
A crise financeira global de 2008 revelou os danos causados pela especulação imobiliária desenfreada; contudo, nos anos seguintes, o uso da arquitetura como ferramenta de investimento apenas se acelerou, agravando a desigualdade e contribuindo para a instabilidade financeira global. Raramente consideramos a arquitetura um fator importante nos debates econômicos e políticos contemporâneos, embora "torres lápis" ultra-finas e pouco ocupadas surjam em nossas cidades, funcionando como reserva de valor especulativo para os super-ricos, e casas "iceberg" cavernosas estendam ativos arquitetônicos muitos andares abaixo do nível da rua. Enquanto isso, comunidades ao redor do mundo são assoladas por um urbanismo zumbi e fantasmagórico, marcado por bairros desocupados e empreendimentos habitacionais abandonados.
Em Icebergs, Zombies, and the Ultra Thin, Matthew Soules apresenta uma denúncia de como o capitalismo financeiro altera não apenas as formas arquitetônicas, mas a própria natureza de nossas cidades e sociedades. Desde os conjuntos habitacionais devastados da Irlanda até os chiques apartamentos de luxo do 432 Park Avenue, do arquiteto Rafael Viñoly, Soules demonstra como os imperativos de investimento moldam o que construímos e como o fazemos. Fotos e desenhos de fenômenos arquitetônicos que mudaram a forma como vivemos tornam a urgência dessas questões ainda mais evidente.
Prefácio
