Quem mora em uma grande cidade dificilmente nunca sonhou em viver isolado, em uma casa entre as árvores ou numa praia deserta. Durante a pandemia e os intermináveis meses de quarentena, muitos tiveram essa mesma ideia. Por mais romântica e sedutora que ela possa parecer, isso vem acompanhado de alguns desafios práticos importantes. Raramente abriríamos mão de pequenos confortos que estamos tão acostumados, como abrir uma torneira ou carregar o celular. Se o local é, de fato, remoto, possivelmente não contará com abastecimento de energia elétrica, água potável, gás, rede de esgoto e coleta de resíduos sólidos. Mas há diversas possibilidades de uma vida com conforto e sem vizinhos. Quais são as principais soluções para permitir isso e como um projeto de arquitetura pode proporcionar uma vida off-the-grid?
Plant 7 no Congdon Yards, um projeto de reutilização adaptativa em High Point, Carolina do Norte. Imagem cortesia de Keith Isaas
O reuso adaptativo, ou o processo de transformar uma edificação antiga por meio do reaproveitamento de sua estrutura e da alteração de sua função original, tem ganhado relevância ao longo dos anos, sobretudo por permitir a otimização completa do desempenho do ambiente construído existente. Em um artigo publicado originalmente na Metropolis, a autora Elissaveta Brandon explora como "arquitetos/as e incorporadores/as estão transformando símbolos do Sul — localizados ao longo de uma região de 120 milhas (cerca de 190 km), de Winston-Salem a Fayetteville — em uma infraestrutura adequada para os dias de hoje". Ao destacar a transformação de fábricas históricas em polos de design e complexos de uso misto, o artigo apresenta três exemplos na Carolina do Norte.
https://www.archdaily.com.br/pt/1131029/tres-projetos-de-reuso-adaptativo-na-carolina-do-norte-reinventam-fabricas-historicasElissaveta M. Brandon
Metropolis 40°25' N 3°41' W (Madrid) de la serie Lux de Christina Seely. Image Cortesía de Christina Seely
A conservação da biodiversidade tem ganhado espaço na discussão sobre as mudanças climáticas, principalmente em função das consequências que sua perda pode ter na saúde humana. Inúmeras espécies têm sido ameaçadas tanto pelo crescimento das áreas urbanas quanto pela expansão das áreas agrícolas e de produção, estimando-se que cerca de metade da população animal seja hoje destinada ao consumo humano. No entanto, parece que sabemos muito mais sobre as espécies comumente encontradas em terra firme. É difícil para muitos de nós reconhecer as espécies de aves e, assim, aprender sobre seu papel dentro de um ecossistema, enquanto nossos céus abrigam milhares de espécies de pássaros migrantes a cada ano. A verdade é que o projeto urbano que pensamos para nossa segurança, nossos carros e nossa arquitetura pode ajudá-los a sobreviver ou, de outra forma, matá-los.
Todos sabemos que a arquitetura é um campo complexo que requer a contribuição de muitas disciplinas para tornar-se possível. Embora o projeto seja a origem de uma obra, sem as áreas complementares muitas delas não seriam do modo como as conhecemos hoje.
Como parte das atividades do Festival Internacional de Santa Lucia 2019, organizado pela Las Artes Monterrey – uma organização sem fins lucrativos comprometida em divulgar as artes visuais da cidade de Monterrey, Nuevo León, e de sua região metropolitana –, o Estúdio Núñez Zapata (antigo Covachita Taller de Arquitectura) construiu o pavilhão Como poderemos dormir juntos? em um terreno baldio privado adjacente à Macroplaza, o qual foi selecionado para ser exibido no Pavilhão do México na Bienal de Veneza 2021.
Jiangshan Fishing Village Renovation Renovation / Mix Architecture. Imagem cortesia de A' Design Award & Competition
Estão abertas as inscrições antecipadas para o A' Design Awards 2021-2022. O A' Design Award & Competition proporciona um feedback valioso e grande experiência para seus/suas participantes. Os/As vencedores/as do A' Design Award exibirão com orgulho seus troféus e certificados de excelência em design, os quais garantem um alto nível de visibilidade e reconhecimento.
Durante as últimas décadas, os espaços interiores tornaram-se cada vez mais abertos e versáteis. Desde as paredes grossas e múltiplas subdivisões das villas paladianas, por exemplo, às plantas livres e multifuncionais de hoje, a arquitetura tenta combater a obsolescência, fornecendo ambientes mais eficientes para a vida transcorrer, facilitando as experiências cotidianas de pessoas no presente e futuro. E enquanto as antigas vilas de Palladio ainda podem acomodar uma variedade de recursos e estilos de vida, reajustando seus usos sem alterar um centímetro de sua simetria e modulação originais, hoje a flexibilidade parece ser a receita para prolongar a vida dos edifícios tanto quanto possível.
Como projetar espaços neutros e flexíveis o suficiente para se adaptar ao ser humano em evolução, oferecendo as soluções que cada pessoa demanda hoje em dia? Um elemento antigo pode ajudar a redefinir a maneira como concebemos e habitamos o espaço: cortinas.
A 17ª Bienal de Arquitetura de Veneza está em andamento, e seus 60 pavilhões nacionais revelam uma ampla variedade de respostas para a pergunta "Como viveremos juntos?". A edição deste ano reafirma o papel da Bienal como uma plataforma de debate, provocando uma reavaliação coletiva de questões urgentes como migração, desigualdade, mudanças climáticas ou o papel da tecnologia. Durante o evento em Veneza, o ArchDaily encontrou-se virtualmente, dentro do pavilhão coreano, com o/a curador/a Hae-Won Shin, uma vez que a pandemia impediu a presença da equipe de criação da mostra na Bienal. A conversa explorou o pensamento por trás da "Future School" e como o projeto cria uma estrutura para o aprendizado e a exploração coletivos.
O conceito de "renderização em tempo real" ganhou força nos últimos anos. No início, muitos acreditavam que ele se limitaria à teoria, distante da aplicação prática no dia a dia de trabalho: "qualidade insuficiente", "baixa compatibilidade", "falta de blocos e materiais"... Argumentava-se que a tecnologia não seria capaz de "substituir o fluxo de trabalho tradicional de visualização" e dificilmente se tornaria a principal ferramenta de arquitetos/as. Recentemente, no entanto, animações de alta qualidade produzidas com o D5 Render que circulam na internet despertaram uma curiosidade ainda maior sobre o potencial prático da renderização em tempo real.
https://www.archdaily.com.br/pt/1130842/novo-fluxo-de-trabalho-de-renderizacao-em-tempo-real-para-arquitetura-expressando-a-criatividade-sem-barreirasMilly Mo
Farol Les Éclaireurs, Terra do Fogo, Argentina. Imagem via usuário do Wikipedia: Eleonora Sakayeva. Licenciado sob CC BY-SA 4.0. Autor da imagem: Eleonora Sakayeva.
Sinônimo de luz e lealdade, a figura dos faróis nos remete à antiguidade. Concebidas com um propósito utilitário, essas estruturas arquitetônicas acompanham há décadas milhares de navegantes, iluminando as costas e alertando sobre a existência de perigos e acidentes geográficos. Enraizados na memória coletiva, eles representam momentos históricos específicos, dependendo do país ou do lugar do mundo onde estão localizados.
Ao percorrer a contínua costa marítima argentina, que se estende de Buenos Aires à Terra do Fogo, os faróis se erguem como colunas e, despontando entre as ondas, sinalizam o limite da civilização, permitindo o diálogo e a articulação com a natureza.
Arquitectura de ondas gravitacionales. Image Cortesía de El Equipo Mazzanti
A detecção de ondas gravitacionais é uma das descobertas recentes mais importantes. Ela revoluciona a forma como observamos e estudamos o universo.
El Equipo Mazzanti, em parceria com Lino Cabras, Fabrizio Pusceddu, Eugenio Coccia, Massimo Faiferri e Michele Punturo, projetou uma instalação que torna visíveis os projetos mais recentes sobre o tema. Intitulada 'Arquitetura de ondas gravitacionais', a exposição está inserida no pavilhão italiano, com curadoria de Alessandro Melis, na Bienal de Veneza 2021.
A iluminação, seja ela natural ou artificial, é um dos elementos mais importantes da arquitetura, impactando diretamente na percepção dos espaços em geral. É a partir dela que se entende a relação entre dimensão, proporção e contrastes. É na ação dela que podemos ler as texturas, definir volumes e enfatizar cores. A arquitetura tem como um de seus desafios moldar espaços a partir da luz e sombra, sendo que muitas vezes é necessário conduzir a iluminação para além da natural, introduzindo e controlando outras fontes de luz.
Perla on Broadway é o primeiro novo arranha-céu construído no Broadway Theater District, em Los Angeles. Projetada pelo escritório CallisonRTKL, a torre é a primeira novidade no distrito em mais de um século. Matt Hickman explora essa recente adição à silhueta urbana do centro de L.A. em um artigo originalmente publicado no The Architect's Newspaper.
Memorial do Holocausto. Foto de Alessio Maffeis, via Unsplash
Tudo aquilo que é construído, pela força e trabalho físico e intelectual do homem, tem significado. É na matéria que encontramos resquícios de antigas civilizações, e a partir desses registros entendemos suas características, as tecnologias envolvidas e sua organização social. As cidades e os grandes centros urbanos têm camadas e camadas de acontecimentos que ficam registrados em suas ruas, edifícios, praças e parques. Muitas vezes, a depender do desenvolvimento do lugar, essas evidências vão sendo apagadas, desconsideradas e alteradas.
Como aponta Francis D. K. Ching em seu Manual de desenho arquitetônico, em comparação com os desenhos ortogonais convencionais — plantas, cortes e vistas —, que permitem representar os projetos arquitetônicos de maneira bidimensional e apenas “por meio de uma série fragmentada de vistas relacionadas”, os desenhos de vista única, entre os quais estão as axonometrias — também conhecidas como perspectivas ou projeções axonométricas —, permitem ilustrar as três dimensões de forma simultânea, incorporando noções de profundidade e espacialidade aos desenhos técnicos.
Conhecida popularmente como lótus, a espécie aquática Nelumbo nucifera apresenta uma particularidade. Suas folhas são auto-limpantes, ou ultra-hidrofóbicas. Isso quer dizer que nenhuma partícula de sujeira ou água adere a ela, o que é especialmente útil no contexto úmido e lamacento em que a planta vive. Mas diferente do que se pode imaginar, isso não se dá por conta de uma superfície perfeitamente lisa ou uma camada resinosa sobre as folhas. A lótus é, na verdade, repleta de minúsculas dobras que reduzem a superfície de contato e repelem todas as partículas que ali tentam aderir. O efeito de lótus tem sido estudado por nanotecnólogos com o intuito de aplicar este mesmo efeito em produtos, como superfícies, tintas, tecidos e telhas que possam se auto limpar facilmente. Por mais trivial que isso possa parecer, ao pensarmos nos recursos aplicados à limpeza de vidros de arranha-céus ou mesmo a quantidade de energia fotovoltaica que deixa de ser gerada por conta da poeira sobre os painéis podemos ter uma noção das infinitas possibilidades que superfícies hidrofóbicas poderiam representar.
A natureza, ao longo de bilhões de anos, tem desenvolvido soluções adaptativas que começam a ser entendidas por nós com as tecnologias que temos à disposição e aplicadas às necessidades de áreas como a indústria da construção. Quando cientistas, biólogos, engenheiros, arquitetos e outros profissionais unem esforços e focam em entender aspectos da natureza, com uma visão empática e respeitosa, os resultados podem ser impressionantes.
O Second Studio (anteriormente conhecido como The Midnight Charette) é um podcast sem filtros sobre design, arquitetura e o cotidiano. Apresentado por David Lee e Marina Bourderonnet, profissionais da arquitetura, o programa recebe diferentes mentes criativas em conversas espontâneas que dão espaço a reflexões profundas e debates pessoais.
Com honestidade e bom humor, o podcast aborda uma grande variedade de temas: alguns episódios trazem entrevistas, enquanto outros oferecem dicas para profissionais do design, análises de edifícios e projetos, ou reflexões descontraídas sobre o cotidiano e o design. The Second Studio também está disponível no iTunes, Spotify e YouTube.
Esta semana, David e Marina conversam com Archie Lee Coates IV, cofundador do estúdio de design altamente multidisciplinar PLAYLAB. No episódio, Archie discute a evolução e o futuro do PLAYLAB, a ingenuidade na arte e no design, a equidade social na prática projetual, a fé na humanidade, o escritório de design como uma ameba permeável, a colaboração com Virgil Abloh no desfile da Louis Vuitton e muito mais.
A arquitetura eslovena contemporânea nasce da fusão entre tradição e modernidade, entre arquitetura e paisagem. Profundamente enraizada na cultura local, a arquitetura contemporânea eslovena emerge em meio a uma paisagem tão vasta quando pinturesca. A geografia do país moldou ao longo dos séculos uma arquitetura híbrida tanto em forma quanto em conteúdo. Como um desdobramento da arquitetura modernista produzida por alguns dos mais importantes arquitetos do país, entre eles Max Fabiani, Ivan Vurnik e Jože Plečnik, a arquitetura contemporânea eslovena procura expandir continuamente suas raízes, arraigadas profundamente a esse território.
Sim, eu sei. Temos falado muito sobre carbono. E não só aqui, mas por todo lado lemos sobre efeito estufa, dióxido de carbono, combustíveis fósseis, sequestro de carbono e diversos outros termos que têm entrado, cada vez mais, nos nossos cotidianos. Mas por que o carbono é tão importante e o que nós, arquitetos, estudantes de arquitetura ou entusiastas do tema, temos a ver com algo que parece tão intangível?
Devido às restrições impostas pela pandemia de COVID-19, por mais de uma no o número de turistas viajando pelo mundo foi reduzido drasticamente. Ainda assim, a nossa vontade de viajar e descobrir novos lugares não diminuiu nem um pouco. Embora seja verdade que uma das maneiras mais eficazes de aprender arquitetura é viajando—a partir da nossa experiência física no mundo—, outro importante recurso para compreender a escala e a dimensão espaço-temporal da arquitetura é através do exercício do desenho. Nos dias de hoje, podemos dizer também que a modelagem 3D é outra importante ferramenta para o desenvolvimento da sensibilidade espacial de jovens arquitetos.
As crises geralmente provocam mudanças na maneira como nos movemos. A prosperidade pós-guerra fez do automóvel um item doméstico e um estilo de vida. A crise fiscal e petrolífera global dos anos 70 trouxe um boom de bicicletas de curta duração e uma retirada dos dólares das cidades para o transporte público. E a crise financeira de 2008 preparou o caminho para que o capital de risco no Vale do Silício estourasse, apoiando novas plataformas como Uber e Waze.
No mundo globalizado de hoje, a arquitetura parece se reinventar a cada dia. Novas e inovadoras tecnologias aplicadas à construção civil estão transformando a prática da arquitetura a uma velocidade jamais vista. Ainda assim, de certa forma, grande parte dos profissionais da indústria da construção civil estão muito defasados em relação aos métodos e ferramentas utilizados em seus processos de projeto. Acontece que, toda mudança demanda tempo, energia e dinheiro — e muitos arquitetos e arquitetas dependem de seus honorários para administrar e manter seus escritórios de arquitetura. Como consequência da popularização de novas start-ups no setor da tecnologia e o aumento da competitividade no mercado de trabalho em uma economia cada dia mais globalizada, arquitetos e arquitetas estão procurando reinventar-se a todo momento, optando principalmente por ampliar seu campo de atuação e firmando-se como uns dos profissionais mais empreendedores disponíveis no mercado de trabalho.
A luz é um elemento mais do que fundamental na arquitetura. No princípio, o sol e o fogo eram as nossas únicas fontes de luz e calor, entretanto, nos dias de hoje a tecnologia nos permite recriar artificialmente todas as qualidades da iluminação natural. As novas tecnologias LED possibilitaram inclusive a incorporação da luz em mobiliários, superfícies e acabamentos, transformando a nossa própria percepção da arquitetura e do espaço.
Se utilizados de forma inteligente e criativa, sistemas de iluminação podem nos proporcionar muito mais do que apenas uma fonte de luz. Um bom projeto luminotécnico pode ser capaz de criar atmosferas, despertar emoções e transmitir mensagens. Por exemplo, a iluminação indireta nos permite destacar objetos e elementos construtivos, separando paredes do piso e do forro e fazendo com que o espaço pareça maior e mais leve. Por outro lado, luzes de tons amarelados e quentes ajudam a regular a temperatura de um determinado espaço, proporcionando uma maior sensação de aconchego e bem estar.
A primeira casa construída nos Estados Unidos feita inteiramente de concreto e vidro já não existe mais. Demolida em 1999, isso não impede que a visitemos virtualmente para vivenciar a experiência de estar em seu interior. Este vídeo e o link abaixo centram-se em uma única residência — a Lincoln House, projetada por Mary Otis Stevens — com o intuito de resgatá-la e explorá-la. A ferramenta Enscape é utilizada para percorrer o edifício e recriar a experiência de estar em seu interior. O vídeo apresenta uma linha do tempo para contextualizar o papel da casa na carreira de seu/sua arquiteto/a e na evolução do Brutalismo na arquitetura, uma análise da edificação e as primeiras impressões ao percorrê-la pela primeira vez. Que magia e outras lições estão latentes no projeto, ocultas até que pudéssemos finalmente vivenciá-lo?