
A fase atual do desenvolvimento capitalista manifesta-se por meio de uma gama muito diversa de subprodutos espaciais: centros de dados, armazéns, terminais de contêineres, parques logísticos, entre muitos outros. Geralmente considerados exemplos medíocres e banais que se situam fora dos cânones disciplinares preestabelecidos, esses episódios arquitetônicos são extremamente relevantes. São relevantes não por suas qualidades estéticas ou históricas, mas pelo que representam – pelo sistema de valores que esses espaços incorporam. Expressam relações de poder específicas, exacerbam questões trabalhistas e geram processos dramáticos de subjetividade. Mais importante ainda, essas arquiteturas, apesar de sua heterogeneidade formal e tipológica, pertencem a um paradigma comum: o SEM-EXTERIOR.
Como pode ser definida uma arquitetura do SEM-EXTERIOR? Como ela se diferencia de exemplos e manifestações do passado? De que maneira noções de legibilidade, forma versus função e articulação tipológica entram em jogo?
Ao situar as espacialidades do capitalismo contemporâneo dentro do debate mais amplo sobre o Antropoceno, o Pós-Antropoceno e o Capitaloceno, o livro tenta responder a essas perguntas delineando três características principais para uma arquitetura do SEM-EXTERIOR: seu papel físico e simbólico como interface; sua condição ambígua de ser, ao mesmo tempo, local e global, isolada e conectada, comprimida e expandida; e, por fim, sua contribuição para novas formas de urbanidade na ausência da cidade tradicional. Esses três aspectos definidores constituem as seções principais do livro. Cada seção inclui dois capítulos que abrangem um amplo espectro de temas e exemplos. Em sua organização tripartida, o livro descreve a influência que a arquitetura experimental da década de 1960 exerceu sobre os subprodutos espaciais do capitalismo tardio; analisa o impacto da logística no redesenho do território; e introduz os processos radicais de transformação urbana gerados pelo SEM-EXTERIOR.
