
Presentes arquitetônicos estão por toda parte: bibliotecas financiadas por filantropia abastada, abrigos doados por organizações humanitárias, fazendas pagas com subsídios de desenvolvimento, mesquitas financiadas por fundações islâmicas e estádios entregues como parte de ofensivas diplomáticas de charme. Enraizados em tradições religiosas e imperiais de dádiva, os presentes arquitetônicos moldam o processo de urbanização em todo o mundo. Presentes arquitetônicos humanitários, desenvolvimentistas e diplomáticos tornaram-se onipresentes em metrópoles e seus interiores em rápida expansão na África, Ásia e América do Sul. Em cidades norte-americanas e europeias, filantrocapitalistas investem em instalações culturais, sociais e educacionais deixadas pelo Estado de bem-estar social em declínio.
Esta exposição apresenta edifícios presenteados — do espetacular ao mundano, do extravagante ao genuinamente útil — que mostram como a relação desigual entre quem doa e quem recebe resulta tanto em generosidade quanto em violência exercida pela e através da arquitetura. Quais são os benefícios de um presente arquitetônico e como ele pode causar danos? Documentamos como a doação e o recebimento de arquitetura impactam a produção desses edifícios, incluindo seu programa, projeto e materialidade, bem como as relações de trabalho no canteiro de obras. Consideramos os ganhos econômicos e a influência política dos doadores. Exploramos se os presentes arquitetônicos exigem reciprocidade e, em caso afirmativo, o que constitui um contra-presente. Questionamo-nos se as obrigações de quem recebe e de quem doa persistem após a conclusão de um edifício. Qual é a vida útil pós-conclusão de um edifício presenteado e como ele é percebido, mantido e utilizado pelas comunidades locais?
