
Formas de ver e de habitar estão inter-relacionadas na representação fotográfica da arquitetura. Para além das duas dimensões de seu suporte físico, a imagem contém um espaço interior. Distinguimos visualmente elementos materiais e planos de profundidade, mas, entre todos eles, há outro tipo de espaço: há vazios. De modo similar à linguagem binária, que se expressa por sequências de 0 e 1, nosso olhar rastreia e separa objetos sólidos, espaços intermediários, vãos e silêncios. Os percursos de leitura transformam-se em movimentos de introspecção, provocados no/a espectador/a para criar nele/a emoções físicas. Este espaço vazio é consequência direta de uma ação do/a criador/a, cedendo-o a quem olha para sua ocupação e interpretação. A cessão não é incondicional; não está isenta de conflito. Envolve uma luta e uma tensão permanentes, de enorme transcendência para os processos de construção e habitação do espaço arquitetônico.




