Jeffry Burchard explora em seu ensaio a "oportunidade encontrada ao estender a vida útil e o propósito de edifícios existentes viáveis", que moldaram nossas cidades. Ao argumentar que "temos uma oferta abundante de edifícios", o autor propõe quatro etapas essenciais para transformar as edificações existentes.
Robot-Printed 'Cloud Village' / Philip Feng Yuan's Team. Image Courtesy of Philip Feng Yuan
A impressão 3D, em suas diversas modalidades, é uma tecnologia voltada à prototipagem e à construção de objetos e edifícios de forma rápida e precisa. As impressoras 3D disponíveis no mercado hoje comumente utilizam metal em pó ou materiais plásticos para imprimir objetos e estruturas personalizadas, sobrepondo camada sobre camada de acordo com as informações fornecidas por um modelo digital.
Archivo de Ideas Recibidas é um projeto interdisciplinar de pesquisa e difusão que busca registrar e relacionar as ideias de pessoas que contribuem para o ecossistema criativo contemporâneo a partir da arte, do design e da arquitetura. Ele se constrói a partir de conversas que a equipe mantém com diversos/as criadores/as, nas quais se aprofundam temas relacionados à memória, à academia, ao contexto cultural, às suas principais influências e metodologias de trabalho.
Nesta ocasião, nos apresentam Sandra Barclay da Barclay & Crousse. Fundado em 1994 em Paris, o estúdio tem sede em Lima desde 2006. Seu trabalho é considerado, segundo os/as próprios/as arquitetos/as, como um laboratório de design que explora os laços entre paisagem, clima e arquitetura para desafiar as noções de tecnologia, uso e qualidade de vida que, a partir das condições específicas dos países em desenvolvimento, podem informar e ser pertinentes em um contexto global.
Hortas, jardins, iluminação zenital e sistemas reticulares na “Primeira cidade da Antártida”. Imagem via Revista rita_
Este artigo de Fulvo Rossetti foi publicado originalmente no número 14° da revista rita_ com o título "Anfitriões e profetas da Antártida: Arquitetura, território e imaginários confrontados na Antártida, 'Argentina', 'Britânica' e 'Chilena', 1961 em diante" e faz parte de uma colaboração conjunta para a difusão de textos acadêmicos.
A seguir, três obras emblemáticas do Reino Unido, da Argentina e do Chile expressam diferentes interesses projetados sobre um mesmo território antártico. Uma delas corresponde à Estação Halley VI, no limite oriental da reivindicação britânica. Outra é a utópica “primeira cidade na Antártida”, imaginada nas proximidades do aeródromo argentino de Marambio, no extremo norte da Península Antártica. A terceira é o Centro Antártico Internacional, um edifício polifuncional para potencializar o papel de Punta Arenas como cidade de cabeceira, porta de entrada para o continente branco.
Esta republicação da Metropolis desta semana explora a reforma e a transformação em andamento de um local icônico em Buffalo, o Silo City, com o objetivo de criar ambiciosos projetos residenciais e públicos.
https://www.archdaily.com.br/pt/1130923/a-transformacao-de-silo-city-sinaliza-um-novo-futuro-para-buffaloOsman Can Yerebakan
A marcenaria, como são comumente chamados os mobiliários de madeira executados por um marceneiro, tem ganhado atenção especial nos projetos de arquitetura. Por serem projetados para se adequarem a espaços e fins objetivos, esses objetos são importantes elementos de organização do espaço, sendo introduzidos em qualquer ambiente, tanto em salas, quartos e escritórios, quanto em cozinhas e banheiros. Além de resolver questões funcionais, a marcenaria introduz outras materialidades, texturas e cores para os ambientes. Neste artigo iremos explorar alguns exemplos de como a marcenaria colorida pode tornar os projetos de arquitetura mais vibrantes.
Como parte de uma investigação motivada pelo terremoto de 19 de setembro de 2017 na Cidade do México, o fotógrafo mexicano Onnis Luque apresenta seu livro “Undercover”, publicado pela editora The Velvet Cell (TVC) América Latina. A obra apresenta uma série de fotografias que revelam edifícios danificados cobertos por uma espécie de véu preto, instalado para evitar a queda de fragmentos dessas estruturas. Essas fotografias, por sua vez, são acompanhadas de textos que conduzem uma leitura que revela diversos temas que não apenas dizem respeito à arquitetura, mas também abordam, sob essa ótica, aspectos sociais e políticos.
AARHUS, Imagem de Rasmus Hjortshoj . Cortesia de BIG
"O futuro já está aqui, só não está muito bem distribuído". Partindo dessa célebre frase de William Gibson, a mais recente publicação do BIG, Formgiving, analisa o passado e o presente para projetar o amanhã. Ao tratar de previsões não tão distantes, mas que podem se concretizar em 5, 10 ou 50 anos, o livro busca “dar forma ao futuro”, ou àquilo que ainda não se materializou.
O ArchDaily teve a oportunidade de conversar com Kai-Uwe Bergmann, sócio/a do BIG-Bjarke Ingels Group, para discutir não apenas o manuscrito mais recente do escritório, mas sua trilogia de publicações: Yes is More, um “Arqui-quadrinho sobre Evolução Arquitetônica”, Hot to Cold uma “Odisseia de Adaptação Arquitetônica”, e Formgiving, uma “História do Futuro da Arquitetura”.
A síndrome de burnout, também conhecida como síndrome do esgotamento profissional, tem estado cada vez mais presente entre os profissionais de hoje. Como resultado do acúmulo intenso de estresse e tensão emocional, sua origem está diretamente relacionada ao cotidiano laboral de cada indivíduo, e não somente aos quesitos logísticos e organizacionais das empresas, mas também é motivada pelo ambiente físico de trabalho.
Passamos em média 1/3 do nosso dia nos espaços de trabalho, portanto, não é à toa que eles assumem um importante papel na nossa saúde mental. Passada a onda dos home offices que vivemos no decorrer de 2020, temos assistido, hoje em dia, o crescente retorno aos espaços colaborativos de trabalho. Eles têm voltado à pauta como uma alternativa híbrida que permite um distanciamento do âmbito doméstico, consolidando a separação entre as funções, algo mais do que necessário após um ano de isolamento.
O México é um país localizado na América do Norte, situado entre o Oceano Pacífico e o Golfo do México. Com uma área de 1.964.375 km², possui uma transbordante e riquíssima diversidade cultural que se estende para além das fronteiras nacionais. Isso se evidencia nos 3.141 km de fronteira com os Estados Unidos, que vão do Golfo do México ao Oceano Pacífico, abrangendo territórios situados em uma faixa de 100 km de largura de cada lado do limite internacional — o que inclui 48 condados em 4 estados norte-americanos e 94 municípios em estados mexicanos.
Universidad de Chile, campus Velázquez, c. 1970. Imagem via Archivo Histórico Vicente Dagnino, Universidad de Tarapacá
O Campus Velázquez, projetado por Mauricio Despouy, articula, por meio de uma grelha de concreto, uma série de pátios e galerias com um programa flexível, porém diferenciado conforme os ambientes distribuídos em seu interior. O projeto de infraestrutura educacional está implantado na cidade de Arica, situada no extremo norte do Chile, cujo clima é determinante na construção dos espaços intermediários e dos brises que qualificam a obra.
O aumento da automação (processos mecanizados) dentro das etapas de materialização arquitetônica, tem visto uma notável aceleração nos últimos tempos, graças ao surgimento e desenvolvimento de ferramentas de fabricação digital. Essas ferramentas, tais como impressoras 3D, robôs de montagem ou cortadores a laser, permitiram o aperfeiçoamento das etapas de construção, proporcionando vantagens significativas relacionadas à otimização dos recursos, maior precisão e maior controle.
No caso específico da madeira, as ferramentas digitais de fabricação mais frequentemente utilizadas são as máquinas fresadoras, ou Routers CNC (Controle Numérico Computadorizado). Estas ferramentas permitem a interpretação de desenhos vetoriais 2D ou mesmo modelos 3D, convertendo-os em códigos de coordenadas que controlam as ações da ferramenta. Desta forma, as CNC ou fresadoras permitem, a partir de arquivos digitais (que podem ser feitos em softwares de design amplamente conhecidos, como o AutoCad), cortar madeira de forma fácil e rápida, deixando as peças prontas para serem montadas e combinadas em obra.
Ao chegar a um ambiente escuro e desconhecido, nossas mãos tateiam a uma certa altura, até acharmos um teclado para acender as lâmpadas e, com sorte, achá-lo. É uma das muitas coisas que só realmente percebemos quando estão mal desenhadas. Ao projetar um ambiente, a decisão de locar os controladores em locais acessíveis e intuitivos exige atenção por parte dos projetistas. Teclados se enquadram na lista de objetos que queremos que sejam muito fáceis de achar quando precisamos, mas que, sem uso, preferimos que fiquem escondidos. Isso porque seu design, muitas vezes, chama mais atenção do que deveria, o que pode acabar destoando na proposta estética do ambiente. Mas nem sempre é preciso que seja assim. Há algumas opções que unem design e funcionalidade, com customizações que permitem que os controladores se encaixem em qualquer tipo de projeto.
A seleção desta semana das melhores propostas de Arquitetura Não Construída destaca diferentes projetos vencedores de concursos enviados pela comunidade do ArchDaily. De empreendimentos urbanos de grande escala a pequenas intervenções na paisagem, de projetos comerciais a espaços públicos e estratégias de planejamento urbano com foco ambiental, este artigo apresenta uma variedade de abordagens projetuais, programas e escalas. As propostas apresentadas são fruto de concursos locais e internacionais, englobando desde conceitos criativos até projetos atualmente em andamento.
As propostas premiadas abrangem uma variedade de projetos distintos, desenvolvidos tanto por jovens arquitetos/as quanto por escritórios consagrados. Um projeto de reutilização adaptativa para torres de escritórios em Nova York, a revitalização de uma área industrial na China, uma instalação abstrata para um festival na Rússia ou um masterplan voltado para a resiliência climática e proteção de ecossistemas são alguns dos destaques desta semana.
TECLA, Hábitat Impreso 3D por WASP y Mario Cucinella Architects. Image Cortesía de WASP
Embora há alguns anos atrás a indústria da construção fosse considerada uma das mais atrasadas tecnologicamente, hoje podemos dizer que a automação na arquitetura está definitivamente aqui para ficar.
o que eles entendem por automação na arquitetura (e como eles acham que isso afeta o processo de projeto).
As portas, janelas e painéis móveis operam por meio de diferentes mecanismos, os quais são responsáveis não apenas pelos movimentos de abertura e fechamento, mas também por sua denominação e classificação. Entre uma série de sistemas utilizados nos elementos móveis da arquitetura, que vão desde os mais simples aos mais engenhosos, aquele presente nas janelas e portas “articuladas” ou “camarão” é usualmente adotado com o intuito de unir estética e funcionalidade.
NanShan B&B Hotel / Priestman Architects. Imagem cortesia de Luyi Photograph
Uma cidade de fronteira pode ser classificada como uma aglomeração urbana próxima ao limite entre dois países, estados ou regiões. Hoje em dia, com a rápida expansão de nossas cidades e a constante modernização dos meios de transporte, a fronteira entre as áreas urbanas e rurais tem sido constantemente deslocada e redefinida.
Na Região Metropolitana de Salvador, se registrou (2012) que o uso do transporte motorizado se verifica 51,5% para o gênero masculino, contra 48,5% para o feminino e, em relação ao transporte não motorizado, 44,8% contra 55,2%, respectivamente. Imagem: Prefeitura de Salvador
“Levantar cedo, acordar os filhos, fazer e dar o café da manhã, tomar banho, dar banho neles, seguir para o ponto do ônibus. A bolsa cai, a criança embirra, o buzu atrasa. Colo, mochila, criança… nem se sabe mais a ordem. Na primeira ordem do dia, o primeiro ônibus e os filhos chegam à escola, corre de novo para o novo ponto e uma nova espera, chega o segundo transporte. Embarca em pé, dribla o sono e o assédio até o trabalho. Na hora do almoço, aquela passada na farmácia e, quem sabe, também na feira pertinho. Ou hoje é dia de passar no açougue? Volta do trabalho: pacotes, bolsa e cansaço. Uma parada no caminho para pegar as crianças e a lembrança inoportuna da falta que lhe conduz ao mercado antes de chegar a sua casa com o dia que termina, mas não sem antes preparar o jantar. Ufa!“
O trecho citado é o relato de um dia fictício. No entanto, essa rotina é a crônica diária em muitas residências, em especial nas de baixa renda, nas periferias, nas casas de famílias monoparentais chefiadas por mulheres, onde o drama das muitas idas e vindas pode se intensificar com elementos da interseccionalidade de gênero, raça, classe social, geração, território, capacidade física, orientação sexual, entre outros.
https://www.archdaily.com.br/pt/965354/o-planejamento-da-mobilidade-e-as-mulheresAlessandra Almeida e Aline Prado
Poucos lugares no mundo reúnem tantos equipamentos culturais e artísticos como o arquipélago composto pelas ilhas de Naoshima, Teshima e Inujima, localizadas no Mar Interior de Seto, no Japão. Dezoito museus, galerias e instalações compõem o Benesse Art Site Naoshima, um complexo dedicado às artes idealizado pelo magnata Soichiro Fukutake ainda na década de 1980.
À época, Fukutake convidou ninguém menos que o arquiteto Tadao Ando para projetar o Benesse House Museum, na ilha de Naoshima, um equipamento que ofereceu mais que um impulso econômico para a região, mas um estilo de vida mais lento e simples – evidentemente, para aqueles que podem pagar – distante das megalópoles japonesas.
Buscando responder a intrigante pergunta proposta por Hashim Sarkis como tema central da 17ª Bienal de Arquitetura de Veneza, “Como viveremos juntos”, diversos arquitetos e curadores dos pavilhões nacionais apresentaram uma série de propostas e leituras sobre os principais problemas e as mais recorrentes questões que permeiam a nossa disciplina. A inquietação do curador da Bienal de Veneza de 2021, foi encarada como um chamado à comunidade de arquitetos “a imaginar espaços que nos permitam viver juntos generosamente”, espaços que não sejam limitados por contratos ou regras e sejam suficientemente flexíveis para acolher uma maior diversidade de pessoas, promovendo a sensação de pertencimento ainda que em um lugar completamente alheio a nossas próprias raízes. Ao contrário do que foi visto ao longo das últimas décadas, a migração hoje não é mais um fenômeno local—do campo para a cidade—, e sim uma questão bastante abrangente, complexa e que transcende fronteiras. As novas tecnologia e a consequente transformação dos espaços de trabalho, além é claro da recente pandemia, alteraram profundamente a forma como nos relacionamos com o espaço construído e não-construído. Atualmente, 85% dos nossos afazeres diários podem ser cumpridos sem precisarmos sair de casa. Dito isso, o que estamos observando no mundo hoje, é uma necessidade cada vez maior de flexibilizarão dos nossos espaços construídos e habitáveis.
A possibilidade de tirar fotografias aéreas torna possível mostrar questões de projetos que muitas vezes são complexas de capturar ou representar através de métodos convencionais. A partir das oportunidades tecnológicas oferecidas pelos pequenos veículos aéreos não tripulados (UAVs), comumente chamados de drones, os fotógrafos de arquitetura começaram a explorar novas maneiras de mostrar as obras para comunicar as decisões arquitetônicas relativas a pontos como implementação, diálogo com o entorno ou a relação com edifícios próximos.
Praças são espaços livres em meio ao tecido urbano, delimitados por construções ou vias, onde se possibilitam uma série de encontros, atividades sociais e culturais. Sejam espaços planejados, ou resquícios do tecido urbano, as praças são fundamentais para a vida e a cultura da sociedade na qual estão inseridas, e se provaram ainda mais importantes após a pandemia de Covid-19. Reunimos aqui nove praças de pequena escala que atestam a diversidade de usos e funções que esses espaços podem assumir nas cidades contemporâneas.
Vertical Glass House / Atelier FCJZ. Image Cortesia de Atelier FCJZ
Quando a água escorre pelo ralo ou puxamos a descarga do vaso sanitário, geralmente não nos preocupamos onde isso irá parar. De fato, isso não deveria ser uma preocupação, principalmente se toda a população tivesse um saneamento básico adequado. A humanidade já levou o homem ao espaço, planeja colonizar Marte, mas falha em prover condições básicas de vida para boa parte de sua população. Um estudo abrangente estima que 48% da produção global de águas residuais é lançada no meio ambiente sem tratamento. A ONU, por sua vez, apresenta um número bem menos animador, de que 80% do esgoto do mundo é liberado sem tratamento. Mas voltando à pergunta do título, há basicamente dois destinos para o esgoto se ele não estiver sendo lançado in natura no meio ambiente: tratamento local, por fossas sépticas, ou ligação da rede de esgoto a uma estação de tratamento de esgoto, que devolverá a água tratada à natureza após uma série de processos.
Mario Botta, arquiteto suíço formado pelo Instituto Universitario di Architettura di Venezia (IUA) em 1969, é mundialmente conhecido por suas estruturas geométricas e imponentes, edifícios massivos inspirados na arquitetura vernacular italiana. Suas vilas, capelas, vinícolas, escolas, bibliotecas, museus, edifícios de escritórios, bancos e condomínios residenciais encontram-se espalhados pelos quatro cantos do mundo, desde pequenos vilarejos na região do Ticino, no sul da Suíça, até os confins da China, Índia, Coréia do Sul, Japão e Estados Unidos.