Em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, comemorado no dia 8 de março, é importante refletir e reconhecer o progresso que as mulheres, em todas as áreas de arquitetura e design, fizeram nos últimos anos. Desde mulheres sendo nomeadas para cargos de liderança em instituições acadêmicas de destaque, como a arquiteta Jeanne Gang, que foi nomeada como uma das 100 pessoas mais influentes pela revista Time em 2019, já sua equipe feminina do Counterspace recebeu o projeto do Serpentine Pavilion em Londres. E até mesmo, o primeiro escritório, liderado por duas mulheres, que venceu o prestigioso Prêmio Pritzker há apenas alguns dias. Cada vez mais mulheres na arquitetura estão ganhando o reconhecimento que merecem, nessa profissão tradicionalmente dominada por homens.
A arquitetura australiana caracteriza-se por uma profunda coerência com as condições específicas de suas latitudes. Historicamente, arquitetos australianos tem se apropriado das conjunturas ambientais, climáticas e culturais do país para dar forma à uma arquitetura intimamente enraizada em seu contexto local. Mais recentemente, a arquitetura australiana também passou a incorporar questões relativas à identidade multicultural do país, estabelecendo uma nova forma de se conceber e se fazer arquitetura. Para ilustrar este fenômeno, compilamos uma lista de projetos recentemente construídos na Austrália que estão redefinindo a pauta sobre o desenvolvimento futuro da arquitetura contemporânea australiana.
São 6:00 da manhã de uma terça-feira. Onde você está?
Geovana sai de casa já atrasada. Normalmente demora duas horas em três conduções para chegar no trabalho que fica no centro da cidade. Mas choveu durante toda a noite e sua casa inundou. Ela, a mãe e os irmãos tentaram salvar seus móveis e demais pertences. Às 2:00 da manhã quando a chuva acalmou, ela conseguiu descansar um pouco, para acordar na sequência. Depois da chuva de ontem sabe que as ruas do seu bairro estarão alagadas, e que o trajeto casa-trabalho levará mais uma hora do que o normal.
https://www.archdaily.com.br/pt/935134/mulheres-nas-cidadesGraciela Medina, Lara Ferreira, Tama Savaget e Debora Pill
Um dos cernes do pensamento urbanístico é, e foi historicamente, o planejamento dos grandes equipamentos e infraestruturas de transporte nas cidades. Esses são projetos que lidam com uma diversidade de aspectos de um programa que, em geral, responde a demandas coletivas no espaço público, e por isso costumam ser construções de grande escala para amparar grandes fluxos de circulação e funcionar como verdadeiros articuladores das formas de se deslocar no espaço urbano.
O uso do concreto como recurso construtivo costuma oferecer certas vantagens associadas à resistência e ao tempo de execução de uma obra. Elas, combinadas com a plasticidade, versatilidade e valor estético, fazem com que muitos arquitetos e arquitetas optem por este sistema para materializar seus projetos. A reivindicação das tendências ao redor da aplicação aparente do concreto - ou seja, sem revestimentos adicionais - gerou, por sua vez, diversas formas de exploração de suas qualidades expressivas, dando origem a novos projetos que experimentam com os acabamentos desse material em seus espaços internos.
Com o objetivo de evitar interrupções na temporada seguinte de futebol americano (e, consequentemente, qualquer frustração entre os/as torcedores/as apaixonados/as do University of Iowa Hawkeyes), o desafio enfrentado pelo escritório de arquitetura de Iowa City Neumann Monson consistia em fornecer e instalar rapidamente a nova fachada de vidro personalizada do Kinnick Stadium, tudo durante o recesso do time. Considerado um dos principais estádios da conferência Big 10, o Kinnick abriu a temporada de 2019 com uma North End Zone expandida, fruto de uma coordenação minuciosa entre as equipes de projeto, fabricação e construção ao longo de todo o processo.
A conquista de maior protagonismo das mulheres no mercado de trabalho é um processo em contínuo andamento, e reflexo de grandes esforços históricos ligados à luta por direitos comuns e situações de igualdade em relação aos homens. Embora seja objeto de constante discussão e revisão - sobretudo quando se leva em conta o fato de que o espectro de gênero não deve assumir a dualidade homem e mulher para uma compreensão coerente e complexa do quadro de disparidades -, a relação entre os tipos de ocupação, rentabilidade no trabalho e o gênero segue, de forma geral, apontando condições desfavoráveis às mulheres.
E se contratar um/a arquiteto/a internacional — com excelentes habilidades, qualificações e uma perspectiva única — fosse tão simples quanto recrutar alguém do norte do estado de Nova York ou de Indiana? Profissionais de arquitetura de todo o mundo sonham em ingressar no competitivo mercado americano, e, hoje, estudar ou trabalhar no exterior tornou-se um caminho natural para jovens designers. Ao mesmo tempo, muitos dos principais escritórios dos EUA buscam talentos novos e diversos, mas os custos, a papelada e os entraves burocráticos envolvidos na contratação internacional costumam inviabilizar esse processo. A Architect-US foi criada justamente para preencher essa lacuna.
A arquitetura, por sua própria definição, estabelece que é a arte e a técnica de projetar, desenhar, construir e modificar o habitat humano. No entanto, minha trajetória profissional tem me levado a enfrentar constantemente a mesma pergunta: se você é arquiteto/a e não projeta, continua sendo arquiteto/a?
A madeira é um dos materiais mais amplamente utilizados na construção civil no Chile, principalmente devido à sua superabundancia em território chileno. Além disso, a madeira pode ser um material extremamente sustentável quando produzido e processado sob certas condições – resultando em um baixíssima pegada de carbono. Como sistema construtivo, a arquitetura em madeira é caracterizada por sua calidez, resistência e durabilidade.
Vista aérea de São Paulo. Foto de Sergio Souza, via Unsplash
As aglomerações, do ponto de vista natural, representam uma nucleação semelhante ao “modelo gravitacional”, onde os fluxos de energia e matéria seriam “otimizados”, através da aproximação e articulação – o centro urbano. Etimologicamente, como sabemos, pólis, do grego, indica o caráter coletivo e político da formação do espaço urbano.
https://www.archdaily.com.br/pt/934846/complexidade-e-alta-entropia-em-que-medida-ainda-e-possivel-planejar-a-cidade-no-seculo-xxiJosé Augusto da Silveira
O dia 8 de março é uma data instituída pela ONU em 1975 para lembrar a luta pela igualdade de direitos e o sufrágio universal. Esta celebração reúne os esforços de mulheres que exigiam seu direito ao voto, ao trabalho, à formação profissional, a ocupar cargos públicos e a combater a discriminação laboral. Essa luta é fruto do trabalho de mulheres que se sacrificaram pela causa. Diversos acontecimentos do nosso dia a dia evidenciam que a situação social mudou. No entanto, é fundamental que tanto homens quanto mulheres nos comprometamos com o progresso e a justiça para fazer as coisas acontecerem.
Em 1773, James Cook navegou em torno da Antártica, registrando o primeiro encontro da humanidade com o continente. Desde então, exploradores e cientistas de diferentes países têm procurado compreender os 14 milhões de quilômetros quadrados do continente gelado. Dadas as duras condições climáticas, estética e criatividade tiveram pouca importância nas construções lá erguidas - pelo menos, até poucos anos atrás. Hoje, no entanto, a cena arquitetônica no remoto continente está em expansão.
"Onde estão as mulheres arquitetas?" Lamenta a professora e historiadora da arquitetura Despina Stratigakos em seu livro. O sentimento certamente ecoou e foi bem compreendido por muitas mulheres que trabalham na profissão e têm que romper diariamente algumas barreiras estabelecidas por uma disciplina, infelizmente, dominada por homens. Sabemos que o número de mulheres na prática da arquitetura é pequeno, e fica ainda menor quanto mais alto subirmos nas hierarquias da profissão.
Maioria em graduações de arquitetura em diversas partes do mundo, incluindo o Brasil, as mulheres superam os homens em número de profissionais em atividade, entretanto, sua representatividade vem, há décadas, sendo sistematicamente diminuída frente à atuação masculina.
Yvonne Farrell e Shelley McNamara fundaram a Grafton Architects em 1978, depois de se conhecerem na Escola de Arquitetura da University College Dublin. A prática, nomeada com a rua onde o primeiro escritório da dupla estava localizado, foi premiada com o prestigiado Prêmio Pritzker 2020 deste ano. O trabalho construído de Grafton reflete a busca contínua em excelência arquitetônica, em edifícios que variam de moradias de pequena escala a grandes edifícios públicos.
https://www.archdaily.com.br/pt/934753/grafton-architects-conheca-as-obras-das-ganhadoras-do-pritzker-2020AD Editorial Team
O delta do rio Mississippi, ao sul de Nova Orleans, visto dos aviões de pesquisa C-20A da NASA. Crédito de imagem: NASA. Image @ NASA
Cem anos de inundações. Calor antártico recorde. Incêndios florestais e seca. As histórias se repetem com regularidade entorpecente. E, embora as particularidades sejam diferentes, todas apontam para a mesma conclusão sombria, somos incapazes de lidar com as mudanças climáticas. Com as emissões de carbono aumentando, o que antes era descartado como pior cenário, agora parece o melhor que podemos esperar.
Se o Plano A deveria impedir, ou pelo menos mitigar, os impactos mais graves das mudanças climáticas, qual é o Plano B?
https://www.archdaily.com.br/pt/934813/se-o-plano-a-e-mitigar-as-mudancas-climaticas-qual-e-o-plano-bMartin C. Pedersen, Steven Bingler
O movimento moderno foi um ator-chave na construção cultural do Chile no século XX. Embora seus primeiros trabalhos surjam na esfera privada, seus princípios urbanos e paisagísticos foram adotados pelo projeto modernizador do Estado benfeitor que começou a ser construído após os conflitos sociais que explodiram nos anos vinte do século passado.
Em pleno processo de industrialização do país, a produção habitacional do Estado incorporou conceitos como habitabilidade, acesso universal à habitação e higiene, que foram testados precocemente na reconstrução de cidades como Chillán após o terremoto de 1939. Além disso, em um país familiarizado com terremotos, era necessário ajustar os conceitos de movimento moderno às exigências estruturais nacionais, ou seja, redimensionar seções de concreto armado, o que lhes dava uma expressão visual mais pesada do que no Brasil ou na Argentina.
Desde a ousadia de Sergio Larraín García-Moreno e Jorge Arteaga no edifício Oberpaur - o primeiro do movimento moderno - às visões urbanas do BVCH nas Villa Portales ou os primeiros exercícios de altura nos setores da classe média alta, o movimento moderno deixou sua marca em nossa sociedade e nossas cidades. No entanto, apenas um dos trabalhos aqui apresentados é declarado monumento histórico.
Nesta edição de guias de arquitetura, apresentamos vinte trabalhos organizados cronologicamente que refletem a evolução do movimento moderno em Santiago, Chile. Isto é complementado por fotografias exclusivas deste artigo, tiradas por María González e Manuel Albornoz.
Com mais de 40 anos de prática profissional, Yvonne Farrell e Shelley McNamara, sócias fundadoras do escritório Grafton Architects, de Dublin, Irlanda, são as primeiras mulheres a ganharem o Prêmio Pritzker conjuntamente. Além de um muito bem vindo sopro de esperança em direção à maior representatividade feminina na profissão, a premiação da dupla também lança luz sobre outro tema de urgência na disciplina: o reconhecimento da prática enquanto um esforço coletivo.
Com o objetivo de difundir a história da arquitetura popular com conteúdo de base social na Argentina, Moderna Buenos Aires - CPAU apresenta o documentário “Movimiento Nac&Pop”, um registro fílmico que reúne depoimentos de diversos/as arquitetos/as argentinos/as — como Jorge Moscato, Alfredo Garay, Rodolfo Sorondo, Jorge Hampton, Emilio Rivoira, Roberto Frangella e Mario Sabugo — que integraram o coletivo denominado Nac&Pop. Essa formação profissional surgiu no fim da ditadura militar, impulsionada pelo fervor democrático, e foi responsável, entre outras ações, por promover a transformação de Palermo Viejo e idealizar o planejamento de Puerto Madero.
A arquitetura da Albânia está associada ao mar e à herança cultural do país. Limitada por Montenegro, Kosovo, Macedônia do Norte e Grécia, a república abrange o Mar Adriático e o Mar Jônico, enquanto se conecta ao Mediterrâneo. Com o tempo, a Albânia sofreu uma confluência de diferentes civilizações e culturas, cada uma moldando o atual ambiente construído.
Rica em imóveis de alto valor histórico e cultural, Lisboa conta com uma vasta produção arquitetônica voltada para projetos de reabilitação. Sem espaço para novos edifícios - a não ser que se aceite pagar o alto preço do solo - a arquitetura contemporânea lisboeta prescinde da tabula rasa e enfrenta o desafio de intervir e interferir naquilo que já existe, muitas vezes se conformando em desenhar apenas os espaços interiores.
Este ano, a honraria máxima da arquitetura, o Prêmio Pritzker, foi concedida a Yvonne Farrell e Shelley McNamara, sócias do escritório irlandês Grafton Architects. Atuando tanto na prática profissional quanto no ensino, elas se destacam por uma abordagem prática e teórica vigorosa e minuciosa. Seus projetos, contemporâneos e profundamente conectados ao contexto local, estabelecem um diálogo estreito com a história, evidenciando a alta sensibilidade e o rigor técnico e artesanal das arquitetas. Em entrevista exclusiva ao ArchDaily, Martha Thorne, diretora executiva do Prêmio Pritzker de Arquitetura e decana da IE School of Architecture and Design, compartilha as razões que levaram o Grafton Architects a vencer a edição de 2020 do prêmio.