Sim, eu sei. Temos falado muito sobre carbono. E não só aqui, mas por todo lado lemos sobre efeito estufa, dióxido de carbono, combustíveis fósseis, sequestro de carbono e diversos outros termos que têm entrado, cada vez mais, nos nossos cotidianos. Mas por que o carbono é tão importante e o que nós, arquitetos, estudantes de arquitetura ou entusiastas do tema, temos a ver com algo que parece tão intangível?
Devido às restrições impostas pela pandemia de COVID-19, por mais de uma no o número de turistas viajando pelo mundo foi reduzido drasticamente. Ainda assim, a nossa vontade de viajar e descobrir novos lugares não diminuiu nem um pouco. Embora seja verdade que uma das maneiras mais eficazes de aprender arquitetura é viajando—a partir da nossa experiência física no mundo—, outro importante recurso para compreender a escala e a dimensão espaço-temporal da arquitetura é através do exercício do desenho. Nos dias de hoje, podemos dizer também que a modelagem 3D é outra importante ferramenta para o desenvolvimento da sensibilidade espacial de jovens arquitetos.
As crises geralmente provocam mudanças na maneira como nos movemos. A prosperidade pós-guerra fez do automóvel um item doméstico e um estilo de vida. A crise fiscal e petrolífera global dos anos 70 trouxe um boom de bicicletas de curta duração e uma retirada dos dólares das cidades para o transporte público. E a crise financeira de 2008 preparou o caminho para que o capital de risco no Vale do Silício estourasse, apoiando novas plataformas como Uber e Waze.
No mundo globalizado de hoje, a arquitetura parece se reinventar a cada dia. Novas e inovadoras tecnologias aplicadas à construção civil estão transformando a prática da arquitetura a uma velocidade jamais vista. Ainda assim, de certa forma, grande parte dos profissionais da indústria da construção civil estão muito defasados em relação aos métodos e ferramentas utilizados em seus processos de projeto. Acontece que, toda mudança demanda tempo, energia e dinheiro — e muitos arquitetos e arquitetas dependem de seus honorários para administrar e manter seus escritórios de arquitetura. Como consequência da popularização de novas start-ups no setor da tecnologia e o aumento da competitividade no mercado de trabalho em uma economia cada dia mais globalizada, arquitetos e arquitetas estão procurando reinventar-se a todo momento, optando principalmente por ampliar seu campo de atuação e firmando-se como uns dos profissionais mais empreendedores disponíveis no mercado de trabalho.
A luz é um elemento mais do que fundamental na arquitetura. No princípio, o sol e o fogo eram as nossas únicas fontes de luz e calor, entretanto, nos dias de hoje a tecnologia nos permite recriar artificialmente todas as qualidades da iluminação natural. As novas tecnologias LED possibilitaram inclusive a incorporação da luz em mobiliários, superfícies e acabamentos, transformando a nossa própria percepção da arquitetura e do espaço.
Se utilizados de forma inteligente e criativa, sistemas de iluminação podem nos proporcionar muito mais do que apenas uma fonte de luz. Um bom projeto luminotécnico pode ser capaz de criar atmosferas, despertar emoções e transmitir mensagens. Por exemplo, a iluminação indireta nos permite destacar objetos e elementos construtivos, separando paredes do piso e do forro e fazendo com que o espaço pareça maior e mais leve. Por outro lado, luzes de tons amarelados e quentes ajudam a regular a temperatura de um determinado espaço, proporcionando uma maior sensação de aconchego e bem estar.
A primeira casa construída nos Estados Unidos feita inteiramente de concreto e vidro já não existe mais. Demolida em 1999, isso não impede que a visitemos virtualmente para vivenciar a experiência de estar em seu interior. Este vídeo e o link abaixo centram-se em uma única residência — a Lincoln House, projetada por Mary Otis Stevens — com o intuito de resgatá-la e explorá-la. A ferramenta Enscape é utilizada para percorrer o edifício e recriar a experiência de estar em seu interior. O vídeo apresenta uma linha do tempo para contextualizar o papel da casa na carreira de seu/sua arquiteto/a e na evolução do Brutalismo na arquitetura, uma análise da edificação e as primeiras impressões ao percorrê-la pela primeira vez. Que magia e outras lições estão latentes no projeto, ocultas até que pudéssemos finalmente vivenciá-lo?
Tentativa e erro. Em um um guardanapo, papel manteiga, ou em um fundo preto do CAD, grande parte do trabalho de um arquiteto é fazer e refazer testes, linhas, formas, cópias. Descartar e recomeçar. De uma ideia inicial a um projeto final há um caminho extenuante e longo. Isso porque projetar é tomar infinitas decisões, sendo que uma alteração influencia em outros tantos elementos sendo, enfim, um exercício de escolhas e concessões. Seja conseguir construir o máximo da legislação no terreno sem impactar o entorno e deixando todas as unidades com boa exposição solar, ou encaixar o máximo de mesas de trabalho em um escritório sem perder uma boa circulação e fluidez no espaço, são muitos estudos até chegar na opção mais adequada. Ou, por exemplo, a posição de uma janela, ainda que fique muito bem na composição da fachada, pode inviabilizar a localização da cama em um dormitório ou aumentar muito o consumo energético da edificação.
Evidentemente, em todo o projeto há sempre prazos e orçamentos apertados, um cliente geralmente com pressa e uma quantidade de tempo limitada para se pensar em todas as combinações possíveis e se as decisões projetuais tomadas são, de fato, as mais adequadas. É aí que, cada vez mais, o conceito de Design Generativo (Generative Design) vem aparecendo na arquitetura.
O que é preciso para construir uma cidade inteligente do zero? Ou, talvez, a verdadeira questão seja: o que é preciso para construir uma cidade inteligente do zero e torná-la bem-sucedida? Por mais de uma década, arquitetos/as e urbanistas trabalharam lado a lado para criar Songdo, um distrito de negócios totalmente novo que buscava representar os avanços sul-coreanos em tecnologia e infraestrutura. Songdo já foi um modelo de como viveríamos nas cidades do futuro — mas, hoje, a realidade do que essa cidade inteligente rapidamente se tornou nos faz repensar como a combinação entre tecnologia e comunidade pode ter falhado.
Stefan Fuchs e Raphael Dillhof entrevistam Adam Nathaniel Furman para discutir o papel e a importância das fachadas na malha urbana contemporânea, "no contexto de uma gama mais ampla de questões sociais, econômicas e políticas". Parte de um estudo aprofundado que examina o papel das fachadas no século XXI, esta conversa também levanta a questão de por que os edifícios sempre incorporam os valores de quem os cria.
https://www.archdaily.com.br/pt/1130675/adam-nathaniel-furman-edificios-sempre-incorporam-os-valores-de-seus-criadoresRaphael Dillhof, Stefan Fuchs
A relação entre saúde mental e os arquitetos, especialmente os estudantes de arquitetura, não é uma questão inédita. Em um contexto onde o estresse é um dos grandes problemas do século, atingindo mais de 90% da população mundial segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o universo da arquitetura e suas práticas, tanto profissionais quanto estudantis, normalizaram o estresse e a ansiedade como parte integrante da profissão. Entretanto, pesquisas recentes de estudantes mostram insatisfação com essa realidade, agora agravada devido a pandemia. Seria, portanto, o momento de rever as práticas institucionais e pressionar para uma mudança de cultura?
A crítica à Academia na arquitetura é um tema persistente, que tem gerado diversos questionamentos sobre as formas de ensinar e aprender a disciplina. Esse debate ganhou ainda mais força durante a pandemia, quando o ensino tradicional deu um salto enorme em direção à educação 100% on-line, transformando a maneira como vivenciamos os diferentes espaços e plataformas que orientam os/as estudantes do ensino superior. No entanto, essa não é uma questão restrita às universidades; os próprios escritórios de arquitetura tiveram que reinventar seus métodos de trabalho e sua participação em eventos ou mostras internacionais para refletir sobre a relação entre a academia e a prática profissional.
Respondendo ao tema, “Como viveremos juntos” de 115 maneiras diferentes, a Bienal de Arquitetura de Veneza 2021 deu as boas-vindas, fisicamente, ao grande público, em 22 de maio de 2021. Ao se abrir para o mundo, o tema atemporal, porém sensível ao contexto, gerou um coletivo imaginário, destacando um mundo que prefere viver junto a ficar separado. Construindo uma narrativa arquitetônica do presente, que reflete sobre um futuro resiliente, o interrogatório, feito pela primeira vez em 2019, ganhou mais relevância com a pandemia, que paralisou o mundo. Com muito otimismo e amor a arte, a mostra de arquitetura abriu as portas a um público ansioso e revelou qualidades recorrentes nas intervenções apresentadas.
Há três anos, a Jersey City Redevelopment Agency (JCRA) selecionou o escritório holândes OMA, para projetar um novo museu na Journal Square, no centro da cidade. Recentemente, foi revelado que o prédio será o lar de nada menos que o primeiro Centro Pompidou norte-americano: o Centro Pompidou × Jersey City.
Quadras urbanas podem ser definidas como o espaço delimitado pelo cruzamento de três ou mais vias, subdivisível em lotes para a construção de edifícios. Para além da definição técnica, no decorrer dos séculos, este elemento morfológico foi sendo moldado em conformidade com o pensamento urbano e as expectativas vigentes podendo configurar um único volume ou vários que variam em altura e profundidade; volumes isolados em meio a natureza ou labirintos de difícil acesso. Independente da composição, a quadra simboliza o elemento mínimo da escala do bairro e assume o importante papel na mediação entre o público e o privado dentro das cidades.
Em seu livro "O Brutalismo em arquitetura, ética ou estética?", Reyner Banham estabelece o que, segundo ele, foi um dos momentos-chave na definição da raiz semântica do termo Brutalismo "há um fato arquitetônico indiscutível: a obra de concreto de Le Corbusier: a Unidade de Habitação de Marselha. E se há uma fórmula verbal simples que tornou o conceito de Brutalismo admissível em muitas línguas do mundo ocidental, é que o próprio Le Corbusier descreveu este trabalho como "Béton brut" (concreto bruto). O termo e o edifício, portanto, surgem juntos". Em seu livro, Banham marca a construção da Unite d' Habitationcomo um marco histórico e enfatiza com especial destaque sua condição material. A partir daí, o concreto armado aparente é definido como o material preferido para este tipo de arquitetura. Embora exista também uma certa indefinição teórica quanto aos limites e ao alcance do termo "brutalista", existem certas constantes sobre seus parâmetros estéticos que nos permitem estabelecer uma linha de análise relativamente concreta. Nestes termos, os edifícios pertencentes ao brutalismo são caracterizados por sua verdade construtiva - mostrando e evidenciando o material que compõe a arquitetura, assim como sua lógica construtiva e estrutural - a geometria de suas formas e a rugosidade das superfícies.
A 17ª Bienal de Arquitetura de Veneza convidou profissionais da arquitetura a refletir sobre a questão "Como viveremos juntos?", provocando uma variedade de respostas, leituras e interpretações. A Exposição Internacional, que acontece no Giardini, no Arsenale e no Forte Marghera, apresenta 112 participantes de 46 países, cujas contribuições estão organizadas em cinco escalas: Entre seres diversos, Como novas habitações, Como comunidades emergentes, Através de fronteiras e Como um único planeta. Para responder à pergunta "Como viveremos juntos como comunidade?", o escritório chileno ELEMENTAL propôs uma intervenção, e o ArchDaily se reuniu em Veneza com Alejandro Aravena para discutir a ideia por trás do projeto KOYAÜWE. A proposta cria um espaço que recupera a tradição dos "parlamentos" (diálogos e negociações históricas) como meio de abordar o histórico conflito chileno-mapuche.
Esta semana, destacamos as vagas abertas em dois escritórios de destaque localizados na região do Delta do Rio Yangtze: o Senshang Design, de Hangzhou, e o Dayi Mingliang Architects, de Xangai. Com linguagens singulares, ambos atuam de forma dinâmica em diferentes campos da arquitetura e buscam talentos para integrar suas equipes.
https://www.archdaily.com.br/pt/1130326/vagas-da-semana-senshang-design-dayimingliang-architectureMilly Mo
Imagine se a luz, além de nos permitir enxergar o mundo, fosse também capaz de transmitir informações e significados. Padrões mensuráveis de iluminação natural, traduzidos em níveis de ‘lux’ recomendados para determinadas tarefas, levaram a uma compreensão quantitativa da luz. No entanto, a arquitetura se apropria da luz natural não apenas para cumprir requisitos formais e padrões matematicamente calculados. A iluminação natural é utilizada, sobretudo, para transmitir emoções, revelar espaços e construir atmosferas. Dito isso, poderíamos afirmar que a iluminação é uma forma de linguagem utilizada pelos arquitetos para se comunicar com as pessoas? Desde uma perspectiva semiótica, poderemos melhor compreender como a luz e a sombra contribuem para a construção de significado na arquitetura.
Vladimir Belogolovsky conversa com Antoine Predock sobre o projeto Bahías, uma comunidade de 13 casas que será construída em breve na Costa Rica, inspirada por uma visão de folhagem construída.
Sejam produzidos com matérias primas orgânicas ou sintéticas, tecidos têm sido amplamente utilizados na arquitetura desde os tempos mais remotos. No entanto, sua aplicação em larga escala veio a acontecer apenas após a revolução industrial e a popularização de novas tecnologias—ou seja, a possibilidade de se produzir membranas têxteis de alta qualidade e em grandes dimensões, capazes de cobrir edifícios inteiros e vencer grandes vãos. Comumente utilizadas de forma tencionada, as membranas têxteis ajudaram a moldar o imaginário da arquitetura contemporânea, sendo utilizadas em pavilhões, estádios e edifícios dos mais variados tipos e tamanhos.
"Albañilas, construyendo sin patrones" é um documentário de curta-metragem lançado em 5 de maio de 2021, realizado pela Frente de Organizações em Luta #FOL — organização presente em mais de 10 províncias da Argentina —, que reúne os depoimentos de Brenda, Natalia, Claudia, Isabel, Nora, Ana e Moni. Com um olhar profundamente pessoal, elas descrevem como se aproximaram desse ofício para a criação do salão da #FOL.
Diante de um cenário empresarial em constante evolução, as empresas de engenharia precisarão trabalhar de maneira mais inteligente e ágil do que nunca para se manterem competitivas.
A entrada de luz natural, a melhoria das condições de ventilação e a possibilidade de potenciar a ligação com a natureza, sem que isso implique uma perda de privacidade, têm levado os pátios a se tornarem elementos frequentemente adotados e incorporados em muitos projetos arquitetônicos.
Os pátios caracterizam-se por serem áreas abertas ou semicobertas, localizadas no interior de edifícios e têm seus perímetros delimitados por paredes, galerias ou outros elementos. Estes espaços, externos mas contidos, em muitos casos desempenham um papel crucial na configuração e organização do projeto e, em alguns casos, representam a conexão entre os moradores e o exterior.
O que é um render? Apenas uma imagem para ganhar concursos e clientes? Ou é uma ferramenta eficaz para o desenvolvimento de um edifício?
Perguntamos a nossos leitores quais são os limites da renderização no desenho arquitetônico, e a quantidade de respostas foi imensa. Depois de ler e compilar todos os comentários recebidos de profissionais da construção, estudantes e pessoas interessadas em arquitetura, há um grande consenso de que devemos pensar não apenas na renderização como um elemento de venda, mas como um elemento chave na verificação do projeto.