A escolha de Lacaton & Vassal para receber o Prêmio Pritzker de 2021 foi, acima de tudo, emblemática. Sob o mantra “nunca demolir, nunca remover ou substituir, sempre adicionar, transformar e reutilizar”, a dupla francesa construiu uma carreira focada em reformar edificações, dotando-as de qualidade espacial, eficiência e novos programas. Sua abordagem contrasta com grande parte das arquiteturas que estamos acostumados a prestigiar: obras icônicas, imponentes e grandiosas. Também, com a noção da tabula rasa, de construir e reconstruir do zero, tão bem representada na Ville Radieuse de Le Corbusier, e que tem fascinado arquitetos e urbanistas desde então.
Seja por conta das demandas de sustentabilidade em voga atualmente, ou simplesmente por já existirem construções o suficiente em muitas partes do mundo, o ofício de reabilitar espaços e edificações tem sido visto como importante motor de mudanças. O foco é, geralmente, centrar os esforços nos espaços interiores, dando especial atenção à qualidade ambiental e ao conforto dos habitantes, além de adequar os usos às demandas contemporâneas. A principal questão gira em torno de que forma atualizar (e até automatizar) os edifícios do passado para se adaptarem às novas necessidades de eficiência, sustentabilidade e bem-estar.
Planejar mobilidade urbana vai além de projetos pontuais, de ciclovias ou reestruturação de vias, (que são extremamente importantes, mas não suficientes). Uma cidade com um bom padrão de mobilidade deve viabilizar que a população realize os deslocamentos necessários para desenvolver suas atividades de forma eficiente, segura e agradável. Mas o planejamento de mobilidade precisa atender às necessidades de toda a diversidade de usuários da cidade.
Ampliar os deslocamentos a pé e por bicicleta é altamente desejável por vários motivos, por questões de saúde (uma população que pratica exercício é mais saudável); por questões econômicas individuais (são mais baratos); mas principalmente por questões ambientais e pela eficiência sob o ponto de vista de uso do espaço. Modos ativos de deslocamento contribuem para a qualidade do espaço urbano (uma região com pedestres e ciclistas é mais viva, mais agradável).
Em 1792, o presidente dos Estados Unidos da época, George Washington, organizou um concurso para projetar a casa presidencial. A proposta do arquiteto James Hoban foi a vencedora, uma mansão neoclássica que hoje conhecemos como Casa Branca, ficando gravada no imaginário coletivo dos Estados Unidos.
Muitas vezes nos deparamos com projetos nos quais precisamos combinar uma série de usos em um só lugar, ou ainda, garantir a integração de espaços, sem comprometer ventilação e iluminação natural. Para este propósito, é interessante pensar em aproveitar cada centímetro do espaço disponível de maneira otimizada e criativa. Reunimos a seguir nove projetos de interiores brasileiros que enfrentam problemas diferentes e chegam em soluções interessantes que dão identidade ao projeto.
Zuccardi Valle de Uco em Mendoza, Argentina, foi eleita pela terceira vez como a melhor vinícola do mundo no ranking World's Best Vineyards. Além do vinho, merece destaque o trabalho na adega realizado pelos arquitetos Tom Hughes, Fernando Raganato e Eugenia Mora. Conheça o projeto a seguir, acompanhado de fotografias do estudio García+Betancourt.
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Maquete da Slow House. Imagem cortesia de Stewart Hicks
Boas-vindas à Slow House, o primeiro projeto encomendado ao escritório Diller and Scofidio (hoje Diller, Scofidio + Renfro) em Long Island, Nova York. O projeto, com sua silhueta em crescente que evoca uma lesma, foi um marco para o escritório — e para a arquitetura em geral — quando revelado em 1990. No entanto, a casa nunca chegou a ser construída, existindo apenas em seu extenso catálogo de maquetes e desenhos. Neste vídeo, a Slow House é reconstruída digitalmente, analisada e explorada para revelar elementos singulares ocultos em seu projeto que só podem ser percebidos por meio de uma experiência em primeira pessoa. De vistas postergadas de "um milhão de dólares" a transmissões de circuito fechado de TV (CCTV) mostrando a água, passando por dezenas de portas e painéis de compensado móveis, a casa é verdadeiramente uma máquina de ver. E agora, você pode vê-la por conta própria.
Praça do Pôr do Sol cercada por tapumes. Foto: Daniel Teixeira / Estadão
Conflitos, disputas e antagonismos são frequentes na dinâmica da vida em sociedade, sendo necessário conciliar diferentes interesses e necessidades da melhor forma possível. Hoje, conflitos urbanos são reduzidos a dois polos. De um lado, aqueles que se opõem a novos projetos, comumente chamados de NIMBYs (acrônimo em inglês “Not In My BackYard”, ou “não no meu quintal”), mas que também podem ser vistos como “defensores do bairro”.
Nesta reedição, o autor Mark Alan Hewitt discute as maquetes e sua relevância. "Para quem teve a sorte de crescer nas décadas de 1950 e 1960, as maquetes eram a grande sensação — e não apenas as do tipo que essa expressão costuma sugerir", afirma ele. Recuperando a trajetória das maquetes realistas dos anos 1970, semelhantes às renderizações virtuais atuais, este ensaio reconstitui a sua história e a dos artistas que as produziram.
https://www.archdaily.com.br/pt/1130703/o-fascinio-e-a-importancia-das-maquetesMark Alan Hewitt
Boston City Hall . Imagem Cortesia de Utile and Reed Hilderbrand
“A demolição é um desperdício em todos os sentidos—um desperdício de energia, de materiais e também da nossa memória coletiva”, disse a arquiteta vencedora do Pritzker Anne Lacaton. Ao longo dos últimos anos, porém, a reciclagem de antigas estruturas e o reuso adaptativo de edifícios obsoletos se tornaram onipresentes no discurso arquitetônico contemporâneo, à medida que os profissionais estão se tornando mais conscientes sobre questões relativas aos resíduos, a exploração de recursos naturais e a pegada de carbono na industria da construção civil. Ainda assim, a prática de renovação e adaptação de estruturas existentes carece de consistência, especialmente quando tratamos de edifícios do pós-guerra. A seguir, procuramos analisar alguns dos muitos desafios e oportunidades dos projetos de renovação e reutilização de edifícios construídos durante a segunda metade do século XX, destacando como algumas destas estratégias podem desempenhar um papel significativo para minimizar o impacto da construção civil no agravamento da crise climática e na busca por construir cidades mais equilibras, ao mesmo tempo em que recupera importantes estruturas e lugares de memória.
Quando olhamos para a arquitetura africana, vemos a diversidade arquitetônica de um continente moldado em sua forma atual, por uma combinação de fatores internos e externos. Ao analisar a arquitetura africana, há também uma tendência de certas regiões terem precedência sobre outras partes do continente. As obras modernistas tropicais de Maxwell Fry e Jane Drew em Gana e na Nigéria, por exemplo, são extremamente bem documentadas. Assim como a arquitetura da era colonial extremamente bem preservada da capital da Eritreia, Asmara. No entanto, parecem haver partes do continente que “escapam do radar” nas conversas sobre arquitetura africana — assim o livro Architectural Guide: Subsaharan Africaé uma adição bem-vinda aos estudos da arquitetura africana.
A JKP Jaeger Kahlen Partner oferece serviços de projeto arquitetônico para clientes globais. Os sócios da empresa, Johannes Jaeger e Peter Jaeger, lideraram em diversas ocasiões o projeto e o gerenciamento de obras de edifícios de renome internacional. A gama de projetos abrange sedes corporativas, escritórios comerciais, complexos de uso misto e residenciais, instalações culturais e renovações de patrimônios históricos. A JKP acredita firmemente que o design e os serviços de excelência geram um valor excepcional para os clientes. Focamos no desenvolvimento de espaços centrados nas pessoas, e nossas obras são reconhecidas por suas fachadas modernistas singulares, tornando-se marcos nas cidades.
Pastilhas, cerâmicas, porcelanatos, azulejos: ao nos referirmos aos revestimentos, muitas são as possibilidades que podemos escolher para dar acabamento, e identidade, aos nossos projetos. Porém, quando nos deparamos com a variedade que existe no mercado fica difícil decidir entre todas as opções. Neste texto iremos explorar a diferença entre os revestimentos frios e dar dicas de como escolher o que melhor se encaixa em seu projeto.
O projeto Paisagens Sensoriais faz parte da Biennale do Giardino Mediterrâneo e está localizado no Parque Botânico Radicepura, na ilha da Sicília, Itália. Entre o vulcão Etna e o Mar Jônico, Ivan Juarez propõe este laboratório de pesquisa e iniciativa educacional que se concentra em sentir a paisagem através da conceituação e descoberta de métodos inovadores. A ideia está centrada na compreensão do meio ambiente através da experiência dos sentidos, razão pela qual ele decidiu homenagear a paisagem criando um jardim caminhável, didático e sensorial que inclui uma coleção de plantas representantes da cultura mediterrânea.
Como reflexo do crescente interesse por tours virtuais diante das condições sanitárias em que nos encontramos, tornou-se cada vez mais comum o acesso a esse tipo de experiência que, embora não seja nova, evolui com rapidez para atender aos entusiastas da arte e da arquitetura. Com isso em mente, foi desenvolvido o projeto "San Lázaro 40 (X) 5 / 40 anos, 5 murais", que busca promover um dos espaços mais emblemáticos projetados pelo arquiteto Pedro Ramírez Vázquez: o Palácio Legislativo de San Lázaro.
Após uma ausência de um ano, a Semana de Design de Milão encerrou mais um ano de criatividade e inovação. De 5 a 10 de setembro, milhares de marcas de design exibiram suas criações para mais de 200 mil visitantes vindos de diferentes países, perfis demográficos e setores. Embora a feira de design tenha se voltado majoritariamente para o universo do design de interiores, diversos/as arquitetos/as de renome, como Bjarke Ingels, Foster + Partners e Herzog & de Meuron, participaram do evento e uniram forças com marcas de design de interiores e de mobiliário para criar peças autorais.
O pequeno vilarejo de Vals, nos Alpes suíços, se encontra em uma das regiões mais pitorescas do país e está localizada a uma altitude de 1.250 metros acima do nível do mar. Além de sua incomparável e exuberante paisagem natural, Vals conta com alguns dos projetos de arquitetura mais excepcionais já construídos na Suíça. Além disso, no coração da vila encontra-se uma diminuta praça central, a qual é cercada por antigas casas construídas com peculiares telhas de quartzito, preservadas ao longo dos séculos – algo que faz de Vals uma das vilas rurais mais autenticas de toda a região. A água, como o recurso natural mais abundante em todo o vale, nutre uma paisagem exuberante e selvagem. Por milhões de anos, a água do degelo e das chuvas torrenciais foi pouco a pouco forjando a topografia do vale até transformá-lo em uma riquíssima fonte de águas termais – a única no Cantão dos Grisões.
Um dos projetos de arquitetura mais famosos de todo o vale são as Termas de Vals, projetadas por ninguém menos que o arquiteto Peter Zumthor. Toda a estrutura do edifício principal foi construída com quartzito local, uma pedra que combina perfeitamente as principais características naturais da região, criando uma experiência singular de tranquilidade e bem-estar. Outra impressionante obra de arquitetura encontrada na região é a Villa Vals, uma casa de final de semana construída inteiramente a partir de materiais locais, belamente integrada à topografia e a paisagem natural do vale.
Se seu objetivo é criar uma floresta dentro de casa, muito provavelmente já se deparou com o problema de não saber onde colocar aquela planta que você acabou de comprar.
As dicas a seguir mostram um jeito de organizar seus vasos para que a falta de espaço não seja mais uma questão.
Como parte de um projeto colaborativo criado por mulheres criativas, surge "Ostras & Burbujas", um evento realizado no último dia 28 de agosto no Cucina, na Cidade do México. O evento foi concebido a partir da proposta de criar um espaço imersivo que jogasse com a percepção visual – contando com o design e controle de iluminação desenvolvidos por Paola Jose, fundadora da SOMBRA, com a tecnologia da Lutron - Ketra –, alterando a atmosfera por meio da luz e agregando uma experiência culinária liderada pela chef Montserrat Garza, que combinou paladar, olfato e tato através de um jantar composto por diversos tempos e harmonizado pelo Cavanegra Natural Wine Club.
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Instalação I Was Born / HAJIME YOSHIDA ARCHITECTURE + YOSHIHIRO MIKAMI. Foto: Cortesia de HAJIME YOSHIDA ARCHITECTURE + YOSHIHIRO MIKAMI
Um espaço é muito mais do que apenas sua imagem. Suas texturas, cheiro e som podem influenciar diretamente na experiência do usuário. É neste sentido que pensar uma arquitetura sensorial pode ser fundamental para que a interação existente entre as pessoas e o ambiente construído seja ainda mais profunda.
Historicamente, a estética e a funcionalidade representam dois dos principais valores relacionadas à arquitetura e ao planejamento urbano—e isso não é diferente quando lidamos com projetos de habitações sociais e acessíveis. Embora os princípios de beleza e utilidade, com a adição do conceito de firmeza, tenham sido utilizados para definir à arquitetura desde Vitrúvio, por outro lado, ao analisarmos a paisagem construída através destas três lentes apenas, acabamos deixando de contemplar uma série de outros importantes aspectos que caracterizam estas duas disciplinas. Frutos desta nossa inaptidão em perceber os diferentes valores que a arquitetura engendra são o preconceito em relação as qualidades (ou da suposta falta delas) estéticas em projetos de habitação social e habitações acessíveis, a estereotipação dos aspectos socioeconômicos que as fazem necessárias e o discurso discriminatório associado as pessoas que se beneficiam destas políticas habitacionais.
A deficiência e a variedade de corpos e pessoas deve ser um assunto estimulante para os arquitetos: trata-se da experiência vivida, da resolução de problemas e do design de um ambiente melhor construído.
Embora o tópico envolva a teoria crítica e as aspirações para a vida coletiva, muitas vezes é visto como um campo que requer o cumprimento de requisitos, ou pior, um assunto delicado repleto de termos desatualizados e hábitos de pensamento antiquados. As rotinas típicas de design nem sempre levam em consideração a variedade de corpos humanos.
Empenhado em criar ambientes para as mais distintas atividades humanas, Armando de Holanda, atuou como arquiteto no Nordeste e, inquieto com as tradições construtivas europeias que se mantinham e se demonstravam inadequadas para a região, criou um conjunto de estratégias que permitem projetar e construir com vista no desempenho da edificação que prioriza o ambiente tropical: a presença da natureza, luz e clima.
Todas as vezes que publicamos um artigo sobre o Hempcrete, ou Concreto de cânhamo, recebemos muitos comentários nas redes sociais, sempre com algum nível de ironia, de o que ocorreria se tudo pegasse fogo? De fato, essa é uma dúvida legítima, já que ainda há muita confusão sobre as diferenças entre a maconha e o cânhamo, ambas provindas da mesma espécie de planta (Cannabis Sativa). Mas enquanto a maconha apresenta efeitos psicoativos por conta do tetra-hidrocanabinol (THC), presente principalmente nas flores da planta, os materiais de construção à base de cânhamo são produzidos a partir do caule da planta moído, contendo doses ínfimas de THC. Portanto, respondendo rapidamente à pergunta do título: não, o edifício não se tornará um imenso baseado no caso de um incêndio. Inclusive, alguns testes têm mostrado que estes materiais apresentam ótimo desempenho ao fogo, dissipando as chamas, mantendo a integridade estrutural e não emitindo fumaça tóxica.
Nenhum edifício está isolado. Envolvendo redes ambientais e culturais, a arquitetura é uma arte inerentemente fundamentada. Assim, limites e restrições impulsionam o processo de projeto, gerando soluções que celebram o mundo como o encontramos. Incorporando essa dinâmica, os projetos de renovação e reutilização adaptativa abrangem problemas desafiadores e condições existentes. Isso é especialmente verdadeiro quando se trabalha com edifícios industriais, locais onde maquinários, manufatura e energia são combinados.