Romullo Baratto é arquiteto, doutor em arquitetura pela FAUUSP e Gerente Editorial do ArchDaily Global. Coordenou a equipe editorial da 11ª Bienal de Arquitetura de São Paulo em 2017 e atuou como Gerente Editorial do ArchDaily Brasil entre 2019 e 2024, período em que a plataforma conquistou o Prêmio FNA, tornando-se o primeiro veículo de mídia a receber a honraria. Colaborou na edição do livro "Concrete Jungle", publicado pela gestalten, e foi responsável pela curadoria de exposições de arquitetura no Brasil, Chile, Dinamarca e Itália, além de ter realizado palestras e moderações de debates na Espanha, Estados Unidos e Portugal. Sua tese de doutorado, intitulada "Comoções", investiga as paisagens urbanas de São Paulo a partir do cinema. Seu trabalho articula pesquisa acadêmica e prática editorial, comunicando a arquitetura por meio de textos, entrevistas, curadoria e fotografia. Siga no Instagram @romullobf.
É com prazer que anunciamos os projetos finalistas do Prêmio ArchDaily Brasil Obra do Ano 2025. Após duas semanas de indicações, foram selecionadas as obras mais votadas entre centenas de projetos construídos em países de língua portuguesa. Nosso júri, formado por milhares de leitoras e leitores, desempenhou mais uma vez um papel fundamental na curadoria desta seleção, resultando em uma lista de 15 projetos notáveis.
A partir de hoje até 9 de abril às 23h59 (GMT-3), é possível votar uma vez por dia nos finalistas — os melhores exemplos da arquitetura lusófona contemporânea. O resultado será divulgado no dia 10 de abril.
Há dezesseis anos, lançamos o ArchDaily Building of the Year Awards com uma ideia simples, mas poderosa: permitir que nosso público leitor escolha seus edifícios favoritos em nossa biblioteca de projetos em constante crescimento. Graças ao seu engajamento, este prêmio se tornou um dos reconhecimentos mais democráticos e influentes da arquitetura. Ano após ano, a visão coletiva de vocês tem destacado a excelência arquitetônica em diferentes culturas, economias e paisagens ao redor do mundo.
Este ano não foi exceção. Os 75 projetos finalistas já demonstraram uma gama notável de soluções espaciais, refletindo o poder da inteligência coletiva em traçar um retrato da arquitetura mais instigante da atualidade. Agora, é hora de revelar os projetos vencedores.
O Carnaval é uma das maiores expressões culturais do Brasil. Imagem via Shutterstock
O Rio de Janeiro, frequentemente chamado de "Cidade Maravilhosa", é uma tapeçaria vibrante tecida por diversos fios culturais, históricos e sociais. Sua história começa com os povos indígenas Tupi, Puri, Botocudo e Maxakalí, que originalmente habitavam a região. O nome da cidade deve-se aos exploradores portugueses que chegaram à Baía de Guanabara em 1º de janeiro de 1502 e, acreditando erroneamente que se tratava da foz de um rio, batizaram a região.
Após duas semanas de votação aberta na16ª edição do Building of the Year Awards, nossos/as leitores/as selecionaram meticulosamente, entre quase 4.000 projetos, um grupo restrito de 75 finalistas distribuídos em 15 categorias. A premiação deste ano celebra o auge do design, da inovação e da sustentabilidade em escala global, apresentando uma variedade excepcional de obras na lista de finalistas. Sendo um prêmio definido pelo público, temos o orgulho de afirmar que as suas escolhas refletem de forma autêntica o estado atual da arquitetura, e o nível dos finalistas deste ano reforça ainda mais a excelência e a diversidade que marcam a nossa área.
A arquitetura é, há muito tempo, enquadrada como o trabalho de mentes visionárias isoladas; no entanto, Beatriz Colomina, uma influente teórica, historiadora e curadora, desafia essa noção, defendendo que a arquitetura é, por natureza, um esforço colaborativo. Ela examina criticamente como o mito do gênio solitário — quase sempre representado como uma figura masculina — apagou as contribuições de inúmeras mulheres e de equipes inteiras envolvidas no processo de projeto. Para Colomina, repensar a arquitetura significa reconhecer as complexidades do trabalho coletivo e desmantelar os vieses históricos que moldaram as narrativas da disciplina.
Fundado pela arquiteta senegalesa Nzinga Mboup e pelo arquiteto francês Nicolas Rondet, o Worofila é um estúdio dedicado à arquitetura bioclimática e ecológica. Com sede em Dakar, Senegal, o escritório explora o potencial de materiais vernaculares, como tijolos de terra e fibras vegetais, aplicando técnicas contemporâneas para criar soluções construtivas eficazes. Seu trabalho aborda questões fundamentais relacionadas ao meio ambiente, sustentabilidade e urbanização, unindo materiais tradicionais a práticas inventivas.
Nesta entrevista, Nzinga e Nicolas compartilham sua visão sobre uma modernidade africana distinta, que integra métodos contemporâneos com conhecimentos e recursos tradicionais. Eles defendem uma abordagem de desenvolvimento que não apenas atenda às necessidades imediatas, mas também empodere comunidades e promova um progresso significativo e duradouro. Suas ideias oferecem uma perspectiva instigante sobre como a arquitetura pode impulsionar um futuro mais sustentável e contextual para as cidades africanas.
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Cortesia do Architecture & Design Film Festival
Uma jornada pelo legado de Eileen Gray e sua casa mais famosa na Riviera Francesa, "E.1027 – Eileen Gray and the House by the Sea", dos diretores Beatrice Minger e Christoph Schaub, convida o espectador a adentrar o complexo legado da pioneira arquiteta irlandesa e sua visão única do modernismo. Projetada no final da década de 1920, a casa não apenas materializa o gênio arquitetônico de Gray, mas também carrega a sombra de uma narrativa desconfortável envolvendo Le Corbusier e Jean Badovici. Através de seu documentário de ficção, Minger e Schaub iluminam a obra inovadora de Gray e criticam as narrativas predominantes de dominância masculina na história do modernismo.
Complexo das Amoreiras (1980-1986), Tomas Taveira. Acervo da Casa da Arquitectura
O que a arquitetura fez pela democracia de Portugal — e o que o período democrático fez para a arquitetura portuguesa? São as indagações que norteiam a exposição O que faz falta. 50 anos de arquitetura portuguesa em democracia, organizada pela Casa da Arquitectura, que celebra os cinquenta anos da Revolução dos Cravos de 1974.
Sob a curadoria de Jorge Figueira e curadoria-adjunta de Ana Neiva, a exposição destaca a relação íntima entre arquitetura e o regime democrático em Portugal e explora como os arquitetos portugueses contribuíram para a consolidação democrática, transformando o espaço público e privado do país ao longo de cinco décadas.
"A história da arquitetura está incompleta. Não errada, mas incompleta", disse Lesley Lokko ao anunciar o Laboratório do Futuro, tema da Bienal de Arquitetura de Veneza 2023. Ecoando o enunciado da curadora, um novo estudo publicado pelo Studio Autonoma, liderado por Paulo Tavares, revela disparidades profundas na representatividade do pavilhão do Brasil no maior evento de arquitetura do mundo.
Intitulada Censo Histórico do Pavilhão Brasileiro na Bienal de Arquitetura de Veneza (1980-2021), a pesquisa revela uma discrepância significativa no perfil dos curadores e participantes ao longo dessas três décadas, com um predomínio de homens brancos, oriundos da região sudeste do Brasil, particularmente de São Paulo.
"Beber Caracú é beber saúde". É o que se lia na imensa empena de um prédio no centro de São Paulo, na manhã do dia 1 de maio de 2018. Por décadas encoberto, o anúncio da famosa marca de cerveja pairava agora diante de um enorme amontoado de concreto, metal retorcido e vidro estilhaçado. Entulho ao qual fora reduzido o emblemático Edifício Wilton Paes de Almeida, projetado pelo arquiteto Roger Zmekhol, tema do documentário Pele de Vidro, dirigido por sua filha, Denise Zmekhol.
O filme transcende o registro arquitetônico tradicional ao misturar um relato pessoal com questões políticas do Brasil contemporâneo, um país marcado por desigualdades e memórias apagadas. No centro da história está o edifício, considerado um marco da arquitetura moderna brasileira, que desabou em 2018 após um trágico incêndio.
Com economia baseada na mineração, a população de Congonhas (MG), a 70km da capital Belo Horizonte, prepara-se para discutir seu futuro. Foto: Daniel Silva /Assessoria de Comunicação - Prefeitura de Congonhas
A população da histórica cidade de Congonhas (MG) está convidada a planejar o seu futuro e fazer parte da construção da Política Nacional de Desenvolvimento Urbano por meio da Conferência Municipal das Cidades, programada para acontecer no dia 29 de junho, sábado, na Câmara de Vereadores.
Formulada para acolher participações de diferentes setores da sociedade congonhense, a Conferência Municipal vai abordar soluções para que Congonhas torne-se ainda mais inclusiva, democrática, sustentável e com justiça social.
"Toda vez que descrevo uma cidade, digo algo sobre Veneza”, disse Marco Polo a Kublai Khan no livro seminal de Italo Calvino, As Cidades Invisíveis. Outrora o coração de uma poderosa república marítima, Veneza de fato abriga muitas cidades em sua intrincada rede de canais, becos, pontes e praças. Reconhecida por sua beleza arquitetônica única, história renascentista e relevância cultural — e, naturalmente, por ter sido erguida no meio da água —, nas últimas décadas Veneza tornou-se uma das vítimas mais emblemáticas do turismo excessivo, recebendo cerca de 30 milhões de visitantes por ano.
Os números são impressionantes, superando de longe os 50 mil habitantes que fazem de Veneza seu lar — 120 mil a menos do que sua população no início da década de 1950, quando a população local começou a se afastar, incomodada pelo barulho constante e pelas vias superlotadas.
“A invenção humana por excelência.” Foi assim que o sociólogo francês Claude Lévi-Strauss descreveu a cidade na primeira metade do século XX. Embora sua ideia possa ser vista como ultrapassada por narrativas mais recentes, não se pode negar que as cidades existem devido à ação humana na paisagem. Nesse sentido, Tóquio é talvez a expressão “mais humana” que se pode encontrar, já que sua população metropolitana de 37 milhões de pessoas lhe garante o topo do ranking entre as maiores cidades do mundo.
Como parte de nossa tradição anual, perguntamos aos nossos leitores quem deveria ganhar o Prêmio Pritzker 2024, a premiação mais importante no campo da arquitetura.
O Prêmio Pritzker — financiado por Jay Pritzker por meio da Hyatt Foundation nos Estados Unidos — tem sido concedido a arquitetos vivos, independentemente de sua nacionalidade, cuja obra construída "produziu contribuições consistentes e significativas para a humanidade por meio da arte da arquitetura”.
No País dos Arquitectos é um podcast criado por Sara Nunes, responsável também pela produtora de filmes de arquitetura Building Pictures, que tem como objetivo conhecer os profissionais, os projetos e as histórias por trás da arquitetura portuguesa contemporânea de referência. Com pouco mais de 10 milhões de habitantes, Portugal é um país muito instigante em relação a este campo profissional, e sua produção arquitetônica não faz jus à escala populacional ou territorial.
Neste episódio da sexta temporada, Sara conversa com a arquiteta Helena Roseta, sobre o futuro da habitação. Ouça a conversa e leia parte da entrevista a seguir.
Cortesia de Programa Rolex de Mestres e Discípulos
Nascida no Brasil e formada no Paraguai, Gloria Cabral é uma arquiteta que aprendeu cedo que casa pode ser muitos lugares — ou nenhum. Com uma atuação profissional balizada pela compreensão ampla da geografia, cultura e condições sociais de onde projeta, tem deixado sua marca em edifícios e instalações artísticas construídas em diversas localidades, de Assunção à Veneza.
Ao seu interesse pelas especificidades dos lugares onde atua, soma-se a atenção com a economia de recursos e reuso de materiais — temática em voga atualmente, mas cuja bandeira Gloria levanta há mais de quinze anos. Tivemos a oportunidade de conversar com a arquiteta sobre suas experiências no Paraguai e Brasil, algumas de suas obras com tijolo reciclado e seu entendimento de arquitetura e sustentabilidade.
Um projeto arquitetônico pensado a partir do sistema neoliberal, só pode ser hostil. É o que diz Padre Júlio Lancellotti, figura ativa em ações de apoio a moradores de rua em São Paulo. Seu trabalho à frente da Pastoral do Povo da Rua tem merecidamente recebido a atenção da mídia nacional e internacional, além de ser frequentemente divulgado em suas próprias redes sociais, chamando a atenção do público e das autoridades para questões urgentes de desigualdade, invisibilização dos mais vulneráveis e a hostilidade de nossas arquiteturas e espaços públicos.
Em um momento da história onde alguns buscam alternativas em outros planetas e outros procuram refúgio em mundos virtuais, paradoxalmente, o futuro parece ser mesmo a terra. Essa talvez seja uma das grandes lições que 2023 ensinou à arquitetura. Compreender isso implica tomar consciência, também, de que nosso planeta está sendo exaurido a olhos vistos — e uma fatia generosa dessa responsabilidade pertence às cadeias produtivas que envolvem a arquitetura e a construção civil.
Se ainda há alguma coisa que pode ser feita para mitigarmos a crise climática e ambiental em que nos encontramos, ela deverá necessariamente passar por uma revisão de todos os paradigmas que definem a indústria. É preciso mudar o foco e buscar outras narrativas sobre as quais sustentar os modos de fazer arquitetura em escala planetária. Essas ideias ecoaram em muitas vozes este ano e, ao mesmo tempo em que se debateu a possibilidade de futuro para o planeta, igual atenção foi dedicada à escala, valores e culturas locais. As entrevistas selecionadas aqui contam histórias sobre comunidade, meio ambiente, cidades, práticas e novas narrativas para a arquitetura em 2023 e além.