
No passado, as cidades eram, frequentemente, manifestações diretas de sua cultura. A capacidade de promover encontros cívicos, a troca de ideias e valores, e a celebração cultural refletiam-se na esfera pública e na programação do tecido urbano. Ao longo do século XXI, vivenciamos uma integração global sem precedentes. Os avanços tecnológicos e as políticas econômicas internacionais reduziram muitas barreiras ao livre fluxo de bens, serviços, capital e pessoas. Esse ritmo acelerado de globalização impulsionou oportunidades econômicas e trouxe consigo muitos outros benefícios, mas também começou a diluir a identidade cultural nas cidades.
A autenticidade é frequentemente perdida quando se permite que o desenvolvimento se sobreponha a resultados sociais importantes. O ritmo acelerado do desenvolvimento também pode erodir o senso de lugar e a autenticidade, levando a uma monotonia insípida e à homogeneização. Uma “gentrificação” das cidades, onde podemos encontrar um Starbucks, Petco e Shake Shack a cada esquina. A cultura é muito mais do que a imagem de marca da cidade. Ela é definida pelas pessoas e comunidades que a compõem. À medida que as pessoas buscam conexões mais profundas com seu entorno, manter a autenticidade e a singularidade de um lugar também pode ter implicações econômicas positivas; é isso que, muitas vezes, confere às cidades sua vantagem competitiva.
E, à medida que a tecnologia e as redes sociais continuam a nos conectar e, simultaneamente, a nos isolar, qual é o papel da identidade cultural nas cidades? A identidade cultural ainda é relevante na cidade globalmente diversa? O objetivo deste concurso é buscar ideias sobre como arquitetos/as, designers, planejadores/as e o público em geral podem contribuir para uma cidadania informada que promova a consciência sobre cultura, etnia e identidade. Espaços, projetos e intervenções que promovam a tolerância e a equidade podem facilitar melhor o intercâmbio multicultural ao promover oportunidades de interação pacífica?
