The Helios School / Schilling Architects. Imagem cortesia de Eastman
O vidro tornou-se um elemento central na arquitetura moderna com a introdução de novas estratégias para projetar e vivenciar os edifícios. Sua transparência e composição material permitem a entrada de luz natural, ao mesmo tempo que criam conexões contínuas entre os espaços internos e externos. No entanto, a onipresença deste material faz com que, a cada ano, bilhões de aves colidam contra estruturas de vidro.
Essas colisões tendem a ocorrer durante as rotas migratórias das aves, quando estas sobrevoam as cidades e são atraídas pelas luzes internas dos edifícios ou interpretam mal os reflexos externos de árvores e vegetações, resultando em um grande número de mortes e ferimentos desses animais. Em resposta a esse desafio, um número crescente de cidades está implementando legislações que exigem que novas construções utilizem vidros amigáveis para aves (bird-friendly). Sem comprometer o apelo estético do vidro, a Eastman desenvolveu as Saflex™ interlayers de PVB FlySafe™ 3D. Essa camada adicional apresenta um padrão tridimensional refletor que é altamente visível para os olhos das aves pelo lado de fora, enquanto permanece sutil para o olho humano a partir do interior. Investigando a aplicação dessa solução no projeto arquitetônico, mostramos como a Helios School adotou essa estratégia.
Bate Borisov Arena / OFIS Architects. Imagem cortesia de Euramax
As envoltórias dos edifícios criam um limite físico ou uma casca integrada à pele externa de uma estrutura, separando os ambientes interno e externo. Ao reunir componentes arquitetônicos como paredes, coberturas, janelas e portas, o edifício é fechado para fornecer proteção e isolamento, desempenhando um papel determinante na eficiência energética, no conforto, na estrutura e na durabilidade do projeto. Com múltiplos estilos e formas, elas são fundamentais para conferir caráter ao edifício, definindo sua aparência visual e sua integração com o entorno.
Mantendo as funções fundamentais de uma envoltória e, ao mesmo tempo, explorando possibilidades estéticas, as soluções personalizadas de revestimento metálico da Euramax criam envoltórias coloridas e não convencionais que permitem projetar com geometrias, padrões e configurações inovadoras.
Arranha-céus são símbolos icônicos de modernização urbana e avanços tecnológicos em toda a América do Norte. Com efeito, essas estruturas são consideradas um sinal de prosperidade econômica, densidade urbana e da ambição humana. Em grandes cidades em todo o sub-continente, eles dão forma para o horizonte e identidade a essas metrópoles. Cidades como Nova York, Toronto e Miami mostram poder por meio desses projetos de ponta, que vão além de sua estatura física.
De maneira geral, arranha-céus são caracterizados por sua altura notável e pioneirismo na engenharia. Eles utilizam materiais como aço, vidro e concreto, e servem como espaços multifuncionais, que vão desde moradia até hotéis e escritórios. Arquitetos de todo o mundo ampliam os limites da criatividade arquitetônica, do design, da sustentabilidade e da funcionalidade ao construir esses edifícios. As estruturas permitem que os arquitetos maximizem o uso da terra de novas maneiras em áreas urbanas densamente povoadas.
A partir da pandemia, os temas urbanos se tornaram mais latentes do que nunca na vida de muitas pessoas na América Latina. A Covid-19 gerou uma mudança bastante turbulenta no mercado imobiliário, tanto pela especulação gerada em muitos lugares pelo comércio de segundas casas, quanto pelo fenômeno dos "nômades digitais" em lugares como Medellín, Buenos Aires ou Cidade do México.
Hoje, o trabalho fora do escritório tornou-se a norma em diversos setores, transformando nossa dinâmica de trabalho e a interação com membros da equipe e clientes. Diante dos possíveis desafios do trabalho remoto (como conexão e estabilidade de internet), as organizações precisam desenvolver sistemas adequados para manter a produtividade e promover o mesmo senso de equipe e cultura encontrado nos escritórios tradicionais. Como sabem as equipes de arquitetura, engenharia e construção (AEC), a colaboração é a chave para impulsionar a criatividade e é essencial para a conclusão bem-sucedida de qualquer projeto de design.
Seja por um esforço motivado pela culpa para reduzir a própria pegada de carbono, por uma redução nas contas de energia visando a economia ou simplesmente para aproveitar um programa de incentivo governamental, as escolhas de design e construção sustentável já não são exclusividade das pessoas mais conscientes ecologicamente, mas sim de qualquer pessoa atenta tanto ao custo atual da energia quanto ao custo futuro de sua obsolescência.
Independentemente da motivação, enquanto tentamos reduzir a nossa dependência autodestrutiva de combustíveis fósseis, nossas casas e edifícios estão gradualmente dando as costas ao gás — um dos últimos obstáculos entre nós e uma residência de carbono zero. Esses sistemas e eletrodomésticos alternativos funcionam com eletricidade renovável, rompendo nossa dependência de produtos poluentes movidos a gás e utilizando tecnologias elétricas inovadoras para aprimorá-los ainda mais.
Cortesia de Raymond Neutra e do Neutra Institute, Foto de Julius Shulman | VDL Research House
Foi, naturalmente, Frank Lloyd Wright quem preparou o terreno para a arquitetura moderna em Los Angeles. Depois dele vieram os vieneses: Rudolph Schindler, em 1920, e Richard Neutra, em 1925, a convite de Schindler. Ambos trabalharam com Wright, optando por absorver dele o que consideravam essencial — com foco na clareza espacial e formal, na flexibilidade, na materialidade contida e no ambiente habitável para alcançar a qualidade de vida desejada no interior. Neutra e Schindler colaboraram inicialmente e, em seguida, cada um construiu um portfólio rico, composto principalmente por casas e blocos de apartamentos. Universais em princípio, essas estruturas abstratas e robustas definiram e lideraram o desenvolvimento de um vernáculo construtivo local. Esses edifícios, que somam várias centenas, estão hoje fortemente associados à cidade adotiva de ambos.
A incorporação de materiais locais na arquitetura ganha cada vez mais protagonismo diante da necessidade de encontrar novas formas de construção mais sustentáveis e que contribuam para combater a crise climática atual. Ao compreender o comportamento dos diferentes materiais e suas principais propriedades construtivas, diversos/as profissionais da arquitetura apostam no uso do bambu, buscando desenvolver estratégias e implementar metodologias que viabilizem sua aplicação tanto nas estruturas de seus projetos quanto nos fechamentos e demais elementos que compõem os espaços.
Fibra de Vidro EQ Dekor. Imagem cortesia de Inkiostro Bianco
Com sua variedade de cores, padrões, texturas e materiais, a integração de papéis de parede pode enriquecer a estratégia de design de um espaço. O recurso destaca as paredes, adicionando profundidade aos ambientes, ao mesmo tempo em que eleva sua estética e personalidade.
Diante disso, a Inkiostro Bianco pesquisa e desenvolve novas e versáteis soluções em papel de parede, adequadas para áreas internas e externas. Com estampas que vão de inspirações naturais a formas geométricas contemporâneas, esses papéis de parede traduzem ideias abstratas em realidade, adaptando-se tanto a projetos de interiores modernos quanto clássicos. Desafiando os limites dos materiais tradicionais, os papéis de parede de fibra de vidro EQ Dekor combinam durabilidade, resistência à umidade e apelo estético para estabelecer novos padrões em revestimentos de parede. Mas como incorporar essa solução ao projeto de cozinhas, banheiros e pisos?
O entendimento contemporâneo da neuroarquitetura desencadeou um novo foco no design inclusivo, com ênfase na criação de ambientes que respeitem e respondam às necessidades específicas das pessoas. Nesse contexto, a abordagem do design arquitetônico para pessoas no espectro do autismo ganhou destaque.
A arte sempre foi um meio pelo qual as pessoas podem se conectar com os espaços, e os movimentos artísticos têm servido como uma plataforma para explorar novas relações com a arquitetura. Ao incorporar a arte em edifícios e espaços internos, eles foram transformados, resultando em uma fusão que cria ambientes bonitos, inspiradores e espiritualmente edificantes. Ao longo da história, vários movimentos artísticos, como o Renascimento no século XVII, o Barroco no século XVIII e o Art Nouveau, Art Déco e Bauhaus no início do século XX, tiveram um impacto significativo na arquitetura. Os arquitetos se inspiraram nos ideais, conceitos, abordagens estilísticas e técnicas desses movimentos, usando-os para criar estruturas habitáveis em grande escala. Como a casa é uma expressão fundamental de um movimento arquitetônico e a moldura mais simples para exibir o ethos artístico de uma determinada época, estudar seus espaços internos fornece uma imagem detalhada da influência da arte na organização espacial, design de móveis, padrões de produtos e interação do usuário.
Desde o período pré-colombiano das Américas -quando culturas como Olmec, Maia, Purepecha e Mexica (Astecas) prosperaram- até a era moderna, onde a arquitetura foi influenciada por movimentos sociais e até desastres naturais, a arquitetura mexicana mostra uma expressão arquitetônica valiosa, com sua própria voz e características distintas. O prêmio Nobel Octavio Paz argumentou que a arquitetura é uma testemunha incorruptível da história. Da mesma forma, os materiais usados para moldá-la atuaram como protagonistas dessa história, durando em muitos casos ao longo do tempo e evoluindo graças às gerações de arquitetos que contribuíram para ela, de diferentes perspectivas.
Para traçar uma linha do tempo, é possível tomar como uma arquitetura pré-hispânica de ponto de partida, que exibiu uma diversidade de nuances devido à vasta extensão territorial do México. Isso permitiu que diversas culturas encontrassem seu nicho e desenvolvessem seus estilos arquitetônicos característicos. Posteriormente, a era da colonização espanhola, que atraiu a influência da arquitetura islâmica, representou um ponto de virada notável no desenvolvimento arquitetônico. Essa fase perdurou até o advento da independência mexicana no século XIX. Por sua vez, isso marcou o início dos movimentos sociais e culturais, durante e após a revolução mexicana no início do século XX.
https://www.archdaily.com.br/pt/1005773/materiais-que-definem-a-estetica-arquitetonica-mexicana-contemporaneaEnrique Tovar
As cores são fundamentais para as dinâmicas e o cotidiano da vida urbana, mas seu impacto ultrapassa sua aparência e dimensão estética, sobretudo para as pessoas com algum tipo de comprometimento visual. Para essa parcela da população, as cores desempenham um papel ainda mais significativo, porém muitas vezes subestimado, na formação e aprimoramento da acessibilidade dos espaços públicos. A arquitetura tem um papel importante nessa inclusão, o que perpassa a escolha consciente de cores que tem o poder de melhorar a acessibilidade urbana e criar um ambiente mais inclusivo para as pessoas de todas as habilidades.
O The Second Studio (anteriormente conhecido como The Midnight Charette) é um podcast sem filtros sobre design, arquitetura e o cotidiano. Apresentado pela dupla de arquitetos/as David Lee e Marina Bourderonnet, o programa recebe diferentes profissionais criativos para conversas espontâneas que dão espaço a reflexões profundas e discussões pessoais.
Uma variedade de temas é abordada com honestidade e humor: alguns episódios trazem entrevistas, enquanto outros oferecem dicas para colegas designers, análises de edifícios e projetos, ou explorações informais sobre o cotidiano e o design. The Second Studio também está disponível no iTunes, Spotify e YouTube.
Esta semana, David e Marina discutem como as faculdades podem preparar melhor os/as estudantes para suas carreiras e para enfrentar questões de equidade, justiça social e mudanças climáticas. As perguntas foram extraídas do painel do Fórum de 2023 do EQiA (Equity in Architecture), realizado no Instituto de Tecnologia da Geórgia (Georgia Institute of Technology). O EQiA é uma organização estudantil do College of Design do Georgia Tech, dedicada à união e à equidade na arquitetura.
https://www.archdaily.com.br/pt/1138279/the-second-studio-podcast-preparando-estudantes-para-suas-carreiras-e-desafios-globaisThe Second Studio Podcast
A locomoção em algumas cidades pelo mundo é mais simples de compreender, assim como achar um endereço sem o GPS não se torna uma tarefa tão difícil, mesmo para quem visita um lugar pela primeira vez. O desenho dos municípios ajuda a explicar essa sensação que determinadas localidades transmitem. Espaços urbanos projetados em grelha (ou grid, do original em inglês), como Barcelona (Espanha), Nova York, Chicago e Phoenix (EUA) e Toronto (Canadá), por exemplo, no qual as vias se cruzam formando ângulos retos — compondo um mapa parecido com uma grade — facilitam a orientação dos indivíduos e otimizam a utilização dos ambientes.
Cripta da Catedral Metropolitana de São Paulo. Imagem: Tatiana Sapateiro from São Paulo, Brasil, CC BY 2.0 , via Wikimedia Commons
Arcos ogivais, abóbadas de cruzaria, vitrais coloridos, florão, rosácea, detalhes decorativos complexos. Estes são alguns dos elementos que ajudam a caracterizar a arquitetura gótica, movimento que surgiu e vigorou na Europa do século X ao XV. No Brasil, eles foram incorporados tardiamente, num contexto que revivia o movimento geral e foi chamado de neogótico. A expressão desse ressurgimento histórico é vista principalmente em grandes igrejas e alguns edifícios históricos. Por mais que o país tropical não apresente tantas obras como no continente europeu, é possível encontrar arquiteturas que expressam seus ideais de norte a sul.
Embora o uso da cor possa ser utilizado para esconder ou disfarçar uma característica específica, também pode servir para destacá-las. Dentro do território latino-americano, podemos descobrir que em estruturas e fechamentos têm predominado tonalidades de vermelho, verde e azul no contexto de uma arquitetura residencial que pretende integrar uma linguagem adequada ao ambiente em que se insere.
Os designers e arquitetos têm, hoje em dia, uma infinidade de opções de pisos de alto desempenho à sua disposição. Desde escolhas mais comuns, como madeira, carpete, azulejos cerâmicos, porcelanato ou pedra natural, até alguns favoritos, como granilite, concreto ou epóxi. A estas, somam-se opções menos óbvias, como cortiça e couro, e suas variações artificiais em pisos laminados e vinílicos: as opções são inúmeras.
No entanto, apesar da variedade de opções, tendemos a fazer nossas escolhas usando apenas um tipo de piso para cada cômodo. Não é o caso dos quatro projetos a seguir, que selecionam e combinam diferentes tipos de pisos no mesmo ambiente, alterando nossa relação com os espaços.
Ao estudar e viajar por cidades do mundo inteiro, uma das cenas urbanas mais marcantes que vi foi uma praça em Tóquio cheia de crianças uniformizadas, brincando durante seu intervalo escolar. A praça tinha apenas uma cerca baixa, mas pessoas diversas (como eu) podiam se misturar e interagir em meio às crianças. A independência infantil no Japão é mundialmente conhecida e foi recentemente retratada na série “Old Enough” do Netflix, onde crianças com menos de 6 anos fazem tarefas fora de casa, sozinhas, sem os pais. Para um morador de Tóquio talvez sejam cenas corriqueiras, mas para alguém com outro referencial urbano, é imediata a pergunta “como isso é possível?”, tão distante é da realidade da maior parte das nossas grandes cidades.
A modernidade e a globalização diminuíram as distâncias entre lugares, alteraram as formas de se relacionar, aceleraram a troca de informações entre países, e, de certa maneira, fizeram o mundo conhecido para todo mundo. Mas a verdade é que “todo mundo” é muita gente, e a dupla modernidade-globalização trouxe consigo a evidente disparidade social e tecnológica, e países privilegiados acabaram protagonizando certos modos de lazer, cultura e consumo. A hegemonia de determinadas culturas acabou incutindo a ideia de que existe um jeito “certo” de se viver e construir cidades, e o desenvolvimento indômito tem custado aos biomas do planeta Terra.
A Atrium Ljungberg divulgou recentemente o Stockholm Wood City, o maior projeto de construção urbana em madeira do mundo — uma tentativa de demonstrar a preocupação sueca com a sustentabilidade. Do outro lado do mundo, o Projeto Tamango da Tallwood Architects é um exemplo dos desafios e oportunidades da construção em madeira no Chile e poderá ser o primeiro edifício de 12 pavimentos feito com estrutura de madeira pré-fabricada na América Latina.
Em meio à globalização da arquitetura, a arte de criar projetos adequados a contextos específicos está desaparecendo. Essa preocupação é especialmente significativa em países em crise, como a Ucrânia, onde a história do ambiente construído está sendo erodida pela guerra. Nessas condições, a contribuição de arquitetos locais com conhecimento das nuances culturais do país se torna imperativa. Liderando a reconstrução da Ucrânia está a prototype, uma prática que desafia convenções arquitetônicas para impulsionar o país em direção ao futuro.
Reconhecendo sua visão voltada para o futuro, o ArchDaily apresentou a prototype como parte das Novas Práticas 2023, uma pesquisa anual global. A perspectiva do escritório sobre o futuro da arquitetura está alinhada ao design responsável que aborda o impacto ambiental da construção e combina considerações contextuais e específicas para cada projeto. Suas realizações recentes incluem a livraria Readellion e a Casa da Juventude Ucraniana-Dinamarquesa, que exemplificam seus princípios de projeto como mobilidade, adaptabilidade, níveis dinâmicos e mudança de cenários.
No projeto de espaços abertos, considero que um dos conceitos mais importantes — e mais difíceis de serem explicados — é o de conformação de espaços abertos “positivos”. Até onde pude apurar, essa denominação foi dada por Alexander et al (1977) no “Linguagem de Padrões” e continua sendo utilizada por outros autores (ver, por exemplo, CARMONA et al, 2003), apesar de não ser um termo amplamente adotado.