
O propósito deste ensaio é uma análise abrangente da teoria da individuação no processo de projeto e fabricação digital na arquitetura e no design. A sistematização dos conceitos em um discurso coerente é alcançada a partir da proposta teórica do filósofo francês Gilbert Simondon.
O fato de uma coisa ser de determinada maneira é uma questão que diz respeito ao projeto. Mais precisamente, é durante a operação de projeto que essas maneiras e propriedades particulares das coisas são definidas. Na operação de projeto, a agência humana e a materialidade estão entrelaçadas. A maneira como essas agências se relacionam tem sido objeto de inúmeros estudos. Um dos modelos que serviu para explicar os tipos de relações entre a agência humana e a material é o hilemórfico-intencionalista, que se estrutura em torno de dois pares de distinções: a distinção entre forma e matéria (do modelo hilemórfico) e a de mente e corpo (do modelo de processo intencionalista). O modelo hilemórfico-intencionalista tem sido o dominante para explicar essa operação de projeto orientada à produção material de objetos; contudo, é insuficiente como base para uma teoria das operações de projeto e fabricação digital. Para ser possível teorizar sobre o processo de projeto e fabricação digital, é necessário fundamentá-lo em outros modelos, e a teoria da operação de individuação exposta por Gilbert Simondon oferece conceitos capazes de explicá-lo.
