
YAC - Young Architects Competitions lança o “Ghost Town Refuge”, um concurso de ideias que visa projetar refúgios contemporâneos entre as ruínas da antiga Craco, com o objetivo de proporcionar aos visitantes uma experiência sublime: viver entre ruínas e adormecer sob as abóbadas descobertas de uma cidade fantasma. Um prêmio em dinheiro de € 15.000 será concedido aos vencedores selecionados por um júri de renome, composto por David Chipperfield, Joao Carrilho da Graça, Ian Ritchie, Alberto Veiga, Benedetta Tagliabue (Miralles Tagliabue), entre outros.
Assim como os templos de Angkor e as ruínas de Chernobyl, as cidades fantasmas sempre desempenharam um papel especial no imaginário coletivo. Existe um axioma, uma conexão misteriosa e elusiva entre a vida que passou por um lugar e o fascínio que tal espaço induz uma vez abandonado. É como se qualquer evento ocorrido na arquitetura pudesse deixar uma marca no local, como se qualquer pessoa que vivesse ali pudesse conferir um valor único ao espaço. É algo intangível, porém real; misterioso, porém perceptível. É algo que permanece ao longo do tempo, à medida que os ecos de vidas distantes transformam cidades abandonadas em lugares de charme indescritível.
Craco não é exceção. Empoleirada em pináculos de pedra e cumes de argila, Craco é o arquétipo da cidade fantasma. É uma cidade queimada pelo sol e devastada por invernos rigorosos. É um conjunto de casas composto por tijolos instáveis que se agarram uns aos outros. Sua disposição é tão expressiva e fascinante que parece artificial. É uma escultura de casas com telhados arrancados, abóbadas interrompidas e torres de sino em ruínas. É um lugar que não pertence ao presente. Este espaço está preso nas profundezas do passado. Aqui, o tempo e o abandono realizaram um de seus milagres mais indescritíveis.
