Eventos naturais extremos estão se tornando cada vez mais frequentes em todas as partes do mundo. Esse colapso vem sendo alertado em inúmeras pesquisas as quais indicam que inundações, tempestades e aumento do nível do mar podem afetar mais de 800 milhões de pessoas no mundo, custando às cidades US$ 1 trilhão por ano até a metade do século. Essa situação parece indicar que o único caminho para a sobrevivência urbana é trabalhar urgentemente com as vulnerabilidades das cidades para proteger seus cidadãos.
Charles (17 de junho de 1097) e Ray Eames (15 de dezembro de 1912) são conhecidos por sua colaboração pessoal e artística e por seus projetos de mobiliário inovadores que ajudaram a definir o modernismo. Seu estúdio desenvolveu uma grande variedade de trabalhos, de projetos expográficos ao desenho de móveis, casas, monumentos e até mesmo brinquedos. Juntos, desenvolveram novos processos de produção para tirar proveito dos materiais e tecnologias da época, buscando produzir objetos cotidianos de alta qualidade a um custo acessível. Muitos de seus projetos de mobiliário são considerados clássicos contemporâneos, particularmente a Eames Lounge e as Shell Chairs, ao passo que a Casa Eames é tida como uma obra seminal da arquitetura moderna.
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Quem mora em uma grande cidade dificilmente nunca sonhou em viver isolado, em uma casa entre as árvores ou numa praia deserta. Durante a pandemia e os intermináveis meses de quarentena, muitos tiveram essa mesma ideia. Por mais romântica e sedutora que ela possa parecer, isso vem acompanhado de alguns desafios práticos importantes. Raramente abriríamos mão de pequenos confortos que estamos tão acostumados, como abrir uma torneira ou carregar o celular. Se o local é, de fato, remoto, possivelmente não contará com abastecimento de energia elétrica, água potável, gás, rede de esgoto e coleta de resíduos sólidos. Mas há diversas possibilidades de uma vida com conforto e sem vizinhos. Quais são as principais soluções para permitir isso e como um projeto de arquitetura pode proporcionar uma vida off-the-grid?
Metropolis 40°25' N 3°41' W (Madrid) de la serie Lux de Christina Seely. Image Cortesía de Christina Seely
A conservação da biodiversidade tem ganhado espaço na discussão sobre as mudanças climáticas, principalmente em função das consequências que sua perda pode ter na saúde humana. Inúmeras espécies têm sido ameaçadas tanto pelo crescimento das áreas urbanas quanto pela expansão das áreas agrícolas e de produção, estimando-se que cerca de metade da população animal seja hoje destinada ao consumo humano. No entanto, parece que sabemos muito mais sobre as espécies comumente encontradas em terra firme. É difícil para muitos de nós reconhecer as espécies de aves e, assim, aprender sobre seu papel dentro de um ecossistema, enquanto nossos céus abrigam milhares de espécies de pássaros migrantes a cada ano. A verdade é que o projeto urbano que pensamos para nossa segurança, nossos carros e nossa arquitetura pode ajudá-los a sobreviver ou, de outra forma, matá-los.
Todos sabemos que a arquitetura é um campo complexo que requer a contribuição de muitas disciplinas para tornar-se possível. Embora o projeto seja a origem de uma obra, sem as áreas complementares muitas delas não seriam do modo como as conhecemos hoje.
Como parte das atividades do Festival Internacional de Santa Lucia 2019, organizado pela Las Artes Monterrey – uma organização sem fins lucrativos comprometida em divulgar as artes visuais da cidade de Monterrey, Nuevo León, e de sua região metropolitana –, o Estúdio Núñez Zapata (antigo Covachita Taller de Arquitectura) construiu o pavilhão Como poderemos dormir juntos? em um terreno baldio privado adjacente à Macroplaza, o qual foi selecionado para ser exibido no Pavilhão do México na Bienal de Veneza 2021.
Jiangshan Fishing Village Renovation Renovation / Mix Architecture. Imagem cortesia de A' Design Award & Competition
Estão abertas as inscrições antecipadas para o A' Design Awards 2021-2022. O A' Design Award & Competition proporciona um feedback valioso e grande experiência para seus/suas participantes. Os/As vencedores/as do A' Design Award exibirão com orgulho seus troféus e certificados de excelência em design, os quais garantem um alto nível de visibilidade e reconhecimento.
Durante as últimas décadas, os espaços interiores tornaram-se cada vez mais abertos e versáteis. Desde as paredes grossas e múltiplas subdivisões das villas paladianas, por exemplo, às plantas livres e multifuncionais de hoje, a arquitetura tenta combater a obsolescência, fornecendo ambientes mais eficientes para a vida transcorrer, facilitando as experiências cotidianas de pessoas no presente e futuro. E enquanto as antigas vilas de Palladio ainda podem acomodar uma variedade de recursos e estilos de vida, reajustando seus usos sem alterar um centímetro de sua simetria e modulação originais, hoje a flexibilidade parece ser a receita para prolongar a vida dos edifícios tanto quanto possível.
Como projetar espaços neutros e flexíveis o suficiente para se adaptar ao ser humano em evolução, oferecendo as soluções que cada pessoa demanda hoje em dia? Um elemento antigo pode ajudar a redefinir a maneira como concebemos e habitamos o espaço: cortinas.
Farol Les Éclaireurs, Terra do Fogo, Argentina. Imagem via usuário do Wikipedia: Eleonora Sakayeva. Licenciado sob CC BY-SA 4.0. Autor da imagem: Eleonora Sakayeva.
Sinônimo de luz e lealdade, a figura dos faróis nos remete à antiguidade. Concebidas com um propósito utilitário, essas estruturas arquitetônicas acompanham há décadas milhares de navegantes, iluminando as costas e alertando sobre a existência de perigos e acidentes geográficos. Enraizados na memória coletiva, eles representam momentos históricos específicos, dependendo do país ou do lugar do mundo onde estão localizados.
Ao percorrer a contínua costa marítima argentina, que se estende de Buenos Aires à Terra do Fogo, os faróis se erguem como colunas e, despontando entre as ondas, sinalizam o limite da civilização, permitindo o diálogo e a articulação com a natureza.
A iluminação, seja ela natural ou artificial, é um dos elementos mais importantes da arquitetura, impactando diretamente na percepção dos espaços em geral. É a partir dela que se entende a relação entre dimensão, proporção e contrastes. É na ação dela que podemos ler as texturas, definir volumes e enfatizar cores. A arquitetura tem como um de seus desafios moldar espaços a partir da luz e sombra, sendo que muitas vezes é necessário conduzir a iluminação para além da natural, introduzindo e controlando outras fontes de luz.
Memorial do Holocausto. Foto de Alessio Maffeis, via Unsplash
Tudo aquilo que é construído, pela força e trabalho físico e intelectual do homem, tem significado. É na matéria que encontramos resquícios de antigas civilizações, e a partir desses registros entendemos suas características, as tecnologias envolvidas e sua organização social. As cidades e os grandes centros urbanos têm camadas e camadas de acontecimentos que ficam registrados em suas ruas, edifícios, praças e parques. Muitas vezes, a depender do desenvolvimento do lugar, essas evidências vão sendo apagadas, desconsideradas e alteradas.
Como aponta Francis D. K. Ching em seu Manual de desenho arquitetônico, em comparação com os desenhos ortogonais convencionais — plantas, cortes e vistas —, que permitem representar os projetos arquitetônicos de maneira bidimensional e apenas “por meio de uma série fragmentada de vistas relacionadas”, os desenhos de vista única, entre os quais estão as axonometrias — também conhecidas como perspectivas ou projeções axonométricas —, permitem ilustrar as três dimensões de forma simultânea, incorporando noções de profundidade e espacialidade aos desenhos técnicos.
Conhecida popularmente como lótus, a espécie aquática Nelumbo nucifera apresenta uma particularidade. Suas folhas são auto-limpantes, ou ultra-hidrofóbicas. Isso quer dizer que nenhuma partícula de sujeira ou água adere a ela, o que é especialmente útil no contexto úmido e lamacento em que a planta vive. Mas diferente do que se pode imaginar, isso não se dá por conta de uma superfície perfeitamente lisa ou uma camada resinosa sobre as folhas. A lótus é, na verdade, repleta de minúsculas dobras que reduzem a superfície de contato e repelem todas as partículas que ali tentam aderir. O efeito de lótus tem sido estudado por nanotecnólogos com o intuito de aplicar este mesmo efeito em produtos, como superfícies, tintas, tecidos e telhas que possam se auto limpar facilmente. Por mais trivial que isso possa parecer, ao pensarmos nos recursos aplicados à limpeza de vidros de arranha-céus ou mesmo a quantidade de energia fotovoltaica que deixa de ser gerada por conta da poeira sobre os painéis podemos ter uma noção das infinitas possibilidades que superfícies hidrofóbicas poderiam representar.
A natureza, ao longo de bilhões de anos, tem desenvolvido soluções adaptativas que começam a ser entendidas por nós com as tecnologias que temos à disposição e aplicadas às necessidades de áreas como a indústria da construção. Quando cientistas, biólogos, engenheiros, arquitetos e outros profissionais unem esforços e focam em entender aspectos da natureza, com uma visão empática e respeitosa, os resultados podem ser impressionantes.
O Second Studio (anteriormente conhecido como The Midnight Charette) é um podcast sem filtros sobre design, arquitetura e o cotidiano. Apresentado por David Lee e Marina Bourderonnet, profissionais da arquitetura, o programa recebe diferentes mentes criativas em conversas espontâneas que dão espaço a reflexões profundas e debates pessoais.
Com honestidade e bom humor, o podcast aborda uma grande variedade de temas: alguns episódios trazem entrevistas, enquanto outros oferecem dicas para profissionais do design, análises de edifícios e projetos, ou reflexões descontraídas sobre o cotidiano e o design. The Second Studio também está disponível no iTunes, Spotify e YouTube.
Esta semana, David e Marina conversam com Archie Lee Coates IV, cofundador do estúdio de design altamente multidisciplinar PLAYLAB. No episódio, Archie discute a evolução e o futuro do PLAYLAB, a ingenuidade na arte e no design, a equidade social na prática projetual, a fé na humanidade, o escritório de design como uma ameba permeável, a colaboração com Virgil Abloh no desfile da Louis Vuitton e muito mais.
A arquitetura eslovena contemporânea nasce da fusão entre tradição e modernidade, entre arquitetura e paisagem. Profundamente enraizada na cultura local, a arquitetura contemporânea eslovena emerge em meio a uma paisagem tão vasta quando pinturesca. A geografia do país moldou ao longo dos séculos uma arquitetura híbrida tanto em forma quanto em conteúdo. Como um desdobramento da arquitetura modernista produzida por alguns dos mais importantes arquitetos do país, entre eles Max Fabiani, Ivan Vurnik e Jože Plečnik, a arquitetura contemporânea eslovena procura expandir continuamente suas raízes, arraigadas profundamente a esse território.
Sim, eu sei. Temos falado muito sobre carbono. E não só aqui, mas por todo lado lemos sobre efeito estufa, dióxido de carbono, combustíveis fósseis, sequestro de carbono e diversos outros termos que têm entrado, cada vez mais, nos nossos cotidianos. Mas por que o carbono é tão importante e o que nós, arquitetos, estudantes de arquitetura ou entusiastas do tema, temos a ver com algo que parece tão intangível?
Devido às restrições impostas pela pandemia de COVID-19, por mais de uma no o número de turistas viajando pelo mundo foi reduzido drasticamente. Ainda assim, a nossa vontade de viajar e descobrir novos lugares não diminuiu nem um pouco. Embora seja verdade que uma das maneiras mais eficazes de aprender arquitetura é viajando—a partir da nossa experiência física no mundo—, outro importante recurso para compreender a escala e a dimensão espaço-temporal da arquitetura é através do exercício do desenho. Nos dias de hoje, podemos dizer também que a modelagem 3D é outra importante ferramenta para o desenvolvimento da sensibilidade espacial de jovens arquitetos.
As crises geralmente provocam mudanças na maneira como nos movemos. A prosperidade pós-guerra fez do automóvel um item doméstico e um estilo de vida. A crise fiscal e petrolífera global dos anos 70 trouxe um boom de bicicletas de curta duração e uma retirada dos dólares das cidades para o transporte público. E a crise financeira de 2008 preparou o caminho para que o capital de risco no Vale do Silício estourasse, apoiando novas plataformas como Uber e Waze.
No mundo globalizado de hoje, a arquitetura parece se reinventar a cada dia. Novas e inovadoras tecnologias aplicadas à construção civil estão transformando a prática da arquitetura a uma velocidade jamais vista. Ainda assim, de certa forma, grande parte dos profissionais da indústria da construção civil estão muito defasados em relação aos métodos e ferramentas utilizados em seus processos de projeto. Acontece que, toda mudança demanda tempo, energia e dinheiro — e muitos arquitetos e arquitetas dependem de seus honorários para administrar e manter seus escritórios de arquitetura. Como consequência da popularização de novas start-ups no setor da tecnologia e o aumento da competitividade no mercado de trabalho em uma economia cada dia mais globalizada, arquitetos e arquitetas estão procurando reinventar-se a todo momento, optando principalmente por ampliar seu campo de atuação e firmando-se como uns dos profissionais mais empreendedores disponíveis no mercado de trabalho.
A luz é um elemento mais do que fundamental na arquitetura. No princípio, o sol e o fogo eram as nossas únicas fontes de luz e calor, entretanto, nos dias de hoje a tecnologia nos permite recriar artificialmente todas as qualidades da iluminação natural. As novas tecnologias LED possibilitaram inclusive a incorporação da luz em mobiliários, superfícies e acabamentos, transformando a nossa própria percepção da arquitetura e do espaço.
Se utilizados de forma inteligente e criativa, sistemas de iluminação podem nos proporcionar muito mais do que apenas uma fonte de luz. Um bom projeto luminotécnico pode ser capaz de criar atmosferas, despertar emoções e transmitir mensagens. Por exemplo, a iluminação indireta nos permite destacar objetos e elementos construtivos, separando paredes do piso e do forro e fazendo com que o espaço pareça maior e mais leve. Por outro lado, luzes de tons amarelados e quentes ajudam a regular a temperatura de um determinado espaço, proporcionando uma maior sensação de aconchego e bem estar.
Tentativa e erro. Em um um guardanapo, papel manteiga, ou em um fundo preto do CAD, grande parte do trabalho de um arquiteto é fazer e refazer testes, linhas, formas, cópias. Descartar e recomeçar. De uma ideia inicial a um projeto final há um caminho extenuante e longo. Isso porque projetar é tomar infinitas decisões, sendo que uma alteração influencia em outros tantos elementos sendo, enfim, um exercício de escolhas e concessões. Seja conseguir construir o máximo da legislação no terreno sem impactar o entorno e deixando todas as unidades com boa exposição solar, ou encaixar o máximo de mesas de trabalho em um escritório sem perder uma boa circulação e fluidez no espaço, são muitos estudos até chegar na opção mais adequada. Ou, por exemplo, a posição de uma janela, ainda que fique muito bem na composição da fachada, pode inviabilizar a localização da cama em um dormitório ou aumentar muito o consumo energético da edificação.
Evidentemente, em todo o projeto há sempre prazos e orçamentos apertados, um cliente geralmente com pressa e uma quantidade de tempo limitada para se pensar em todas as combinações possíveis e se as decisões projetuais tomadas são, de fato, as mais adequadas. É aí que, cada vez mais, o conceito de Design Generativo (Generative Design) vem aparecendo na arquitetura.
A relação entre saúde mental e os arquitetos, especialmente os estudantes de arquitetura, não é uma questão inédita. Em um contexto onde o estresse é um dos grandes problemas do século, atingindo mais de 90% da população mundial segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o universo da arquitetura e suas práticas, tanto profissionais quanto estudantis, normalizaram o estresse e a ansiedade como parte integrante da profissão. Entretanto, pesquisas recentes de estudantes mostram insatisfação com essa realidade, agora agravada devido a pandemia. Seria, portanto, o momento de rever as práticas institucionais e pressionar para uma mudança de cultura?
A crítica à Academia na arquitetura é um tema persistente, que tem gerado diversos questionamentos sobre as formas de ensinar e aprender a disciplina. Esse debate ganhou ainda mais força durante a pandemia, quando o ensino tradicional deu um salto enorme em direção à educação 100% on-line, transformando a maneira como vivenciamos os diferentes espaços e plataformas que orientam os/as estudantes do ensino superior. No entanto, essa não é uma questão restrita às universidades; os próprios escritórios de arquitetura tiveram que reinventar seus métodos de trabalho e sua participação em eventos ou mostras internacionais para refletir sobre a relação entre a academia e a prática profissional.
Respondendo ao tema, “Como viveremos juntos” de 115 maneiras diferentes, a Bienal de Arquitetura de Veneza 2021 deu as boas-vindas, fisicamente, ao grande público, em 22 de maio de 2021. Ao se abrir para o mundo, o tema atemporal, porém sensível ao contexto, gerou um coletivo imaginário, destacando um mundo que prefere viver junto a ficar separado. Construindo uma narrativa arquitetônica do presente, que reflete sobre um futuro resiliente, o interrogatório, feito pela primeira vez em 2019, ganhou mais relevância com a pandemia, que paralisou o mundo. Com muito otimismo e amor a arte, a mostra de arquitetura abriu as portas a um público ansioso e revelou qualidades recorrentes nas intervenções apresentadas.