Como ocorreu em ocasiões anteriores, o Ministério das Culturas, Artes e Patrimônio do Chile organizou a montagem de Testimonial Spaces, o mais recente pavilhão nacional apresentado na Bienal de Veneza 2021, no hall do Museu de Arte Contemporânea do Parque Forestal (Santiago) para que possa ser visitado pelo público local.
Embora a chamada que o ministério costuma realizar para a convocatória de cada edição da bienal seja focada no projeto de um pavilhão, o edital especifica que o/a curador/a selecionado/a será responsável pela elaboração de um conceito curatorial e de uma proposta arquitetônica. Certamente, no contexto contemporâneo, a noção de pavilhão é uma categoria amplamente maleável, razão pela qual não deixa de ser interessante essa diferença estabelecida nas próprias bases da convocatória: embora seja evidente que o conceito curatorial deva estar associado a alguma instância arquitetônica relevante, ele não é, necessariamente por si só, uma proposta arquitetônica.
Como motores da economia e da produção, as cidades abrigam as maiores massas populacionais e estima-se que, até o ano de 2050, concentrarão 70% da população mundial. Nesse contexto, arquitetos e arquitetas incorporam dia após dia a articulação de usos mistos em suas edificações, buscando favorecer la diversificação e evitar a monofuncionalização.
CHINAS CHINAS é um projeto de pesquisa realizado por FLORA. Consiste em um percurso pela cidade de Buenos Aires, Argentina, a partir da análise tipológica de supermercados chineses. Tem o objetivo de reconhecer e explorar os modos de apropriação e as microescalas domésticas que neles ocorrem, evidenciando que a arquitetura da cidade é moldada a partir das banalidades cotidianas. É assim que a arquitetura ganha sentido quando as condições de vida são dadas pelas próprias pessoas. Habitar (para além do funcional) tem a ver com isso.
Há um futuro para as nossas cidades se não adotarmos um modo de vida sustentável? Há algum tempo, a sustentabilidade urbana vem sendo abordada mais sob a perspectiva das mudanças climáticas do que a partir de uma visão holística que incorpore a sociedade e a maneira como vivemos em comunidade.
Que novas formas de viver estamos experimentando com as diferentes transformações sociais, econômicas e ecológicas? Certamente precisamos colocar em pauta os diversos casos de referência que têm surgido em diferentes partes do mundo e compreender as últimas tendências sobre a maneira como vivenciamos nossas cidades.
Cortesía de Nómena y Cuatro Cero Cuatro Arquitectura
O poder da representação visual na arquitetura permite fomentar o debate e a reflexão sobre diversos temas de discussão. “Imaginários urbanos” é uma iniciativa coletiva da Nómena arquitectura e da Cuatro Cero Cuatro Arquitectura que, por meio de diversas imagens sugestivas, propõe conscientizar e impulsionar uma mudança no desenho das ruas de Lima.
Durante a última década, testemunhamos como a profissão tem se diversificado para atuar em diferentes frentes — seja por curiosidade, mas principalmente devido a fatores econômicos atrelados às crises financeiras e ambientais que nos assolaram nos últimos anos. Acredito que um dos grandes mitos cultivados nas faculdades de arquitetura seja pensar que, ao se formar, toda essa geração se dedicará a construir grandes edifícios. A realidade, porém, é bem diferente: ao longo dos anos, é muito comum que, de acordo com os interesses específicos de cada pessoa, as oportunidades se diversifiquem, integrando-as a outras áreas que compõem a arquitetura de forma integral.
O dia 3 de maio é uma festividade que tem como origem a Invenção da Santa Cruz, Cruz de Maio ou também Festa das Cruzes, que remonta ao rito romano para celebrar o culto à Cruz de Cristo. Essa comemoração evoluiu ao longo do tempo, sendo adotada em cidades do México, Chile, Espanha, Equador, El Salvador, Guatemala, Paraguai, Peru, Trinidad e Tobago, Argentina, Colômbia e Venezuela, onde parte da celebração consiste em decorar com flores, realizar procissões e danças.
Uma das características mais importantes das cidades é a sua inegável capacidade de reunir o talento criativo por meio da multiculturalidade e da transdisciplinaridade. Hoje em dia, torna-se cada vez mais importante gerar espaços e plataformas dentro desses ambientes urbanos que funcionem como laboratórios criativos para compartilhar e, sobretudo, refletir sobre o que está sendo produzido atualmente — não apenas no âmbito do design como um elemento descontextualizado, mas sim como um conceito integral que conjuga diversas disciplinas. Esse pensamento está latente em algumas das cidades mais influentes do mundo, como é o caso da Cidade do México, um dos territórios mais efervescentes e empolgantes da atualidade no que diz respeito ao design, à arquitetura e à gastronomia no cenário global. Na primavera deste ano, como parte de uma iniciativa do SPACE10 — laboratório de design e pesquisa independente da IKEA — para concentrar a energia, a diversidade e o talento criativo, de 26 de março a 9 de abril realizou-se um pop-up na Cidade do México. O evento reuniu cerca de 45 palestrantes em debates, oficinas e exposições que desencadearam diversas reflexões sobre o que constitui o bom design na atualidade. Ao longo de 14 dias dedicados a explorar o tema "Beyond Human-Centered Design" (Para além do design centrado no ser humano), diferentes agentes locais se reuniram para propor soluções criativas que colaborem para a construção de um futuro melhor para o planeta e para os seres humanos. A programação de eventos ocorreu no LOOT, um espaço de galeria localizado no bairro de Roma Norte que ofereceu um percurso estimulante. O local funcionou como uma vitrine temporária para exibir o trabalho de profissionais do design, da tecnologia, das artes, da arquitetura, da academia, do empreendedorismo e do ativismo em painéis diários e palestras magnas, integrados a um programa de exposições, oficinas e experiências gastronômicas imersivas. Dirigido por Kevin Curran, o espaço foi projetado em colaboração com o estúdio criativo multidisciplinar Niños Heroes. Para oferecer maior flexibilidade e fluidez espacial, foram fabricadas mesas curvas modulares inspiradas nos clássicos trilhos de trem de brinquedo de madeira, que desenham linhas práticas tanto para grandes oficinas quanto para jantares intimistas. Nessa plataforma colaborativa, explorou-se como o design e a tecnologia podem ser uma força poderosa para criar uma vida cotidiana melhor tanto para as pessoas quanto para o planeta. Paralelamente, foi apresentado o SPACE10 Radio, um programa de rádio de 10 episódios que reúne as conversas dos diferentes painéis realizados durante o evento, já disponíveis no site do SPACE10, no Apple Podcasts e no Spotify. Para mais informações, acesse SPACE10.
Trata-se de uma instalação móvel que adquire a capacidade de adaptação a fim de alcançar o parasitismo estrutural, fazendo-nos refletir sobre como ocupar os lugares inertes e ocultos que fazem parte das cidades.
O coletivo artístico de trajetória internacional _marina_morón (formado pelo Doutor em História Jesús Marina e pela Doutora Arquiteta Elena Morón) inaugurou seu último trabalho no Pabellón de Mixtos de La Ciudadela, na cidade de Pamplona. A mostra é patrocinada pelo Colégio de Arquitetos Vasco-Navarro e pela Prefeitura de Pamplona, e permanecerá aberta ao público até 15 de março de 2022.
Palacio de Puruchuco. Image Cortesía de Norma León Lescano
O Peru é um país que conta com um extenso, rico e transcendente patrimônio arqueológico. Lamentavelmente, o passar dos anos trouxe consigo uma acentuada deterioração. Os autores Norma León Lescano, Yann Barnet e Alvaro Racchumi expõem, por meio de seu artigo “Captura de datos 3D para virtualizar el patrimonio cultural”, o método que utilizaram para obter em três dimensões uma réplica do Palácio de Puruchuco. Desse modo, busca-se fornecer as informações necessárias que sirvam de guia para promover o processo de virtualização do maravilhoso patrimônio cultural, proporcionando maior alcance, valorização e conservação do mesmo.
As obras arquitetônicas de todo o mundo são a principal inspiração de Erika Moreno, criadora do HUAJJE, um projeto de ilustração digital. O projeto nasceu em 2019, um ano após Erika concluir sua graduação em arquitetura em Tijuana. “O projeto nasceu de forma acidental; o único objetivo de fazer esses desenhos era aprender a usar mais ferramentas do Photoshop, era um desafio pessoal”. Com o objetivo de documentar seu processo, ela decidiu abrir uma conta no Instagram, onde se formou uma comunidade bastante orgânica que compartilha e apoia seu trabalho. Isso a encorajou a superar seus medos e, inclusive, a ministrar oficinas sobre o tema em diferentes formatos.
Cada vez mais disciplinas se preocupam com o direito à moradia. Seja no campo da arquitetura, do direito, da economia, do urbanismo, da geografia ou da ciência política, diferentes pessoas buscam identificar os obstáculos para sua efetivação, sobretudo em ambientes urbanos cada vez mais hostis. No entanto, embora todos falemos sobre o direito à moradia, não estamos falando da mesma coisa.
A designer de interiores e artista mexicana, Olga Hanono, foi convidada a apresentar sua mais recente exposição, DREAMVILLE, na La Biennale di Venezia Modigliani Opera Vision, de 1º de maio a 31 de julho de 2022. A coleção é inspirada na capacidade humana de sonhar, refletindo sobre os objetos imaginários que poderiam existir em um espaço onírico, juntamente com a variedade de cores e formas encontradas em estrelas, planetas e galáxias distantes. Hanono criou peças de arte e mobiliário utilizando materiais luxuosos não convencionais.
Tanto arquitetos/as e designers quanto psicólogos/as e sociólogos/as reconhecem que a estética e sua filosofia subjacente têm o poder de mudar a forma como percebemos o mundo ao nosso redor. Portanto, uma compreensão mais profunda do que é belo tem, consequentemente, o grande poder de mudar as respostas das pessoas ao seu entorno. Explorar os diferentes significados da estética na arquitetura, desde 'a forma segue a função' até a nova estética do metaverso, pode nos ajudar a compreender as potencialidades de nossos ambientes físicos e virtuais no caminho rumo a um mundo melhor.
Muito já se escreveu sobre o assunto, desde 'Lo bello y lo justo en la arquitectura' de Alberto Pérez-Gómez até ‘El fracaso de lo bello’ de Pablo Caldera. No entanto, quisemos abrir o debate a leitores e leitoras para que compartilhassem suas visões sobre o que torna um edifício ou uma cidade belos.
Após ler e compilar cerca de 300 comentários recebidos, tanto de profissionais da construção civil quanto de estudantes e entusiastas da arquitetura, foi uma grande surpresa encontrar pontos em comum sobre a importância da beleza coletiva, fazendo referência tanto ao contexto urbano quanto ao natural.
De 11 de abril a 30 de junho, acontece o Young Architects Festival (Festival de Arquitetura Jovem) desenvolvido pela Constructo no Parque e Museu Ruinas de Huanchaca em Antofagasta, Chile. Um espaço onde o escritório siglo22 arquitectos realizou uma instalação arquitetônica imersiva, ativada por diferentes eventos, entre os quais estão um ciclo de palestras internacionais e uma exposição com acesso gratuito ao público.
Abordando temáticas que envolvem a memória, o esquecimento e o gênero, a artista plástica e muralista argentina Mariela Ajras leva sua arte às paredes de diversas cidades do mundo, como Barcelona, Valencia, Salamanca, Cidade do México, Bogotá, Montevidéu, Buenos Aires, entre tantas outras. Com formação em psicologia, ela já participou de diversos festivais de arte urbana, exposições, feiras e projetos de arte pública, sendo um dos maiores murais da Cidade de Buenos Aires aquele que desenvolveu para o projeto “Corredor de la Memoria”, em comemoração aos 25 anos do atentado à AMIA.
Ao olharmos para trás, em 2021, dois acontecimentos tiveram um impacto transformador no mundo da arquitetura e do design.
O primeiro deles foi o falecimento de Richard Rogers, pioneiro da arquitetura High-Tech. O historiador de arte alemão Hans Belting disse certa vez: “Quando as pessoas clamam por uma nova arte, são a arquitetura e o design que se posicionam como símbolos de uma nova sociedade, carregando a esperança de transformar o espaço habitável; e, enquanto as pessoas anseiam por essa transformação espacial, elas próprias também mudam”. Rogers foi um dos primeiros a se posicionar no final do século XX. Sua abordagem de design ousada, rebelde e subversiva abriu novos horizontes para a paisagem urbana. Tendo se aposentado apenas no ano passado, ele sempre nos mostrou, por meio da prática, a importância do direcionamento do design. Diante disso, não posso deixar de me perguntar: à medida que os heróis de nossa era partem gradualmente, seremos capazes de assumir a missão da arquitetura?
O segundo acontecimento envolveu o/a arquiteto/a Tao Lei, que, no programa de TV "Dream Home", gastou 1,32 milhão de yuans para construir uma casa de tijolos vermelhos para um idoso, o que desencadeou uma forte onda de ataques cibernéticos por parte do público. Este episódio refletiu diretamente o conflito entre a arquitetura, a estética e a vida cotidiana. Diante disso, também me pergunto: a estética perseguida pelos/as arquitetos/as é a mesma desejada pelas pessoas comuns? O projeto de arquitetura tem o poder de transformar a percepção estética? A classe social influencia o projeto arquitetônico? E, sem nunca ter vivenciado o espaço, é justo rejeitar uma obra com base apenas em manchetes fragmentadas e superficiais?
“O desespero é tão vão quanto a esperança”. A palavra-chave do ArchDaily para este ano é: Equilíbrio entre o Interno e o Externo.Internamente: o papel de plataforma, oferecendo ferramentas, inspiração e conhecimento vindos de todas as direções, superando obstáculos e impulsionando mudanças para construir um ecossistema de design ainda maior.Externamente: o papel de disseminação, saindo da zona de conforto do “meio arquitetônico”, fortalecendo a conexão com as necessidades do público, apresentando processos informativos mais claros e desenvolvendo curadorias de conteúdo de arquitetura mais criativas.
https://www.archdaily.com.br/pt/1135054/2022-aprimorando-o-interior-e-o-exterior-resolucoes-de-ano-novo-do-archdaily韩爽 - HAN Shuang
A visualização em tempo real é utilizada para gerar renderizações com excelente qualidade visual a partir de um modelo BIM ou CAD. Ao ser integrada ao fluxo de trabalho de projeto, ela também facilita a colaboração e permite que todas as partes envolvidas em um projeto de arquitetura participem ativamente ao longo de todo o processo de desenvolvimento.
A seguir, apresentamos cinco maneiras pelas quais a integração da visualização em tempo real pode proporcionar uma compreensão completa do projeto em suas diversas etapas.
Dados demonstram que o número de pessoas que moram sozinhas cresceu significativamente; no entanto, surpreendentemente, a vida solitária não corresponde de forma direta ao aumento no sentimento de solidão. Há séculos, a arquitetura vem evoluindo em direção à ampliação da privacidade e do espaço privado. Este vídeo analisa projetos arquitetônicos que buscam reverter essa tendência ao conceber cenários de moradia que incorporam mais oportunidades de interação pública. Entre eles, destaca-se o projeto City Hyde Park, do Studio Gang, em Chicago, com suas varandas anguladas. Contudo, o vídeo vai além, investigando exemplos que repensam radicalmente a arquitetura residencial, sua construção, seu desenho e a integração do espaço público.
O setor imobiliário avança rapidamente. Não faz muito tempo que potenciais compradores/as refinavam suas buscas dirigindo de um lado para o outro com um maço de anúncios impressos, e profissionais de design e construção dependiam de desenhos CAD e ilustrações artísticas para mostrar espaços ainda não construídos. Hoje em dia, os avanços na tecnologia gráfica nos trouxeram renderizações 3D interativas, facilitando para investidores/as, compradores/as e outras partes interessadas compreenderem de fato os projetos que estão visualizando.
Na esteira desses avanços, surgem também tecnologias capazes de entusiasmar e atrair compradores/as, como configuradores de vendas e tours interativos, nos quais visitantes podem escolher acabamentos e projetar seus próprios espaços bem diante de seus olhos; experiências de realidade virtual, em que arquitetos/as podem obter feedback de investidores/as sobre o projeto em etapas cruciais do processo; estudos de insolação, permitindo que potenciais ocupantes vejam como um espaço será afetado pela luz solar em diferentes momentos do dia; e gêmeos digitais, com os quais as cidades conseguem ter uma noção real do uso de um edifício, abrindo caminho para novas formas de otimizar a eficiência e projetar espaços melhores para os/as moradores/as.
Domino Park em Williamsburg, Brooklyn - Um exemplo de sucesso de espaço público que é utilizado por muitas comunidades. Imagem cortesia de Two Trees Management
A urgência para reduzir as emissões de gases de efeito estufa nunca foi tão grande, e alcançá-la exigirá medidas ousadas para edifícios, infraestrutura e comunidades. Reduções incrementais não são suficientes; precisamos focar na descarbonização total, o que significa eliminar as emissões de carbono causadas pelo nosso ambiente construído.
Essas grandes mudanças na forma como a energia é gerada e consumida trarão questões importantes sobre quem se beneficia e quem arca com os custos. Programas de incentivo focados em tecnologia podem acabar deixando nossas comunidades mais vulneráveis para trás, exacerbando um legado de subinvestimento e disparidades de saúde, além de falharem em atingir as metas essenciais de uma transição energética completa. Em vez disso, precisamos de soluções holísticas que priorizem as comunidades desfavorecidas e promovam a transição de edifícios que, de outra forma, seriam deixados de fora, gerando uma transformação de mercado de baixo para cima que beneficie a todas as pessoas.
A empresa de Steven J. Orfield, a Orfield Laboratories (OL), atua há 50 anos nas áreas de projeto, pesquisa e ensaios arquitetônicos, orientada pela premissa de que o aspecto fundamental do design é o usuário final, pois projetar sem considerar o conforto, a preferência e a satisfação do usuário constitui um fracasso. Nesse processo, a empresa desenvolveu normas de desempenho de edifícios para a maioria das tipologias comerciais e, agora, incorporou a essas diretrizes as necessidades de metade da população mundial: pessoas com deficiências perceptivas e cognitivas (DPC). O investimento financeiro para viabilizar essa iniciativa foi expressivo, mas esta se tornou uma das buscas mais importantes na vida de Orfield.
https://www.archdaily.com.br/pt/1135154/quando-se-trata-de-design-para-pessoas-com-deficiencia-deixe-que-a-ciencia-conduza-o-processoSteven J. Orfield