Os conceitos de autonomia, colaboração e participação têm ganhado destaque no âmbito da arquitetura e urbanismo em práticas realizadas por comunidades em conjunto com arquitetos, urbanistas e designers. Em um período no qual o número de desastres climáticos tem aumentado significativamente – a quantidade dobrou nos últimos 40 anos segundo relatório divulgado em 2016 pelo CRED (Centre for Research on the Epidemiology of Disasters) –, somado a conflitos e outras tragédias, a demanda por reconstrução de habitações e da infraestrutura nas localidades atingidas têm crescido simultaneamente. Este fator tem demandado um grande esforço colaborativo para a reconstrução arquitetônica e urbana.
Em fevereiro deste ano ministrei uma breve palestra aos nossos alunos da Yale sobre a economia e suas perspectivas de emprego sugerindo que, embora todos os indicadores continuassem fortes e os empregos fossem abundantes, já fazia algum tempo desde a nossa última crise. Tendo vivido vários momentos como estes durante minha carreira, sugeri que eles provavelmente veriam uma recessão em algum momento, mas coloquei em dúvida se algum dia veríamos algo tão sério quanto 2008. Porém...
É muito cedo para apresentar argumentos sutis sobre o futuro enquanto enfrentamos o que, sem dúvida, será uma situação muito mais séria na segunda metade de 2020. Desta forma, aqui estão dez primeiras reflexões sobre como nossa profissão pode ser impactada e potencialmente transformada, como resultado. Escolha dois ou três destes pensamentos como instruções para serem considerados no futuro, depois que a crise passar.
As preocupações com a higiene, durabilidade e a salubridade dos espaços interiores têm aumentado consideravelmente nos últimos anos, exacerbando considerações em projetos hospitalares e relacionados à saúde. Consequentemente, a escolha dos materiais se torna essencial a partir da concepção de cada projeto, garantindo que cada espaço apresente desempenho efetivo em todas as áreas, desde resistência e segurança ao conforto e estética do ambiente.
Em particular, os recintos dos hospitais e centros de saúde devem ser regidos por uma série de pautas e dimensões predeterminadas, que respondem às dimensões padronizadas dos diferentes equipamentos e às necessidades de cada procedimento médico. Dentro da estrutura robusta das paredes estruturais, as divisórias - essenciais para subdividir o espaço - devem ser especialmente resistentes a impactos, fogo e umidade, além de resolver efetivamente a acústica entre salas e dentro de cada uma delas.
A noção romântica de wanderlust — o desejo intrínseco de viajar — e a capacidade de se afastar livremente do familiar carregando o mínimo de pertences é um anseio que quase todas as pessoas já vivenciaram em algum momento da vida. O estilo de vida nômade é tão atraente porque representa a possibilidade de se rebelar contra os símbolos de estabilidade e permanência em prol da exploração do meio ambiente e da capacidade de se adaptar com facilidade a diversas condições de vida. Esse desejo deu origem a estruturas móveis para o errante urbano, capazes de se transformar em um escritório temporário, uma residência ou até mesmo uma comunidade inteira.
Habitamos um mundo com cicatrizes históricas e maltratado por nós, uma humanidade que insiste em se descolar e subjugar a natureza à qual pertence. No ritmo acelerado do capitalismo global esquecemos, em realidade, de nós mesmos, esquecendo que temos um olhar próprio, e isso acaba como esquecimento do mundo em si.
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Pasaje Jose Cuervo. Imagem cortesia de IE School
Os/As estudantes da IE School of Architecture and Design no Master in Strategic Design of Spaces são desafiados/as a pensar no futuro desde o início. No mundo de hoje, onde os espaços urbanos evoluem rapidamente e o desenvolvimento das cidades precisa responder a exigências cada vez mais complexas, superar esses desafios exige abordagens inovadoras e não convencionais.
O diretor do Podcast Arquitectura para Aliens, Eduardo Useche, nos apresenta trechos da transcrição do debate que moderou, reformulando a visão e a postura do/a arquiteto/a. Com foco no futuro incerto após a pandemia de COVID-19, o espaço reuniu lideranças de diferentes associações que zelam pelo papel e pela responsabilidade dos/as profissionais e das academias vinculadas à arquitetura. Diante desta conjuntura pandêmica, a construção civil é um dos setores mais afetados, em grande medida porque as obras não são executadas por máquinas imunes ao contágio — pelo menos por enquanto.
Diante das declarações recentes do Governo Federal e dos novos programas anunciados pelas instituições relacionadas à produção de habitação no México, consideramos necessário dialogar e trocar ideias para compreender os conceitos de autoconstrução, autoprodução e “Produção e Gestão Social do Habitat” [PyGSH], bem como o papel da arquitetura nesses processos sociais.
https://www.archdaily.com.br/pt/1126887/o-papel-da-arquitetura-em-autoconstrucao-autoproducao-e-producao-social-assistida-de-habitacaoMariana Ordoñez y Jesica Amescua
Localizado na região sul dos Estados Unidos, o estado da Flórida é um dos mais populosos e o 22º maior em extensão territorial do país. O estado abriga algumas das áreas mais populosas do país, como Jacksonville e a Região Metropolitana de Miami.
Desde o início do surto de coronavírus no Chile, o consumo de pão no país alcançou níveis jamais registrados anteriormente. Isso que o Chile é o segundo maior consumidor de pão per capita do mundo. Como resposta às medidas de distanciamento social, os chilenos correram para os supermercados esgotando os estoques de fermento biológico na capital Santiago em poucos dias, levando-nos a acreditar que ao que parece, a maioria da população decidiu estocar ingredientes para a fabricação caseira de pães como uma medida para lidar com as incertezas trazidas pela pandemia. Todo mundo decidiu botar a mão na massa, e lá em casa não foi diferente.
O mundo da arquitetura e construção tem observado, com cada vez mais atenção, às inovações tecnológicas envolvendo madeira. Tratando-se de um material altamente utilizado em todo o mundo há milhares de anos, diversas pesquisas envolvendo tecnologias de fabricação industrial e usinagem têm proporcionado um maior controle de qualidade, aumento da diversidade de usos, apontado por muitos como um material do futuro. Além disso, mitos têm sido quebrados em relação à madeira, como o de sua resistência ao fogo e mesmo às possibilidades da utilização para estruturar edificações de grande altura.
Região central de Curitiba. Foto de Francisco Anzola, via Flickr. Licença CC BY 2.0
Um dos principais objetivos deste site é disseminar ideias que permitam que cidades tenham moradia mais acessível. Há alguns indicadores que podem ser úteis na observação e na análise do mercado habitacional de uma cidade, como a razão entre preço de imóveis e renda, que cobrimos em artigo anterior. Nenhum indicador será perfeito, mas pode servir de orientação em relação à escala de grandeza ou à direção que um determinado mercado imobiliário está indo.
O recém-inaugurado edifício Opus, projetado pelo escritório Zaha Hadid Architects, traz ao horizonte de Dubai uma intrincada interação de sólidos e vazios, fluidez e ortogonalidade. Fotografias recentes feitas por Laurian Ghinitoiu registram a silhueta escultural do projeto – mais um ícone desenvolvido pelo escritório internacional.
Após séculos de colonização portuguesa e recente conquista da independência, Moçambique passa por um período com novos desafios, como o combate à pobreza e ao déficit de infraestrutura frente à expansão urbana descontrolada. No âmbito da arquitetura, é possível notar o reflexo desses desafios nas diretrizes de projetos moçambicanos, como na previsão da necessidade de expansão do edifício no futuro, na adoção de medidas para controle climático de forma passiva e na utilização de técnicas construtivas vernaculares adaptadas ao contexto local (como forma de minimizar o consumo energético nas diferentes fases de construção do edifício e os custos provenientes delas).
Capela de Casamento Cloud of Luster / Tetsuya Matsumoto. Imagem cortesia de A' Design Award
Todos gostam de vencer. E se o design é sua paixão, o que poderia ser melhor do que conquistar um prêmio de design? Entre a infinidade de competições de design no mundo, o internacional A' Design Award é o maior deles, e agora foram anunciados os/as vencedores/as da edição de 2019-2020. Quem vence este prestigiado prêmio precisa impressionar um júri de especialistas — composto por mais de 170 membros da imprensa, acadêmicos/as e profissionais do design — para receber o A' Design Prize. Além do prestígio, do reconhecimento e da publicidade internacional, os/as laureados/as recebem um troféu, o anuário físico, um certificado, um convite para a noite de gala, inclusão na exposição dos/as vencedores/as e muito mais.
O curso de Architecture for Humanity nasceu para capacitar designers a conceberem arquiteturas significativas mesmo nos contextos mais complexos, levando qualidade e beleza onde não se está habituado a vê-las. Hoje, a pandemia, a crise econômica, as migrações e as mudanças climáticas transformaram todas as regiões — da periferia de nossas metrópoles aos vilarejos tropicais mais remotos — naquilo que se pode definir como um “contexto de emergência”.
Quase sessenta anos atrás, Flora Manteola, Javier Sánchez Gómez, Justo Solsona, Carlos Libedinsky e Antonio Diaz imaginavam um edifício com capacidade para 3.000.000 de livros e 500.000 de revistas e jornais para o concurso de anteprojetos da Biblioteca Nacional da Argentina. O projeto de uma "grande tenda metálica" ficaria em segundo lugar, diante do atual gliptodonte de concreto de Clorindo Testa, Bullrich e Cazzaniga.
A proposta, desde a sua concepção, "alertava a sensibilidade para novos caminhos formais e estruturais", apontava a crítica do júri. Em 2015, esse projeto fez parte da exposição Latin America in Construction e, hoje, sua maquete e desenhos originais estão no catálogo oficial do MoMA (Museum of Modern Art) de Nova York.
A seguir, relembrando o projeto, acompanhamos o relato de Justo Solsona:
Nesta ocasião, Bruno Stagno, do Instituto de Arquitetura Tropical, nos apresenta a versão 2020 da RESET (Requisitos para Edificações Sustentáveis no Trópico).
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the city of Homs in Syria. Image via Shutterstock/ By Fly_and_Dive
Em um contexto de disputas políticas e econômicas que se desdobram em conflitos armados e consequentemente em destruição, as novas tecnologias surgem como uma solução, proporcionando uma oportunidade única para que possamos reconstruir estas cidade de forma mais equilibradas e sustentável. Ao longo da história da civilização humana, inúmeras cidade, países e até continentes inteiros tiveram que ser reconstruídos uma e outra vez por causa de guerras. Por incrível que pareça, o século 21 não será diferente.
Entretanto, nem tudo será como antes, principalmente devido aos avanços tecnológicos. Novas tecnologias estão pouco à pouco transformando a maneira que vivemos e também a forma como projetamos e construímos nossos edifícios e cidades. Com a inevitável incorporação da Inteligência Artificial em nossos processos de projeto e construção, a industria da arquitetura e da construção civil jamais será a mesma. Estas inovações transformarão para sempre o ambiente em que vivemos, e principalmente, a maneira como nos relacionamos uns com os outros. E esta mudança não necessariamente é algo negativo, muito pelo contrário. Uma vez conscientes disso, a IA poderá ser uma importante aliada dos arquitetos, ajudando-os a construir um mundo melhor para todos nós.
Estrutura criada a partir de BIM e parametrização. Foto de Chris Palomar, via Unsplash
A Economia Circular tem sido uma prática também aplicada no setor de arquitetura e construção. No entanto, ainda existem barreiras, sejam elas técnicas ou mesmo culturais, durante o processo de projeto das edificações. Para solucionar esse problema, algumas ferramentas podem ser utilizadas para facilitar o processo e possibilitar uma avaliação mais rápida e mais assertiva e analisar como diferentes estratégias de projeto podem trazer em ganhos ambientais, econômicos e sociais.
Quando se é internado no hospital, entra-se numa experiência de angústia e incertezas. No momento em que sobreviver é o único objetivo, atributos estéticos parecem irrelevantes e a análise da ambiência do espaço hospitalar pode parecer um capricho inoportuno.
Entretanto, estar numa Unidade de Terapia Intensiva pode ser ainda mais aflitivo se o paciente não tem uma janela que indique se é dia ou noite. Ou quando, no momento da triagem do primeiro diagnóstico, a pessoa passa por corredores estreitos e uma sequência de saletas fechadas para os primeiros contatos com plantonistas e enfermeiros: um verdadeiro labirinto.
Os protótipos de residências unifamiliares aqui apresentados surgiram da necessidade de validar o sistema construtivo desenvolvido pelo CAUH. Como todos os sistemas pré-fabricados e industrializados que não são considerados sistemas construtivos tradicionais, é necessário passar por um processo de certificações e validações empíricas. Este processo permite adquirir o CAT (Certificado de Aptidão Técnica) fornecido pela Subsecretaria de Habitação da Argentina. Para isso não apenas são feitos testes das partes do sistema, mas também se constrói um protótipo em escala real ou residência tipo que possa passar duas temporadas para que então seja verificado seu desempenho no local.
COMPARTILHANDO PAISAGENS SONORAS por Santiago Beckdorf
Nossa interpretação do mundo é mediada por uma variedade de mecanismos que há muito tempo estão no centro do debate arquitetônico e urbano; o papel da audição na percepção e no reconhecimento do ambiente ao redor é fundamental e de crescente interesse científico. Multiplicam-se os estudos que investigam os efeitos psicológicos do ruído produzido por grandes infraestruturas, como aeroportos, rodovias e ferrovias. Santiago Beckdorf argumenta que é possível, por meio das ferramentas de projeto, reverter o paradigma segundo o qual o desenvolvimento urbano está inevitavelmente ligado ao enfraquecimento do ambiente natural no qual está inserido.
Para a Bienal de Urbanismo\Arquitetura de Shenzhen de 2019 (UABB), intitulada "Interações Urbanas" (de 21 de dezembro de 2019 a 8 de março de 2020), o ArchDaily está colaborando com a curadoria da seção "Eyes of the City" para estimular o debate sobre como as novas tecnologias podem impactar a arquitetura e a vida urbana. A contribuição a seguir faz parte de uma série de artigos científicos selecionados por meio da chamada de trabalhos "Eyes of the City", lançada em preparação para as exposições: pesquisadores/as internacionais foram convidados/as a enviar suas reflexões em resposta à declaração dos/as curadores/as Carlo Ratti Associati, Politecnico di Torino e SCUT, que pode ser lida aqui.
O ensino superior está à beira de uma grande transição. É extremamente provável que a educação em arquitetura seja conduzida principalmente online num futuro relativamente próximo. Isso significa que as aulas de projeto, uma marco na vida do arquiteto, também acontecerão online, provavelmente sem o contato pessoal que define essa experiência.Essa mudança eliminará muitos aspectos autodestrutivos da cultura atual de ateliê, mas também há possíveis armadilhas que precisam ser abordadas, antes que uma versão online dessa cultura adquira seus próprios maus hábitos. Podemos fazer isso proativamente, desenvolvendo novos métodos de ensino e trabalho que alavanquem as capacidades da educação digital para promover a dinâmica social construtiva entre estudantes.