"La Curutchet habitada" é o título de um livro de próxima publicação que registra uma pesquisa desenvolvida pelo Departamento de Arquitetura de Interiores e Mobiliário do Instituto de Projeto da FADU-Udelar, Uruguai, da qual compartilhamos uma breve prévia publicada originalmente na revista Summa+ 189 em dezembro de 2021.
Como conhecemos as cidades? O que nos mobiliza? O que lembramos delas? Monumentos? Museus? Somos simples turistas? Ou vivenciamos a cidade como uma experiência? A arte faz parte da cidade; é uma maneira de criar novos percursos, formas de vida e guias que nos levam a identificar espaços e momentos únicos vividos nela. A arte não está apenas nos museus, mas também nas ruas, nos muros e edifícios que compõem a cidade. O espaço público dialoga com a expressão artística; com pessoas, bairros, urbes e um mundo que se relaciona e cria novos modos de comunidade, dentro de uma cultura atenta que compreende nossos contextos e ecossistemas.
Criar uma vitrine é mais do que expor produtos, assim como pensar uma loja vai além de um mostruário. Ambos encargos reforçam o conceito de uma coleção, atraem clientes e aprimoram a imagem de uma marca. Não à toa, muitos arquitetos trabalham na área de Visual Merchandising junto de designers gráficos e de interiores, lojistas e estilistas, para conceber uma experiência espacial que gera uma narrativa única e traga um maior engajamento da clientela na loja.
É fato conhecido que a indústria da construção civil está entre os maiores produtores de CO2. Embora muito progresso tenha sido feito em tecnologia e em processos de projeto e construção, ainda há um longo caminho a percorrer para minimizar ou quase zerar as emissões de carbono no desenvolvimento de ambientes construídos.
Quinta Monroy / ELEMENTAL. Image Courtesy of ELEMENTAL
No Novo México, os canais de irrigação que estão em operação contínua há três séculos abastecem e nutrem as terras úmidas do sudoeste americano. Esses canais são conhecidos como Acequias – sistemas de água gerenciados comunitariamente construídos com base na tradição democrática. Os membros da comunidade são proprietários dos direitos sobre a água, que elegem uma equipe de três pessoas para supervisionar os canais. No Cairo e em Barcelona, a Praça Tahrir e a Plaza de Catalunya atuaram como locais importantes para expressar insatisfação política. Os protestos na Praça Tahrir em 2011, por exemplo, resultaram na queda de um governo de quase 30 anos.
É possível rastrear as origens do brutalismo no Reino Unido da década de 1950, durante o período pós-guerra. Contudo, não existem registros claros de seus limites ou marcos teóricos iniciais. Apesar disso, há um amplo consenso de que a corrente buscou sustentar a sinceridade construtiva como valor principal e de que teve, na execução da Unidade de Habitação de Marselha (1952) de Le Corbusier, um ponto de inflexão para sua difusão global (Casado, 2019). Para autores como Banham (1966) ou Collins (1977), a sinceridade construtiva nos edifícios brutalistas refere-se não apenas a critérios materiais ou técnicos, mas também morais, políticos ou éticos. Essas variáveis, em nações como o Peru, foram fundamentais e edificaram uma estética ao mesmo tempo que se tentava, a partir e por meio da arquitetura, construir uma ideia de país. Este ensaio busca ser uma aproximação a essas ideias e experiências.
Como descreve Antoine Picon em Architecture and the Virtual Towards a new Materiality?: "Um projeto arquitetônico é de fato um objeto virtual. É tanto mais virtual que antecipa não uma única construção, mas toda uma gama delas [...] Ao passo que o arquiteto costumava manipular formas estáticas, agora ele pode brincar com fluxos geométricos. As deformações topológicas de superfícies e volumes adquirem um tipo de evidência que os meios tradicionais de representação não permitiam.”
Tulum é uma região localizada no sudeste do México, dentro dos limites geográficos do estado de Quintana Roo, especificamente na costa do mar do Caribe, e faz parte da Riviera Maya. Historicamente, Tulum era uma cidade muralhada, de onde provém seu nome, que em maia significa "muralha", denominação que surgiu quando ela já se encontrava em ruínas.
Seres humanos geralmente se sentem física e emocionalmente confortáveis em determinados tipos de espaços públicos. Há aqueles que preferem ler um livro na varanda de um café, outros preferem estar sentados em um sofá aconchegante no salão de beleza ou aguardando o trem na estação. Fato é que alguns espaços, ainda que longe de casa, tendem a incitar uma sensação muito parecida com aquela que experimentamos no aconchego do nosso lar.
Através da psicologia ambiental aplicada à arquitetura, os fatores espaciais que contribuem para a sensação de conforto passaram a ser mais tangíveis, e agora, arquitetos e designers podem contar com a ajuda de especialistas para desenvolver projetos e espaços mais confortáveis e agradáveis.
Uma das mudanças mais importantes na cultura de trabalho contemporânea tem sido a adoção do trabalho remoto. Além disso, mesmo após mais de dois anos desde o início da pandemia, essa continua sendo a realidade de muitos profissionais. Embora alguns pensassem que isso poderia significar o fim do escritório físico, muitas empresas optaram por um modelo intermediário: um funcionamento híbrido e flexível para recuperar a colaboração presencial sem deixar de lado os benefícios do home office. No entanto, o retorno aos escritórios no contexto da pandemia levantou uma série de questões, entre elas, como garantir um ambiente de trabalho seguro e saudável?
O perigo aviário — ou seja, o perigo para as aves, e não uma ameaça hitchcockiana para os seres humanos — é uma preocupação crescente para arquitetos/as e incorporadores/as. Embora talvez não se pense muito nisso, basta construir um edifício alto de vidro para que, mais cedo ou mais tarde, uma ave desavisada colida diretamente contra ele. E o fenômeno se repete, com frequência, com consequências fatais.
De fato, bilhões de aves colidem contra edifícios todos os anos, principalmente durante os períodos de migração. E, diante do nosso apetite insaciável por erguer prédios de vidro cada vez mais numerosos e altos, essa contagem tende apenas a crescer. Para conter esse índice de mortalidade, cada vez mais cidades — incluindo, o que não surpreende, Nova York — aprovaram ou estão aprovando legislações que exigem que arquitetos/as e incorporadores/as utilizem vidros amigáveis para aves.
The Senate Building, Coruscant . Image via Star Wars, Revenge of the Sith / George Lucas
Descrever visualizações arquitetônicas do futuro não é uma tarefa fácil, por isso faz muito sentido que os designers usem aspectos de nossa arquitetura existente como base para estes mundos fictícios. Apesar dos avanços recentes em termos de tecnologias de animação e CGI, ainda há uso substancial da arquitetura existente para fornecer elementos estruturais palpáveis ao filme.
Em termos de reciclagem de estética arquitetônica, elementos do passado e do futuro são frequentemente integrados para criar um estilo hibridizado, uma amálgama de temas retrô, distópicos, modernistas e futuristas. Desde o ressurgimento de antigas pirâmides e templos, até panoramas que lembram a cidade de Nova York, o visual varia de acordo com as diferentes noções de como será nosso futuro.
Arcadia Cinema / DW9. Imagem cortesia de Iris Ceramica Group
No contexto da pandemia, em que diversos negócios foram forçados a fechar temporariamente, as salas de cinema em todo o mundo estiveram entre os setores mais afetados. Passados mais de dois anos, os efeitos remanescentes da COVID-19 ainda se fazem presentes, marcando um ponto de inflexão na experiência tradicional do cinema. Contudo, mesmo que o público ainda não esteja perto dos níveis pré-pandemia, determinados segmentos de espectadores e espectadoras continuam desfrutando dos benefícios da tela gigante, das poltronas confortáveis, dos potentes sistemas de som e da clássica pipoca de cinema.
No design de interiores – e em muitas outras disciplinas de design – é muito mais fácil ser insustentável. Comprar ou desenvolver soluções personalizadas para um espaço geralmente exige menos tempo e pesquisa do que a aquisição de materiais de segunda mão e de uma preocupação com o fluxo de resíduos e a economia circular.
Mas a indústria da construção civil e da decoração não pode mais se dar ao luxo de ignorar os impactos ambientais causados por suas atividades.
"A cidade é conflito, assim como a sociedade é conflito, mas que conflitos são moldados e expressos em cada cidade fala de como é cada uma delas", diz a antropóloga urbana María Cristina Cravino quando se refere ao direito à cidade na América Latina. Em um contexto crescente de cidades com processos de gentrificação, onde os altos preços dos terrenos e da habitação expulsam os moradores de baixa renda, o novo bairro Maestranza Ukamau oferece um exemplo interessante que tem muito a dizer sobre possíveis caminhos de acesso à moradia pública em Santiago do Chile.
O projeto, localizado nos terrenos da antiga Maestranza de Ferrocarriles San Eugenio, no centro, entre as ruas Santiago Watt e Exposición no bairro da Estación Central, não foi projetado apenas pelo arquiteto Fernando Castillo Velasco nos últimos anos de sua vida e continuado por seu filho Cristián Castillo junto com Elías Becerra e Pamela González, mas também pela comunidade de famílias organizada nas assembléias do Movimento Social e Popular Ukamau, onde deliberaram e discutiram passo a passo o projeto de suas casas. São quase 3 hectares de terra, 424 apartamentos.
A pintura é sinônimo de cor, mesmo quando é branca. É a forma mais simples de restaurar e corrigir as imperfeições de qualquer superfície, seja interna ou externa. Sem desmerecer esse grande benefício estético, a pintura possui propriedades que, por sua composição, transformam uma obra atraente e bem-acabada em um edifício saudável e com menor impacto ambiental durante seu ciclo de vida.
Se uma pessoa é instigada a imaginar um cenário de completo relaxamento, é mais provável que a primeira imagem que vem à mente seja um lugar cercado pela natureza, algo próximo a uma floresta, montanhas, mar ou prado. Você dificilmente imaginará um escritório ou um shopping center como fonte de conforto e relaxamento. Mesmo assim, a maioria das pessoas passa quase 80-90% do tempo dentro de edificações, movendo-se entre suas casas e seus locais de trabalho.
Arquitetos e designers agora estão procurando soluções que ressoarão bem no futuro, voltando-se para a 'biofilia' como uma importante fonte de inspiração que promove o bem-estar, a saúde e o conforto emocional.
Em tempos de transformações aceleradas e evolução constante, a arquitetura vem se adaptando a novas tecnologias construtivas e complexidades para atender às demandas do mundo contemporâneo. Equipes de especialistas de diversas áreas — arquitetura, engenharia, construção civil e uma ampla gama de profissionais — unem forças para viabilizar essas soluções em nosso ambiente construído. No ArchDaily, buscamos destacar esses agentes na arquitetura que selecionamos e publicamos diariamente; contudo, frequentemente nos deparamos com outros tipos de projetos, nos quais identificamos necessidades distintas e modos de construir próprios de determinados lugares e comunidades, que demandam, na mesma medida, equipes altamente qualificadas, técnicas locais específicas e saberes que merecem ser compartilhados.
Mapa Conceitual de Crescimento de Imagine Austin / Cidade de Austin. Imagem cortesia de The Dirt
“As práticas de planejamento do passado são inadequadas para os desafios de hoje”, afirmou David Rouse, ASLA, arquiteto paisagista e urbanista, na American Planning Association‘s Conferência Nacional de Planejamento em San Diego. Rápidas mudanças tecnológicas, desigualdades socioeconômicas, o esgotamento dos recursos naturais e as mudanças climáticas estão forçando profissionais de planejamento e design a se adaptarem. “Como a prática do planejamento pode evoluir para se tornar mais sustentável e equitativa?”
https://www.archdaily.com.br/pt/1134580/planejadores-agora-devem-antecipar-o-inesperadoJared Green
Caso você ainda não saiba: a personalização de móveis e acabamentos é um dos desenvolvimentos mais significativos no setor de design de interiores atualmente. Não é exagero dizer que toda conversa que tenho com marcas de design envolve o conceito de personalização — tanto que meu dicionário mental de sinônimos está repleto de alternativas para o termo, já que costumo escrevê-lo com bastante frequência.
A personalização costuma ser apresentada como o ápice do luxo moderno, mas será que é para todo mundo? Digo, sou totalmente a favor de expressar a individualidade em nossos interiores, mas também me lembro da paralisia que sinto diante de um cardápio de entrega de comida nos Estados Unidos. Quando agradar ao paladar envolve opções aparentemente ilimitadas, qual caminho seguir? Sem habilidades culinárias profissionais, a chance de errar aumenta. Isso não importa tanto quando se trata de montar o recheio de um sanduíche, mas quando o que está em jogo é a estrutura de um edifício ou a decoração de seus ambientes, a escolha precisa ser duradoura; ela precisa ser a correta.
https://www.archdaily.com.br/pt/1135017/sofisticacao-em-pisos-com-um-toque-pessoal-os-designs-personalizaveis-da-beauflorEmma Moore
Um novo tipo de arquitetura que se distingue por características regionais únicas surgiu em meados da década de 1990, quando, na China, os arquitetos começaram a projetar independentemente dos institutos administrados pelo governo. Os principais arquitetos chineses desta época conseguiram coletivamente produzir um corpo de trabalho arquitetônico único quando muitos edifícios construídos ao redor do mundo não estavam mais enraizados em seu lugar e cultura.
Em China Dialogues, Vladimir Belogolovsky traça um panorama da arquitetura chinesa através das palavras de seus principais participantes, levantando o véu sobre uma prolífica nova geração de arquitetos, cada um compartilhando uma compreensão altamente intelectualizada e conceitual da profissão. Seguindo o curso de 21 entrevistas acompanhadas por mais de 120 fotografias e desenhos de projetos lindamente executados em todo o país desde o início dos anos 2000, o China Dialogues apresenta o processo de pensamento dos principais arquitetos do país, fornecendo uma visão de suas ideias e intenções invulgarmente reveladoras e sinceras.
Os jardins e plantas de interiores trazem diversos benefícios para a vida cotidiana. O projeto paisagístico de interior, também chamado de plantscaping, é muito mais que simplesmente alocar plantas nos espaços internos; envolve a localização estratégica de espécies vegetais dentro de uma obra, buscando potencializar e destacar certos aspectos do projeto arquitetônico.
“Ler para a vida” é o nome do pavilhão da Prefeitura de Bogotá projetado por Yemail Arquitectura para esta nova edição da Feira Internacional do Livro de Bogotá (FILBO). Com mais de 30 mil visitantes, o pavilhão gerou grande impacto ao propor uma narrativa que permitisse aos/às visitantes compreender a capital colombiana sob diferentes perspectivas, considerando a composição rural da cidade e, ao mesmo tempo, propondo um futuro com uma conexão mais orgânica, no qual coexistissem em um único espaço a diversidade do bairro, a água, o ar, a terra e todas as urbe que se encontram na leitura, na coletividade e na natureza.
Como parte de uma iniciativa da LIGA, um espaço independente fundado na Cidade do México em 2011, que promove a arquitetura contemporânea latino-americana por meio de exposições, publicações, eventos, palestras e oficinas, foi inaugurada, no dia 21 de abril, a mostra “Registro: Museo Tamayo”, que integra a iniciativa LIGA-ARCHIVOS. Nesta ocasião, apresentou-se uma releitura do edifício projetado pelo arquiteto Teodoro González de León e construído em 1981 na Primeira Seção do Bosque de Chapultepec.