitetura foi, ao longo de toda sua história, e permanece sendo nos dias de hoje, um território dominado por uma pequena comunidade de origem abastada. Atualmente, ainda que o Reino Unido tenha sido responsável pela formação de uma horda de arquitetas brilhantes ao longo das últimas décadas, a indústria da arquitetura e da construção civil ainda não foi capaz de estabelecer um piso salarial congênere e independente de gênero. Como consequências disso, a profissão da arquitetura tem assistido historicamente uma imensa perda de arquitetas mulheres após os 30 anos de idade, principalmente por ser incapaz de consentir um equilíbrio entre o trabalho e a vida familiar. Etnicamente falando, a arquitetura é uma profissão majoritariamente branca, isso considerando que estamos entrando no ano de 2021. Uma suposta luz no fim do túnel é a suposta aceitação da comunidade LGBTQ dentro de uma disciplina que se auto denomina inclusiva, mas assim como muitas arquitetas mulheres denunciam com frequência, minorias religiosas e étnicas bem como toda a comunidade não heteronormativa costumam conviver diariamente com comentários não profissionais e inadequados.
Croqui autografado em folha de ouro de 24k da Casa da Família Abrahamic por David Adjaye. Cortesia de ARCH
Recém lançada, a Architecture for Change (ARCH ) é uma iniciativa sem fins lucrativos dedicada a combater o racismo sistêmico na indústria da arquitetura e construção civil. Como parte de sua primeira série de ações, a ARCH realizou um leilão online com obras — esboços, maquetes, plantas, fotografias etc. — doadas por alguns dos mais importantes nomes da arquitetura contemporânea, incluindo Sir David Adjaye, Daniel Libeskind, Michel Rojkind, David Rockwell, Jennifer Bonner, Trey Trahan entre outros.
O IABsp acaba de registrar seu novo Estatuto Social, aprovado pelo Conselho Superior do IAB (Cosu) em de setembro deste ano, colocando em vigor a primeira grande mudança de estrutura estatutária desde 1957. A proposta do estatuto agora vigente havia sido aprovada em assembleia geral do IABsp em agosto, por unanimidade dos 80 associados presentes. As mudanças buscam elevar os patamares de transparência e representatividade, além de tornar mais eficazes a gestão e a governança do departamento paulista, fortalecendo seu papel institucional.
https://www.archdaily.com.br/pt/953588/genero-raca-transparencia-e-governanca-no-novo-estatuto-do-iab-sao-pauloFernando Túlio, Gabriela de Matos, Hannah Machado e Rafael Mielnik
O acesso à moradia adequada é difícil em um país como o Brasil, que possui um déficit habitacional de 6,3 milhões de moradias (FUNDO FICA, 2019). A lógica perversa do mercado imobiliário – em que os custos de compra de terras e imóveis e mesmo de aluguel são altíssimos –, associada à carência de políticas públicas de provisão habitacional – em um contexto social em que famílias com renda de até dois salários mínimos residentes em áreas urbanas gastam 41,2% da renda familiar em despesas de consumo com à habitação (GUERREIRO; MARINO; ROLNIK, 2019) –, fazem com que a aquisição da casa própria seja extremamente difícil para as camadas mais pobres da população.
O ArchDaily tem o orgulho de anunciar a seleção de Jovens Escritórios 2020. Esta primeira edição destaca escritórios e profissionais emergentes que mostram abordagens, propostas e soluções inovadoras para alguns dos maiores desafios da atualidade. Da crise climática a questões de raça e gênero; da evolução tecnológica à coesão social – estes desafios estão alterando o curso da arquitetura, posicionando a disciplina no contexto de uma nova sociedade e economia.
Escolhidos dentre mais de 350 inscritos de 72 países e 215 cidades de todas as regiões do globo, os escritórios e profissionais selecionados refletem as mudanças pelas quais a arquitetura tem passado nos últimos vinte anos, com o surgimento e consolidação de novas tecnologias, ferramentas, formatos, tópicos, escalas e abordagens interdisciplinares.
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Background photograph courtesy of Charlie Hui, Viswerk. 2020
Liderado por Khensani de Klerk e Solange Mbanefo, Matri-Archi é um coletivo com sede na Suíça e África do Sul que visa aproximar e empoderar mulheres para a educação espacial e o desenvolvimento das cidades africanas. Por meio da prática projetual, textos, podcasts e outras iniciativas, Matri-Archi — eleito um dos melhores novos escritórios de 2021 pelo ArchDaily — se dedica ao reconhecimento e à capacitação das mulheres no campo espacial e na indústria da arquitetura.
O ArchDaily teve a oportunidade de conversar com as codiretoras do coletivo sobre temas como espaço hegemônico, arquitetura informal, tecnologia, idiossincrasias locais e o futuro das cidades africanas e globais. Acompanhe a entrevista a seguir.
O mês de novembro é marcado por diversas ações de sensibilização e conscientização acerca da luta do povo negro em uma sociedade tão racista, e principalmente um momento essencial para a branquitude se tornar cada vez mais protagonista nas práticas antirracistas.
Um dos blocos residenciais da Vila São Miguel, localizada na Asa Norte do Plano Piloto de Brasília, desenvolvido por Mayumi Watanabe. Imagem: Reprodução/Revista Habitare
A Altamira Editorial disponibilizou gratuitamente o livro Arquitetas e arquiteturas na América Latina do século XX para download em seu website. De autoria de Ana Gabriela Godinho Lima, a publicação reúne um "levantamento da atuação das arquitetas latino-americanas do século XX, no campo da produção teórica e prática do edifício."
A justiça do projeto é baseada na experiência pessoal e construída por meio de ações cotidianas. Wandile Mthiyane é um arquiteto que personifica essa ideia, um ativista que cresceu em Durban, na África do Sul, durante o Apartheid. Desde jovem sentiu-se atraído pela construção e pelo design, um contexto diretamente ligado à sua infância. Com o tempo, percebeu que queria construir um futuro melhor trabalhando para desfazer os efeitos arquitetônicos da segregação racial institucionalizada. Hoje, Wandile é reconhecido por estratégias que geram impacto social, incluindo seu trabalho para transformar sua cidade natal, Durban.
Grupo BANGA. Em sentido horário: Yolana Lemos, Kátia Mendes, Gilson Mendes, Mamona Duca e Elsimar de Freitas. Image Cortesia de Grupo BANGA
O momento talvez nunca tenha sido tão propício a investirmos nossas energias em projetos virtuais, afinal, fomos parcialmente privados do contato com o mundo concreto das coisas. Explorando a particularidade do momento atual e a potência de engajamento da internet, um grupo de arquitetas e arquitetos de Angola deu início a um trabalho ambicioso: buscar uma nova identidade para a arquitetura angolana.
Abordar o contexto de ampliação das diferenças políticas e crescentes desigualdades econômicas. Um novo contrato espacial. Apreender como viveremos juntos. As indagações trazidas por Hashim Sarkis, curador da próxima Bienal de Veneza, podem levantar importantes questões sobre como a arquitetura atravessa e concretiza os conflitos sociopolíticos. Para compreender um ponto de vista descentralizado e que aponta para outras possibilidades além das impostas por um pensamento normativo, entrevistamos Tainá de Paula, arquiteta e mobilizadora comunitária em áreas periféricas.
Tiffany Brown com estudantes. Imagem Cortesia de Tiffany Brown, 400 Forward
Pioneira em justiça, equidade, diversidade e inclusão na profissão da arquitetura, Tiffany Brown é a fundadora do 400 Forward, uma iniciativa que busca, inspira e orienta a próxima geração de mulheres arquitetas. Nomeado à luz do licenciamento da 400ª arquiteta afro-americana em 2017, o programa visa familiarizar as meninas com a arquitetura, fornecendo-lhes ferramentas para lidar com questões de injustiça social.
Impulsionando a presença de mulheres afro-americanas na profissão da arquitetura – atualmente menos de 0,3% nos EUA – 400 Forward também oferece bolsas e material de estudo para exames de licenciamento em arquitetura para mulheres afro-americanas. Para saber mais sobre a iniciativa, o ArchDaily teve a oportunidade de conversar com a fundadora Tiffany Brown sobre o programa, a diversidade no campo e o empoderamento das arquitetas e estudantes.