Oscar Aceves

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Um elefante azul na sala: o pavilhão do Chile na Bienal de Veneza

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Como ocorreu em ocasiões anteriores, o Ministério das Culturas, Artes e Patrimônio do Chile organizou a montagem de Testimonial Spaces, o mais recente pavilhão nacional apresentado na Bienal de Veneza 2021, no hall do Museu de Arte Contemporânea do Parque Forestal (Santiago) para que possa ser visitado pelo público local.

Embora a chamada que o ministério costuma realizar para a convocatória de cada edição da bienal seja focada no projeto de um pavilhão, o edital especifica que o/a curador/a selecionado/a será responsável pela elaboração de um conceito curatorial e de uma proposta arquitetônica. Certamente, no contexto contemporâneo, a noção de pavilhão é uma categoria amplamente maleável, razão pela qual não deixa de ser interessante essa diferença estabelecida nas próprias bases da convocatória: embora seja evidente que o conceito curatorial deva estar associado a alguma instância arquitetônica relevante, ele não é, necessariamente por si só, uma proposta arquitetônica.

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Qual é o discurso da arquitetura para a classe média no Chile?

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Mark Wigley afirma que os/as arquitetos/as, mais do que construtores/as, são faladores/as. "Os/as arquitetos/as não fazem objetos sólidos. Eles/as fazem discursos sobre os objetos", propõe Wigley em “Typographic Intelligence” (2002). Isso ganha particular relevância quando associado à proposta de discurso do filósofo Michel Foucault, que argumenta em "A ordem do discurso" que estes consistem em uma série de enunciados ou formulações que comunicam uma determinada ideia e definem tudo o que pode ser dito sobre um tema a partir da conformação de uma forma particular de compreender a realidade.

Os discursos, portanto, não são apenas um glossário particular de palavras, mas abrangem os significados ou ideologias expressos por meio delas. Dito isso, gostaria de sugerir que a arquitetura pode ser compreendida como uma disciplina na qual opera um conjunto de discursos administrados por um organismo de controle que valida constantemente quais deles geram arquitetura e quais não. E, se nos referirmos aos discursos que podem operar na arquitetura, veremos que vários poderiam coexistir de forma paralela, justificando-se mutuamente, enquanto outros se ignorariam e se excluiriam —conformando enunciados de verdade distintos—. Pode inclusive haver estratégias discursivas aparentemente extintas devido ao seu desuso ou à sua ocultação intencional.