
Por milhares de anos, os nômades mongóis viveram em gers – estruturas circulares semelhantes a "yurts", feitas de madeira, feltro e lona, ideais para a vida nômade na estepe. Desde 1990, devido a grandes transformações políticas, sociais e climáticas, centenas de milhares de pessoas abandonaram a vida nômade e se mudaram para a capital do país, Ulaanbaatar. Os gers, baratos e fáceis de transportar, agora estão fixos, exacerbando o crescimento extraordinário da cidade, que aumentou 35 vezes de tamanho nos últimos trinta anos. A situação habitacional nesses distritos de gers é cada vez mais insustentável e prejudicial à saúde e ao bem-estar de quem vive neles.
Com ilustrações ao longo de toda a obra, Becoming Urban narra a história da transformação contínua de Ulaanbaatar e explora os desafios de se fazer arquitetura neste contexto em rápida mudança. Trabalhando nos últimos oito anos em projetos de design, workshops e pesquisas espaciais, o arquiteto Joshua Bolchover traz à tona as características dos distritos de gers e a urgência de melhorar sua situação atual. Hoje, as famílias que vivem nos distritos de gers precisam buscar água duas vezes ao dia, usar latrinas externas e queimar até 4 toneladas de carvão a cada inverno para se aquecer. Bolchover propõe uma estratégia de mudança incremental que conduza a um crescimento futuro sustentável. Ele apresenta protótipos que reimaginam o ger, possibilitando melhores condições de vida e infraestrutura comunitária. Becoming Urban demonstra uma forma alternativa de prática e de papel para o/a arquiteto/a.
A história contada neste livro não diz respeito apenas à Mongólia. No século XXI, as urgências da crise climática e das pandemias virais globais significam que as questões sobre por que e como vivemos juntos são tão cruas e urgentes para a condição urbana contemporânea quanto o são para a Mongólia. Como arquitetos/as, planejadores/as, comunidades e políticos/as lidam com os efeitos da urbanização nas mudanças climáticas é uma questão crítica que o século XXI enfrenta. As formas como esse processo se materializa e se organiza espacialmente, e por quem, terão ramificações profundas para o clima e para a composição social e econômica de nossas cidades. Em resposta, este livro defende que a arquitetura é um ato social e afirma a contribuição vital do/a arquiteto/a para o processo de se tornar urbano.
