Chicago, Estados Unidos. Created by @overview. Source imagery: @nearmap
Com poucos espaços disponíveis no solo e metros quadrados cada vez mais caros, o sentido de crescimento nos grandes centros urbanos passa a ser, frequentemente, o vertical. Em grandes metrópoles, a imagem dos edifícios em altura e a imagem associada à cidade são, muitas vezes, quase indissociáveis, e assim os skylines passam a adquirir uma certa iconicidade que nos remetem imediatamente aos locais em que estão inseridos.
Todos que já construíram alguma coisa; uma maquete, uma casa de passarinho ou um pequeno mobiliário, têm a clara noção da quantidade de coisas que podem sair errado durante o processo. Um parafuso que é impossível de apertar até o fim, uma tábua de madeira empenada, uma desatenção ou um erro de cálculo que podem frustrar os planos de uma hora para outra. Quando transportamos isso para uma escala de uma edificação, com inúmeros processos e diferentes pessoas envolvidas, sabemos o quão complexo uma obra pode se tornar e quantas coisas podem sair do controle, demorando mais tempo e demandando mais recursos para finalizar. E ao falarmos de uma edificação que precisa flutuar, ser completamente autossuficiente e, depois de cumprir sua vida útil, poder ser completamente reutilizada. Você conseguiria imaginar os desafios técnicos de construir algo assim?
Em 1979, Rosalind Krauss publica o clássico artigo A escultura no campo ampliado na revista October, no qual identifica um certo esgarçamento das fronteiras no campo da escultura, “evidenciando como o significado de um termo cultural pode ser ampliado a ponto de incluir quase tudo” [1]. A crítica, particularmente destinada a uma produção artística produzida entre os anos 1960 e 1970, foi utilizada como base 26 anos depois, em 2005, para a publicação de O campo ampliado da arquitetura, de Anthony Vidler.
Você pode se surpreender, mas os dias de compras nas lojas físicas estão longe de acabar - na verdade, eles estão em fase de revitalização, para criar um modelo totalmente novo de experiência e design, de forma a atrair novamente os consumidores para as lojas. A ascensão do e-commerce e a pausa causada pela pandemia COVID-19 serviram como um catalisador perfeito para a criação de um novo modelo de experiência, através de recursos projetuais exclusivos, avanços tecnológicos e customização, que revitalizarão as lojas físicas no futuro.
Fevereiro de 2021 foi um mês histórico para a exploração de Marte. Embora as aproximações ao planeta já estejam em curso há mais de 50 anos — com a primeira espaçonave entrando em órbita em 1971 e o primeiro rover pousando na superfície em 1997 —, esta é a primeira vez que três sondas de diferentes países (China, Estados Unidos e Emirados Árabes Unidos) chegam ao planeta no mesmo mês. Ainda que cada expedição tenha seus próprios objetivos, elas ampliarão as informações disponíveis até o momento sobre o planeta por meio de análises profundas do solo, coleta de amostras e estudos diversos. Além de lançar luz sobre aspectos ainda desconhecidos da história de Marte, estas missões pretendem gerar um avanço substancial que permita, em pouco tempo, enviar naves tripuladas à superfície do planeta — um plano que Elon Musk projeta para 2022.
Na Bienal de Arquitetura de Veneza de 2016, o curador Alejandro Aravena decidiu reutilizar 100 toneladas de materiais descartados pela Bienal de Arte passada para montar a ambiência de salas das exposições. Mais do que proporcionar uma sobrevida a 10.000 m² de gesso acartonado e 14 km de estruturas metálicas, a iniciativa tinha o intuito de conferir valor, através do desenho, a algo que seria descartado como resíduo. E, principalmente, trazer à luz outra constatação: Como arquitetos, geralmente nos restringimos a pensar nos nossos edifícios durante o projeto, a construção e, quando muito, em como suas partes irão resistir ao tempo. Dificilmente pensamos do que serão deles quando demolidos, no fim de sua vida útil, e isso é algo que, urgentemente, deve entrar no debate.
SPACE10 e EFFEKT Architects. Imagem Cortesia de Space 10- The Ideal City
O mundo está em constante mudança e nossas cidades estão em constante evolução para se adaptar a ele. À medida que nos encontramos imersos em desafios, os especialistas se veem reexaminando as abordagens que a humanidade fez até agora, a fim de estabelecer novas ideias para um amanhã melhor.
"As cidades estão no centro do problema e, portanto, também no centro da solução." O Space 10, um laboratório de pesquisa e design focado nas pessoas e no planeta, acaba de lançar sua última publicação, The Ideal City, em colaboração com a gestalten. Reunindo conhecimentos de todo o mundo, o livro repensa as cidades, investigando como criar espaços que apoiem o bem-estar dos moradores e contribuam para um mundo melhor. Coletando projetos e opiniões de especialistas, ele destaca 5 pilares principais que ajudam a moldar o futuro das cidades.
A geometria é uma linguagem e um portal que permite a transmissão de significados entre o mundo físico e o universo dos desenhos, da abstração e do idioma. Como podemos deixar uma marca nos edifícios que projetamos e construímos através desse portal? Arquitetos/as e teóricos/as como Vitrúvio (Vitruvius), Alberti e Le Corbusier consideravam a geometria a chave para compreender e projetar a arquitetura. Essa perspectiva ainda se aplica hoje? As ferramentas utilizadas por arquitetos/as mudaram; terá mudado também a sua relação com a geometria? Neste vídeo, exploramos por que a geometria é tão importante para a arquitetura, bem como diferentes maneiras de utilizar e representar seus princípios.
Boston City Hall. Imagem Cortesia de Reed Hilderbrand
Certamente têm razão aqueles que dizem que as tendências aparecem tão rapidamente quanto subitamente desaparecem—na moda, na música, na arte e, especialmente, na arquitetura. O brutalismo tornou-se um estilo bastante popular ao longo da primeira metade do século XX, atingindo seu auge na década de 1970 para então cair no esquecimento, à medida que as tendências apontavam para edifícios de linhas puras, formas simples e atemporais. Mas hoje, praticamente meio século depois, o amor pelas superfícies brutas e rugosas do concreto aparente parecem estar ressurgindo com toda força.
“As mudanças estimulam a inovação e por isso, devemos repensar e transformar sempre os nossos espaços de trabalho”, disse Nicole Senior, diretora dos escritórios do Tinder. Mudança, inovação e engajamento no ambiente de trabalho foram alguns dos tópicos abordados em um recente Think Tank que foi ao ar no último dia 17 de dezembro, apresentado pelo Rapt Studio e intitulado “Observando o passado e pensando no futuro: lições para serem aprendidas em 2021”.
Plantas arquitetônicas exigem treinamento para serem lidas, compreendidas e produzidas. Dominar seus códigos abre caminho para a ferramenta mais poderosa de que os/as arquitetos/as dispõem para imaginar e construir novos edifícios. Não se trata apenas de aprender as complexas operações formais e geométricas para produzir esses tipos de desenho, mas também de interrogar as marcas que eles deixam nos edifícios que projetamos. Neste vídeo, o professor de arquitetura e designer, Stewart Hicks, fala sobre os fundamentos das plantas arquitetônicas: de onde vieram, como são feitas e utilizadas, e quais são suas principais capacidades de representação. Utilizando um modelo tridimensional de uma casa simples, ele percorre as etapas de sua transformação em uma projeção em planta, ao mesmo tempo em que discute as implicações de cada etapa e apresenta precedentes que revelam suas sutis implicações.
Talvez as abelhas sejam os insetos que mais despertam fascínio e curiosidade. Com exceção da Antártica, elas são encontradas em todos os continentes, em todos os habitats que contêm plantas com flores polinizadas por insetos. Representações de humanos coletando mel de abelhas selvagens datam de 15.000 anos atrás e, inclusive, potes de mel foram encontrados nas tumbas de faraós do Egito como Tutancâmon. Ainda que geralmente tenhamos uma ideia fixa sobre a aparência das abelhas dos desenhos animados, existem milhares de espécies pelo mundo, com diferentes tamanhos, cores e comportamentos. Há, inclusive, diversos exemplos de abelhas solitárias, muitas sem ferrão e até algumas espécies que sobrevivem saqueando outras colônias mais fracas. Mas algo que tem impressionado pesquisadores é a organização de suas colmeias, que são verdadeiras cidades altamente populosas, com uma eficiência a dar inveja a qualquer planejador urbano.
Existe um grau surpreendente de complexidade, ordem e beleza no mundo natural. Ainda assim, e especialmente no reino dos seres vivos, nada é mais complexo do que o estritamente necessário para sustentar sua existência. Cada aspecto do sistema atende a um propósito. Caso contrário, o componente desnecessário eventualmente deixa de existir nas gerações futuras. Mesmo com essas restrições de eficiência de recursos e energia, encontramos beleza e harmonia ilimitadas no mundo natural. Contraste essa “medida exata de complexidade” da natureza com a forma como muitos/as arquitetos/as projetam edifícios hoje. Enquanto a natureza é apenas tão complexa quanto precisa ser, arquitetos/as e designers adicionam uma complexidade excessiva e supérflua a seus edifícios e paisagens quando nada disso se justifica.
A Gehl acaba de publicar o seu ‘Masterplan Framework with ecology at its heart’, um interessante estudo de caso desenvolvido em Huechuraba, região central do Chile. A equipe composta por David Sim, Esben Neander Kristensen, Alexander Spitzer e Tamara Kalantajevska chama a atenção para a vocação ecológica do plano diretor estratégico desenvolvido em parceira com a empreiteira chilena Tanica.
Não tem como ser um urbanista ou se interessar pelas questões das cidades e ainda não ter ouvido — muito — sobre o movimento “Cidades Inteligentes” (“Smart Cities”). A ideia é que não há nada nas cidades que o uso de dados (especialmente “big data”) ou de tecnologia não resolva. O resultado tem sido uma série de afirmações sobre como é possível solucionar problemas tão desafiadores como habitação, tráfego e desigualdade simplesmente criando modelos mais elaborados com base em big data ou implantando novas formas de tecnologia.
TECLA, Habitat impresso em 3D por WASP e Mario Cucinella Architects. Imagem cortesia de WASP
Este projeto é a mais recente colaboração entre a empresa italiana de impressão 3D Mario Cucinella Architects (MC A) e a WASP. Trata-se da primeira vez que as duas equipes utilizam um material natural e reciclável — a terra crua (solo não processado) — para uma construção impressa em 3D. O domo resultante, batizado de TECLA, está localizado em Massa Lombarda, na província de Ravenna, Itália. A estrutura foi construída a partir do funcionamento simultâneo de várias impressoras 3D ao longo de 200 horas.
No dia 9 de março comemoramos o nascimento de Luis Barragán, um dos mais importantes arquitetos mexicanos de todos os tempos. Seguindo a recente divulgação dos últimos vencedores do Prêmio Pritzker de 2021, voltamos no tempo para falar do contexto no qual Barragán foi escolhido vencedor do mais importante prêmio de arquitetura a mais de quarenta anos atrás.
O brutalismo é um estilo arquitetônico profundamente divisor - uma subcategoria do movimento modernista que apresentava acabamentos de concreto à vista, formas incomuns e uma estética sem dúvida única. Com especial protagonismo no Brasil e no Reino Unido, exemplos emblemáticos desse estilo também podem ser encontrados na Europa Oriental – particularmente, no território anteriormente conhecido como Iugoslávia.
Cortesía de María Camila Montes y Paula Tatiana Erazo
O momento na carreira de arquitetos e arquitetas em que se pode investir mais energia e tempo em um determinado projeto é, sem dúvida alguma, durante o período de formação universitária. Neste caso, duas estudantes compartilham conosco como elas, em colaboração com a população local do distrito de Fontibón, em Bogotá, e outros/as estudantes e membros do coletivo da SCA, realizaram a revitalização do Parque Villamar por meio do urbanismo tático inclusivo.
A resiliência urbana foi posta em cheque com a chegada da pandemia de forma acelerada e drástica nas cidades. A limitação de deslocamentos, contatos e acesso aos espaços públicos foi a estratégia mais eficaz de contenção do vírus. Mas a estrutura da cidade, somada à falta de políticas públicas emergenciais, revelou-se nada resiliente quando grande parcela da população teve que continuar percorrendo longos trajetos em transporte público para trabalhar em serviços essenciais, e também quando a saúde mental e física da população foi afetada pela falta de acesso a locais que possibilitassem a prática de exercício físico em segurança, evidenciando a precariedade de oferta desses espaços na cidade.
A habitação multifamiliar em ambientes urbanos proporciona benefícios sociais, econômicos e ambientais tanto para quem nela reside quanto para as cidades como um todo. Impulsionada após a crise financeira de 2008, a demanda por habitação multifamiliar continuou a crescer desde então e permanece forte hoje. As gerações Y e Z representam a parcela mais jovem e urbanizada de adultos, e esse grupo de jovens profissionais vem impulsionando grande parte da demanda por moradias compactas nos centros urbanos. Embora as gerações mais jovens sejam as principais promotoras dessas mudanças, a expectativa é que o resultado proporcione uma vida mais segura e prática para todas as pessoas.
A ardósia é um produto mineral, totalmente inerte e ecológico, com um processo de produção simples e eficiente. É um dos produtos naturais mais versáteis, adaptando-se a qualquer projeto como material de revestimento, seja em para cobertura, pisos ou fachada. Dentre suas propriedades, destaca-se a resistência a temperaturas extremas, uma durabilidade superior a 100 anos e uma alta impermeabilidade, o que garante um bom rendimento em qualquer condição climática. Sua diversidade de formas, tamanhos e texturas permite uma multiplicidade de combinações, convidando os arquitetos a despertarem seu lado criativo. A seguir, conheça 7 residências exemplares que utilizaram a ardósia como material de revestimento.
Se pararmos para pensar, a maioria dos alimentos que vemos em nosso prato possui uma história marcada por um longo trajeto que somos incapazes de descrever. Robyn Shotwell Metcalfe, em seu livro Food Routes: Growing Bananas in Iceland and Other Tales from the Logistics of Eating (2019), cita como exemplo a improvável rota dos peixes que são pescados na Nova Inglaterra, exportados para o Japão, e depois enviados de volta como sushi, revelando uma grande e complexa rede invisível aos olhos de quem compra a bandeja de comida japonesa no mercadinho da esquina.
Como já explicamos em um artigo publicado anteriormente, o conceito da modulação na arquitetura se traduz na adaptação de um projeto a um módulo definido, seja a partir de uma medida específica utilizada como base ou das dimensões de determinado material construtivo.
Atrelada à esse conceito, mas fundamentada ainda em outras definições, as construções modulares partem do estudo prévio e da previsão de módulos pré-fabricados transportáveis para montagem no local da construção, motivo pelo qual costumam ser concluídas de forma mais ágil e eficiente quando comparadas àquelas tradicionais.