
O abismo de gênero na arquitetura persiste. Estudantes o veem em seus/suas mentores/as, profissionais o vivenciam no escritório, e a representação da profissão na mídia segue o mesmo caminho. Embora as faculdades de arquitetura estejam cada vez mais equilibradas demograficamente em relação ao gênero em suas populações estudantis, o corpo docente e a prática profissional permanecem amplamente desequilibrados, indicando que a programação nas faculdades pode estar conduzindo os gêneros à profissão de forma desigual, ou "perdendo" certas populações ao longo do caminho, ou ainda que a ponte entre a academia e a prática esteja rompida. Isso sem mencionar a experiência de pessoas de gêneros não binários na arquitetura, sobre a qual a documentação é quase inexistente. Sem uma representação igualitária de todos os gêneros na profissão, é praticamente impossível que a prática da arquitetura, como um todo, atenda seus clientes e comunidades de forma equitativa. É necessária uma multiplicidade de perspectivas para atender comunidades diversas de forma ponderada e eficaz, e é dever da arquitetura fazê-lo.
Esta série de diálogos visa abordar questões importantes para estudantes, que enfrentam diariamente no ateliê, e colocá-los/as em conversa com pessoas que possam ajudá-los/as a entender como esclarecer e usar suas vozes para o aprimoramento de sua experiência na faculdade e da profissão na qual estão inserindo suas vozes.
