Dona Auxiliadora, garimpeira da Praça Dom Orione. Imagem de autoria própria
O exercício de observar um espaço, levando em conta suas complexidades históricas, sociais e sensoriais, é um ato que deveria ser presente no cotidiano de quem faz arquitetura. Este ato, qualifica ações que dialogam com aquela espacialidade. Por isso, se torna essencial o uso da arquitetura como uma ferramenta de compreensão das dinâmicas dos ambientes que frequentamos.
Edward James, um dos mais interessantes excêntricos do século XX, colecionador de arte surrealista e identificado por uma fina sensibilidade, chegou em Xilitla, México, no final da década de 40. O escritor britânico ficou cativado pelo esplendor da paisagem de "Las Pozas", onde criou um lar fantástico, que integra um espaço escultórico único em seu tipo no mundo inteiro.
O Surrealismo, que têm nos sonhos e inconsciente suas fontes de inspiração e criação, em teoria jamais poderia ser edificado. Edward James – descrito por Salvador Dalí como “mais louco que todos os surrealistas juntos” – concebeu um Jardim de Esculturas que desafia qualquer rótulo arquitetônico e nos convida a um novo olhar, que transita entre a fantasia e a realidade.
Colunas com capitéis de flores gigantes, arcos góticos, portões dramáticos, pavilhões com níveis indeterminados e escadas em espiral que terminam abruptamente no meio do ar - como um convite ao horizonte. Em síntese, Edward James fez o concreto florescer junto da exuberante flora e fauna de Xilitla, concebendo uma possível arquitetura surrealista.
Fotografía base via Wikipedia. Autor: AngMoKio. Licencia bajo CC BY-SA 2.5 . Image Cortesía de 90Grados Arquitectura-Renderings
A 90GRADOS é especializada na criação de renders arquitetônicos de alta qualidade e, nesta ocasião, nos apresenta a construção virtual de um arranha-céu que ficou inacabado em Nova York após a Grande Depressão de 1929: o Metropolitan Life North Building.
https://www.archdaily.com.br/pt/1130963/como-teria-sido-o-inconcluso-metlife-north-building-de-nova-yorkArchDaily Team
Os escritórios Snøhetta e Hassell foram anunciados como os vencedores de um concurso internacional para transformar a região de Harbourside, em Darling Harbour, Sydney, em um novo destino de uso misto. A proposta foi selecionada pelo júri por sua visão de um espaço que promove a união de pessoas, apresentando um centro integrado de compras, hotelaria e entretenimento, uma torre residencial exclusiva de 42 andares, além de uma reconfiguração dos espaços públicos à beira-mar.
Ronald Lu & Partners projetou um novo empreendimento de desenvolvimento orientado ao transporte (TOD) em Shenzhen, reestruturando uma antiga zona industrial próxima ao Porto de Chiwan. O projeto se baseia na vasta experiência do escritório em arquitetura sustentável e TODs, propondo um complexo biofílico que recupera a natureza local. Reunindo programas residenciais, corporativos, comerciais e educacionais, a proposta deve se tornar um polo urbano fundamental na região da Grande Baía, que conecta a província de Guangdong, Hong Kong e Macau.
O Snøhetta acaba de ser anunciado como o grande vencedor do concurso de arquitetura para a revitalização da Praça Eliel e Asema em Helsinque, um espaço cívico de importância histórica próximo à estação ferroviária central da capital finlandesa. Desenvolvido em parceria com os escritórios locais Davidsson Tarkela Oy e WSP, a projeto apresentado pela equipe encabeçada pelo Snøhetta visa contribuir com as metas ambientais estabelecidas pela cidade para os próximos anos, reconectando importantes elementos do tecido urbano histórico de Helsinque à estação ferroviária, proporcionando uma maior permeabilidade e acessibilidade à região central da cidade além de promover novos usos e atividades ao ar livre.
Muitas são as vezes que os projetos de arquitetura se empenham para fugir dos sistemas forçados de refrigeração a partir de estratégias passivas que amparam a ventilação cruzada e o controle de insolação e ganho de calor. A implantação da construção, o posicionamento de aberturas, os brises e elementos de sombreamento são a chave para reduzir o uso de ar-condicionado, porém, em algumas situações, essas estratégias não são suficientes para vencer as altas temperaturas e é necessário recorrer às tecnologias de refrigeração. Entenda o que é e como incluir o ar-condicionado em sua casa de maneira discreta e eficiente.
Passarela de Pedestres da Northeastern University (PedX). Imagem cortesia de Payette
A Payette é um estúdio que repensa o que significa exercer a profissão hoje. Ainda que seja essencialmente um escritório de arquitetura, a empresa se apoia em uma abordagem interdisciplinar que abrange paisagismo, design de interiores, ciência da edificação, estratégias espaciais, visualização de projeto, fabricação, computação e pesquisa. Para o sócio-diretor Leon W. Drachman, a Payette é um escritório que transita por uma ampla variedade de escalas para reinventar o design, desde o plano diretor de um campus até detalhes de fachada.
O escritório KCAP revelou o projeto vencedor do concurso para o Plano Diretor Estratégico da Área do Aeroporto de Keflavík, na Islândia, que abrange uma área de 55 quilômetros quadrados ao redor do hub de aviação global do país. Desenvolvido em conjunto com o escritório Felixx Landscape Architects & Planners, a Kanon Arkitektar e uma equipe multidisciplinar de profissionais de diversas áreas, o plano diretor propõe um “desenvolvimento colaborativo entre os setores público e privado”, buscando transformar áreas específicas no entorno do aeroporto em referências para as estratégias econômica e de sustentabilidade do país.
O arquiteto dinamarquês Bjarke Ingels uniu forças com os empresários de tecnologia e imóveis Nick Chim e Roni Bahar para criar a Nabr, uma nova empresa de construção de moradias que oferece ao público apartamentos espaçosos, personalizados e sustentáveis com a possibilidade de o cliente se tornar proprietário deste apartamento através de financiamento. A startup de tecnologia imobiliária estreou seu primeiro empreendimento, o SoFA One, no coração do distrito cultural South of First Area (SoFA) em San Jose, no Vale do Silício. Ela permitirá que os residentes personalizem seus apartamentos utilizando a plataforma digital da Nabr e escolham entre diferentes designs e opções de financiamento.
O mundo certamente se revela de forma diferente aos olhos de uma criança; tudo parece enorme, curioso e também desafiador. Não é por acaso que há muito se acredita que a nossa perspectiva de mundo é moldada justamente nos primeiros anos de nossas vidas. Quando questionado sobre suas memórias de infância na Suíça, Peter Zumthor afirmou que é exatamente na experiência de mundo de uma criança que reside a mais profunda sensibilidade arquitetônica. É neste lugar que Zumthor diz encontrar os as atmosferas e as imagens arquitetônicas que ele procura explorar em seu trabalho como arquiteto hoje.
Para melhor compreender a forma como uma criança cresce e se desenvolve física e psicologicamente ao longo dos anos é preciso estar atento a uma série de diferentes fatores, como a herança genética, as interações que têm com outras crianças e adultos, assim como as características dos ambientes onde vivem, aprendem e se divertem. Penando nisso, e em comemoração ao Dia Mundial da Criança, nós do ArchDaily decidimos listar aqui alguns projetos da nossa base de dados que nos oferecem um vislumbre sobre algumas das estratégias utilizadas por arquitetos e designers para estimular a autonomia das crianças e promover seu bem-estar físico e mental através do espaço construído.
Carme Pinós acaba de receber o Prêmio Nacional de Arquitetura da España de 2021, consentido pelo Ministério dos Transportes, Mobilidade e Planejamento Urbano da Espanha.
Organizada pela Sociedad Central de Arquitectos (SCA) e pela Cámara de la Industria de la Cerámica Roja (CICER), esta premiação tem como objetivo destacar a produção arquitetônica focada no uso de blocos cerâmicos, bem como o trabalho de arquitetos e arquitetas em projetos realizados com esse tipo de material. Por meio de obras cujo elemento predominante seja o tijolo furado, busca-se promover seu uso como elemento sustentável a longo prazo, tanto em ambientes urbanos quanto rurais.
Em 2019, o arquiteto japonês Kengo Kumavenceu o concurso para projetar a expansão dos jardins da Fundação Gulbenkian e a nova entrada da Coleção Moderna do Museu em Lisboa, Portugal. Segundo o arquiteto, o museu pode ser um "belo exemplo do futuro como coexistência entre a Terra e nós", inspirando-se na natureza e em sua relação com a arquitetura. Em um episódio recente do podcast No País dos Arquitectos, Sara Nunes entrevista Kengo Kuma e Rita Topa, arquiteta do escritório Kengo Kuma & Associates, para conversar sobre a expansão dos jardins e do museu, além da missão da arquitetura e do papel do/a arquiteto/a, dos processos e das referências de trabalho desenvolvidas para o projeto.
https://www.archdaily.com.br/pt/1130458/kengo-kuma-e-rita-topa-falam-sobre-a-renovacao-do-centro-de-arte-moderna-gulbenkian-e-de-seus-jardins-em-portugalNo País dos Arquitectos
O escritório Heatherwick Studio divulgou sua proposta de intervenção para o centro da cidade de Nottingham, Reino Unido. Um desenho que cria um novo centro arborizado e remodela o antigo centro comercial, localizado no coração da cidade, sem deixar de aproveitar seu potencial turístico. Propondo uma nova e ampla área verde que oferece aos habitantes a possibilidade de se conectar com a natureza, o projeto não só traz novos espaços de convívio, comércio e edifícios de uso misto ou residenciais, como também prevê ligações viárias do centro com outras regiões da cidade. Esse projeto representa uma redefinição de centro de cidades e a forma como se organizam.
No início da década de 1920, uma época na qual as mulheres sequer podiam trabalhar sem a autorização do marido, Carmen Portinho ingressou no curso de engenharia na Escola Politécnica da Universidade do Brasil. Na vanguarda da profissão, como uma das três primeiras mulheres a se formarem engenheiras no Brasil, ela abria campo em um espaço de domínio inteiramente masculino.
Projetada há mais de 20 anos, a sede da Atika carrega o selo característico da obra de Gonzalo Mardones. Trata-se de um edifício de pé-direito duplo e espaços integrados que giram em torno de uma escada escultórica central; um edifício concebido para se tornar uma grande vitrine para Vitacura, o bairro onde está localizado.
Graças aos seus materiais atemporais e à sua configuração espacial adaptável, o edifício permitiu, inclusive durante os meses de confinamento, manter seu funcionamento e o atendimento a clientes e arquitetos/as sem problemas. Conversamos com Gonzalo Mardones, que nos conta sobre o processo de projeto do edifício e, especificamente, sobre a escolha de seus materiais.
Com objetivo de conhecer os arquitetos, os projetos e as histórias por trás da arquitetura portuguesa de referência, Sara Nunes, da produtora de filmes de arquitetura Building Pictures, lançou o podcastNo País dos Arquitectos, em que conversa com importantes nomes da arquitetura portuguesa contemporânea.
No episódio desta semana, Sara conversa com os arquitetos Susana Rosmaninho e Pedro Azevedo, do atelier Rosmaninho + Azevedo, sobre o projeto para o Centro Interpretativo do Vale do Tua, localizado na cidade de Carrazeda de Ansiães. Reveja as outras entrevistas realizadas pelo podcast No Pais dos Arquitectos e leia a transcrição da entrevista com Andrade, a seguir.
Atualmente, o design de banheiros e louças presencia um distanciamento claro do minimalismo contido e dos tons pastéis desbotados que marcaram a virada do milênio. Cada vez mais, esses espaços incorporam cores ousadas ou texturas e padrões marcantes — elementos presentes tanto nas cerâmicas quanto nos metais e acessórios —, proporcionando uma experiência multissensorial mais rica e complexa.
Sergei Tchoban (n. 1962, São Petersburgo, Rússia) graduou-se no Instituto Repin de Pintura, Escultura e Arquitetura da Academia de Artes da Rússia em São Petersburgo em 1986. Iniciou sua carreira profissional na Rússia, mas partiu para a Alemanha em 1991, tornando-se sócio-gerente do escritório nps tchoban voss em Berlim em 1995. Desde 2006, também lidera o SPEECH, um dos principais escritórios de arquitetura de Moscou. Além de construir uma carreira de sucesso como arquiteto atuante, ele é colecionador de desenhos de arquitetura, editor e proprietário de museu.
Fora da China, as projeções arquitetônicas costumam se comportar como individualistas orgulhosas, competindo pela atenção da noite. Na China, no entanto, é comum encontrar em diversas áreas metropolitanas conjuntos de projeções de fachadas que transmitem uma mensagem unificada. Essas projeções integram visualmente múltiplos arranha-céus em uma entidade panorâmica única. Mas por que esse fenômeno ocorre especificamente na China? E como ele começou? A Bienal de Arquitetura de Mídia conecta política e cultura para oferecer respostas sobre a emergência dessa paisagem digital chinesa.
O prêmio RIBA House of the Year, que destaca a melhor residência unifamiliar projetada por arquitetos no Reino Unido, foi concedido este ano à House on the Hill, projetada por Alison Brooks Architects. Localizada em Gloucestershire, a casa consiste em uma extensão contemporânea de uma casa de fazenda do século XVIII que funciona como residência e como acervo de arte. Construída ao longo de mais de dez anos, o projeto cria uma rica experiência espacial ao estabelecer uma forte conexão entre a casa e a paisagem. O júri elogiou a casa pelo “amálgama de arquitetura, paisagem, habitação e arte” que consegue criar um ambiente leve e tranquilo.
Ao descrever o processo de estruturação espacial da cidade de São Paulo, o professor Flávio Villaça constata que o seu crescimento no período entre a construção da ferrovia São Paulo Railways, em 1867, e o início do século XX foi voltado predominantemente para a burguesia pois, na época, as camadas populares ainda não constituíam um mercado significativo para terrenos urbanos.
via Gobierno de Ciudad Autónoma de Buenos Aires sob Licença CC BY 2.5 AR
A Avenida Del Libertador, que começa no bairro do Retiro, na Cidade Autônoma de Buenos Aires, e termina seu percurso após 35 quilômetros no Canal San Fernando, ao norte da Grande Buenos Aires, busca se transformar em um espaço amigável para pedestres, ciclistas, motoristas e usuários do transporte público. A proposta prevê recuperar os espaços para os pedestres, incorporar ciclovias unidirecionais em cada lado da avenida e plataformas para aguardar os ônibus, integrar novas espécies arbóreas ao traçado e implementar novas tecnologias para, também, melhorar a circulação de veículos.