A ventilação cruzada, o controle da radiação solar, a captação da água da chuva, a iluminação natural indireta, o tratamento e reúso de águas cinzas e o aproveitamento da energia solar por meio de painéis são algumas estratégias passivas que permitem obter um maior conforto térmico e ambiental com baixos custos energéticos. Esses princípios bioclimáticos, quando partem de uma compreensão correta das condições geográficas e climáticas do local, podem otimizar notavelmente o desempenho dos edifícios e fomentar o desenvolvimento de melhores espaços internos.
Carregada de grande carga simbólica, a arquitetura religiosa é conhecida tanta pela monumentalidade de seus edifício quanto pela riqueza de seus espaços interiores. Escala, materialidade e luz são alguns dos principais elementos utilizados por arquitetos e projetistas quando se trata de manipular e criar espaços de contemplação e prece, características espaciais capazes de conduzir os fiéis à uma experiência sagrada através do espaço.
A entrada de luz natural, a melhoria das condições de ventilação e a possibilidade de aumentar o contato com a natureza sem que isso implique a perda de privacidade são algumas das vantagens associadas aos jardins e pátios internos.
O celeiro, com uma natureza muito semelhante à dos silos e galpões, é uma tipologia de construção essencial na paisagem rural e agrícola. Com soluções formais muitos simples e funcionais, os celeiros servem especificamente como um lugar de armazenagem de grandes volumes de provisões para animais e são comumente caracterizados por seus pés direitos altos, vãos generosos e por uma relativa flexibilidade espacial, protegendo o feno e os grãos do sol, da chuva, da humidade e dos próprios animais.
Alarcia Ferrer é um escritório de arquitetura argentino com sede em Córdoba, fundado em 2009. Voltado para uma produção privada de média escala em ambientes suburbanos e rurais, o escritório trabalha há mais de uma década em estreita relação com a paisagem da província, refletindo constantemente sobre as tensões e interações entre natureza e artifício. Cada obra pode ser lida como fruto de um exercício material e espacial que serve de pretexto para repensar aspectos mais profundos, como a permanência, a autenticidade e a simplicidade.
Localizado na região central da América do Sul, o Paraguai possui uma grande variedade de condições geográficas, com paisagens e recursos diversos. Em geral, o território está enquadrado em uma área de alta umidade e temperaturas amenas, que prevalecem durante todo o ano, com verões quentes e chuvosos e invernos amenos. Nestas condições, o arrefecimento dos espaços interiores adquire grande relevância e os sistemas de ventilação passiva são especialmente levados em consideração nas fases iniciais do projeto.
Embora o concreto seja um dos sistemas construtivos mais utilizados no mundo todo, seja por sua durabilidade, maleabilidade e/ou resistência às intempéries, não devemos esquecer que a industria do concreto é uma das maiores emissoras de CO2 relacionas à industria da construção civil. Por este motivo, ao longo dos últimos anos, muitos arquitetos e arquitetas passar a experimentar novas possibilidades para tratar de otimizar seu rendimento, apropriando-se de todas as suas vantagens técnicas e buscando resolver alguns de suas desvantagens ambientais. Como resultado disso, alguns projetistas passaram a explorar a possibilidade de substituir as tradicionais fôrmas de madeira por materiais mais sustentáveis como o bambu, uma planta que cresce em abundância em quase todas as partes do mundo e que, com um baixo impacto ambiental, permite obter acabamentos aparentes com texturas de grande qualidade.
Observar a realidade de nosso ambiente construído nos permite reconhecer que existem identidades que os modelos e escalas existentes não representam. Estas vozes, não por acaso, têm sido as grandes ausências nos processos de planejamento e construção das cidades e de sua arquitetura. Seus desejos e formas de ser e viver no mundo foram excluídos e tornados invisíveis. Isso nos faz repensar quais vozes são representadas nos debates sobre o urbano e para quem se projeta a cidade?
Com uma média de 12 metros quadrados de área verde por habitante, em um relatório publicado recentemente pela Iniciativa de Cidades Emergentes e Sustentáveis do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), a cidade de Rosário foi declarada o enclave urbano "mais verde” da Argentina. O índice resultante é ideal em relação ao estabelecido pela OMS, que determina que deve haver entre 10 e 15 metros quadrados de espaço verde por pessoa para que todos os cidadãos e cidadãs possam desfrutar de uma qualidade de vida digna. A criação de novos parques nos últimos anos, somada à melhoria dos mais de 70 já existentes com a incorporação de equipamentos e tecnologia, deixa em evidência a relevância que os espaços verdes têm para os cidadãos e cidadãs de Rosário.
A recente polêmica em torno do projeto de lei para autorizar a privatização e posterior edificação de uma porcentagem de terras ribeirinhas recuperadas na orla do Rio da Prata (Buenos Aires, Argentina) nos convida a nos envolvermos nos problemas metropolitanos de infraestrutura e ordenamento territorial e a refletir sobre o papel da sociedade nos processos de planejamento urbano, reabrindo os debates em torno das transformações de nossa orla.
Historicamente, o bambu tem sido utilizado como matéria-prima em construções tradicionais de baixa renda, servindo como substituto de outras madeiras para materializar estruturas, armários e até móveis. Hoje, devido às suas inúmeras vantagens associadas à durabilidade, resistência, versatilidade e baixo impacto ambiental, conseguiu ganhar o nome de “aço vegetal” e obter um lugar privilegiado na indústria da construção. A atual busca por novos materiais para o desenvolvimento sustentável tem gerado novas fusões construtivas que colocam materiais e técnicas contemporâneas em jogo com elementos tradicionais, amalgamando e valorizando as qualidades dos materiais em cada região.
No campo da arquitetura, as mudanças tecnológicas, sociais e culturais impulsionadas pelos processos de globalização do século XXI viabilizaram o desenvolvimento de equipes transnacionais e escritórios muito diversos que projetam arquiteturas com perspectivas inovadoras e visões desvinculadas de uma única localização geográfica. A hipercomunicação, o intercâmbio e os recursos digitais avançados são ferramentas projetuais que permitem aos/às arquitetos/as operar com uma visão mais global sobre a prática, transcendendo as fronteiras e possibilitando uma aproximação aos problemas arquitetônicos de modo mais aberto e plural.
"As tecnologias indígenas não estão perdidas nem esquecidas, apenas escondidas pela sombra do progresso nos lugares mais remotos da Terra". Em seu livro Lo-TEK: Desenho Indígena Radical, Julia Watson propõe revalorizar as técnicas de construção, produção, cultivo e extração realizadas por várias populações remotas que, geração após geração, conseguiram manter vivas práticas culturais ancestrais integradas com a natureza, com um baixo custo ambiental e execução simples. Enquanto as sociedades modernas tentavam conquistar a Natureza em nome do progresso, estas culturas indígenas trabalhavam em colaboração com ela, compreendendo os ecossistemas e os ciclos das espécies para articular sua arquitetura em uma simbiose integrada e interconectada.
Embora haja uma certa indefinição teórica quanto aos limites e ao alcance do termo "brutalista", existem certas constantes sobre seus parâmetros estéticos que nos permitem estabelecer uma linha de análise relativamente concreta. Nestes termos, os edifícios pertencentes ao brutalismo - um estilo do Movimento Moderno que atravessou seu boom entre os anos 1950 e 70 - são caracterizados por sua verdade construtiva - mostrando e evidenciando o material que compõe a arquitetura, assim como sua lógica construtiva e estrutural - a geometria de suas formas e a rugosidade das superfícies. O concreto armado aparece como o material principal de escolha e tanto as texturas geradas pelas formas de madeira bruta, quanto as incorreções do concreto não são mais cobertas com reboco ou tinta, mas exibidas deliberadamente como escolha de evidenciar os processos de construção.
Embora o tecido da cidade de Buenos Aires seja caracterizado por uma condição morfológica heterogênea e em constante transformação, dentro da gama de habitações de baixa densidade, é possível detectar certas tipologias constantes que emergiram da interação de sucessivas variáveis históricas - tais como as estratégias de loteamento das quadras, as regulamentações urbanas e suas correspondentes atualizações, ou as tradições construtivas daqueles que ergueram a cidade. Uma dessas tipologias identificáveis é o PH, cujo nome deriva da noção de Propriedade Horizontal, uma regulamentação que permitiu o desenvolvimento de residências particulares dentro de um mesmo lote.
Foram divulgados os vencedores do concurso de Anteprojetos para o Terminal Rodoviário de Allen (TOA), uma convocatória de caráter regional promovida pela Prefeitura da Cidade de Allen (General Roca, Río Negro, Argentina), organizada pelo Colégio de Arquitetos da Província de Río Negro - Seções 2 e 4 (CARN) e patrocinada pela Federação Argentina de Entidades de Arquitetos (FADEA), que convidou profissionais de arquitetura a criarem propostas para a construção de um novo terminal de transporte de passageiros, potencializando a criatividade na concepção arquitetônica e intervindo na cidade em escala urbana.