Tragédia, protesto, insurreição e turbulência política despertaram uma nova consciência sobre a injustiça racial e a instabilidade democrática. Essas questões criam novos desafios para usuários/as e profissionais de design de espaços públicos nos Estados Unidos. Espasmos culturais resultaram em espaços públicos contestados — cenários de assassinatos, protestos em ruas e parques e cemitérios esquecidos. Esses espaços demandam uma nova forma de justiça ambiental.
Antes da pandemia, havia um esforço conjunto de líderes mundiais para conter os efeitos do aquecimento global, com nações de todo o planeta buscando se unir em torno desse objetivo. O foco estava voltado para políticas e planos de ação que reduzissem as emissões de gases de efeito estufa até 2030, por meio da rápida introdução de novas tecnologias de eficiência energética e técnicas inovadoras de remoção de dióxido de carbono, visando atingir a meta de neutralidade de carbono do Acordo de Paris e limitar o aquecimento global a 1,5 °C.
Em 2021, a proposta do escritório CRA-Carlo Ratti Associati para criar alternativas sustentáveis para redes de aquecimento urbano foi selecionada como uma das quatro vencedoras do concurso global Helsinki Energy Challenge. O projeto, intitulado Hot Heart, propôs “reservatórios flutuantes de água salgada semelhantes a ilhas para aquecer a cidade de Helsinque de forma ecológica”. Desenvolvido com o auxílio do Twinmotion — plataforma de visualização em tempo real da Epic Games para o setor de arquitetura —, este projeto de infraestrutura em grande escala demandava uma ferramenta de representação digital capaz de colocar as dimensões em perspectiva, oferecer uma experiência imersiva real para engajar o cliente e exibir mudanças instantâneas associadas a fatores naturais, como a luz do dia. É aí que entra o SpaceForm, uma ferramenta de apresentação e design virtual orientada por dados. Criada para facilitar a colaboração remota, a tecnologia permite que clientes ou partes interessadas se envolvam de maneira mais profunda na narrativa do projeto.
As renderizações de arquitetura são uma excelente ferramenta para apresentar projetos. Elas dão uma ideia de como o ambiente construído se parecerá depois de pronto. Hoje, porém, graças aos softwares de renderização em tempo real, você pode ir muito além de simplesmente exibir belas imagens.
Destacamos cinco maneiras de otimizar seu fluxo de trabalho de projeto utilizando a renderização em tempo real.
“A casa através da sala de jantar. Arquitetura em torno da mesa” é um trabalho de pesquisa realizado pelo arquiteto Francisco Javier Fernández García no âmbito do Mestrado Universitário em Estudos Avançados de Arquitetura da Escola Técnica Superior de Arquitetura de Barcelona. Orientado por Xavier Monteys e escrito sob a forma de um “ensaio editorial”, tem como objetivo colocar sobre a mesa, no sentido mais literal da expressão, a figura da sala de jantar como um elemento doméstico capaz de repensar a casa. Não se trata propriamente de uma coleção de salas de jantar; pelo contrário, frequentemente surgem imagens de naturezas diversas, em um exercício de comparação que contrapõe e permite que características comuns se reflitam mutuamente. Falar sobre a sala de jantar é o pretexto para lançar luz sobre muitos outros temas relacionados à casa e ao habitar.
Horários estendidos, prazos impossíveis, pressão para fazer networking — os setores imobiliário e de design podem tornar desafiador para pais e mães que trabalham encontrar tempo suficiente no dia a dia. À medida que muitas empresas começam a repensar suas normas e políticas, temos a oportunidade de refletir e considerar quando, onde, como e até mesmo por que trabalhamos.
Eu — ao lado de um pequeno mas resiliente exército de pais e mães que trabalham na região de Chicago — quero desafiar nosso setor a pensar mais alto. Estamos em um momento propício para mudanças, especialmente diante da "Grande Renúncia" e da acirrada disputa por talentos. A pandemia nos mostrou que o tempo é o nosso bem mais precioso e, com isso em mente, acreditamos ser possível construir políticas e práticas inclusivas que atraiam profissionais para o nosso setor. Veja como:
Enquanto o mundo adentra o terceiro ano de uma pandemia global sem sinais de trégua, uma nova corrida espacial se desenha sobre nossas cabeças. O acesso está aberto a todos, e os bilhetes são literais. Jonathan Hilburg, do The Architect's Newspaper, explora como os homens mais ricos do mundo estão traçando novos caminhos para a espécie humana e como o público está reagindo ao futuro do turismo espacial privado.
Existe uma frase famosa — geralmente atribuída a Winston Churchill — que diz: “A história é escrita pelos vencedores”. Essa crença cínica e amplamente errônea só poderia ser verdadeira se a história fosse fixa, consolidada, estática. Mas ela nunca é, e é precisamente por isso que existem historiadores/as. Talvez seja mais preciso dizer que o primeiro rascunho da história é escrito pelos vencedores. No entanto, como qualquer escritor/a dirá, primeiros rascunhos são sabidamente pouco confiáveis. O mesmo acontece com a história da arquitetura. As mulheres desempenham papéis significativos na área desde o início da profissão, mas não é assim que a história registrou. Um novo livro, The Women Who Changed Architecture (Princeton Architectural Press), uma coletânea de mais de 100 minibiografias de importantes arquitetas, abrangendo mais de um século, espera dar um passo em direção à correção dessa omissão. Recentemente, conversei com Jan Cigliano Hartman, editora do volume, sobre a criação do livro, figuras importantes e negligenciadas, e por que esta não é uma lista definitiva.
Em 1940, o nutricionista estadunidense Victor Lindlahr escreveu o livro "Você é o que você come", consolidando a ideia de que aquilo que colocamos em nosso corpo afeta diretamente nossa saúde física e mental. Mais recentemente, chefs influentes assumiram essa causa e impulsionaram uma reformulação nos serviços de alimentação escolar e hospitalar, nos aproximando de uma aceitação universal sobre a forte correlação entre bem-estar e alimentação, além de consolidar a compreensão de que o aprendizado, o comportamento e a recuperação médica podem ser aprimorados com a dieta adequada.
Instalação do Designer do Ano, Franklin Azzi, na Maison&Objet. Imagem cortesia de Metropolis Magazine
Com um público recorde de visitantes e marcas expositoras internacionais, a tradicional feira de mobiliário e decoração de Paris, Maison&Objet, destacou o luxo, o artesanato e a tecnologia em sua edição deste ano. Realizado no Parc des Expositions de Villepinte de 24 a 28 de março, o evento reuniu 1.811 marcas da Europa e da Ásia, distribuídas em estandes de grande escala, exibições imersivas, cafés ambientados e espaços dedicados a novos talentos. Embora o evento tenha sido remarcado de janeiro para março, houve um aumento de 36,7% no público em comparação com a primeira edição pós-pandemia, realizada em setembro passado.
A International Contemporary Furniture Fair (ICFF) e a WantedDesign Manhattan acontecerão no Jacob K. Javits Convention Center em Nova York, de 15 a 17 de maio de 2022. Imagem cortesia de ICFF
Nos primórdios da pandemia, a curadora do MoMA, Paola Antonelli, e a crítica de design baseada em Londres, Alice Rawsthorn, iniciaram uma série de lives no Instagram chamada Design Emergency. A iniciativa documentou as soluções de design mais impressionantes que surgiram durante a crise da Covid-19 — aquelas que enfrentavam necessidades urgentes de saúde e da sociedade com foco, clareza e velocidade sem precedentes, muitas vezes de maneira bastante local. Em maio ocorre o lançamento do livro originado dessas conversas com os protagonistas da resolução de problemas, direcionando o debate para o próximo foco do mundo do design: como aproveitar essa experiência e atuar como agente de mudança. Portanto, no momento em que as feiras de design de Nova York, a International Contemporary Furniture Fair (ICFF) e o WantedDesign Manhattan, retornam ao seu período habitual de primavera, de 15 a 17 de maio, no Jacob K. Javits Convention Center, é muito oportuno que a voz de Antonelli seja ouvida na palestra principal "Design Emergency: Building a Better Future".
The Second Studio (anteriormente conhecido como The Midnight Charette) é um podcast sem filtros sobre design, arquitetura e o cotidiano. Apresentado pelo arquiteto David Lee e pela arquiteta Marina Bourderonnet, o programa recebe diferentes profissionais do campo criativo em conversas espontâneas que abrem espaço para reflexões profundas e debates pessoais.
Uma variedade de temas é abordada com honestidade e humor: alguns episódios trazem entrevistas, enquanto outros oferecem dicas para colegas designers, análises de edifícios e projetos, ou reflexões informais sobre o dia a dia e o design. O The Second Studio também está disponível no iTunes, Spotify e YouTube.
Esta semana, David e Marina analisam o polêmico painel do SCI-Arc, "Basecamp: How to be in an office" [Como agir em um escritório], e compartilham seus próprios conselhos sobre "como se portar em um escritório". A dupla discute a escolha do escritório ideal para se trabalhar; por que a ideia de se comprometer com um escritório está certa, mas também errada; por que os trabalhos paralelos (os famosos *side hustles*) não são a solução para honorários baixos e/ou salários defasados; por que apenas "fazer o trabalho acontecer" não basta; por que aceitar salários baixos não é apenas uma "escolha pessoal"; por que a profissão sofre com baixos salários e longas jornadas de trabalho; e as nuances do debate promovido pelo SCI-Arc.
https://www.archdaily.com.br/pt/1134523/the-second-studio-podcast-uma-resposta-ao-basecamp-da-sci-arc-como-estar-em-um-escritorioThe Second Studio Podcast
Quando o estimado Blair Kamin deixou o cargo de crítico de arquitetura do Chicago Tribune no início de 2021, a cidade ficou sem profissionais na cobertura diária de crítica em seus veículos de imprensa locais. Essa triste situação foi parcialmente corrigida recentemente, quando o Chicago Sun-Times anunciou que Lee Bey iniciaria uma coluna mensal de arquitetura. O escritor, historiador, fotógrafo e crítico traz uma vasta experiência para a nova função: ele foi crítico de arquitetura do Sun-Times por cinco anos no final da década de 1990, atuou como chefe de gabinete adjunto de planejamento e desenho urbano na gestão do prefeito Richard M. Daley, foi diretor de relações governamentais na SOM e lecionou no IIT. Seu livro mais recente é Southern Exposure: The Overlooked Architecture of Chicago’s South Side. Na semana passada, conversei com Bey sobre sua nova função, sobre como a cidade mudou desde sua última passagem como crítico e sobre a importância singular da arquitetura para Chicago.
Chandler Boulevard Bridge Home Village. Imagem cortesia de Lehrer Architects
A questão das pessoas em situação de rua é um problema persistente e alarmante, crescendo quase 17% em todo o país a cada ano. Diante do último censo de Los Angeles, que registrou um total de mais de 60.000 pessoas nessa situação — das quais quase 14.000 vivem nas ruas do centro da cidade —, uma intervenção urgente tornou-se necessária. O escritório Lehrer Architects, em parceria com a Secretaria de Engenharia de Los Angeles, desenvolveu um projeto comunitário inovador, transformando um lote urbano ocioso em microcasas (tiny homes) para a população local em situação de rua, utilizando abrigos modulares pré-fabricados (os chamados pallet shelters).
A realidade virtual trouxe novas formas de trabalho para arquitetos/as. Aliada a softwares de visualização em tempo real, a tecnologia constitui uma ferramenta robusta e com infinitos recursos para o fluxo de trabalho de projeto. Ela auxilia no desenvolvimento da proposta, atende a demandas específicas e ajuda a conquistar clientes. A seguir, apresentamos quatro motivos essenciais para implementar a VR em seu fluxo de trabalho de projeto.
HeartFelt® Multipanel. Imagem cortesia de Hunter Douglas Architectural
Conhecido como a “quinta parede”, o forro é a superfície superior interna que define o limite de um ambiente. Ao contrário da decoração, do papel de parede, do mobiliário e de outros elementos que definem a atmosfera de um espaço, ele raramente é destacado como um componente crucial de projeto, o que costuma resultar naquele clássico tom branco liso que continua sendo a norma na maioria dos ambientes internos. No entanto, os forros podem desempenhar múltiplos papéis em qualquer projeto de arquitetura. Por exemplo, eles proporcionam conforto, atuam como superfícies de proteção para outras instalações prediais, ocultam elementos estruturais e adicionam camadas de textura, movimento e cor. Além disso, permitem o fechamento ou a separação de espaços e contribuem para a difusão sonora, reduzindo, consequentemente, a transmissão de ruídos entre os ambientes.
Há muitos e muitos anos, tive a sorte de conseguir um emprego de verão com Robert A.M. Stern enquanto estava na pós-graduação. As novas memórias de Stern, Between Memory and Invention: My Journey in Architecture (MonacelliPress, 2022), motivaram minhas próprias mini-memórias, com alguns detalhes relevantes que não foram incluídos no livro.
Cheguei ao escritório no início do verão, pouco tempo após a dissolução da Stern & Hagmann e do divórcio de Bob. Encontrei dois futuros profissionais de arquitetura, uma secretária-recepcionista-contadora simpática, mas desorganizada, e Bob. O escritório cresceu ao longo daquele verão e nos anos seguintes — hoje, a equipe conta com mais de 200 pessoas, incluindo 16 sócios/as na Robert A.M. Stern Architects (também conhecida como RAMSA).
Sem dúvida, as portas pivotantes estão mais em alta do que nunca. Girando em torno de um eixo vertical com componentes quase invisíveis, essas portas se caracterizam por suas linhas limpas, estética contemporânea e infinitas possibilidades de design – atributos que as tornam ideais para uma ampla gama de aplicações, especialmente como elementos de destaque no projeto. O grande diferencial dessas portas, no entanto, é o seu movimento fluido e elegante, que proporciona transições suaves entre os ambientes, distinguindo-as das portas de dobradiça comuns. Para garantir esse movimento característico, duas etapas são indispensáveis: a escolha de ferragens de alta qualidade e uma instalação correta.
Costuma-se dizer que só percebemos se o/a arquiteto/a considerou a acústica de um espaço quando isso não foi feito. Pense em interiores de restaurantes altamente instagramáveis, mas nos quais é impossível ouvir o que a pessoa do outro lado da mesa está dizendo.
Durante muito tempo, o tratamento acústico recebeu pouca ou nenhuma atenção na formação acadêmica em arquitetura. As coisas podem estar mudando, mas — para a sorte de empresas como a suíça Impact Acoustic — ainda há uma clara necessidade de provedores de soluções com sensibilidade arquitetônica que priorizam, acima de tudo, a redução de ruídos.
Embora alguns possam questionar, a arquitetura é, essencialmente, um setor de prestação de serviços. E, como em qualquer serviço, o processo em si (reuniões, faturamento, pagamentos) pode ser tão importante quanto o resultado final (o projeto concluído). No fim das contas, ao oferecer um serviço coerente, eficiente e bem estruturado que complemente um bom projeto, os/as clientes ficarão satisfeitos/as e provavelmente retornarão. Além disso, farão a propaganda boca a boca e recomendarão o escritório, o que, em última análise, é a melhor maneira de profissionais de design e arquitetura construírem uma boa reputação e atraírem novos/as clientes.
Muitos requisitos precisam ser atendidos para prestar um bom serviço. Mas talvez um dos mais cruciais envolva o faturamento e os pagamentos, vitais para o fluxo de caixa e, portanto, fundamentais para a saúde financeira de qualquer negócio. Em setores baseados em projetos, como arquitetura e design, os honorários costumam ser pagos em várias parcelas definidas por etapas específicas, desde a entrega do estudo preliminar até a execução da obra. Dessa forma, contar com uma receita consistente e previsível em todas as etapas é indispensável, pois evita inadimplência e atrasos que podem comprometer a entrega do projeto e causar situações complexas.
Embora o novo livro de Stephen Zacks, G.H. Hovagimyan: Situationist Funhouse, seja ostensivamente sobre a vida e a obra do artista, há um subtexto intrigante e aparentemente oportuno pairando ao fundo: o complexo papel da arte e da cultura no desenvolvimento e redesenvolvimento das cidades. Trata-se de uma questão complexa e por vezes tensa, propensa a um pensamento simplista, até mesmo binário. Zacks, amigo e ex-colega na revista Metropolis, sempre teve uma visão mais sutil do assunto. Na semana passada, entrei em contato com ele para conversar sobre a obra de Hovagimyan, as lições históricas da Nova York dos anos 1970 e os motivos pelos quais a "gentrificação" precisa de um novo nome.
San Diego é uma cidade intrinsecamente ligada ao oceano. Desse modo, sua arquitetura responde a uma variedade de influências culturais e condições naturais. Lar de estilos arquitetônicos diversos e distintos, San Diego abriga desde residências vitorianas no estilo Queen Anne e bangalôs craftsman até estruturas de estilo neocolonial espanhol. Além de obras monumentais como o Salk Institute e a Geisel Library, San Diego também abriga uma série de projetos contemporâneos, tanto culturais quanto residenciais.
Anos atrás, profissionais de arquitetura migraram dos desenhos feitos à mão para o CAD. O tempo economizado e a eficiência obtida transformaram o setor. Hoje, é difícil encontrar um/a arquiteto/a que trabalhe exclusivamente com os métodos tradicionais de papel e caneta. Essa transição digital continuou a evoluir.
Uma obra de infraestrutura pode, literalmente, matar uma cidade? Esta é a questão que o escritor Jim Krueger propõe em seu podcast recente, The Road That Killed a City. O local em questão é a cidade onde Krueger vive hoje — Hartford, Connecticut — vizinha ao arborizado subúrbio de West Hartford, onde ele cresceu. Krueger morou em ambas as cidades, o que ajuda a equilibrar a surpreendente história que ele revela sobre como a capital de Connecticut foi empalada por uma rodovia (na verdade, duas: a I-84, de leste a oeste, e a I-91, de norte a sul, convergem em Hartford em uma espécie de marco zero viário). Conversei com Krueger sobre o que motivou o podcast, parte do que ele descobriu sobre a história dessa malfadada "melhoria" urbana e o legado de uma rodovia que continua a impedir o renascimento de Hartford — uma herança compartilhada por muitas cidades na América do Norte.
https://www.archdaily.com.br/pt/1134705/uma-rodovia-matou-a-cidade-de-hartfordMichael J. Crosbie