De tempos em tempos, o desenvolvimento de novas tecnologias e o surgimento de novos materiais faz com que o mundo da arquitetura opere uma completa mudança de paradigma. O concreto foi a força motriz da expansão do Império Romano, o aço por sua vez, permitiu densificar nossas cidades e construir edifícios em alturas até então inimagináveis. Mais recentemente, os materiais plásticos foram os responsáveis por provocar uma profunda transformação dos nossos espaços interiores assim como da economia da construção.
Mas seria razoável perguntar-se por que, em pleno século XXI, um material conhecido pelo homem desde tempos imemoriais esteja sendo apresentado como o futuro da arquitetura. Ainda que a madeira nos acompanhe desde os primórdios da história da humanidade, as novas tecnologias estão nos ajudando a transformá-la em um material cada vez mais versátil, resistente e sustentável. Apesar de ser material naturalmente heterogêneo e que ainda por cima demanda um processo de montagem bastante elementar – representando a antítese da atual conjuntura da industria da construção civil –, a madeira como um material de altíssima durabilidade e um recurso renovável com capacidade de fixar carbono - ao invés de liberá-lo - tem inspirado a indústria da construção civil a investir fortemente em seu futuro.
A escala molda drasticamente a forma como vivenciamos a arquitetura e o ambiente construído. Seja analisando os edifícios por volume, área construída ou altura, quanto maior o projeto, mais profunda é a mudança em nossa percepção. Projetos monumentais contam histórias impressionantes sobre experiência espacial, programa e design. Erguendo-se imponentes ao nosso redor, essas obras em grande escala tornam-se marcos em contextos urbanos e rurais.
A seleção desta semana de Melhores Projetos Não Construídos foca em arquiteturas de grande escala localizadas ao redor do mundo. Desenvolvidas por diversos escritórios em diferentes contextos locais, as propostas foram enviadas por nossos leitores e leitoras. Elas demonstram uma ampla gama de abordagens para o projeto em escalas cada vez maiores, desde uma arena expansiva em Viena e um memorial exuberante em Singapura até a torre mais alta do mundo, concebida para chamar a atenção para a pobreza em Toronto.
Diante dos desafios globais atuais, surge a pergunta: o que devemos abordar primeiro?
Este ano de 2020 foi uma grande oportunidade para concentrar todos os nossos esforços e atenção nas questões mais urgentes da arquitetura. Por meio de chamadas, artigos, entrevistas, debates e projetos, os tópicos mensais do ArchDaily apresentaram debates e reflexões acerca dos temas mais relevantes do campo – da crise climática e arquitetura emergencial à inteligência artificial e como viveremos juntos.
Grande parte de nossas memórias da infância são da escola. Sejam elas boas ou nem tanto, a maioria das crianças e jovens passa boa parte dos dias em salas de aula ou instalações educacionais. De acordo com IQAir, “todos os anos, as crianças permanecem uma média de 1.300 horas em edifícios escolares”. Mas mesmo com todas as mudanças do mundo nas últimas décadas, principalmente quanto à disseminação do conhecimento através da internet, é notável que os projetos das escolas, mantêm-se muito similares a modelos, de alguma forma, ultrapassados. Como observado neste artigo, idealmente a tipologia dos espaços educacionais e a configuração das salas de aula deveriam se adequar a formas mais contemporâneas de ensinar e aprender, não necessariamente na usual organização de carteiras enfileiradas com um professor à frente. Mas é importante que as análises não parem por aí. Todas as superfícies e materiais exercem uma influência importante tanto para o bem-estar como para o aprendizado dos usuários do espaço.
House In Rua do Paraíso / fala. Image Courtesy of fala
Cinco novos escritórios de arquitetura, com sede em Portugal, Espanha, França e República Checa, foram escolhidos pelo New Generations, uma plataforma que observa o que há de mais inovador dentre os arquitetos europeus, proporcionando um espaço para troca de conhecimento e confronto, teoria e produção. Desde a sua fundação em 2013, a New Generations trouxe à público mais de 300 escritórios promissores de arquitetura, apresentando um cenário diversificado de studios e ateliês dedicados às mais diferentes atividades culturais, promovendo festivais, exposições, chamadas abertas, entrevistas e oficinas.
Em um ano marcado pelo distanciamento físico, as redes sociais ganharam uma dimensão ainda maior nas formas de se relacionar e se informar. Nosso Instagram ampliou seu alcance e levou ao público o melhor do que publicamos em nossa página: projetos, artigos, entrevistas e notícias do mundo da arquitetura, inspirando novas ideias e ferramentas para um futuro melhor.
Exposição virtual Windowology. Cortesia de Japan House LA
Diante do cenário da pandemia de coronavírus, foi preciso repensar a relação entre as pessoas e o espaço à sua volta. Enquanto espaços fechados, que costumam reunir aglomerações de pessoas, os museus não tiveram outra saída a não ser fechar as portas à medida que o número de casos de infecções aumentava. A programação destes espaços, por outro lado, não necessariamente foi interrompida. Ainda que alguns grandes eventos na área de arquitetura e urbanismo tenham sido adiados para uma data em que espera-se que a pandemia tenha sido controlada (como é o caso da 17ª edição da Bienal de Arquitetura de Veneza), muitos museus, galerias e demais espaços expositivos viram o momento como uma oportunidade para estreitar suas relações com o formato virtual.
A arquitetura residencial é uma das categorias mais populares entre nossos leitores. Durante 2020, publicamos mais de 2.000 casas, apresentando projetos de diferentes regiões do mundo e oferecendo uma variedade de soluções, materiais, contextos, ambientes, escalas e tipologias. Fornecemos, assim, uma ampla fonte de inspiração para quem busca ideias para seus próprios projetos residenciais.
A seguir, apresentamos os 20 projetos residenciais mais visitados no ArchDaily em 2020. Esta seleção representa o que há de melhor no conteúdo criado e compartilhado pela comunidade do ArchDaily nos últimos 11 meses.
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Primeiro Lugar: Cristián Fernández. Imagem cortesia de Fundación Engel
A equipe liderada pelo arquiteto/a chileno/a Cristián Fernández venceu o Concurso Nacional de Arquitetura e Paisagismo para o Novo Museu de Santiago (NUMU, Nuevo Museo de Santiago), um projeto cultural que abrigará a coleção de arte da Fundación Engel no Parque Bicentenário, em Santiago, Chile.
A escolha de um software BIM de alto desempenho é fundamental para o desenvolvimento de projetos eficientes, graças à automatização daquelas tarefas alheias ao projeto em si, como a documentação, os cálculos e outros processos tediosos. O objetivo é reduzir o tempo investido nesses detalhes importantes e minimizar qualquer tipo de erro que resulte em atrasos ou custos adicionais nos projetos.
Em resposta à crise imobiliária na Europa após a Segunda Guerra Mundial, Le Corbusier começou a projetar estruturas residenciais em grande escala. Um de seus projetos de habitação comunitária mais notáveis foi a Unidade de Habitação em Berlim, também conhecido como Corbusierhaus, concluído em 1959.
Explorando a composição particular do edifício, o fotógrafo de arquitetura Bahaa Ghoussainy colocou a unidade habitacional de Le Corbusier na mira de suas lentes.
A arquitetura, e todos os aspectos do mundo do design, experimentou vários movimentos ao longo do tempo que definiram a maneira como nos expressamos por meio de edifícios, artes e outros meios. Criadas a partir de uma insatisfação com o status quo ou do surgimento de novas tecnologias, houve mudanças arquitetônicas particularmente notáveis e ideologias emergentes nos últimos 100 anos. Isso nos deixa com a pergunta - em que momento estamos agora e o que o caracteriza? Como iremos refletir retroativamente sobre este momento arquitetônico, e a pandemia de COVID-19 irá acelerar a inovação para nos levar à nossa próxima era de projeto?
Satellite image of Bahir Dar (Ethiopia) Support of the Sustainable Structure Plan of Bahir Dar. Image Courtesy of UN-Habitat
A Un-Habitat ou agência das Nações Unidas para o desenvolvimento urbano sustentável, cujo foco principal é lidar com os desafios impostos pelo rápido e voraz processo de expansão urbana em países em desenvolvimento, vem desenvolvendo abordagens inovadoras no campo da arquitetura e do urbanismo, centradas nos usuários e nos processos participativos. Pensando nisso, p ArchDaily se associou à UN-Habitat para trazer notícias semanais, artigos e entrevistas que destacam neste setor, disponibilizando conteúdos em primeira mão e direto da fonte.
Com a principal intenção de apoiar e dar suporte aos governos locais de países em processo de desenvolvimento no que se refere a implementação de uma Nova Agenda Urbana que esteja de acordo com os objetivos traçados para estabelecer processos de Desenvolvimento Urbano Sustentável, a UN-Habitat acaba de lançar um Guia de Planejamento Urbano Participativo, “uma espécie de roteiro ou guia para avaliar, projetar, operacionalizar e implementar processos participativos de planejamento urbano sustentável”. O livro guia propõe um cronograma dividido em fases, blocos e atividades, ajudando os líderes comunitários assim como todas as partes interessadas a ter uma visão mais abrangente e estratégica do projeto à execução.
Alguns arquitetos são apaixonados por cores, alguns são impassíveis a ela, outros a odeiam e tem aqueles que preferem descartá-la como algo desnecessário na arquitetura. Em um ensaio sobre o assunto, Timothy Brittain-Catlin menciona o "puritanismo inato entre os clientes de arquitetura", os arquitetos e seu "constrangimento em relação ao uso da cor", e como "o modernismo buscou contornar o uso das cores vibrantes na arquitetura". O debate sobre a cor na arquitetura está longe de ser algo novo, no entanto não há uma conclusão unânime, e provavelmente, nunca a teremos.
Atualmente, onde o estereótipo do arquiteto sobriamente vestido de preto ainda persiste, e enquanto meditamos silenciosamente sobre a estranha definição da Cosmic Latte, existem arquitetos que não têm medo de usar amplamente a cor em tudo o que fazem. Por isso, editamos uma lista com 7 importantes arquitetos que seguiram este caminho, tanto no passado como no presente.
https://www.archdaily.com.br/pt/881425/7-arquitetos-que-nao-tem-medo-de-usar-as-cores-em-seus-projetosZoya Gul Hasan
Fala-se pouco sobre a contribuição dos andaimes na história da construção. Estas estruturas geralmente foram tratadas como meros equipamentos e, por isso, seus registros são bastante escassos. Sem elas, no entanto, seria quase inviável construir a maioria dos edifícios que conhecemos. Os andaimes permitem atingir e deslocar materiais a pontos difíceis em uma construção, proporcionando segurança e algum conforto aos trabalhadores. Mas além do seu papel de estrutura de apoio para as construções, temos visto que os andaimes também podem servir para estruturas móveis, temporárias e mesmo permanentes. Conheça um pouco da história e das suas possibilidades a seguir.
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Neoscape NYC / Chaos Vantage. Imagem cortesia de Chaos Group
Este ano, o tempo real tornou-se verdadeiramente essencial. Para arquitetos/as e artistas de arch-viz, a capacidade de explorar e projetar de forma interativa representa uma verdadeira revolução, reduzindo drasticamente os ciclos de vida dos projetos e facilitando a apresentação e o debate de ideias com colegas de trabalho e clientes. À medida que a colaboração remota se consolida no cotidiano, as visualizações de projetos em tempo real tornaram-se ferramentas inestimáveis.
Em nome de toda a equipe do ArchDaily, gostaríamos de agradecer seu apoio – a participação de vocês, leitoras e leitores, ajudou a tornar 2020 um ano melhor. Podemos dizer com satisfação que este ano, mais que em qualquer outro, alcançamos profissionais da arquitetura de todas as partes do mundo, contribuindo com ferramentas e inspiração para a criação de espaços melhores.
Com mais de 5.500 obras diferentes publicadas ao longo do ano, nossa equipe de curadores tem o prazer de compartilhar esta seleção dos 100 projetos mais acessados de 2020. Esta lista representa o que há de melhor no conteúdo criado e compartilhado pela comunidade do ArchDaily nos últimos 11 meses.
Uma maquete de Corbusier é a única imagem que me traz à mente a ideia de um suicídio imediato. - Ivan Chtcheglov
Apesar de suas brincadeiras, os situacionistas podem estar certos, afinal. A angústia dos estudantes de arquitetura pode não ser resultado de um trabalho excessivo no estúdio, mas sim da repetição infinita dos ideais modernistas que continuam a ser ensinados. Em seu manifesto Vers une Architecture (Por uma arquitetura), Le Corbusier defende a adoção da arquitetura moderna como a solução para as crises globais do século XX, de uma forma que agora parece bastante limitadora.
Durante o primeiro lockdown, o mundo inteiro parece ter parado ou ao menos, diminuindo de ritmo. Alguns ambientalistas foram rápidos em afirmar o lado positivo daquela situação: nunca antes havíamos presenciado uma queda tão significativa nas emissões de dióxido de carbono na atmosfera do nosso planeta. Entretanto, essa circunstância durou pouco—ou quase nada. Considerando a atual conjuntura no que se refere ao agravamento das consequências do aquecimento global, o que este ano atípico pode ter significado quanto aos esforços para combater a crise climática?
Imagem: Thomas Hawk/Flickr. Cortesia de Caos Planejado
A promoção da casa própria como uma estratégia de investimento é uma proposta arriscada. Nenhum consultor financeiro recomendaria contrair dívidas para aplicar uma parte tão grande de suas economias em um único ativo financeiro, qualquer que seja, por ser uma grande concentração de risco.
Pior ainda, esse risco não é aleatório: ele recai mais pesadamente sobre os compradores de baixa renda, que recebem condições de financiamento piores e cujos bairros são sistematicamente mais propensos a ter valores residenciais mais baixos ou mesmo em queda, causando resultados devastadores sobre a diferença de riqueza entre grupos raciais.
Antes da pandemia, o mundo já enfrentava uma série de transformações globais no campo da construção, e os países emergentes estavam na vanguarda de uma poderosa mudança econômica. Como a população mundial deve atingir a marca de 10 bilhões de pessoas antes de 2100, o setor de construção deve ser capaz de entender e se adaptar às tendências que estão remodelando o globo.
Imagine Lagos, na Nigéria, uma cidade de 22 milhões de pessoas. O que uma vez foi uma pequena cidade costeira, há apenas algumas décadas explodiu em uma megacidade dispersa que se estende por mais de 1.170 quilômetros quadrados. O rápido crescimento pressionou os serviços municipais ao máximo: menos de 10% das pessoas vivem em casas conectadas às redes de esgoto; menos de 20% têm acesso à água encanada. Muitas casas estão em favelas ou assentamentos informais na periferia da cidade.
Agora imagine Lagos duas vezes maior.
https://www.archdaily.com.br/pt/911313/cidades-estao-crescendo-na-horizontal-e-nao-na-vertical-3-razoes-por-que-isso-e-um-problemaJillian Du e Anjali Mahendra
Diante da urgência climática a qual estamos vivenciando hoje, nosso modelo de cidade ditado pelo crescimento acelerado e desordenado que favorece a segregação social e impacta negativamente o meio ambiente precisa ser substituído.
Em meio a este cenário, o conceito DOTS, Desenvolvimento Urbano Orientado ao TransporteSustentável, surge para romper com os padrões de planejamento territorial vigentes. Como o próprio nome diz, o DOTS propõe estratégias de atuação que integram o desenho urbano e o planejamento de transportes e mobilidade podendo ser concretizadas por meio de políticas públicas ou de projetos urbanísticos.
Apesar de todos os obstáculos e dores, 2020 não nos decepcionou em termos de conteúdo. Reagindo à situação global, a equipe de editores do ArchDaily abordou todas as questões urgentes que desencadearam o estado de turbulência mundial este ano. Enquanto todo o planeta estava em pausa, nossos redatores produziam editoriais exclusivos, explorando temas e preocupações da atualidade. Escrevendo artigos em 4 idiomas, inglês, espanhol, português e chinês, este grupo oferece perspectivas locais e globais, alcançando todos os interessados em arquitetura.
Buscando oferecer inspiração e conhecimento aplicados à área, os melhores artigos do ArchDaily exploraram assuntos distintos em formatos variados. Nossa plataforma concentrou seus esforços em cobrir uma vasta gama de temas, desde as consequências da pandemia sobre o ambiente construído, as cidades e suas transformações, conhecimentos técnicos e especificações materiais, até a inteligência artificial e o futuro.