
Os textos que compõem esta seleção, leves e, ao mesmo tempo, lúcidos, e que habitualmente seriam considerados menores (apresentações de conferencistas, prefácios, artigos jornalísticos e alguns ensaios breves), permitem a Iñaki Ábalos (catedrático de Projetos na ETSAM, diretor do Departamento de Arquitetura da GSD de Harvard entre 2012 e 2016, arquiteto de destaque e autor prolífico) investigar como poderia ser a arquitetura do século XXI e qual será o papel dos “arquitetos da vida moderna”. Nesses escritos, ele fala daqueles de sua mesma geração que estão consolidando posturas teóricas e práticas inovadoras (Johnston&Marklee, Sergison&Bates, Lacaton&Vassal, Amid.cero9, Lateral, Christ&Gantenbein, Liu Yichun, David Adjaye, Ciro Najle, Beigel, Christou, Moe…), revisita criticamente seus mestres, por vezes heterodoxos e outras vezes injustamente esquecidos (Taut, Hilberseimer, Mies, Fuller, Goldsmith, Le Ricolais, Price, Branzi, Cook, Higueras, Peña Ganchegui…), e ignora elegantemente o star-system.
Acompanhando a acelerada transformação social, cultural, econômica e tecnológica ocorrida nestas duas últimas décadas, que tornou obsoletas muitas abordagens e deslocou a produção arquitetônica para longe da Europa e até mesmo dos EUA, em direção a novos focos de poder na Ásia, na América Latina e, em breve, na África, questões como tardocapitalismo, reciclagem, obsolescência, energias, recursos, infraestruturas, arranha-céus, metrópoles e paisagem passaram para o primeiro plano. Nesse contexto, Ábalos entende o pragmatismo como um valioso filão de pensamento e detecta bases produtivas para a ação na instrumentalidade do projeto, entendido como um laboratório de ideias. Polemicamente, as novas técnicas disponíveis (usadas sem ingenuidade) e o surgimento de uma arquitetura termodinâmica (em vez de tectônica) levam-no a defender a autonomia disciplinar nestes tempos de contaminações disciplinares, em busca de uma nova beleza baseada na escala inevitável do enorme, no pitoresco divertido do anedótico e na sublimidade aterrorizante do técnico.




