The Second Studio (anteriormente conhecido como The Midnight Charette) é um podcast sem filtros sobre design, arquitetura e o cotidiano. Apresentado pelo arquiteto David Lee e pela arquiteta Marina Bourderonnet, o programa recebe diferentes profissionais do campo criativo em conversas espontâneas que abrem espaço para reflexões profundas e debates pessoais.
Uma variedade de temas é abordada com honestidade e humor: alguns episódios trazem entrevistas, enquanto outros oferecem dicas para colegas designers, análises de edifícios e projetos, ou reflexões informais sobre o dia a dia e o design. O The Second Studio também está disponível no iTunes, Spotify e YouTube.
Esta semana, David e Marina analisam o polêmico painel do SCI-Arc, "Basecamp: How to be in an office" [Como agir em um escritório], e compartilham seus próprios conselhos sobre "como se portar em um escritório". A dupla discute a escolha do escritório ideal para se trabalhar; por que a ideia de se comprometer com um escritório está certa, mas também errada; por que os trabalhos paralelos (os famosos *side hustles*) não são a solução para honorários baixos e/ou salários defasados; por que apenas "fazer o trabalho acontecer" não basta; por que aceitar salários baixos não é apenas uma "escolha pessoal"; por que a profissão sofre com baixos salários e longas jornadas de trabalho; e as nuances do debate promovido pelo SCI-Arc.
https://www.archdaily.com.br/pt/1134523/the-second-studio-podcast-uma-resposta-ao-basecamp-da-sci-arc-como-estar-em-um-escritorioThe Second Studio Podcast
Em 22 de março de 2022, ocorreu a vigésima nona comemoração do Dia Mundial da Água - enfatizando a crise hídrica que continua deixando as populações vulneráveis. E esta é uma questão extremamente multifacetada. Os governos infelizmente determinam o acesso à água, com pessoas marginalizadas desproporcionalmente afetadas. Além disso, as tipologias urbanas são outro fator. O bombeamento excessivo de fontes de água subterrânea para atender às demandas de água de Hanói, por exemplo, resultou na contaminação com arsênico nos poços das vilas do Vietnã.
Paris vem estampando manchetes há anos com suas diretrizes agressivas para melhorias urbanas anti-carro e pró-pedestre. Diante do aumento da poluição do ar e em uma tentativa de recuperar as ruas para meios alternativos de deslocamento, conforme descrito em seu plano para uma cidade de 15 minutos, a capital francesa é vista como líder em estratégias urbanas do futuro. Recentemente, o departamento de transportes fixou um prazo para as elevadas metas de eliminar o tráfego de suas ruas. Dentro de apenas dois anos, a tempo de a capital francesa sediar os Jogos Olímpicos, Paris planeja proibir o tráfego não essencial no centro da cidade, eliminando efetivamente cerca de 50% da mobilidade veicular. O que diz o plano? E como outras cidades poderiam utilizar esta estratégia para solucionar suas próprias questões urbanas?
Fundado em 1997, o escritório de arquitetura paulistano Andrade Morettin Arquitetos Associados começou com uma parceria entre Vinicius Andrade e Marcelo Morettin, que mais tarde incluiu os arquitetos Marcelo Maia Rosa e Renata Andrulis. O escritório hoje soma mais de duas décadas de história e uma ampla gama de atuações.
El poder de la Data - Render interior conceptual. . Image Cortesía de Online Lab of Architecture (OLA)
Dos NFTs e do Metaverso às vantagens produtivas da renderização em tempo real, este ano representa uma excelente oportunidade para discutir as últimas tendências no campo das visualizações.
Nesse sentido, queremos abrir o debate e conhecer suas respostas para as seguintes perguntas: Quanto podemos aprender com outras indústrias correlatas, como o cinema, os videogames e o design industrial? Como a arquitetura pode contribuir e avançar no mundo das visualizações?
Depois da água, o concreto é o material mais consumido do planeta e sua produção está crescendo substancialmente, devendo passar de 4,4 bilhões de toneladas, atingindo 5,5 bilhões de toneladas até 2050. Infelizmente, isso tem um enorme custo ambiental, contabilizando por quase oito por cento das emissões globais de carbono. Com esta estimativa de crescimento esperada, as partes interessadas da indústria da construção devem trabalhar na integração de materiais de construção sustentáveis e processos inovadores.
Modelo panóptico de prisão – intervenção própria sob imagem existente. Imagem via Friman/Wikimedia Commons, licença CC BY-SA 3.0
O presente ensaio busca convocar o campo da Arquitetura e Urbanismo à necessidade de refletir sobre a prisão. Ao pautar as crises urbanas, dificilmente se problematiza a existência dos espaços de encarceramento como parte – ou até mesmo geradora – das questões das cidades contemporâneas. No entanto, é posta aqui a premissa de que são, na verdade, centrais.
https://www.archdaily.com.br/pt/979143/releitura-critica-do-espaco-prisional-sob-a-otica-abolicionistaNara Albiero e Pedro Flosi Trama
Whittier Heights Village. Foto: Low Income Housing Institute, via CicloVivo
Uma pequena comunidade de mini-casas foi construída em Seattle, nos Estados Unidos, com o objetivo de ajudar mulheres sem-teto a voltarem a ter um abrigo. O que torna o projeto ainda mais especial é o fato da chamada Whittier Heights Village, ter sido construída por mulheres voluntárias.
O local escolhido fica escondido entre um estacionamento de um banco e um complexo de apartamentos de quatro andares no bairro de Ballard. O lote cercado abriga 16 mini-casas (tiny homes, em inglês) capazes de abrigar temporariamente até 20 mulheres por vez.
Chandler Boulevard Bridge Home Village. Imagem cortesia de Lehrer Architects
A questão das pessoas em situação de rua é um problema persistente e alarmante, crescendo quase 17% em todo o país a cada ano. Diante do último censo de Los Angeles, que registrou um total de mais de 60.000 pessoas nessa situação — das quais quase 14.000 vivem nas ruas do centro da cidade —, uma intervenção urgente tornou-se necessária. O escritório Lehrer Architects, em parceria com a Secretaria de Engenharia de Los Angeles, desenvolveu um projeto comunitário inovador, transformando um lote urbano ocioso em microcasas (tiny homes) para a população local em situação de rua, utilizando abrigos modulares pré-fabricados (os chamados pallet shelters).
Quando o estimado Blair Kamin deixou o cargo de crítico de arquitetura do Chicago Tribune no início de 2021, a cidade ficou sem profissionais na cobertura diária de crítica em seus veículos de imprensa locais. Essa triste situação foi parcialmente corrigida recentemente, quando o Chicago Sun-Times anunciou que Lee Bey iniciaria uma coluna mensal de arquitetura. O escritor, historiador, fotógrafo e crítico traz uma vasta experiência para a nova função: ele foi crítico de arquitetura do Sun-Times por cinco anos no final da década de 1990, atuou como chefe de gabinete adjunto de planejamento e desenho urbano na gestão do prefeito Richard M. Daley, foi diretor de relações governamentais na SOM e lecionou no IIT. Seu livro mais recente é Southern Exposure: The Overlooked Architecture of Chicago’s South Side. Na semana passada, conversei com Bey sobre sua nova função, sobre como a cidade mudou desde sua última passagem como crítico e sobre a importância singular da arquitetura para Chicago.
Os planetários são projetados para descoberta e exploração. Criados em torno de experiências imersivas, estes projetos atraem nossa imaginação para novos mundos. Como centros de educação e entretenimento, eles também reúnem as pessoas. Hoje, arquitetos e designers estão reimaginando o que o planetário moderno pode se tornar e, por sua vez, estão inspirando novas investigações sobre o universo e o vasto oceano acima de nós.
Avanços nas áreas de biotecnologia e ciências dos materiais estão criando novas oportunidades com potencial para alterar fundamentalmente a conexão entre o ambiente construído e o mundo natural. A construção e seus materiais representam cerca de 11% das emissões de gases causadores do efeito estufa. O setor de arquitetura, engenharia e construção pode contribuir para a contenção das mudanças climáticas nos próximos anos, e a reavaliação dos materiais convencionais de construção é uma das medidas mais críticas. Materiais de bioengenharia, que crescem, produzem energia, se auto-regeneram são a próxima fronteira na biologia e nas ciências materiais e potencialmente o caminho em direção a um novo tipo de arquitetura. Embora a inovação nesses campos ainda esteja longe do uso comercial, ela promete mudar dramaticamente a face do ambiente construído.
Como parte da programação do Museo Jumex de 2 de abril a 18 de setembro na Cidade do México, está em cartaz 'Urs Fischer: Lovers', uma retrospectiva de 25 anos de uma das personalidades mais célebres da arte contemporânea internacional. Com curadoria de Francesco Bonami, a exposição reúne novas peças produzidas especialmente para o museu e obras vindas de coleções públicas e privadas internacionais, bem como do próprio arquivo do/a artista. Em conjunto, as obras revelam a ampla criatividade, o humor e a profundidade de sua prática artística.
https://www.archdaily.com.br/pt/1134778/urs-fischer-apresenta-sua-primeira-grande-exposicao-para-o-mexico-e-a-america-latina-no-museu-jumexArchDaily Team
Pingado, carioca, expresso, coado, americano, capuccino. Diferentemente da arquitetura, nesse caso, a forma é o que menos importa para declarar a paixão pelo café. Um grande companheiro desde a época da faculdade para virar noites e que segue acompanhando diariamente o processo criativo durante a carreira de muitos arquitetos, a tradicional bebida tem um lugar especial para toda a classe e merece ser celebrada. Hoje, 14 de março, é o Dia Mundial do Café e, por isso, trazemos aqui alguns projetos que tiveram esse ingrediente que desperta tantas sensações como principal tema.
A escolha de Kéré não é apenas simbólica em um momento de demandas identitárias, onde as instituições que compõem o mainstream enfim começam a representar mais fielmente as realidades sociais, culturais e sexuais que compõem nossas sociedades, mas também confirma a abordagem mais recente do júri do Prêmio Pritzker.
A digitalização dos projetos de arquitetura e design já começou há algum tempo e se intensificou ainda mais na atualidade, impulsionada, em grande parte, pelo surgimento da pandemia global. Ouvir falar sobre o metaverso, NFTs ou gêmeos digitais parece ser comum hoje em dia, um momento em que a economia digital está em franca expansão e no qual começam a proliferar arquitetos e arquitetas, bem como designers, que buscam migrar do mundo físico para o virtual. Diante disso, seria a virtualidade o futuro da visualização arquitetônica?
Após minha recente entrevista com o diretor da Gensler, Harry Ibbs, sobre como aproveitar os avanços tecnológicos para trazer profissionais de volta ao escritório, decidi abordar o tema da cultura do ambiente de trabalho pós-covid sob uma perspectiva completamente diferente. Em busca de uma abordagem mais íntima, analisei o AL_A, um estúdio vencedor do Prêmio Stirling do RIBA em 2009, fundado por Amanda Levete junto à diretoria composta por Ho-Yin Ng, Alice Dietsch e Maximiliano Arrocet. A diversidade da equipe de liderança e de sua força de trabalho de mais de 30 pessoas traz uma riqueza de pensamento e possibilidades que se reflete em sua cultura, prática profissional e projetos.
As condições climáticas estão mudando em todo o mundo e, com temperaturas mais extremas e recursos limitados, as soluções arquitetônicas e urbanas também devem mudar. Como nossas casas poderiam ter uma aparência e funcionar de maneira eficaz em um cenário pós-mudanças climáticas? Analisando em detalhes as previsões dessas variações, os arquitetos do W-LAB desenvolveram uma proposta de habitat Low-Tech para climas úmidos, quentes e áridos, incorporando biomateriais, soluções transportáveis e configurações que promovem a vida em comunidades pequenas e resilientes.
Nottingham City Hub. Imagem cortesia de Ares Landscape Architects Ltd.
A transição evidente do CAD 2D na arquitetura da paisagem deve-se, em parte, a pressões externas, como a exigência do Reino Unido pela estrutura do BIM Nível 2 em projetos de contratação pública. Mesmo onde não há obrigatoriedade do BIM, existe uma pressão inerente para entregar arquivos nesse formato ao trabalhar com consultorias que já amadureceram seus fluxos de trabalho com a metodologia.
Permeabilidade visual, ventilação e forte apelo identitário, os elementos vazados têm cada vez mais encontrado seu lugar na arquitetura contemporânea. Seja em grandes edifícios ou em pequenas residências, aparecem de diversas formas, materiais e composições, ajudando a determinar o grau de interação entre o espaço interior e exterior. Esse artifício em uma construção residencial é uma ferramenta importante para garantir privacidade e intimidade, sem perder a possibilidade de conexões com o exterior e ventilação natural.
"Cidades de 15 minutos" são uma tendência em planejamento urbano e têm sido discutidas no meio acadêmico há muitos anos. Hoje, é possível ver esse modelo de urbanismo sendo implementado aos poucos em algumas cidades europeias. Diferentemente desses casos, a primeira "cidade de 15 minutos" desenvolvida e construída do zero está sendo projetada em Utah. Apelidada de “The Point”, a nova cidade de 24 hectares ficará localizada nos arredores de Salt Lake City, em uma área onde havia uma antiga prisão estadual. Esse empreendimento irá criará empregos, moradias, espaços públicos, serviços e transportes, atendendo quase 15.000 pessoas. É uma tentativa que visa explorar como conceitos inovadores de planejamento urbano podem melhorar a saúde pública e o bem-estar das pessoas.
Os renders, enquanto composições capazes de comunicar o aspecto tridimensional de um projeto a partir de um suporte bidimensional — isto é, a imagem — permitem uma noção prévia do que a obra arquitetônica ainda virá a ser. Mas, ao contrário do que muitas vezes se imagina, a renderização não é sinônimo de uma representação realista da arquitetura.
Por se tratar de uma ferramenta de comunicação projetual, um render pode assumir diferentes estilos a depender não apenas do projeto em questão, mas também do público a quem é direcionado e, além de tudo, da identidade do arquiteto, arquiteta ou escritório de arquitetura responsável pela obra.
Imagem: Ricardo Wolffenbütte/Prefeitura de Florianópolis
Se usasse suas composições para tratar do urbanismo de Florianópolis, Zininho — autor do hino da capital dos catarinenses — certamente chegaria à mesma conclusão: jamais algum poeta teve tanto para cantar.
E não é para menos: a irregularidade urbana em Florianópolis é tamanha que dados confiáveis sobre o tema só vieram à tona muito recentemente. O próprio Diretor de Urbanismo estimou as ocupações irregulares em 40% a 45% do total.Somente com a proposta de revisão do Plano Diretor, do final de dezembro de 2021, descobrimos que a irregularidade varia de 5,21% na parte continental para 81,84% no distrito do Rio Vermelho. Seis dos treze distritos têm mais de 40% da sua mancha urbana em núcleos informais, e apenas quatro não ultrapassam os 20%.
Valladolid é uma cidade de pouco menos de 50 mil habitantes, localizada no leste de Yucatán. Fica exatamente no meio do caminho entre Cancún e Mérida, e a cerca de 40 minutos da zona arqueológica de Chichén-Itzá. Inicialmente, os turistas que chegavam ali o faziam apenas como escala em seu trânsito pela península. No entanto, sua gastronomia e sua arquitetura fizeram com que deixasse de ser um ponto de parada involuntário para se tornar um destino turístico por si só.