
A exposição Bem-estar na Cidade, na Casa de la Arquitectura e com curadoria de Izaskun Chinchilla, foi concebida como um dispositivo crítico que reconsidera os fundamentos sobre os quais o bem-estar urbano tem sido historicamente construído. Em vez de definir o bem-estar como um conjunto de indicadores (expectativa de vida, taxas de obesidade ou diabetes) ou como a prestação de serviços, a exposição aborda-o como uma condição relacional, dependente da qualidade das interações entre corpos, comunidades e ambientes. No centro de seu quadro conceitual está o termo quéchua Sumak Kawsay — Bem Viver — que integra dimensões materiais, biológicas, sociais e ecológicas em um único plano.
A exposição estabelece um diálogo com outras genealogias culturais — como ikigai, dharma ou Gaki Pelzom — a fim de desafiar modelos ocidentais centrados no crescimento e na quantificação. A existência dessas sabedorias ancestrais nos levou a olhar para a Ásia e a América Latina, além da Europa, ao selecionar os estudos de caso da exposição. Sob essa perspectiva, o bem-estar é entendido como a sustentabilidade das relações que tornam a vida cotidiana possível. Essa mudança permite que a cidade seja reinterpretada não como um sistema funcional, mas como uma infraestrutura que sustenta ciclos vitais.
Em contraste com a obsessão de muitas exposições e publicações sobre urbanidade em antecipar a "cidade do futuro", esta exposição propõe prestar atenção à repetição de decisões vitais — respirar, mover-se, comer, descansar — que moldam a experiência urbana. A cidade é apresentada como o resultado cumulativo dessas práticas, deslocando o foco das decisões técnicas para uma compreensão mais profunda das condições espaciais que permitem que essas ações sejam realizadas com maior satisfação.
