
A cidade não é mais o que costumava ser. As esferas privada e pública tornaram-se completamente indistintas. Não podemos mais pensar em espaços distintos para o trabalho, o lazer, a vida doméstica e o descanso. Vivemos em uma cultura 24/7. A industrialização trouxe consigo o turno de oito horas e a separação radical entre a casa e o escritório ou a fábrica, entre o descanso e o trabalho, a noite e o dia. A pós-industrialização faz o trabalho colapsar de volta para dentro de casa, levando-o ainda mais longe: para o quarto e para a própria cama. Tecnologias eletrônicas em rede eliminaram qualquer limite para o que pode ser feito na cama. Milhões de camas dispersas estão substituindo os edifícios de escritórios concentrados. O boudoir está derrotando a torre. Esta palestra explora o novo papel da cama como epicentro do trabalho, do pós-trabalho e do amor na era das redes sociais.
Sobre a palestrante
Beatriz Colomina é professora de História da Arquitetura Howard Crosby Butler na Universidade de Princeton e bolsista (2018–2019) no Wissenschaftskolleg zu Berlin. Ela escreve e faz curadoria sobre questões de design, arte, sexualidade e mídia. Seus livros incluem Sexuality and Space (Princeton Architectural Press, 1992), Privacy and Publicity: Modern Architecture as Mass Media (MIT Press, 1994), Domesticity at War (MIT Press, 2007), The Century of the Bed (Verlag fur Moderne Kunst, 2015), Manifesto Architecture: The Ghost of Mies (Sternberg, 2014), Clip/Stamp/Fold: The Radical Architecture of Little Magazines 196X–197X (Actar, 2010) e Are We Human? Notes on an Archaeology of Design (Lars Muller, 2016). Ela foi curadora de diversas exposições, incluindo Clip/Stamp/Fold (2006), Playboy Architecture (2012) e Radical Pedagogies (2014). Em 2016, foi co-curadora da terceira Bienal de Design de Istambul. Seu livro mais recente é X-Ray Architecture (Lars Muller, 2019).
Sobre a série de palestras
Esta série apoia pesquisas de destaque na história da arquitetura e áreas correlatas, baseando-se no trabalho do professor Robin Evans (1944-1993). Ela incentiva pesquisadores/as que trabalham na relação entre os domínios espacial e social no desenho arquitetônico, na construção e além. O trabalho de Evans interrogou os espaços que existiam entre o desenho e a construção, a geometria e a arquitetura, revelando pontos de tradução frequentemente negligenciados. Desde seu trabalho inicial sobre o projeto de prisões e espaços domésticos até seu trabalho posterior sobre geometria arquitetônica, Evans buscou articular os múltiplos pontos nos quais a imaginação humana poderia influenciar a forma arquitetônica. Seu primeiro livro, The Fabrication of Virtue, analisou a maneira como os layouts espaciais proporcionavam oportunidades para a reforma social por meio de sua interferência na moralidade, na privacidade e na classe social. Em The Projective Cast: Architecture and its Three Geometries, Evans traçou as origens da tradição humanista para entender como a forma humana influenciava o desenho e a construção arquitetônica, concentrando-se nas dimensões estéticas na produção do espaço arquitetônico. Esta série oferecerá oportunidades para a criação e/ou disseminação de trabalhos de pesquisadores/as que atuam em questões semelhantes de espaço, temporalidade e arquitetura. Em particular, apoia trabalhos que rompem as fronteiras das disciplinas tradicionais para refletir sobre essas redes complexas envolvidas no espaço entre a imaginação humana e a produção arquitetônica.
