Paisaje Transversal

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O desafio de #LeerMadrid: orientação e morfologia urbana

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Você se perde entre blocos idênticos de tijolos? Fica em dúvida se deve virar nesta esquina ou na próxima porque todos os edifícios de uma quadra parecem iguais? Tem dificuldade para se orientar nas ruas estreitas e irregulares do centro da cidade? Na verdade, isso acontece com muitas pessoas, e é por isso que é fundamental que as cidades invistam em sistemas de sinalização urbana pensados especificamente para pedestres.

Os benefícios são muitos. A começar pelo fato de que esta é uma excelente maneira de promover os deslocamentos menos poluentes: a pé. Isso traz vantagens como a descongestão do transporte público, a redução de veículos em circulação, um conhecimento mais aprofundado da cidade e a revitalização do comércio em ruas secundárias, sem mencionar seu impacto positivo em turistas e visitantes de fora. Esse é um dos objetivos do projeto #LeerMadrid, desenvolvido atualmente pela Paisaje Transversal em parceria com a Applied Wayfinding, a Avanti Avanti, a Urban Networks/CGR e Dimas García Moreno.

Desmontando mitos e falácias sobre a participação cidadã no urbanismo

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Nos últimos anos, assistimos ao auge do conceito de «participação cidadã», especialmente no âmbito da política. Como costuma acontecer, esse auge não está isento de polêmicas e traz seus riscos. Assim como ocorreu com o termo «sustentabilidade», a participação pode acabar relegada a uma cortina de fumaça para esconder determinados tipos de despotismo político. Temos um exemplo claro disso na Holanda: em setembro de 2013, o rei Guilherme Alexandre anunciou «a transição para uma sociedade participativa» para justificar o desmonte do Estado de bem-estar social por meio de políticas neoliberais e dos cortes mais severos que o país já enfrentou.

Está claro que o campo do urbanismo e do planejamento urbano não ficou alheio a essa tendência. Embora o desenvolvimento de instrumentos legais de planejamento urbano (Planos Diretores, Planos Parciais, Planos Especiais, etc.) esteja legalmente sujeito à proposição de mecanismos de participação pública, o fato é que estes costumam se reduzir ao período de contestações e consulta pública. Desse modo, o que se consegue é substituir a participação por mecanismos que pertencem unicamente ao âmbito da comunicação e da informação.

Da privatização à coletivização dos espaços públicos

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Desde a Grécia Antiga, o espaço público tem sido o principal local de encontro e socialização em cidades e vilas, servindo de suporte para uma multiplicidade de atividades, bem como para o debate político e o empoderamento coletivo. Um bem comum a partir do qual é possível fomentar a igualdade, o respeito e a solidariedade como base para uma sociedade mais justa. Uma das principais características do espaço público é a sua capacidade de adaptação e abertura a novos desafios e novos usos. 

No entanto, nos últimos anos, a concessão de licenças para a ocupação da via pública tornou-se um negócio em expansão para as prefeituras. A regulamentação e a limitação legal do uso de nossas praças e outros espaços por meio de posturas ou regulamentações municipais é uma das principais dimensões da privatização do espaço público. Entendemos a privatização como o processo pelo qual são estabelecidas as condições que restringem o livre acesso a um bem comum. A superexploração do espaço público para o benefício de empresas estabelece um modelo urbano consumista e pouco recomendável para a cidadania.

Smartcitizens: Da smart city à cidadania inteligente

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A smart city, essa grande promessa contemporânea para solucionar os desafios da cidade, carrega uma trajetória de contradições que desemboca em um novo termo, herdeiro de conceitos arraigados na sociedade do conhecimento: smartcitizens. Justamente o reconhecimento dessa expressão evidencia a necessidade de revisar os impactos decorrentes de soluções urbanas exclusivamente tecnológicas que moldaram as propostas iniciais das smart cities. Assim, o conceito de smartcitizens representa as iniciativas fruto da inteligência coletiva que projetam o caminho rumo à mudança da estrutura socioeconômica de nossas cidades, baseando-se na capacidade de estarmos conectados, compartilharmos informação e sermos proativos com o nosso entorno.

Smart cities aqui, smart cities ali, smart cities everywhere. Há alguns anos, assistimos ao boom das smart cities (“cidades inteligentes”), a ponto de parecer que, da noite para o dia, todas as cidades se tornaram smart1. Desse modo, a popularidade do termo experimentou um crescimento exponencial, eclipsando outras conceituações anteriores mais integrais, como a “cidade sustentável”2, ou aquelas que respondiam de maneira mais adequada à era em rede e às novas relações socioeconômicas dela decorrentes, como a “cidade do conhecimento”3.

Urbanismo em beta permanente

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Estamos testemunhando um momento histórico, no limiar de uma inevitável mudança de época. As crises (econômica, social, energética e ecológica) nas quais estamos imersos são alguns dos sintomas mais evidentes dessa transição. Contudo, devemos enfrentar esse contexto desolador a partir de uma perspectiva otimista, enxergando-o como uma oportunidade para subverter todos os antigos paradigmas que nos trouxeram a esta situação dramática.

Mas como nos preparar para enfrentar os desafios urbanos de um futuro que começa hoje? Certamente não podemos fazer isso recorrendo a esquemas e ferramentas do passado; como diria Einstein: «precisamos de novas formas de pensar para resolver os problemas criados pelas antigas formas de pensar».

É possível voltar a viver no centro das cidades? #OlotMésB diz sim

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Muitas cidades vêm acompanhando o declínio progressivo de seus centros históricos: comércios fecham, as reformas diminuem, o volume de aluguéis cai e não há renovação geracional na região. As comodidades dos novos empreendimentos residenciais (elevador, garagem, comércio próximo) fazem com que muitas novas famílias sequer cogitem morar nas ruas centrais. É o caso de Olot, na Espanha, que, ao contrário de outras cidades, decidiu tomar uma atitude para compreender com clareza os motivos desse abandono progressivo de seu centro histórico. Para tanto, optou-se por um processo que articulasse permanentemente a opinião dos moradores e dos grupos de especialistas, nos moldes do que já havia sido realizado no bairro de Sant Miquel, em Olot.

O escritório de inovação urbana Paisaje Transversal acompanha, desde abril de 2017, a administração municipal catalã em seu esforço para melhorar a qualidade de vida no centro e devolver-lhe a vitalidade que sempre o caracterizou. Como parte desse processo, foi apresentado recentemente o Diagnóstico Participativo, correspondente à segunda fase do projeto #OlotMésB, que tem como objetivo elaborar o PIAM (Plano Integral de Ações de Melhoria) do Nucli Antic da cidade. O principal objetivo deste documento é analisar as realidades do centro histórico por meio de diferentes instrumentos, tais como a coleta e o processamento de informações técnicas e cidadãs, servindo de ferramenta para definir diretrizes estratégicas e ações de melhoria alinhadas ao contexto estudado. Desde o início do processo, a participação cidadã tem sido fundamental, e continuará sendo nas fases seguintes.

5 pontos básicos para viver da arquitetura com dignidade

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Este texto é a versão ampliada e traduzida para o português do artigo original "5 puntos básicos para una arquitectura digna", publicado em junho de 2017 no blog da Fundação Arquia.

Quando o Paisaje Transversal surgiu há 10 anos, na Espanha, uma das razões que também nos movia era exigir e propor uma profissão mais responsável e respeitosa com os próprios colegas e com o restante da sociedade. Naquele momento, víamos, e ainda vemos, uma das consequências mais perniciosas do ensimesmamento e a auto-suficiência da arquitetura, tanto no mundo profissional quanto (de forma superlativa) nas universidades, é a grave ignorância em torno de questões básicas como o trabalho, a gestão de negócios ou a lei, entre muitas outras.

Este desconhecimento generalizado imposto e auto-imposto com orgulho, por se tratarem de temas cinzentos e secundários, levou à prática um sistema anômalo onde, com demasiada frequência, explora, precariza e auto-precariza a profissão. E isso, naturalmente, acaba prejudicando os profissionais, a profissão e a sociedade.

Uma causa não evidente desse fenômeno vem do fato de que, em muitos casos, esse abandono de funções é voluntário, baseado em uma posição liberal não solidária e anti-sistêmica, ou causado pela precariedade de uma profissão que, em algum momento, esteve bem e que não quer assumir seu novo status.

Listamos abaixo cinco princípios que consideramos necessários para difundir e reivindicar para reconstruir uma profissão digna e responsável:

A Tripla Dimensão: uma metodologia para o projeto colaborativo do espaço público

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Publicado originalmente como Desenho colaborativo do espaço público. A Tripla Dimensão, esta nova colaboração de Paisaje Transversal propõe uma metodologia específica, tanto para avaliar a qualidade do espaço público, quanto para facilitar o desenho urbano "se queremos transformar o espaço público em uma trama viva", explicam os autores.

O espaço público é o fluido que unifica a cidade, a trama que costura a edificação e tece as relações sociais, econômicas e ambientais; condiciona questões tão relevantes como a mobilidade, a convivência e o intercâmbio cultural de uma comunidade, assim como a qualidade ambiental que repercute diretamente sobre a saúde de todos.

O espaço público determina nosso dia a dia e nos oferece ou nega espaços de socialização. Trata-se, portanto, de um tema prioritário, tanto em termos de sustentabilidade das cidades, como na vida das pessoas que a habitam, uma questão com a qual devemos nos envolver, não só enquanto profissionais do urbanismo mas como todos os membros da sociedade. Para isso, é necessário que a população seja conhecedora dos fatores estabelecidos para habitabilidade e funcionalidade dos espaços públicos, além de reconhecer as características de uma moradia digna.

Como melhorar a mobilidade sem ser "anti-carros"?

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São muitos os movimentos que reivindicam alternativas ao atual modelo de mobilidade nas cidades, feitas por e para a circulação de veículos e orientada pela antiga mentalidade urbanística que colocava o carro no centro de tudo. Os motivos também são muitos: melhorar a saúde das pessoas, começar a utilizar de forma mais racional os recursos econômicos na hora de nos movermos, diminuir os níveis de contaminação (tanto acústica quanto atmosférica), e, inclusive, a própria eficácia no momento de deslocamento, destinando o menor tempo possível.

Sim, nos referimos aos eternos e inevitáveis congestionamentos diários que todos enfrentam.

Então, se é vantagem para todos os setores, por que ainda não implantamos um sistema alternativo de mobilidade em nossas ruas? Há muitas respostas para esta pergunta. A começar pela resistência à mudança por parte dos cidadãos, à falta de prioridade dada a este assunto nos programas políticos e ao fato de não haver um modelo universal ou mágico que possa solucionar todos os problemas de uma vez em todos os lugares. Superando estas barreiras, podemos começar analisando quem usa de fato as ruas, quem não usa e seus motivos.

Quais ferramentas temos para projetar de forma colaborativa o espaço público?

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Quando se trata de projeto, os canais que se abrem para a coleta de informações são vitais para o sucesso do processo. A diversidade e amplitude do público a quem se dirigem nossas perguntas, questões e interrogações é tão amplo que devemos pensar em processos que permitam que todos contribuam e, além disso,  façam de modo construtivo sobre um jogo de tabuleiro comum, pois só assim, poderemos alcançar um projeto coletivo. Graças à nossa experiência, temos testado a eficácia de diferentes ferramentas e selecionamos as que para o Paisagem Transversal consideramos mais eficazes.

Como é sempre melhor dar exemplos para entender e aplicar o que fazemos na realidade, decidimos aproveitar o projeto em Torrelodones para mostrar essas ferramentas. Trata-se do projeto colaborativo de remodelação do parque Pradogrande, um parque com área de mais de 4 hectares localizado na parte da cidade de Madrid denominada como La Colonia e que se estende através do núcleo urbano. O atual uso do parque, assim como a diversidade de atividades que ele hospeda -há festas populares, outros eventos específicos, quadras esportivas, área infantil, canil, etc - torna ainda mais importante analisar junto a seus usuários cada mudança e cada reforma.

Então, como nos propomos escutar o parque e seus usuários?