Nas décadas de 1960 e 1970, surgiu uma série de críticas à cidade moderna. A crítica contundente de Jane Jacobs àqueles que pretendiam reestruturar a cidade de Nova York foi a que teve impacto mais imediato, enfraquecendo o domínio de Robert Moses e de seus seguidores, mas outras obras exerceram uma influência mais ampla sobre arquitetos/as e urbanistas atuantes. Como observador das cidades da região da Baía de São Francisco, perguntei-me se os livros desse período poderiam lançar luz sobre as questões atuais do adensamento em contextos urbanos.
https://www.archdaily.com.br/pt/1134534/como-os-criticos-de-outrora-pensavam-a-densidade-urbanaJohn J. Parman
Onde nos formamos como sujeitos da democracia? Onde tomamos consciência do indivíduo e do coletivo? Onde forjamos o caráter para viver juntos? Estas são apenas algumas das questões que a cooperativa de arquitetura Coonvite procura abordar a partir do desenvolvimento desta instalação artística chamada Ágora. Reunindo expressões e opiniões em torno da democracia, Víctor Muñoz foi o responsável pela curadoria do projeto, que está em exposição até 31 de julho no Centro de Artes da Biblioteca EAFIT em Medellín, Colômbia.
O quadriculado do xadrez é um clássico que vai muito além de estampas da moda. Presente na arquitetura há séculos, arquitetos e designers optam pelo seu ritmo como uma alternativa para enaltecer a composição dos espaços através de sua marcação em piso ou paredes, mas também em elementos de decoração como tapetes e almofadas.
De maneira geral, para garantir a circulação universal das pessoas, as calçadas devem apresentar superfície regular, contínua, firme, antiderrapante e sem mudanças de níveis ou inclinações. Na prática, sabemos que é raro encontrar calçadas que atendam a esses parâmetros de qualidade. De todos os elementos que compõem uma calçada, a exploração dos recursos de pisos e o enfrentamento da topografia são fundamentais para garantir qualidade no desenho urbano.
No quesito de aprimoramento arquitetônico, os vitrais são frequentemente reunidos para produzir representações de arte decorativa, permitindo que a luz filtre e penetre em uma estrutura ou edifício específico. Como componente, é ao mesmo tempo, decorativo e funcional, uma vez que permite a entrada de uma quantidade substancial de luz em um espaço, para efeito atmosférico e benéfico.
La época dorada de la Glorieta de insurgentes. El Universal. Image Cortesía de coolhuntermx
No cruzamento de duas das avenidas mais importantes do centro da CDMX, encontra-se a Glorieta de los Insurgentes. Este nó cultural, social e urbano localiza-se entre as avenidas Chapultepec e Insurgentes, facilitando o acesso às ruas Oaxaca, Jalapa e Génova. Esta importante praça pública, que conecta o bairro Roma Norte ao Juárez, tornou-se o principal ponto de encontro da comunidade LGBTIQ+ que visita a Zona Rosa.
https://www.archdaily.com.br/pt/1134682/a-glorieta-de-los-insurgentes-na-cidade-do-mexico-um-espaco-lgbtiq-plusBob J. Barraza
De tempos em tempos, há pessoas que propõem transporte público gratuito. Os apoiadores têm uma variedade de motivos, incluindo uma tentativa de comparar com carros, socialismo ideológico, externalidades positivas e a eficiência de se livrar da cobrança de tarifas.
https://www.archdaily.com.br/pt/984731/os-custos-do-transporte-publico-gratuitoAlon Levy
Não são poucas as histórias de ficção que nos fazem sonhar com a automatização em nossas vidas. Robôs e geringonças cheias de luzes e botões prometem facilitar e transformar nossas rotinas, além de influenciarem a estética com uma linguagem futurista. Na realidade, além de replicar essa estética na arquitetura, hoje em dia nos deparamos com tecnologias de inteligência artificial que avançaram o suficiente para serem incorporadas aos projetos de arquitetura mais simples, como as residências unifamiliares.
O design biofílico é capaz de melhorar o bem-estar dos usuários de um espaço a partir da reconexão com a natureza. Quando essa prática é colocada em escritórios e ateliês, essa propriedade se traduz em muitos benefícios. Afinal, além das qualidades emocionais que a vegetação pode trazer, ela tem a capacidade de filtrar ruídos, iluminação e permitir um clima mais ameno, resultando na produtividade da equipe e em serviços mais otimizados.
A arquitetura sempre desempenhou um papel fundamental em exposições. Museus, exibições e mostras não são apenas ofertas culturais, mas são definidos pelo espaço, por um itinerário expositivo capaz de surpreender e fascinar o/a visitante, que é atraído/a para uma experiência ativa e inspiradora.
Para uma exposição, a arquitetura é tão fundamental quanto as obras de arte, coleções, artefatos e seus conteúdos. O curso “Architecture for Exhibition” foi criado sob essas premissas: seu objetivo é capacitar profissionais de design que sejam capazes de materializar diversas experiências artísticas e museológicas, potencializando a narrativa dinâmica por trás de cada proposta cultural. Os/as estudantes adquirirão novas habilidades em expografia e ingressarão em um ambiente altamente prestigioso — a cultura —, que hoje registra uma demanda crescente por parte dos clientes mais críticos e exclusivos.
A região que conhecemos hoje como a Zona Metropolitana do Vale do México (ZMVM) tem tido uma ocupação contínua e dinâmica há mais de 4.000 anos. Evidências arqueológicas e antropológicas revelam a presença de sociedades humanas complexas nas margens da bacia, começando com Tlatilco e Cuicuilco no período pré-clássico mesoamericano, passando por Teotihuacan no período clássico, e culminando com os diferentes centros urbanos da afiliação Nahua no período pós-clássico, com destaque as cidades do México de Tenochtitlan-Tlatelolco, assim como Texcoco, Azacapotzalco, Iztapalapa e Chalco, entre muitas outras.
https://www.archdaily.com.br/pt/983213/a-estetizacao-da-desigualdade-paisagens-contrastantes-na-periferia-da-cidade-do-mexicoMónica Arellano y León Villegas
Desde o higienismo no início do século 20 ao macroplanejamento da urbanização nos anos 1970, o modelo de urbe visava à abertura de largas avenidas, que faziam a articulação entre bairros (centro e extensão) através dos transportes motorizados: a cidade sobre pneus. Este modelo de urbanização norte-americano, seguido pelas cidades brasileiras, privilegia a verticalização das edificações e os transportes individuais em detrimento dos transportes coletivos.
Muitos concordam com Roman Mars, do 99% Invisible, quando ele diz que "tendemos a não notar as coisas bem desenhadas" — mas muitos também concordam que o design costuma ser considerado algo para poucos. Por isso, devemos nos perguntar o que é verdadeiramente democrático na questão do design — e, a partir daí, podemos ajudar a definir e a contribuir com nossa visão para uma sociedade mais justa.
Sob a perspectiva do design e da arquitetura, podemos analisar a democratização do design sob diferentes ângulos: debatendo desde como incluir soluções para as necessidades cotidianas até como projetar de maneira inclusiva. Na base de tudo isso está a busca por respostas para melhorar a acessibilidade e a habitabilidade em nossas vidas.
Afinal, é possível que o design seja para todas as pessoas? E, se for assim, como alcançamos isso? Perguntamos a vocês, nossos leitores e leitoras, por meio de uma chamada aberta, e, após ler uma quantidade imensa de comentários recebidos, tanto de profissionais da construção civil quanto de estudantes e pessoas interessadas em arquitetura, foi uma surpresa encontrar pontos em comum: não apenas todos nós vivenciamos o design de forma direta ou indireta, mas também precisamos dele para romper estereótipos e paradigmas. Leia alguns dos comentários a seguir.
“No local escolhido para a construção estava plantada uma das casas antigas de BH, que seria grato preservar do esquecimento. Engenhosos, Penna e sua equipe inseriram no conjunto o arco de entrada da velha construção. Criaram assim um elo visível entre o passado e o tempo presente. [...] O excelente trabalho dá à gente a alegria de sentir que nem tudo está perdido em Belo Horizonte. Os moços apontam o caminho”. Em 1982, quase no fim da sua vida, Carlos Drummond de Andrade escreve essa crônica para o Jornal do Brasil, o projeto em questão diz respeito à Sede da Casa do Jornalista de Belo Horizonte, escolhido por meio de concurso que teve como Gustavo Penna o grande vencedor.
Durante a pandemia, em um momento em que muitos dos padrões aceitos de vida na cidade foram alterados, bairros e comunidades ao redor do mundo estão começando a considerar a possibilidade de não voltar a ser como eram.
Várias pessoas precisaram vender seus carros por ficarem mais tempo em casa e isso teve uma consequência nas ocupação das vagas de estacionamento. Ao mesmo tempo, atividades ao ar livre foram estimuladas e até comer e fazer compras no meio da rua com ventilação natural se tornou mais saudável para diminuir os índices de contaminação.
Render de casas acessíveis criadas com resíduos de plástico. Imagem cortesia de Othalo
Muitas pessoas pelo mundo concordam que estamos passando por uma emergência climática. O relatório do IPCC, divulgado no ano passado, dificulta a leitura. Os profissionais do ambiente construído passaram a direcionar as ações climáticas, com organizações como ACAN e Architects Declare promovendo o ensino sobre o carbono e pedindo aos designers que reavaliassem sua prática.
Em 1870, o tempo médio de trabalho semanal nos EUA era de 57 horas, em 2000, já tinha caído para 39 horas, redução de 32%. A França passou de 66 para 34 horas, redução de quase 50%. No mundo, a redução da jornada de trabalho foi em média de 64 para 36 horas, mostrando que a evolução tecnológica pode ter contribuído para a redução do tempo dedicado às atividades laborais.
A crise habitacional dos Estados Unidos não é um problema recente. Mas relatos recentes de hedge funds privados comprando casas isoladas e geminadas, podem deixar uma situação difícil ainda pior. Quando os hedge funds compram essas propriedades, essas casas provavelmente não voltarão ao mercado imobiliário. Elas desaparecem por agora e, provavelmente, para sempre.
https://www.archdaily.com.br/pt/983300/como-o-capital-privado-torna-a-crise-imobiliaria-ainda-piorR. John Anderson
A pandemia da Covid-19 levou muitas cidades a acelerar a implementação de ciclovias pop-up ou temporárias para facilitar viagens seguras durante os períodos mais críticos da crise sanitária. Muitas dessas ciclovias foram inovadoras em seus contextos – vide o caso de Buenos Aires, que implementou, pela primeira vez, ciclovias em grandes avenidas, oferecendo conexões mais diretas para quem pedala.
https://www.archdaily.com.br/pt/983552/5-licoes-latino-americanas-para-a-implementacao-de-infraestruturas-para-a-bicicletaSonia Aguilar, Arie Gurts Novoa , Adriana Jakovcevic, Jessica Kisner Giraldo, Surya Salgado, Paula Santos e Juliana Vega
Quando as cidades crescem, com suas populações em expansão, a habitação torna-se um componente essencial do caráter urbano das metrópoles. Experimentos habitacionais têm sido espalhados por governos em todo o mundo, com diferentes resultados e, sem dúvida, opiniões divergentes. Os conjuntos habitacionais da era soviética da Europa central e oriental são particularmente interessantes a esse respeito.Esses projetos de habitação em massa foram descartados e vistos como gigantes monstruosidades. O legado deles é mais complicado do que isso.
A caminhada pode ajudar a prevenir e amenizar sintomas de doenças. É uma atividade física de graça e que pode ser feita em qualquer local. Para alguns, é um meio de transporte para se deslocar ao longo do dia. Para outros, um passatempo para explorar um bairro desconhecido no fim de semana. Mas, para que seja uma atividade prazerosa, é preciso estímulo dos governantes: é o que busca a “Cartilha orientativa de desenho urbano para melhoria da caminhabilidade da população idosa”, nova publicação da USP.
À medida que a humanidade toma consciência do seu impacto no meio ambiente, também tem buscado formas para reverter alguns dos malefícios causados à fauna e à flora, sobretudo nas cidades. Nosso padrão de vida, de consumo e de construção tem causado danos severos à natureza. De fato, segundo um estudo no Weizmann Institute of Science, estamos em um ponto de inflexão onde a massa de todos os materiais fabricados pelo homem é igual à biomassa do planeta, e isso deve dobrar até 2040. Mas não necessariamente tudo o que construímos deve ter um impacto negativo. O projeto "The Tidal Dout" é um exemplo, parte de um projeto de revitalização abrangente em Kuk Po Village em Sha Tau Kok em Hong Kong, e que consegue reunir duas ecologias diferentes, o ambiente antropocêntrico e o natural.
Como motores da economia e da produção, as cidades abrigam as maiores massas populacionais e estima-se que, até o ano de 2050, concentrarão 70% da população mundial. Nesse contexto, arquitetos e arquitetas incorporam dia após dia a articulação de usos mistos em suas edificações, buscando favorecer la diversificação e evitar a monofuncionalização.
A Escola da Cidade, por meio do evento XVI Seminário Internacional – Cidades em debate: olhares e práticas contemporâneas, recebeu a arquiteta Ana Falú para discutir a importância de interseccionar temas complexos que trazem luz sobre as desigualdades e permitam falar do feminismo plural. Na conferência, a arquiteta e ativista social argentina propõe apresentar investigações feministas que tratem de projeto e de políticas urbanas a partir das perspectivas de gênero, em especial na América Latina.