No artigo desta semana, o autor Jacob DiCrescenzo explora um outro lado da experiência humana da arquitetura e do espaço: aquele relacionado às nossas emoções. Recentemente, em outro artigo publicado pelo Common Edge, ele já havia nos convidado a refletir sobre a “arquitetura do sentimento”, enfocando em questões relacionadas à psicologia do espaço e de que forma o ambiente construído impacta em nossas emoções. Argumentando que “a arquitetura é uma experiência profundamente emocional”, DiCrescenzo comenta ainda sobre todos os benefícios que a neurociência pode trazer para o futuro da arquitetura.
O debate sobre criminalidade e segurança pública no Brasil tem sido pautado pela polarização entre defensores de medidas duras contra o crime, que vão desde o endurecimento das penas e dos trâmites processuais até o salvo conduto da excludente de ilicitude para a violência policial, e críticos do sistema de segurança pública e justiça penal, pelos abusos praticados e a ineficácia do encarceramento para a contenção da criminalidade.
Para além desta dicotomia muitas vezes contraproducente para o enfrentamento de um problema que vitimiza grande parte da população brasileira, que tem sua integridade física e/ou patrimonial ameaçada cotidianamente, a questão da prevenção ao delito tem sido pouco discutida e menos ainda priorizada. Há experiências exitosas neste âmbito, e todas elas passam pelo maior protagonismo do poder local/municipal na implementação de iniciativas e programas e na articulação da ação das polícias com outros atores sociais.
https://www.archdaily.com.br/pt/965400/a-cidade-e-a-seguranca-publicaRodrigo Ghiringhelli de Azevedo
Na maioria dos casos, o planejamento urbano é uma prática desenvolvida com base na suposição de que toda cidade cresce, ou que pelo menos, deveria crescer. Entretanto, a realidade nos mostra que nem sempre tudo parece funcionar como o previsto, e que em nossa sociedade hoje, muitas cidades estão passando por um processo inverso, de decrescimento ou despovoamento. E isso não significa dizer que em cidades que decrescem o planejamento urbano seja algo desnecessário, muito pelo contrário, neste caso esta prática talvez seja ainda mais importante—além do fato de que ela deve assumir novos conceitos, critérios e estratégias capazes de fazer frente a este grande desafio. O fenômeno do despovoamento é um processo de declínio urbano generalizado que pode ter as mais diversas e complexas causas que vão desde mudanças significativas nos meios de produção, fenômenos migratórios, conflitos ou esgotamento dos recursos naturais. Buscando somar evidências e colaborar com o desenvolvimento do profuso debate que gira em torno do tema atualmente, a seguir apresentaremos algumas das principais abordagens que algumas cidades em processo de despovoamento tem incorporado em suas estratégias de planejamento urbano.
Um dos elementos construtivos que melhor combina a funcionalidade com a estética, o forro pode ser um importante aliado aos projetos de arquitetura e de interiores, adicionando camadas de textura, cores e materialidade, permitindo assim um maior controle de qualidade dos espaços internos, ao mesmo tempo que serve como armazenamento e proteção de outros sistemas.
Archivo de Ideas Recibidas é um projeto interdisciplinar de pesquisa e difusão que busca registrar e relacionar as ideias de pessoas que contribuem para o ecossistema criativo contemporâneo a partir da arte, do design e da arquitetura. O projeto é construído a partir de conversas que a equipe mantém com criadores e criadoras de diversas áreas, nas quais se aprofundam temas relacionados à memória, à academia, ao contexto cultural, às suas principais influências e metodologias de trabalho.
Pátios e jardins exteriores desempenham um papel fundamental na configuração e organização do espaço. Em muitos casos, estes elementos fornecem diretrizes para a organização de percursos, articulando espaços interiores e exteriores, proporcionando melhores condições de iluminação e ventilação natural, além de maximizar a conexão com a natureza sem no entanto, abrir mão da privacidade.
O que há por trás de um nome? Bem, quando se trata de edifícios, a resposta é: muita coisa. Se por um lado algumas denominações são passageiras, mudando conforme o lance mais recente do melhor pagador, por outro, alguns nomes são indeléveis e deixam uma marca permanente no imaginário público. Nomes de clientes, cidades, corporações e ruas oferecem farto material de inspiração, mas alguns/as arquitetos/as adotam uma postura mais estratégica. Arquitetos/as como Peter Eisenman criaram séries numeradas (House I, House II, etc.), ao passo que os/as profissionais do escritório MOS adotam um sistema de nomenclatura genérico semelhante ao de compositores (House with 10 trees, House with 2 Chimneys). Para esses/as arquitetos/as, o nome situa cada edifício dentro de uma coleção mais ampla de projetos. Isso garante que as pessoas vejam cada ato de construir como parte de um plano maior. Por fim, às vezes, por mais que uma equipe de marketing se esforce, um edifício acaba recebendo um apelido do qual simplesmente não consegue se livrar... Gherkin. Este vídeo analisa todos esses aspectos ao explorar como os edifícios recebem seus nomes.
Em todo o mundo, a pandemia de COVID-19 expôs o fato de que as populações mais vulneráveis foram as mais atingidas não apenas pelos impactos do vírus na saúde pública, mas também pelas ondas de choque sociais e econômicas decorrentes dele. Agora, à medida que superamos esse cenário, mas também enfrentamos novas restrições globalmente, profissionais de planejamento urbano e autoridades governamentais começam a perceber que a pandemia revelou outra faceta desigual das cidades: a proximidade de parques e espaços públicos.
Com os recentes avanços nos recursos de software, o Open BIM vem superando as desconexões entre os diferentes setores de um projeto, tornando o fluxo de trabalho mais eficiente tanto em grande quanto em pequena escala. O Open BIM amplia os benefícios do BIM (Modelagem de Informação da Construção) ao aprimorar a acessibilidade, a usabilidade, a gestão e a sustentabilidade dos dados digitais no setor de ativos construídos. Os processos de Open BIM podem ser definidos como informações compartilháveis de projeto que apoiam a colaboração integrada entre todas as partes envolvidas, eliminando o problema tradicional de os dados BIM estarem limitados por formatos proprietários de software, por disciplinas ou pelas fases de um projeto.
Tubos de papelão são tão comuns que já nem reparamos em sua existência - mas eles estão por todos os lados: no rolo de papel higiênico, na embalagem do diploma da faculdade, nos fogos de artifício e nas grandes indústrias de tecidos e papel. E agora, cada vez mais, podem ser encontrados em um lugar inusitado: nas paredes de casas e construções. O material faz parte da vida moderna - sendo produzido para uma infinidade de aplicações industriais e produtos de consumo. A grande maioria é utilizada como núcleos estruturais em operações de enrolamento: imediatamente após a fabricação, o papel, o filme ou o fio têxtil é enrolado diretamente em tubos de papelão - resultando em um rolo estável que é facilmente estocado e transportado.
Vista Oeste. Image Cortesía de Burgos & Garrido Arquitectos
O escritório de Francisco Burgos e Ginés Garrido recebeu o primeiro prêmio no concurso promovido pelo Cabildo de La Palma para a realização de uma residência para pessoas idosas e centro de dia em Los Llanos de Aridane, município da província de Santa Cruz de Tenerife, nas Canárias. A oeste da ilha de La Palma, a proposta se apresenta como um ponto de encontro entre a arquitetura e a natureza, onde as pessoas residentes possam desfrutar do último ciclo de suas vidas por meio de uma arquitetura otimista que viabilize a vida em comum.
A automação está em toda parte — em nossas casas, móveis, escritórios, carros e até mesmo em nossas roupas; nos acostumamos tanto a ser cercados por sistemas automatizados que chegamos a esquecer como seria a vida sem eles. Embora os sistemas de automação melhorem significativamente a qualidade dos espaços internos por meio de soluções como purificação de ar e controle de temperatura, nada se compara à brisa fresca proporcionada pela Mãe Natureza.
No entanto, como em tudo na arquitetura, não existe uma fórmula única; o que funciona na Tanzânia não se aplica à Suíça ou à Colômbia. Isso ocorre devido a fatores como diferentes direções de vento, médias de temperatura, necessidades espaciais e limitações (ou deficiências) ambientais. Neste artigo, abordamos as diversas formas de ventilação natural e como os/as arquitetos/as utilizam essa solução passiva em diferentes contextos.
O escritório ODA lançou recentemente sua mais nova iniciativa, que propõe uma visão urbana para o futuro das ruas de Nova York. Intitulado “Beyond the street: Reimagining the flower” (Para além da rua: Reimaginando o Flower District), o projeto busca transformar as quadras urbanas de fora para dentro, revitalizando a experiência dos pedestres na rua por meio do design. A proposta também sugere novas diretrizes de zoneamento de uso do solo, concedendo direitos aéreos ou incentivos fiscais aos titulares dos lotes que, em contrapartida, liberem os pátios internos de cada lote, transformando-os em espaços públicos ou de uso semiprivado a serviço da cidade.
O ArchDaily teve o privilégio de conversar com Eran Chen, à frente da fundação e da direção executiva da ODA, sobre como o escritório busca transformar nosso ambiente urbano por meio de propostas de projeto inovadoras. Confira a entrevista completa a seguir, acompanhada de um vídeo explicativo sobre o projeto.
Videos
Tejiendo la calle de Marina Fernández Ramos. Image Cortesía de RUA Ediciones
“É preciso saber que o senhor Matías tirou uma sombrinha do local onde você a instalou para levá-la à varanda, porque ele quer sombra na porta”, diz Pepe, um dos moradores de Valverde de la Vera, pequeno concelho da zona rural da Estremadura, apresentado no livro "Tejiendo la Calle". Nesta nova publicação, reúnem-se cerca de dez anos de depoimentos de tecelões e vizinhos que deram origem ao projeto homônimo iniciado por Marina Fernández Ramos em 2013.
Os shoppings centers foram uma grande moda no começo dos anos 80 e 90 e quase todas as grandes capitais do mundo começaram a investir em super complexos climatizados de lojas com praças de alimentação e cinemas.
No Brasil, esse boom dos shoppings como modelo de desenvolvimento ainda perdura nas principais cidades e até no interior do país. O shopping center adquiriu uma importância crucial para o desenvolvimento e a manutenção da lógica do capital. Toda cidade que se “desenvolve” tem um ou mais shoppings em seu tecido urbano.
O estudo das rochas permite o entendimento da formação do nosso território. Seus tipos, os desenhos formados, as camadas, revelam a história. Junto à atmosfera e à hidrosfera, a litosfera é um dos grandes elementos do sistema terrestre, que recebe a biosfera. A camada sólida mais externa dos planetas é constituída por pedras e solos e, quanto às pedras, há diversas formas de classificá-las. A mais comum é separá-las por conta dos seus processos de formação, como ígneas, sedimentares ou metamórficas. Enquanto as rochas sedimentares constituem cerca de 5% da crosta terrestre, os restantes 95% são de rochas ígneas ou metamórficas.
Por conta de sua durabilidade e resistência, juntamente aos seus desenhos variados e cores, as pedras têm sido utilizadas como materiais de construção e revestimento há centenas de anos. Para os pisos, a pedra permanece sendo uma opção nobre e elegante, que além de possuir uma alta inércia térmica e estabilidade estrutural, agrada a muitos por conta da textura agradável ao toque.
Blocos de habitação, Conjunto Habitacional Estadio, BVCH. Imagem via Archivo Histórico Vicente Dagnino, Universidad de Tarapacá
A região do Norte Grande do Chile posicionou-se por mais de três décadas como um importante laboratório moderno e polo de desenvolvimento em escala tanto nacional quanto internacional. Essa dinâmica encarnava a possibilidade de descentralizar tanto o acesso a serviços e infraestrutura quanto a própria gestão do território. Impulsionado pelo auge econômico, promoveu-se também um projeto de modernidade que contemplava desde planos de investimento integral até a gestão e construção de projetos de arquitetura moderna. No entanto, após o golpe de Estado e a consequente militarização da fronteira, os recursos voltaram a se concentrar na capital, Santiago, interrompendo assim o impulso regionalista. Apresentamos, a seguir, algumas das obras híbridas que, condicionadas tanto pelo clima desértico quanto pela influência europeia, responderam ao contexto local marcado por um projeto de modernidade incompleta.
Escola Internacional. Imagem Cortesia de CUBE Consultants
A seleção com curadoria desta semana dos melhores projetos de Arquitetura Não Construída destaca a arquitetura educacional enviada pela comunidade do ArchDaily. De escolas de educação infantil a institutos de ensino superior, este artigo explora como os/as arquitetos/as passaram a priorizar o fomento à criatividade individual, ao pensamento crítico e à exploração, apresentando projetos enviados de todas as partes do mundo.
Apresentando um jardim de infância isolado nas montanhas islandesas, uma creche de cores vibrantes na cidade industrial de Shenzhen e uma escola de ensino médio florentina banhada por luz natural, esta seleção explora como os/as profissionais priorizam o bem-estar e o conforto dos/as estudantes em espaços que promovem produtividade, aprendizado e criatividade. A seleção também inclui escolas de educação infantil, escolas de ensino médio e academias na França, Estados Unidos, Egito, Cazaquistão e Israel.
Fundada no ano de 2017 e nomeada uma das “Empresas Mais Inovadoras do Mundo” em 2020, a ICON está revolucionando a industria da construção civil de cima a baixo, desafiando os limites impostos pelas tecnologias atualmente disponíveis no mercado. Relativamente jovem, a start-up com sede no Texas começou desenvolvendo e construindo projetos de casas impressas em 3D nos Estados Unidos e no México como uma estratégia para enfrentar os desafios impostos pela atual crise habitacional. Simultaneamente, esta frente de ação está sendo explorada como um campo de testes para o desenvolvimento de novos sistemas construtivos que poderiam ser futuramente utilizados em viagens exploratórias fora do planeta Terra. Nesta empreitada, a ICON tem buscado se aproximar de importantes parceiros como o BIG e também a NASA.
Figurando na lista dos 100 líderes emergentes que estão moldando o futuro da humanidade, a Times’ Next 100, Jason Ballard, CEO e cofundador da ICON conversou diretamente com nossos editores do ArchDaily, contando um pouco mais sobre o início da empresa, os desafios impostos pela crise habitacional no planeta e como a ICON tem investido em novas tecnologia de impressão 3D como uma ferramenta para transformar a industria da construção civil no mundo hoje, além é claro, da recente parceira firmada com o escritório de arquitetura de Bjarke Ingels.
Punto X - Rui Cardoso - 2018. Image Cortesía de Huevo de Pato
Este artigo é uma colaboração do Colectivo RE e foi publicado originalmente em 02 de agosto de 2020 na segunda edição do Huevo de pato, uma publicação que tem por objetivo compartilhar pensamentos e experiências como estratégia para a democratização do saber e do fazer.
Há cerca de trinta anos o paisagista francês Patrick Blanc tornou-se pioneiro na implantação de jardins verticais em Paris e posteriormente, em outras cidades pelo mundo. Por meio da criação de estruturas verticais capazes de comportar e nutrir espécies vegetais, o sistema permite que espécies possam crescer e ainda reduzir consideravelmente a temperatura interna de edifícios quando instaladas em suas fachadas, possibilitando expansão de áreas verdes pela inversão de suas áreas, do solo (horizontal) às empenas (vertical).
A prática de Blanc trouxe um conjunto de ações posteriores, reconhecendo os valores dos espaços verdes e sua contribuição às políticas sociais, ambientais e urbanas.
É com grande alegria que compartilho uma data muito importante para mim com todos vocês. Hoje, 3 de agosto de 2021, o ArchDaily México comemora o seu 9º aniversário! Isso mesmo: há nove anos, com muita emoção e grandes expectativas, lançamos a versão local mexicana do ArchDaily, o site de arquitetura mais visitado do mundo. Mantivemos a nossa missão de oferecer inspiração, conhecimento e ferramentas, mas agora com um foco voltado aos/às arquitetos/as do país, que ao longo de todos esses anos tornaram possível continuarmos sendo seu canal de inspiração e conhecimento da arquitetura internacional e mexicana.
Quatro perfis de escritórios de arquitetura emergentes da Suíça, Alemanha e Espanha foram selecionados pela New Generations, uma plataforma europeia que analisa as práticas emergentes mais inovadoras no continente, proporcionando um novo espaço para intercâmbio de conhecimento, debate, teoria e produção. Desde 2013, a New Generations envolveu mais de 500 escritórios em um programa diversificado de atividades culturais, como festivais, exposições, chamadas abertas, entrevistas em vídeo, workshops e formatos experimentais.
Amancio d'Alpoim Miranda Guedes, mais conhecido como Pancho Guedes, foi um arquiteto, pintor, escultor e educador referenciado como um dos primeiros arquitetos pós-modernistas de todo o continente africano. Ao longo de sua carreira, o arquiteto nascido em Lisboa desenvolveu cerca de 500 diferentes projetos, frequentemente referidos como edifícios ecléticos, de influência africana lusófona e de um estilo artístico peculiarmente surrealista e experimental. Talvez pelo fato de que Pancho Guedes tenha escolhido trabalhar e viver em países da África como Moçambique, Angola e África do Sul, longe dos grandes centros de gravidade da arquitetura, sua obra nunca recebeu a devida atenção que fato merece. Ainda assim, Pancho Guedes foi — e ainda está para ser descoberto por muitos de nós — um dos mais importantes personagens da história da arquitetura moderna africana.