
A arquitetura, como qualquer disciplina, desenvolve sua teoria em palavras; mas, simultaneamente, é capaz de pensar em imagens. Quando os humanistas do Renascimento começaram a expor seu saber sobre a arte de construir em tratados, tenderam a combinar palavras e ilustrações. De fato, alguns dos mais célebres tratados assemelham-se mais a um atlas visual do que a um volume escrito. Mas como a imagem pode desenvolver uma teoria? A fertilidade teórica da imagem surge, quase de surpresa, se substituirmos a concepção moderna de "teoria" pelo sentido genuíno do termo grego theoria: ato visual de "contemplação" e "especulação", de desenvolver uma "visão".
Atlas de teoria(s) da arquitetura é uma mostra visual sobre diferentes modos de ver a arte de construir: diversas formas de conceber o que é a arquitetura, como ela é feita e como deve ser compreendida. Cada geração de arquitetos/as precisou reescrever a história a partir de seu próprio presente e, consequentemente, desenvolver também sua própria teoria — que, como um fantasma, apresenta-se como urgência repetidas vezes. A teoria da arquitetura, como demonstrou Hanno-Walter Kruft, conforma-se como uma multiplicidade de teorias da arquitetura que se conectam, por sua vez, por uma multiplicidade de relações históricas.
