
Em 1981, uma missão polaco-vietnamita de conservação do patrimônio deu impulso à transformação dos túneis de guerrilha de Củ Chi em um símbolo. A tarefa aparentemente técnica de assegurar fragmentos dessa construção obscura, na verdade, constituiu parte do processo de adaptação da história da Guerra do Vietnã às preferências de um público moderno – um dos projetos de política histórica mais importantes daquela época. Afinal, o sigilo e a inacessibilidade da rede de corredores determinaram o caráter dessa reconstrução, iniciando o processo de substituição dos vestígios materiais do passado por seus modelos. Naturalmente, os túneis subterrâneos ocultos mostraram-se menos úteis do que as ideias preconcebidas sobre eles.
Quase 30 anos após os primeiros esforços de revitalização, acompanhamos os passos seguintes dessa adaptação, à medida que fragmentos dos corredores adquirem propriedades que facilitam o trabalho da imaginação. Nosso levantamento arquitetônico verifica os mapas existentes dos túneis, testando, ao mesmo tempo, os limites da abordagem positivista na definição do que constitui um vestígio material do passado. O sigilo, embora agora de um tipo diferente, permanece como o princípio fundamental da eficácia dos túneis.






