
Após o contundente relatório publicado pelo IPCC em meados de 2021, a mensagem é clara: já não há como reverter as mudanças climáticas. A ideia de que a humanidade conseguiria sair impune, esgotando e sobreexplorando a Terra sem sofrer as consequências, provou-se equivocada. O modelo de desenvolvimento e crescimento que nos rege há pelo menos dois séculos deve ser repensado desde suas raízes, caso queiramos continuar nossa vida neste planeta. Por isso, para este ano de 2022, não podemos deixar de questionar o que temos feito até agora. Com o intuito de impulsionar o pensamento no sentido de desfazer o que temos feito de errado, as três edições da revista ARQ do próximo ano serão dedicadas a diferentes formas de repensar nossa relação com o entorno: “Decolonizar” (ARQ 110), “Decrescer” (ARQ 111) e “Desconstruir” (ARQ 112).
Como uma forma de romper com as relações de poder herdadas e questionar as noções de superioridade e inferioridade entre pessoas, países ou raças, a ideia de descolonização tem ganhado terreno no pensamento contemporâneo. Embora a ideia tenha surgido em meados do século passado, é apenas no início desta segunda década do século XXI que ela se tornou um imperativo cultural, intelectual e ético. A partir dessas ideias, esta edição 110 da revista ARQ estrutura-se com base nas seguintes perguntas: ¿De que maneira o colonialismo influenciou a construção da arquitetura como campo de conhecimento e como disciplina? ¿Que exemplos – recentes ou passados – abordaram criativamente este problema? ¿Como a arquitetura pode participar desta conversa? ¿Podemos pensar em projetos decolonizadores? Assim, as contribuições que recebermos não apenas ajudarão a compor esta edição da ARQ, mas também poderão se tornar o sustento de novas relações, tanto entre nossa espécie e outras, quanto com nosso planeta.
- Abertura da chamada: Setembro de 2021
- Encerramento da chamada: 10 de dezembro de 2021
- Confirmação da seleção: Janeiro de 2022
- Publicação da edição: Abril de 2022
