
Um bom projeto demonstra sensibilidade em relação aos seus usuários e suas necessidades, frequentemente reimaginando as experiências do usuário em um determinado espaço para promover beleza e deleite; em lugar nenhum essa sensibilidade é mais essencial do que ao projetar para os membros mais jovens e impressionáveis de nossas sociedades. Do nascimento e da infância até a adolescência e o início da vida adulta, os espaços nos quais — por escolha ou não — colocamos nossas crianças ou aos quais submetemos nossa juventude estruturam inerentemente suas experiências formativas do mundo. Podemos passar a pensar no design como um ato de cuidado, e considerar como o design e seus processos relacionados podem fazer parte da responsabilidade de cuidado que temos para com a geração mais jovem, seja projetando para crianças de forma intencional ou inadvertida.
“Mãe”, do grego ‘mētēr’ e ‘mḗtra’, que significa útero, e do latim ‘māter’, compartilha linhagens etimológicas com matéria, material, medicina e metrópole — levantando a questão de como as cidades, a governança, a cura e as culturas materiais servem para nutrir a nova vida e a criatividade. Essas questões possuem potenciais construtivos e radicalmente subversivos, especialmente quando o ato de “maternar” é, ao mesmo tempo, açucarado e facilmente vilipendiado: é frequentemente associado a papéis heteronormativos ou descartado como mero trabalho doméstico, e, logo em seguida, identificado com a mesma facilidade como a causa raiz de danos psicológicos. Se a maternidade pode abranger desde um instinto animal ou martírio até um bode expiatório para as doenças sociais, onde e como ela pode se cruzar com o design?
A próxima edição da The Site Magazine busca explorações (em qualquer formato) que digam respeito ao design para a juventude, ou como ela o vivencia, e/ou através da lente de “mãe” (considerando este termo em seu sentido mais amplo e queer). De ambientes de parto ao design educacional, de paisagens de memória e imaginação a playgrounds urbanos acidentais, como podemos promover, proteger e reimaginar ambientes positivos para as crianças e jovens de hoje? Como respondemos ao deslumbramento e ao otimismo associados à infância, especialmente fora dos espaços infantis socialmente sancionados, como escolas e playgrounds? Como podemos centralizar as necessidades das crianças contra o adultismo sistêmico? Onde o design para a juventude pode se cruzar melhor com a queerização dos espaços públicos? Pode a infância, com todos os seus anseios e esperanças para o futuro, servir como um programa de necessidades para o design?
