Desde o início do século XX o automóvel particular vem moldando as cidades e a arquitetura, demandando espaços específicos para circular e ser armazenado. Os carros e motos ditaram a organização espacial, e a consequente paisagem urbana e rural, de países inteiros, porém, com a crise climática e o reconhecimento dos problemas que este modelo de desenvolvimento traz para as cidades e para o planeta, cada dia mais percebem-se iniciativas que buscam suprimir os automóveis individuais e motorizados movidos a combustíveis fósseis, ao mesmo tempo que se percebe a necessidade de ressignificar espaços que antes eram dedicados aos carros. Para além das ruas e espaços públicos, essa transformação também é sentida na escala do edifício, nas casas e prédios residenciais que começam a encarar as garagens como um espaço mais dinâmico.
Independentemente do layout adotado para as cozinhas, há alguns anos e com frequência cada vez maior, muitos arquitetos e arquitetas decidem projetá-las integradas a outros ambientes da casa. Livres de paredes ou divisórias, as cozinhas integradas são implantadas com o objetivo de deixar as atividades cotidianas à vista de todos, estimulando a interação e a comunicação entre os moradores.
Distrito 13 en Medellín, Colombia. Imagen de JorgePM. Image vía Shutterstock
Dentro da região da América Latina e Caribe, foi registrado que pelo menos 25% da população vive em assentamentos informais. Dado que a expansão de tal realidade é um dos maiores problemas que afligem estas cidades, apresentou-se um projeto, apoiado pelo BID, que propõe como as novas tecnologias podem contribuir para a identificação e detecção destas áreas a fim de intervir e ajudar a reduzir a informalidade urbana.
O Dia Nacional da Escola foi celebrado ontem, 15 de março, uma importante data para lembrar e valorizar a importância das instituições de ensino. Espaços que propiciam novas perspectivas, conhecimento, trocas, encontros e brincadeiras precisam ser projetados a altura do desafio. Se anteriormente já destacamos quinze projetos realizados por arquitetos brasileiros, hoje aproveitamos para destacar algumas soluções e técnicas adotadas nos últimos anos ao abordar esse programa.
Diébédo Francis Kéré fundou seu escritório, Kéré Architecture, em Berlim, Alemanha, em 2005, após o início de uma trajetória defendendo a construção de uma arquitetura educacional de qualidade em seu país de origem, Burkina Faso. Desprovido de salas de aula e condições de aprendizagem adequadas quando criança, e enfrentando a realidade da maioria dos jovens estudantes do país, seus primeiros trabalhos foram o resultado da busca por soluções tangíveis para os problemas que a comunidade enfrentava.
O início do século XX presenciou o nascimento da arquitetura modernista. Trouxe consigo um movimento arquitetônico principal que gerou movimentos derivados. Uma figura frequentemente vista como indivíduo definidor desse movimento é Le Corbusier, cujo tratado de 1923 Por uma Arquitetura influenciou seus contemporâneos — um manifesto que inclui a famosa frase "uma casa é uma máquina de morar" onde a boa arquitetura teria que ser intrinsecamente ligada a sua função e às exigências da indústria.
O novo relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) traça um cenário preocupante: as mudanças climáticas já afetam todas as partes do mundo, e impactos muito mais severos podem estar nos esperando se não reduzirmos as emissões de gases do efeito estufa pela metade ainda nesta década e não começarmos imediatamente a ampliar as medidas de adaptação.
https://www.archdaily.com.br/pt/978091/impacto-das-mudancas-climaticas-6-descobertas-do-relatorio-do-ipcc-de-2022-sobre-adaptacaoKelly Levin, Sophie Boehm e Rebecca Carter
Entre as muitas dificuldades que a indústria da construção enfrenta atualmente, o confrontar a emergência climática continua sendo um dos principais desafios. De fato, considerando que o setor é responsável por cerca de 40% das emissões globais de gases de efeito estufa, a busca por uma arquitetura net-zero deveria ser a principal prioridade. Embora haja um longo caminho a percorrer para a maioria dos edifícios anular a quantidade de dióxido de carbono que produzem, o conceito está ganhando força rapidamente e certamente se tornará a nova norma à medida que olhamos para um futuro não muito distante. E como arquitetos, designers e outros atores envolvidos na indústria podem contribuir para o design sustentável e a arquitetura net-zero?
A importância do uso de tecnologias avançadas, como a realidade virtual (VR) no cenário arquitetônico, tornou-se cada vez mais evidente. Por mais bela que seja uma imagem renderizada, ela sempre carecerá da capacidade de transmitir plenamente a escala geral e a sensação de um projeto. Isso reforça ainda mais a necessidade de adotar essas tecnologias no campo profissional.
Arquitetos e arquitetas que optam por não utilizar a tecnologia de realidade virtual no processo de projeto acabam em desvantagem. Atualmente, a questão já não passa pela acessibilidade, uma vez que a VR está ao alcance de profissionais de todas as origens.
A Glass House situada na Ponus Ridge Road, New Canaan – Connecticut, foi projetada e construída, no final dos anos 1940, para ser a morada de seu autor, o arquiteto Philip Johnson. Considerada um ícone da arquitetura moderna, suas características exploram os limites entre interior e exterior. Um ano após a sua conclusão, a sua mimese, Brick House, foi construída, 25 metros à frente com o mesmo comprimento, porém metade da profundidade da casa de vidro.
https://www.archdaily.com.br/pt/977961/exibicionismo-e-reclusao-o-complexo-glass-house-de-philip-johnson-e-david-whitneyHelena Ramos e Rafael Baumer
A seleção desta semana de Melhores Projetos de Arquitetura Não Construída destaca propostas enviadas por escritórios de arquitetura renomados, reunindo trabalhos conceituais, propostas de concursos e projetos em diferentes etapas de desenvolvimento. Desde a transformação de um antigo shopping center em uma instalação de saúde nos Estados Unidos, passando pelo plano diretor para a remodelação de um zoológico no Canadá, até a regeneração de uma cervejaria na China, a seleção a seguir explora uma variedade de projetos desenvolvidos por escritórios globais de arquitetura.
Com a participação de escritórios como Perkins +Will, Henning Larsen Architects, URBANUS ou Mandaworks, a seleção de projetos não construídos desta semana destaca intervenções globais que ilustram uma variedade de ideias, abrangendo estratégias de reuso adaptativo, intervenções em patrimônios históricos e novos modelos de edifícios públicos.
A imensidão da China resulta em uma grande diversidade de costumes e condições climáticas. Cada região possui seus próprios materiais, métodos construtivos e medidas de adaptação climática. As características regionais da arquitetura chinesa são, em geral, preservadas nas edificações rurais. No entanto, não se pode desconsiderar como a tecnologia contemporânea pode melhorar consideravelmente as condições de vida e de uso dessas construções rurais. Qual é a melhor maneira de equilibrar as tecnologias tradicionais ou inerentes a esses locais com as novas? De que forma a arquitetura rural poderia inspirar o desenvolvimento de símbolos culturais na arquitetura chinesa?
O vencedor do Prêmio Pritzker de Arquitetura de 2022, Diébédo Francis Kéré, apresentou as excelentes soluções desenvolvidas em Burkina Faso. Kéré preconiza a construção de edifícios confortáveis a preços acessíveis, com o objetivo de proporcionar bem-estar a quem os utiliza e inspirar essas pessoas a sonharem com uma vida melhor. O orgulho pela cultura local é fortalecido pelo uso de materiais regionais e técnicas tradicionais. Assim, as obras de Kéré em outros países exibem emblemas culturais de Burkina Faso, que resultam de sua própria bagagem cultural.
Por mais revolucionário que o setor da construção civil possa parecer hoje em dia, ele é atualmente responsável por quase 40% das emissões mundiais de dióxido de carbono, 11% das quais são resultado da fabricação de materiais de construção, como aço, cimento e vidro. Alguns anos depois, após uma pandemia global que acarretou mudanças de rotina e provas incontestáveis da mudança climática, as emissões de CO₂ ainda estão em ascensão, atingindo um máximo histórico em 2020, de acordo com o Relatório da Situação Global de Edifícios e Construção de 2020. Embora muito progresso tenha sido feito por avanços tecnológicos, estratégias e conceitos de projeto e processos de construção, ainda há um longo caminho a percorrer para reduzirmos as emissões de carbono a um mínimo ou quase zero no desenvolvimento de ambientes construídos.
Sistema EKol® en Westin Los Cabos Resort. Image Cortesía de Westin Hotels & Resorts
Os primeiros mosaicos datam do século VIII a.C. De fato, já eram utilizados como elementos decorativos e pavimentos na Grécia Antiga e no Império Romano. No entanto, apesar de sua longa história, continuam mais atuais do que nunca e seguem ditando tendências no design contemporâneo. Além disso, nos últimos anos a técnica do mosaico evoluiu acompanhada por novas tecnologias e métodos mais espaçados de fabricação, abrindo espaço para diferentes tipos de revestimentos com diversos formatos, estilos, cores e propriedades que se adaptam a um amplo leque de funções. Entre eles, destacam-se especialmente os sistemas vítreos por sua beleza, versatilidade e qualidades físicas.
Durante os últimos dois anos que passei fotografando a Expo 2020 Dubai, fui frequentemente questionado por amigos e conhecidos sobre o que ela era exatamente. No momento em que se encerra, neste dia 31 de março, gostaria de responder a essa pergunta sob duas perspectivas. A maioria dos leitores e leitoras sabe que a expo faz parte de uma tradição que remonta ao século XIX — uma vitrine para empresas e nações, uma atração turística e um campo de testes para inovações técnicas. No entanto, ela é também um conjunto de estudos paradigmáticos sobre oportunidade, sustentabilidade e mobilidade, além de um empreendimento imobiliário lucrativo que cria um novo bairro nos Emirados Árabes e propõe um futuro modo de habitar. Talvez esta última referência seja a mais interessante, por ser justamente o que mais diferencia esta edição de suas predecessoras.
No último mês de janeiro a Prefeitura Municipal de São Paulo, uma das maiores cidades da América Latina, divulgou os resultados da Pesquisa Censitária da População em Situação de Rua, apresentando sua caracterização socioeconômica e um panorama territorial. Os dados recentes do PIB, bem como a pesquisa censitária, demonstram os impactos da pandemia e da crise econômica e política em nossa sociedade, confirmando aquilo que está sendo refletido nas grandes cidades brasileiras.
O que antes estava restrito a ambientes hospitalares ou laboratórios de alto controle tornou-se uma preocupação para a maioria de nós, especialmente considerando que passamos cada vez mais tempo em espaços internos. Com a detecção de novos surtos da variante Delta da Covid-19 em diversos estados, que chegaram a elevar a curva epidêmica em 9%, as famílias continuam buscando proteção e os recursos necessários para cuidar de seus ambientes, garantindo a segurança sanitária contra a exposição constante a infecções, vírus e bactérias que representam fatores de risco.
Com excessão de alguns casos isolados, ao longo de todo o território do Peru—seja no litoral, na serra ou na selva amazônica—, o clima do país conserva características de regiões tropicais ou subtropicais, sendo que as diferenças entre as temperaturas médias durante o inverno e o verão não são muito significativas. Devido a sua localização e característica geográfica específica, a temperatura em todo o país oscila entre os 15° C e os 27° C ao longo do ano, sendo atípicas situações de frio ou calor extremo. Por este motivo, a relação entre arquitetura e a paisagem assim como entre os espaços interiores e exteriores, é um elemento de projeto muito explorado pela grande maioria dos arquitetos e arquitetas do país.
Inundações após furacão de categoria 4 na Nicarágua. O aumento da intensidade das tempestades está ligado às mudanças climáticas. Foto: European Union, 2020/D. Membreño
No alto da Cordilheira dos Andes, as geleiras recuaram e diminuíram sob os efeitos das mudanças climáticas. Em torno de quatro milhões de pessoas dependem das geleiras para obter água, mas elas perderam quase um metro de espessura nos últimos 20 anos.
https://www.archdaily.com.br/pt/979035/compromissos-ambicao-e-frustracao-o-progresso-da-america-latina-nas-questoes-climaticasAlex Simpkins, Caroline M. Rocha Frasson, Héctor Donado e Carolina Genin
Em 2014, quando o repórter do jornal britânico The Guardian – Ben Quinn – abriu os olhos de cidadãos de todo o mundo para práticas hostis de desenho urbano, cunhando o que viria a ser conhecido como fenômeno da “arquitetura hostil”, não se esperava uma repercussão tão grande. Vieram à tona inúmeras estratégias de desenho urbano que coíbem a participação do cidadão e segregam sua apropriação da cidade, elementos que restringem certos comportamentos e dificultam o acesso e a presença de determinadas camadas da sociedade. Códigos de conduta ditados pelo desenho urbano que vão contra tudo o que se estuda sobre urbanismo de cidades democráticas e hospitaleiras, tal qual Jan Gehl e Jane Jacobs.
A madeira é, sem dúvidas, um dos materiais construtivos mais versáteis que existem. Em peças aplainadas, painéis compostos ou em estado bruto, suas características estéticas e estruturais atraem arquitetos e clientes, que enxergam nela possibilidades compositivas extremamente variadas. Dentre os modos mais antigos de aplicação deste material, as peças roliças são aquilo que se pode chegar mais perto do estado natural da madeira, com pouquíssimo tratamento e processamento após o corte da árvore.
O uso destas peças em estado rústico é muito recorrente em residências de veraneio, o que não significa que esta seja sua única aplicação. A seguir, reunimos dez casas brasileiras que fazem uso de elementos rústicos de madeira em sua estrutura ou fechamentos.
Enquanto a emergência climática se apresenta como uma ameaça existencial grave, é crucial que o caminho para zerar as emissões de carbono seja retomado em larga escala, tanto no sentido arquitetônico, quanto no comercial. Ao redor do mundo, iniciativas foram renovadas em uma tentativa de combater o que é quase inconcebível. De acordo com o relatório de status global de 2019 para edifícios e construções, o setor de construção representou 36% do uso final de energia e das emissões de carbono relacionadas ao processo em 2018. Embora as emissões de carbono tenham sido temporariamente reduzidas durante o pico da pandemia, elas devem retornar rapidamente aos números anteriores.
Garantir que a equipe de construção de um projeto trabalhe com as informações mais atualizadas é fundamental para o seu sucesso; no entanto, essa não é uma tarefa simples. Os fluxos de trabalho de gestão de documentos costumam ser desconectados ou fragmentados devido a processos administrativos manuais e sistemas incompatíveis. Como consequência, uma gestão de documentos ineficiente pode acarretar atrasos no cronograma, problemas de qualidade, retrabalhos dispendiosos, estouros de orçamento e litígios.