
À medida que turbulências de toda sorte caracterizam de forma predominante nosso clima contemporâneo, cresce a centralidade de um conjunto de atitudes e obras que, ao longo do século XX, cultivaram a poética do silêncio e foram capazes de interpretar, por meio dela, a realidade caótica e fugidia de nossa época. Estas páginas destinam-se a desvendar algumas chaves desse talante alternativo.
O texto estrutura-se a partir de dez breves estudos sobre temas centrais na arte e na arquitetura contemporâneas, e sobre protagonistas de destaque que fizeram da medida um ingrediente substancial de sua obra: Jorge Luis Borges, Ludwig Mies van der Rohe, Yasuhiro Ozu, Mark Rothko e Jorge Oteiza.
Para além das importantes diferenças geográficas e culturais que separam as temáticas abordadas, há um traço comum em todas elas: a rejeição da arte entendida como uma histérica agressão aos sentidos, tal como é promovida pela pseudocultura midiática, e —em contrapartida— a afirmação de uma interpretação artística da realidade como reflexão profunda e eloquente, destinada a tentar desvelar os mistérios do mundo.




