Desde o higienismo no início do século 20 ao macroplanejamento da urbanização nos anos 1970, o modelo de urbe visava à abertura de largas avenidas, que faziam a articulação entre bairros (centro e extensão) através dos transportes motorizados: a cidade sobre pneus. Este modelo de urbanização norte-americano, seguido pelas cidades brasileiras, privilegia a verticalização das edificações e os transportes individuais em detrimento dos transportes coletivos.
Muitos concordam com Roman Mars, do 99% Invisible, quando ele diz que "tendemos a não notar as coisas bem desenhadas" — mas muitos também concordam que o design costuma ser considerado algo para poucos. Por isso, devemos nos perguntar o que é verdadeiramente democrático na questão do design — e, a partir daí, podemos ajudar a definir e a contribuir com nossa visão para uma sociedade mais justa.
Sob a perspectiva do design e da arquitetura, podemos analisar a democratização do design sob diferentes ângulos: debatendo desde como incluir soluções para as necessidades cotidianas até como projetar de maneira inclusiva. Na base de tudo isso está a busca por respostas para melhorar a acessibilidade e a habitabilidade em nossas vidas.
Afinal, é possível que o design seja para todas as pessoas? E, se for assim, como alcançamos isso? Perguntamos a vocês, nossos leitores e leitoras, por meio de uma chamada aberta, e, após ler uma quantidade imensa de comentários recebidos, tanto de profissionais da construção civil quanto de estudantes e pessoas interessadas em arquitetura, foi uma surpresa encontrar pontos em comum: não apenas todos nós vivenciamos o design de forma direta ou indireta, mas também precisamos dele para romper estereótipos e paradigmas. Leia alguns dos comentários a seguir.
“No local escolhido para a construção estava plantada uma das casas antigas de BH, que seria grato preservar do esquecimento. Engenhosos, Penna e sua equipe inseriram no conjunto o arco de entrada da velha construção. Criaram assim um elo visível entre o passado e o tempo presente. [...] O excelente trabalho dá à gente a alegria de sentir que nem tudo está perdido em Belo Horizonte. Os moços apontam o caminho”. Em 1982, quase no fim da sua vida, Carlos Drummond de Andrade escreve essa crônica para o Jornal do Brasil, o projeto em questão diz respeito à Sede da Casa do Jornalista de Belo Horizonte, escolhido por meio de concurso que teve como Gustavo Penna o grande vencedor.
Durante a pandemia, em um momento em que muitos dos padrões aceitos de vida na cidade foram alterados, bairros e comunidades ao redor do mundo estão começando a considerar a possibilidade de não voltar a ser como eram.
Várias pessoas precisaram vender seus carros por ficarem mais tempo em casa e isso teve uma consequência nas ocupação das vagas de estacionamento. Ao mesmo tempo, atividades ao ar livre foram estimuladas e até comer e fazer compras no meio da rua com ventilação natural se tornou mais saudável para diminuir os índices de contaminação.
Render de casas acessíveis criadas com resíduos de plástico. Imagem cortesia de Othalo
Muitas pessoas pelo mundo concordam que estamos passando por uma emergência climática. O relatório do IPCC, divulgado no ano passado, dificulta a leitura. Os profissionais do ambiente construído passaram a direcionar as ações climáticas, com organizações como ACAN e Architects Declare promovendo o ensino sobre o carbono e pedindo aos designers que reavaliassem sua prática.
Em 1870, o tempo médio de trabalho semanal nos EUA era de 57 horas, em 2000, já tinha caído para 39 horas, redução de 32%. A França passou de 66 para 34 horas, redução de quase 50%. No mundo, a redução da jornada de trabalho foi em média de 64 para 36 horas, mostrando que a evolução tecnológica pode ter contribuído para a redução do tempo dedicado às atividades laborais.
A crise habitacional dos Estados Unidos não é um problema recente. Mas relatos recentes de hedge funds privados comprando casas isoladas e geminadas, podem deixar uma situação difícil ainda pior. Quando os hedge funds compram essas propriedades, essas casas provavelmente não voltarão ao mercado imobiliário. Elas desaparecem por agora e, provavelmente, para sempre.
https://www.archdaily.com.br/pt/983300/como-o-capital-privado-torna-a-crise-imobiliaria-ainda-piorR. John Anderson
A pandemia da Covid-19 levou muitas cidades a acelerar a implementação de ciclovias pop-up ou temporárias para facilitar viagens seguras durante os períodos mais críticos da crise sanitária. Muitas dessas ciclovias foram inovadoras em seus contextos – vide o caso de Buenos Aires, que implementou, pela primeira vez, ciclovias em grandes avenidas, oferecendo conexões mais diretas para quem pedala.
https://www.archdaily.com.br/pt/983552/5-licoes-latino-americanas-para-a-implementacao-de-infraestruturas-para-a-bicicletaSonia Aguilar, Arie Gurts Novoa , Adriana Jakovcevic, Jessica Kisner Giraldo, Surya Salgado, Paula Santos e Juliana Vega
Quando as cidades crescem, com suas populações em expansão, a habitação torna-se um componente essencial do caráter urbano das metrópoles. Experimentos habitacionais têm sido espalhados por governos em todo o mundo, com diferentes resultados e, sem dúvida, opiniões divergentes. Os conjuntos habitacionais da era soviética da Europa central e oriental são particularmente interessantes a esse respeito.Esses projetos de habitação em massa foram descartados e vistos como gigantes monstruosidades. O legado deles é mais complicado do que isso.
A caminhada pode ajudar a prevenir e amenizar sintomas de doenças. É uma atividade física de graça e que pode ser feita em qualquer local. Para alguns, é um meio de transporte para se deslocar ao longo do dia. Para outros, um passatempo para explorar um bairro desconhecido no fim de semana. Mas, para que seja uma atividade prazerosa, é preciso estímulo dos governantes: é o que busca a “Cartilha orientativa de desenho urbano para melhoria da caminhabilidade da população idosa”, nova publicação da USP.
À medida que a humanidade toma consciência do seu impacto no meio ambiente, também tem buscado formas para reverter alguns dos malefícios causados à fauna e à flora, sobretudo nas cidades. Nosso padrão de vida, de consumo e de construção tem causado danos severos à natureza. De fato, segundo um estudo no Weizmann Institute of Science, estamos em um ponto de inflexão onde a massa de todos os materiais fabricados pelo homem é igual à biomassa do planeta, e isso deve dobrar até 2040. Mas não necessariamente tudo o que construímos deve ter um impacto negativo. O projeto "The Tidal Dout" é um exemplo, parte de um projeto de revitalização abrangente em Kuk Po Village em Sha Tau Kok em Hong Kong, e que consegue reunir duas ecologias diferentes, o ambiente antropocêntrico e o natural.
Como motores da economia e da produção, as cidades abrigam as maiores massas populacionais e estima-se que, até o ano de 2050, concentrarão 70% da população mundial. Nesse contexto, arquitetos e arquitetas incorporam dia após dia a articulação de usos mistos em suas edificações, buscando favorecer la diversificação e evitar a monofuncionalização.
A Escola da Cidade, por meio do evento XVI Seminário Internacional – Cidades em debate: olhares e práticas contemporâneas, recebeu a arquiteta Ana Falú para discutir a importância de interseccionar temas complexos que trazem luz sobre as desigualdades e permitam falar do feminismo plural. Na conferência, a arquiteta e ativista social argentina propõe apresentar investigações feministas que tratem de projeto e de políticas urbanas a partir das perspectivas de gênero, em especial na América Latina.
A arquitetura dos edifícios governamentais está há muito tempo relacionada aos ideais compartilhados pela sociedade que ele representa. Os parlamentos, em especial, são construídos para refletir os objetivos de sua região e representar grupos da comunidade local. Isso resulta em características de projeto singulares, quando se trata de órgãos legislativos. De modo geral, parlamentos incluem vários tipos de assembleias deliberativas, consultivas e judiciais. Ao analisar novos projetos de edifícios governamentais, nota-se que os parlamentos estão se adaptando para refletir a vida contemporânea.
Ambientes saudáveis e visualmente atraentes se tornaram alvo de um interesse renovado quando se trata de projetar casas e espaços residenciais, especialmente no contexto global atual. Um modo de alcançar isso é por meio de um cuidadoso projeto paisagístico que complemente a arquitetura. A arte do paisagismo é o arranjo de elementos da natureza combinados com elementos arquitetônicos, como estruturas externas e pavimentação, a fim de criar soluções específicas que melhorem a qualidade dos espaços.
1. Casa de Estudios para Artistas / Antonio Bonet. 2. Terrace Palace / Antonio Bonet, Roberto Luna, Raúl Fernández e Alejandro Zamudio. 3. La Obra Urbana de Togo Díaz / José Ignacio Díaz. 4. Colegio Manuel Belgrano / Bidinost+Chute+Gasó+Lapacó+Meyer. 5. Biblioteca Nacional Mariano Moreno / Testa, Bullrich e Cazzaniga. 6. Facultad de Arquitectura de Mendoza / Enrico Tedeschi. Imagem
No território sul-americano, foram estabelecidas diferentes datas para homenagear e celebrar a trajetória, vida e obra dos profissionais da arquitetura. Enquanto no Uruguai a data é celebrada a cada 27 de novembro, em referência à criação da primeira Faculdade de Arquitetura; no Brasil, em 15 de dezembro, em homenagem ao nascimento de Oscar Niemeyer; e no Chile, em 4 de agosto, devido à fundação do Colégio de Arquitetos; a Federação Argentina de Entidades de Arquitetos (FADEA) manteve o dia 1° de julho para comemorar o Dia do/a Arquiteto/a Argentino/a, respeitando a instituição do Dia Internacional da Arquitetura, estabelecido pela União Internacional de Arquitetos (UIA) em 1985.
A natureza é muitas vezes utilizada como fonte inspiradora para a arquitetura. Seja a partir de suas formas, a extração e utilização de seus materiais, ou até a incorporação de processos físicos e químicos nas tecnologias empregadas, é sempre relevante procurar relações entre o meio construído e o meio natural. Dos muitos ecossistemas presentes no planeta Terra, os oceanos representam a maior parte da superfície e guardam em si histórias, místicas, símbolos e formas que podem ser referenciadas na arquitetura.
Apesar da fauna e flora abundantes, muitas vezes a arquitetura brasileira resiste em encontrar estratégias para integrar a casa ao meio natural, seja ela dentro do centro urbano, seja ela emaranhada nos diversos biomas brasileiros. Selecionamos 16 casas brasileiras que integram a habitação com a natureza em diferentes cenários, a partir de diferentes abordagens.
Municípios diversificados, intensos e com combinações de usos possuem as sementes de sua própria regeneração, com energia de sobra para solucionar os problemas e as necessidades que apareçam, defende a jornalista, escritora e ativista Jane Jacobs em seu livro “Morte e vida de grandes cidades”. Lançada em 1961, a obra é uma referência até hoje para planejadores urbanos que desenvolvem cidades para pessoas, com vias seguras, vibrantes e que incentivam a circulação de seus moradores em diferentes horários e para a realização de variadas atividades. A partir da análise de localidades dos Estados Unidos, a autora afirma que a melhor maneira de desenhar ou reurbanizar os municípios é olhando para os indivíduos e como eles se movimentam pelas ruas e as utilizam — e não partindo de visões idealistas.
https://www.archdaily.com.br/pt/982800/como-as-fronteiras-desertas-levam-as-cidades-a-decadenciaSomos Cidade
Profissionais que trabalham com impressão profissional de grande formato necessitam de soluções e equipamentos que facilitem o trabalho diário e entreguem impressões com a mais alta qualidade. Para obter esses resultados, as plataformas de impressão híbridas podem ser excelentes soluções. Nesse sentido, as impressoras HP Latex Série R entregam alta qualidade de imagem em uma ampla gama de materiais rígidos e flexíveis, com maior produtividade e eficiência no uso de insumos.
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De papel relevante na composição espacial, as escadas podem gerar dinamismo no espaço e trazer o movimento do corpo para a arquitetura. Em alguns projetos, elas ganham um destaque ainda maior ao serem acompanhadas por um desenho paisagístico, que traz o verde para os interiores e transforma o modo como percebemos o espaço ao mesmo tempo que brinda diversas vantagens para o usuário.
O projeto “Moray, o território perdido – Experimentando Muyus” foi realizado no âmbito da AAVS Nanoturismo, um programa experimental de ensino, pesquisa e desenvolvimento promovido pela AA Visiting School da Architectural Association, School of Architecture de Londres, Reino Unido. A iniciativa foi desenvolvida por uma equipe multidisciplinar em 2019 em Maras, Cusco, Peru.
O nanoturismo reconsidera o turismo tradicional e o direciona para uma perspectiva crítica, criativa e local. Por essa razão, a metodologia de pesquisa utilizada foi o método PAR (Pesquisa-Ação Participativa), que, por meio da participação, ação e pesquisa, permitiu identificar aspectos fundamentais “escondidos” dentro do contexto determinado.
Este artigo foi publicado originalmente no La Joven Cuba em 28 de junho de 2022.
Há algumas semanas visitei o terraço mirante do hotel Paseo del Prado e me extasiei com tanta beleza durante o entardecer. À frente, a entrada da baía e o Castelo dos Três Reis do Morro; girando para a esquerda, a silhueta do Malecón; virando para a direita, o Paseo del Prado, com o imenso Capitólio coroando a perspectiva. Poucas cidades no mundo possuem tanta beleza arquitetônica e paisagística, tanta história e monumentalidade.
No entanto, ao olhar para trás, o que percebi não era motivo de orgulho. Embora ainda mantivesse certa beleza, era uma vista triste e cinzenta: a grande massa desbotada e deteriorada de toda a cidade por trás das fachadas do Prado e do Malecón.