
Em meados da década de oitenta, as campanhas publicitárias da marca Benetton — com direção de arte de Oliviero Toscani — conferiram uma imagem icônica à convivência entre diferentes raças e, com isso, à própria ideia de diversidade. No ano 2000, uma imagem criada pelo designer polonês Piotr Mlodozeniec conseguiu escrever a palavra "CoeXisT", com o C substituído por uma meia-lua muçulmana, o X pela estrela de Davi — símbolo judaico — e o T pela cruz latina, representando o cristianismo. Por meio dessas imagens, a ideia de coexistência era associada à de tolerância, em oposição tanto ao racismo quanto ao fundamentalismo religioso.
Lamentavelmente, esse ideal de tolerância foi desestabilizado no século XXI. Na primeira década do século, tanto a chamada "Guerra ao Terror" quanto a Segunda Intifada colocaram em dúvida a possível coexistência de diferentes crenças religiosas. Por sua vez, as reações nacionalistas e xenófobas diante da onda migratória da última década tornaram difícil pensar na convivência entre diferentes raças. As respostas díspares diante do aquecimento global também nos lembram que, perante a ameaça à sobrevivência da espécie, o egoísmo parece prevalecer sobre a colaboração.
