Nas últimas duas décadas, as ramificações sociais e econômicas das vias urbanas foram destacadas à medida que uma grande parte dessa infraestrutura de meados do século chega ao fim de sua vida útil, suscitando conversas sobre seu papel no planejamento urbano contemporâneo. A remoção das vias expressas implica na substituição da infra-estrutura de transporte por novos desenvolvimentos urbanos, amenidades verdes e redes viárias alternativas para promover um ambiente urbano mais saudável e um crescimento inteligente. Em alguns casos, a ideia de remoção é recebida com preocupação sobre o potencial aumento do tráfego e a gentrificação das áreas adjacentes à via, mas a pandemia exacerbou ainda mais a necessidade de espaços públicos de qualidade e colocou em questão, mais uma vez, a hegemonia do carro. A seguir, destacam-se vários projetos de remoção de vias expressas, discutindo como essas intervenções restauram o tecido urbano, reordenam comunidades e recuperam espaços urbanos para os habitantes da cidade.
A International Contemporary Furniture Fair (ICFF) e a WantedDesign Manhattan acontecerão no Jacob K. Javits Convention Center em Nova York, de 15 a 17 de maio de 2022. Imagem cortesia de ICFF
Nos primórdios da pandemia, a curadora do MoMA, Paola Antonelli, e a crítica de design baseada em Londres, Alice Rawsthorn, iniciaram uma série de lives no Instagram chamada Design Emergency. A iniciativa documentou as soluções de design mais impressionantes que surgiram durante a crise da Covid-19 — aquelas que enfrentavam necessidades urgentes de saúde e da sociedade com foco, clareza e velocidade sem precedentes, muitas vezes de maneira bastante local. Em maio ocorre o lançamento do livro originado dessas conversas com os protagonistas da resolução de problemas, direcionando o debate para o próximo foco do mundo do design: como aproveitar essa experiência e atuar como agente de mudança. Portanto, no momento em que as feiras de design de Nova York, a International Contemporary Furniture Fair (ICFF) e o WantedDesign Manhattan, retornam ao seu período habitual de primavera, de 15 a 17 de maio, no Jacob K. Javits Convention Center, é muito oportuno que a voz de Antonelli seja ouvida na palestra principal "Design Emergency: Building a Better Future".
Vinte anos após sua primeira edição na Colômbia, o Taller Social Latinoamericano retorna ao país sul-americano. Nesta edição, estudantes de toda a América Latina, juntamente com arquitetos e arquitetas da Colômbia, Equador e Chile, realizam intervenções em três áreas da cidade cafeeira de Manizales: desde um povoado rural no meio da cordilheira até um parque autogestionado e as encostas de um bairro informal de pedestres.
Desta vez, convidamos você a conhecer o andamento do trabalho das equipes de arquitetura que integram o TSL XVIII, o Taller Social Latinoamericano em Manizales.
Como seria um projeto se as emoções do usuário fossem parte do programa? Planejar ambientes que possam acolher diferentes sensações é, segundo o Pinterest Predicts 2022, uma das tendências de decoração para os próximos anos. Cada vez mais pessoas tem procurado como montar quartos que proporcionam uma exaltação de seus sentimentos, não importa se o objetivo é ficar mais tranquilo, externar sua raiva, ouvir música ou fazer uma atividade de lazer, o foco da dita "decoração emotiva" está em fazer com que as emoções fluam livremente e de forma segura.
Imagem da Orla de Santos. Image via Reportagem de Altair Santos
Na década de 1970 edifícios da Orla de Santos, em São Paulo, começaram a entortar, causando curiosidade nos moradores e visitantes da cidade. Esse fenômeno pode ser visto como resultado de um processo de urbanização rápida e desregulada, que se manifesta em uma questão técnica da construção dos edifícios.
Santos, uma das maiores cidades do litoral paulista, com uma população estimada de mais de 430 mil habitantes (IBGE 2020), localizada na região metropolitana da Baixada Santista e próxima à cidade de São Paulo, foi uma das primeiras vilas a serem desenvolvidas após a colonização portuguesa do século XVI. Antes disso, porém, seu território era intensamente tomado pelo bioma da Mata Atlântica e ocupado por povos indígenas, como os Guarani Mbya e Tupi-Guarani.
O escritório Pelli Clarke & Partners, em colaboração com o Sichuan Provincial Architectural Design and Research Institute (SADI), venceu o concurso internacional para o plano diretor do novo Yibin Station Gateway Development. O projeto responde ao futuro status da cidade como um importante polo de transportes, com a previsão de cruzamento de duas novas linhas de trem de alta velocidade em Yibin, o que tornará a cidade um ponto de conexão entre os quatro principais centros urbanos do oeste da China. A proposta se inspira na floresta de bambu vizinha e em seu sistema de raízes rizomáticas, com foco na resiliência e na interconectividade.
Entrega de cestas básicas. Colagem realizada a partir de imagens disponibilizadas por Facebook da MTST-Leste 1. Autoria própria
Com a pandemia do coronavírus, a questão da moradia ganhou ainda mais importância. O que já era um tópico de grande relevância nos territórios populares – através da aquisição da casa própria o trabalhador passa a ser reconhecido efetivamente como parte integrante da cidade – ganha magnitude, uma vez que a não obtenção de condições mínimas podem ser fatores de mortalidade; se tornando essencial a necessidade de ter acesso à habitação adequada, com direito a infraestrutura e bem localizada.
O ranking das melhores cidades do mundo para se viver em 2022 produzido pela Global Finance acaba de ser divulgado. Realizado a partir de oito parâmetros diferentes que calculam e comparam a qualidade de vida das pessoas que vivem em áreas urbanas, como economia, cultura, população, meio ambiente etc., a edição deste ano também levou em consideração o número de mortes por Covid-19 para cada mil habitantes nos diferentes países. Com dados do Global City Power index, Johns Hopkins University, Statista e Macrotrends, a lista busca oferecer uma visão completa, unindo métricas tradicionais a novos fatores.
O primeiro lugar ficou com Londres, no Reino Unido, uma cidade que, embora não tenha obtido classificações altas em suas métricas de Covid-19, ainda lidera a lista devido às pontuações em cultura, acessibilidade e crescimento populacional. Tóquio ficou com a segunda posição, mostrando pontuação baixa no parâmetro população, decaindo em número de habitantes na última década. Xangai vem em seguida, na terceira posição, devido aos números relativamente baixos de mortes por Covid-19 e ao forte crescimento populacional. Singapura e Melbourne ficaram em 4º e 5º lugares.
Há e sempre existiram mulheres arquitetas, planejadoras e políticas urbanas inspiradoras, mas em todo o mundo, as profissões de ambiente construído – e em particular seus escalões superiores – permanecem fortemente dominadas por homens, mais do que outras esferas, como educação ou saúde.
A crise climática tem acentuado as mudanças de quantidade de chuvas, provocando secas ou tempestades com grande volume de água, que resultam em enxurradas que podem causar um grande dano à infraestrutura urbana. Para combater isso, a cidade-esponja é uma solução que conta com uma infraestrutura verde para operar a infiltração, absorção, armazenamento e, até mesmo, purificação dessas águas superficiais.
É sabido que a indústria da construção está entre as maiores produtoras de CO2. Embora muito se tenha avançado na tecnologia e nos processos de projeto e construção, ainda há um longo caminho a percorrer para reduzir ao mínimo ou a quase zero as emissões de carbono no desenvolvimento dos habitats construídos.
Afinal, hoje em dia, por mais revolucionária que a indústria da construção possa parecer, ela é responsável por quase 40% das emissões de dióxido de carbono do mundo, das quais 11% são resultado da fabricação de materiais de construção como o aço, o cimento e o vidro.
Quais são as últimas tendências para reduzir as emissões tanto no projeto quanto na fabricação de materiais? Como a indústria deve avançar rumo ao caminho da arquitetura net zero? Estas são algumas das perguntas que queremos que você nos ajude a responder.
Seja se mesclando ou se destacando, incorporando transparência ou solidez, expressando aspereza ou suavidade, uma fachada é o meio pelo qual nos relacionamos com a arquitetura. Ela conta uma história e muitas vezes pode definir o tom para o restante do interior. Mas, além de definir uma experiência puramente visual, a envoltória de um edifício também deve ser prática, durável e ter a capacidade de gerenciar adequadamente as necessidades de iluminação e ventilação natural. Afinal, por ser o ponto de contato com o exterior, é responsável por mitigar os sons e fornecer proteção contra as condições climáticas, como vento, chuva, calor e umidade. Ao projetar uma fachada, é importante considerar um equilíbrio entre desempenho e uma bela estética. É claro que muitos materiais atendem com sucesso a esses critérios. Mas quando se trata de criar um ambiente confortável e cheio de luz, garantindo resistência, facilidade de instalação e versatilidade, as propriedades dos painéis de policarbonato translúcido parecem incomparáveis.
ESEColectivo é um estúdio de arquitetura composto por Belén Argudo, José de la Torre, Santiago Granda e Pablo Silva com sede em Quito, Equador. Seus interesses estão focados na experimentação de materiais alternativos de construção, com ênfase em tecnologias e lógica. Em seu processo de concepção, buscam conciliar estratégias sustentáveis de baixo impacto com as necessidades e limitações específicas de cada projeto, de modo que seus resultados sejam heterogêneos e diferentes no que diz respeito ao tipo de abordagem metodológica e técnica.
A experiência desta equipe não só foi construída a partir das suas obras como a Casa Endémica e a Casa do Corredor, mas também através de práticas colaborativas com ateliês de arquitetura, gestores culturais e projetos do gênero a nível local e internacional, levando ao desenvolvimento de documentação, pesquisa e divulgação arquitetônica. Consequentemente, eles criaram "La Parleta" - o primeiro podcast de arquitetura no Equador.
A cada fração de grau no aquecimento global, os impactos das mudanças climáticas se tornam mais intensos. No Sexto Relatório de Avaliação do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), 278 cientistas de 65 países mostram que, para que tenhamos a chance de manter ao alcance o limite de 1,5°C estabelecido pelo Acordo de Paris, o mundo deve atingir o pico de emissões de gases do efeito estufa (GEE) dentro dos próximos três anos.
https://www.archdaily.com.br/pt/980021/6-conclusoes-do-relatorio-do-ipcc-de-2022-sobre-mitigacao-das-mudancas-climaticasClea Schumer, Sophie Boehm, Taryn Fransen, Karl Hausker e Carrie Dellesky
The Second Studio (anteriormente conhecido como The Midnight Charette) é um podcast sem filtros sobre design, arquitetura e o cotidiano. Apresentado pelo arquiteto David Lee e pela arquiteta Marina Bourderonnet, o programa recebe diferentes profissionais do campo criativo em conversas espontâneas que abrem espaço para reflexões profundas e debates pessoais.
Uma variedade de temas é abordada com honestidade e humor: alguns episódios trazem entrevistas, enquanto outros oferecem dicas para colegas designers, análises de edifícios e projetos, ou reflexões informais sobre o dia a dia e o design. O The Second Studio também está disponível no iTunes, Spotify e YouTube.
Esta semana, David e Marina analisam o polêmico painel do SCI-Arc, "Basecamp: How to be in an office" [Como agir em um escritório], e compartilham seus próprios conselhos sobre "como se portar em um escritório". A dupla discute a escolha do escritório ideal para se trabalhar; por que a ideia de se comprometer com um escritório está certa, mas também errada; por que os trabalhos paralelos (os famosos *side hustles*) não são a solução para honorários baixos e/ou salários defasados; por que apenas "fazer o trabalho acontecer" não basta; por que aceitar salários baixos não é apenas uma "escolha pessoal"; por que a profissão sofre com baixos salários e longas jornadas de trabalho; e as nuances do debate promovido pelo SCI-Arc.
https://www.archdaily.com.br/pt/1134523/the-second-studio-podcast-uma-resposta-ao-basecamp-da-sci-arc-como-estar-em-um-escritorioThe Second Studio Podcast
Em 22 de março de 2022, ocorreu a vigésima nona comemoração do Dia Mundial da Água - enfatizando a crise hídrica que continua deixando as populações vulneráveis. E esta é uma questão extremamente multifacetada. Os governos infelizmente determinam o acesso à água, com pessoas marginalizadas desproporcionalmente afetadas. Além disso, as tipologias urbanas são outro fator. O bombeamento excessivo de fontes de água subterrânea para atender às demandas de água de Hanói, por exemplo, resultou na contaminação com arsênico nos poços das vilas do Vietnã.
No País dos Arquitectos é um podcast criado por Sara Nunes, responsável também pela produtora de filmes de arquitetura Building Pictures, que tem como objetivo conhecer os profissionais, os projetos e as histórias por trás da arquitetura portuguesa contemporânea de referência. Com pouco mais de 10 milhões de habitantes, Portugal é um país muito instigante em relação a este campo profissional, e sua produção arquitetônica não faz jus à escala populacional ou territorial.
Neste episódio Sara conversa com Márcio Kogan, Diana Radomysler e Suzana Glogowski, do Studio MK27, sobre o uso do muxarabi e as influências que o colonialismo português e o modernismo brasileiro na obra do escritório. Ouça a entrevista completa e leia parte da transcrição da conversa, a seguir:
Paris vem estampando manchetes há anos com suas diretrizes agressivas para melhorias urbanas anti-carro e pró-pedestre. Diante do aumento da poluição do ar e em uma tentativa de recuperar as ruas para meios alternativos de deslocamento, conforme descrito em seu plano para uma cidade de 15 minutos, a capital francesa é vista como líder em estratégias urbanas do futuro. Recentemente, o departamento de transportes fixou um prazo para as elevadas metas de eliminar o tráfego de suas ruas. Dentro de apenas dois anos, a tempo de a capital francesa sediar os Jogos Olímpicos, Paris planeja proibir o tráfego não essencial no centro da cidade, eliminando efetivamente cerca de 50% da mobilidade veicular. O que diz o plano? E como outras cidades poderiam utilizar esta estratégia para solucionar suas próprias questões urbanas?
Fundado em 1997, o escritório de arquitetura paulistano Andrade Morettin Arquitetos Associados começou com uma parceria entre Vinicius Andrade e Marcelo Morettin, que mais tarde incluiu os arquitetos Marcelo Maia Rosa e Renata Andrulis. O escritório hoje soma mais de duas décadas de história e uma ampla gama de atuações.
El poder de la Data - Render interior conceptual. . Image Cortesía de Online Lab of Architecture (OLA)
Dos NFTs e do Metaverso às vantagens produtivas da renderização em tempo real, este ano representa uma excelente oportunidade para discutir as últimas tendências no campo das visualizações.
Nesse sentido, queremos abrir o debate e conhecer suas respostas para as seguintes perguntas: Quanto podemos aprender com outras indústrias correlatas, como o cinema, os videogames e o design industrial? Como a arquitetura pode contribuir e avançar no mundo das visualizações?
Depois da água, o concreto é o material mais consumido do planeta e sua produção está crescendo substancialmente, devendo passar de 4,4 bilhões de toneladas, atingindo 5,5 bilhões de toneladas até 2050. Infelizmente, isso tem um enorme custo ambiental, contabilizando por quase oito por cento das emissões globais de carbono. Com esta estimativa de crescimento esperada, as partes interessadas da indústria da construção devem trabalhar na integração de materiais de construção sustentáveis e processos inovadores.
Modelo panóptico de prisão – intervenção própria sob imagem existente. Imagem via Friman/Wikimedia Commons, licença CC BY-SA 3.0
O presente ensaio busca convocar o campo da Arquitetura e Urbanismo à necessidade de refletir sobre a prisão. Ao pautar as crises urbanas, dificilmente se problematiza a existência dos espaços de encarceramento como parte – ou até mesmo geradora – das questões das cidades contemporâneas. No entanto, é posta aqui a premissa de que são, na verdade, centrais.
https://www.archdaily.com.br/pt/979143/releitura-critica-do-espaco-prisional-sob-a-otica-abolicionistaNara Albiero e Pedro Flosi Trama
O curso Arquitetura e Cidade no Brasil, ministrado pelo arquiteto, curador e professor Guilherme Wisnik, passa a integrar o catálogo de atividades EAD da plataforma Sesc Digital a partir do dia 31 de março. Inteiramente gratuita e livre, a atividade tem formato autoguiado e assíncrono, para ser assistido no ritmo do aluno.