"Desde que me lembro, eu queria ser arquiteto... Eu conseguia observar como os bairros eram organizados. Conseguia ver a segregação neles. Conseguia ver as áreas de fronteira entre as comunidades palestinas e a maioria judaica", disse Eyal Weizman em entrevista ao Louisiana Channel, ao refletir sobre a compreensão do "significado político" da arquitetura e o potencial de ler o espaço como uma ferramenta essencial para entender o mundo e seus mecanismos de controle.
Em abril de 2022, Eyal Weizman foi entrevistado por Marc-Christoph Wagner no estúdio do Forensic Architecture, em Londres. Como fundador do Forensic Architecture, Weizman é conhecido por seu papel à frente desse grupo de pesquisa multidisciplinar, que utiliza técnicas e ferramentas da arquitetura para investigar casos de violência de Estado e violações dos direitos humanos em todo o mundo. Criado em Haifa, Israel, ele compreendeu desde cedo a dimensão política da arquitetura.
Seja uma pequena varanda, um acesso a uma área verde ou um jardim privado, o espaço exterior tornou-se um privilégio para muitos, especialmente com o início da pandemia de Covid-19 e os vários períodos de lock down subsequentes. O espaço verde na cidade está constantemente sob ameaça do mercado ou de governos que buscam aumentar a densidade habitacional para alimentar uma demanda crescente por desenvolvimento suburbano. Como resultado, os jardins e o acesso a espaços verdes/exteriores têm diminuído nos últimos anos em algumas grandes cidades do mundo, uma vez que a prioridade é abrigar o maior número de pessoas possível em empreendimentos residenciais, muitas vezes desconsiderando características benéficas como o acesso a áreas externas.
Em termos de condições de vida, a falta de acesso a esses espaços apresenta desigualdades evidentes, reveladas em períodos de confinamento e restrições durante a pandemia. As pessoas foram confinadas em suas casas e espaços ao ar livre locais, onde poderiam se exercitar. Quem teve acesso a estes espaços públicos e teve os seus próprios jardins/espaço exterior teve muita sorte no sentido de poder usufruir de um elemento do exterior. Enquanto os menos afortunados em apartamentos e áreas pobres enfrentavam condições claustrofóbicas e desmoralizantes, contidas dentro da concha de suas casas.
No quesito de aprimoramento arquitetônico, os vitrais são frequentemente reunidos para produzir representações de arte decorativa, permitindo que a luz filtre e penetre em uma estrutura ou edifício específico. Como componente, é ao mesmo tempo, decorativo e funcional, uma vez que permite a entrada de uma quantidade substancial de luz em um espaço, para efeito atmosférico e benéfico.
Uma das maravilhas do mundo antigo, as Pirâmides do Egito são ricas em história e mistério. Usando seus inigualáveis recursos para criar estruturas em uma escala sem precedentes, os antigos usaram a forma de pirâmide para construir ícones estruturalmente resistentes e visualmente poderosos, que sobrevivem à ação do tempo. Apresentando uma nova definição em termos de monumentalidade, essas maravilhas arquitetônicas são atemporais e continuam influenciando projetos hoje.
Embora suas origens sejam históricas por natureza, essa icônica estrutura está ressurgindo em muitos projetos arquitetônicos pelo mundo. Arquitetura de pirâmide moderna, para diferentes funções e usos. Em edifícios sustentáveis, museus, shoppings e estruturas residenciais, a tipologia piramidal é visualmente cativante e pode ser construída em uma variedade de materiais e ambientes.
Pavilhões do Museu do Louvre / França . Imagem Cortesia de Studio Malka Architecture
Abrigando objetos de importância artística, cultural, histórica e científica, o termo ‘museu’ é derivado do latim. No que diz respeito à antiguidade clássica, em grego antigo ‘mouseion’, que significa ‘conjunto de musas’, era uma instituição filosófica, um lugar para contemplação e pensamento. Essas musas referem-se às 9 musas da mitologia grega, as deusas das artes e das ciências e patronas do conhecimento. As origens dos primeiros museus vêm de coleções particulares de famílias, indivíduos ou instituições ricas, exibidas em “gabinetes de curiosidades” e muitas vezes em templos e locais de culto. Entretanto, estas “coleções” são antecessoras do museu moderno. Elas não buscavam categorizar e exibir racionalmente suas coleções, como as exposições que vemos hoje.
Em definição, o museu moderno é um edifício ou instituição que cuida ou exibe uma coleção de artefatos de importância cultural, histórica, científica ou artística. Por meio de exposições permanentes e temporárias, a maioria dos museus públicos disponibiliza esses artefatos para visualização e, muitas vezes, procuram conservar e documentar sua coleção, para atender tanto à pesquisa quanto ao público em geral. Em essência, os museus abrigam coleções importantes, sejam elas em pequena ou grande escala.
“Desde que me lembro, sempre quis ser arquiteto... Eu conseguia ver a maneira como os bairros eram organizados. Conseguia ver a separação. Conseguia ver as áreas de fronteira entre a comunidade palestina e a maioria judaica”, expressa Eyal Weizmanem conversa com o Louisiana Channel, ao refletir sobre a compreensão do “significado político” da arquitetura e o potencial da profissão como uma ferramenta crítica para entender o mundo.
Eyal Weizman foi entrevistado por Marc-Christoph Wagner no estúdio da Forensic Architecture em Londres, em abril de 2022. Como diretor da Forensic Architecture, ele é amplamente reconhecido por sua atuação no grupo de pesquisa multidisciplinar, que utiliza uma combinação de tecnologias e técnicas arquitetônicas para investigar casos de violência estatal e violações de direitos humanos em todo o mundo. Tendo crescido em Haifa, Israel, ele desenvolveu desde cedo uma compreensão das conotações políticas da arquitetura.
Centro comercial futurista. Imagem via Os Jetsons, 1962 / Hanna-Barbera Productions
O surgimento da energia nuclear, avanços dramáticos no desenvolvimento de foguetes e o desejo de ser o primeiro a colocar homens no espaço e na lua deram início a uma era conhecida como a "Era Espacial". Após o encerramento da Segunda Guerra Mundial, tanto os soviéticos quanto os aliados se encontraram em um estado de antagonismo, pois ambos começaram a lutar para avançar na exploração espacial antes do outro, uma corrida pelo espaço. A era daria lugar a rápidos avanços na tecnologia e grandes realizações, incluindo o pouso na Lua em 1969. A estética da Era Espacial mudou completamente a forma como os designers visualizavam o novo mundo e deixou uma marca dramática na arquitetura e nos interiores. Uma nova visão de futurismo e prosperidade.
The Senate Building, Coruscant . Image via Star Wars, Revenge of the Sith / George Lucas
Descrever visualizações arquitetônicas do futuro não é uma tarefa fácil, por isso faz muito sentido que os designers usem aspectos de nossa arquitetura existente como base para estes mundos fictícios. Apesar dos avanços recentes em termos de tecnologias de animação e CGI, ainda há uso substancial da arquitetura existente para fornecer elementos estruturais palpáveis ao filme.
Em termos de reciclagem de estética arquitetônica, elementos do passado e do futuro são frequentemente integrados para criar um estilo hibridizado, uma amálgama de temas retrô, distópicos, modernistas e futuristas. Desde o ressurgimento de antigas pirâmides e templos, até panoramas que lembram a cidade de Nova York, o visual varia de acordo com as diferentes noções de como será nosso futuro.
No Dia Internacional da Luz da UNESCO, o prêmio The Daylight Award anunciou as laureadas de 2022: Yvonne Farrell e Shelley McNamara, do escritório Grafton Architects (Irlanda), pelo uso da luz na arquitetura, e Anna Wirz-Justice (Suíça), por sua extensa pesquisa sobre a luz natural. Com o lançamento de vídeos que oferecem um vislumbre das obras vencedoras, a premiação destaca a excelência internacional na pesquisa e na prática da iluminação natural, além de uma abordagem humanista para celebrar a luz.
Em entrevista, Anna Wirz-Justice discute seu período de trabalho em uma clínica psiquiátrica, revelando conexões entre a exposição anormal à luz e o impacto que isso gera na saúde mental geral. Em conversa com Shelley McNamara e Yvonne Farrell, do Grafton Architects, as arquitetas compartilham insights sobre o uso da luz natural no processo de projeto como uma qualidade fundamental e intrínseca, capaz de influenciar diretamente a organização espacial.
Aninhada no coração da selva, na aldeia de Francisco Uh May está a residência AZULIK, dentro do mesmo complexo que o AZULIK UH MAY, um centro cultural para as artes. Fortemente influenciada pelas formas da própria natureza, a casa de Roth adota uma abordagem biomórfica, desafiando as convenções arquitetônicas e apresentando uma relação harmoniosa com o entorno.
The Chrysler Building - Interior, Manhattan, New York . Imagem Cortesia de Dorff / Wikicommons CC BY-SA 3.0
Art Deco ou Arts Décoratifs originou na década de 1920, após a Exposition Internationale des Arts Décoratifs et Industriels Modernesrealizada em Paris (1925). No entanto, somente na década de 1930 o movimento ganhou força na Europa e nos EUA, ampliando o Art Deco e abrangendo todos os elementos da arte decorativa, incluindo mobiliários, design de interiores, joias e arquitetura. Sua popularidade decorre de suas origens únicas. Em vez de um movimento de design impulsionado por forças políticas ou filosóficas, ele foi criado pelo desejo de uma mudança glamourosa e atraente, um reflexo da era de ouro em Hollywood e um boom econômico generalizado.
Caracterizado por sua decadência, rica aplicação de cores e formas geométricas, o movimento é influenciado pela descoberta de artefatos de civilizações antigas e pela introdução e admiração do automóvel. Como um movimento fortemente influído por aspectos em voga, procurou criar uma forma de modernidade luxuosa, a um passo de uma arquitetura mais tradicional, enfatizando elementos artesanais e projetados individualmente, raramente produzidos em massa.
"No fundo ainda há uma tradição japonesa invisível", diz Kisho Kurokawa em um trecho do filme Kochuu. Ele coloca ênfase na tradição japonesa, uma tradição arquitetônica que rejeita a simetria apesar do uso de alta tecnologia. Ele contempla a Nakagin Capsule Tower (1972) uma torre residencial e de escritórios de uso misto localizada em Tóquio, Japão. O primeiro projeto da arquitetura de cápsulas metabolista construído para uso permanente.
O filme 'Kochuu' de Jesper Wachtmeister se baseia na influência e nas origens da arquitetura japonesa modernista. Através de visões de futuro, tradição e natureza, amplifica elementos da tradição japonesa e seu impacto no design nórdico. A narrativa nos conta como os arquitetos japoneses contemporâneos se esforçam para unir os caminhos do homem moderno com as velhas filosofias para cria algo novo.
Após um período prolongado de escassez cultural e intelectual conhecido como Idade das Trevas, a Europa precisava urgentemente de um renascimento. Um desejo crescente de estudar e imitar a própria natureza começou a surgir, com uma vontade descobrir e explorar o mundo. Entre 1400-1600, a Europa testemunhou um renascimento das belas artes, da pintura, da escultura e da arquitetura.
Antes do alvorecer do Renascimento, a Europa era dominada pela arquitetura gótica, ornamentada e assimétrica. O período inaugurou uma nova era da arquitetura após uma fase da arte gótica, com o surgimento do “Humanismo”: a ideia de dar muita importância à essência do individualismo e minimizar os temas religiosos. O efeito do Humanismo incluiu o surgimento da figura individual, maior realismo e atenção aos detalhes.
‘La Muralla Roja’ When the sun goes down III, é uma evocativa nova série de fotografias de Andrés Gallardo. Cinco anos depois de visitar pela primeira vez a criação de Ricardo Bofill, Gallardo a revisitou com a intenção de criar uma série totalmente contrastante, capturando o complexo no pôr-do-sol, noite e no nascer da manhã. Considerando o fato de que não há muitas fotografias em circulação durante o período noturno, Gallardo saiu para capturar o complexo durante o crepúsculo, com o movimento plácido das ondas contra frente para o mar.
‘La Muralla Roja’ traduzida como "A Muralha Vermelha" é um projeto vibrante de moradia na região de Calpe, na Espanha. O termo Casbah é frequentemente mencionado em relação a esse projeto em especial, sugerindo que o próprio Bofill se inspirou em temas árabes norte-africanos. Casbah se refere a uma cidadela ou castelo, uma área central murada de uma cidade ou vila sobre o centro tradicional. O complexo no Mediterrâneo imita esse reino construído, com um entrelaçado de caminhos, escadarias, varandas e pontes interligadas em um efeito harmônico.
Kisho Kurokawa afirma em um trecho do filme 《Koshuu》: “Ainda há uma tradição japonesa invisível no plano de fundo”. Apesar do uso de alta tecnologia, ele enfatiza a tradição japonesa expressa na arquitetura, rejeitando a simetria arquitetônica tradicional. Ele projetou a Nakagin Capsule Tower (1972), em Tóquio, no Japão, um edifício de uso misto com funções residenciais e de escritórios. Este foi o primeiro edifício de cápsulas construído para uso prático e permanente.
“Kochuu”, dirigido por Jesper Wachtmeister, baseia-se na influência e nas origens da arquitetura modernista japonesa. Por meio de reflexões sobre o futuro, a tradição e a natureza, o documentário aprofunda-se nos elementos tradicionais japoneses e em seu impacto no design nórdico. A obra ilustra como arquitetos e arquitetas do Japão contemporâneo se esforçam para combinar o estilo de vida moderno com filosofias antigas para criar algo novo.
O registro de Paul Clemence do MFO Park, em Zurique, é uma série fotográfica evocativa para o Archi-photo que demonstra a justaposição entre a casca metálica artificial e a natureza selvagem do próprio parque. Trepadeiras que se entrelaçam no esqueleto da estrutura criam um destino atraente, recuperando o terreno pós-industrial e substituindo-o por uma imagem renovada e cativante.
O MFO Park, em Zurique, é uma vibrante paisagem urbana na Suíça, implantada em um terreno utilizado por cerca de um século pela Oerlikon Machine Works (MFO). Saturado por entulho de construção e poluição durante um longo período de industrialização, o local foi transformado em um paraíso verde, complementado pelo vizinho e arborizado Oerliker Park, repleto de freixos. Oferecendo uma área diversificada de espaço aberto, o parque está disponível ao público para uma ampla gama de atividades e eventos, contando com a presença da 'Park House', um grande pavilhão aberto, e treliças envoltas por vegetação trepadeira.
“Estamos em uma zona sísmica. Beirute já foi soterrada sete vezes, por isso precisa resistir a qualquer terremoto, e é por essa razão que também resistiu à explosão do porto”, diz Lina Ghotmeh ao Louisiana Channel ao se referir ao Stone Garden. O edifício foi construído em uma cidade que já foi soterrada por escombros e reconstruída diversas vezes.
Lina Ghotmeh foi entrevistada por Marc-Christoph Wagner em seu escritório em Paris, em novembro de 2021. Conhecido por sua abordagem humanista da arquitetura, o Stone Garden estabelece uma relação muito pessoal com Ghotmeh, sendo seu primeiro projeto construído em sua cidade natal, Beirute. Localizado no limite do centro urbano, o edifício reflete a vida de quem ali reside por meio de uma forma que remete à arquitetura vernácula local.