
Um manuscrito que é apagado para que se possa escrever por cima, mas que conserva os vestígios do que foi escrito anteriormente: isso é um palimpsesto. É assim que Alberto Campo Baeza apresenta neste livro “camadas de ideias, imagens e sentimentos” — como escreveu De Quincey — nas quais se sobrepõem suas reflexões, seus amores arquitetônicos, suas fontes de inspiração, seus poetas, arquitetos/as, filósofos/as e escritores/as preferidos/as, para percorrer, mais uma vez, não o que a arquitetura tem de moda e de efêmero, mas o que ela possui de constante, de eterno, de universal: a luz, o tempo, a gravidade, o espaço, a beleza…
Nesta coletânea de seus últimos escritos, quase todos inéditos e provenientes de conferências ministradas em diferentes escolas ao redor do mundo, Campo Baeza dirige-se, com sua habitual generosidade e entusiasmo, a seus/suas jovens alunos/as e colegas, oferecendo conselhos imprescindíveis (e talvez hoje raros, justamente por serem simples e diretos) sobre projetar, investigar e ensinar.
Pois, quando se reflete sobre o que realmente importa, com honestidade intelectual e a partir da longa memória de uma vida docente e profissional bem-sucedida, pode o pensamento ser outra coisa senão um palimpsesto?




