
À medida que mais da superfície terrestre é absorvida pelo ambiente construído, arquitetos/as buscam cada vez mais integrar a flora urbana aos seus projetos. Seja desenvolvendo telhados verdes, paredes vivas, pátios internos abundantes ou varandas que conectam espaços internos e externos, a necessidade de entrelaçar natureza e arquitetura nunca foi tão evidente.
Hoje, mais da metade da população global vive em áreas urbanas; um número que a ONU prevê que subirá para 68% até 2050. Para combater o peso considerável que nossas cidades em expansão impõem ao planeta, arquitetos/as estão recorrendo à inovação verde e a práticas sustentáveis. A crescente competição por terrenos em aglomerados urbanos fez com que a popularidade de telhados verdes e jardins suspensos disparasse. Ao reaproveitar espaços que, de outra forma, permaneceriam inutilizados, eles oferecem oásis únicos e biodiversos que filtram poluentes da água da chuva, contribuem para sistemas eficazes de gestão hídrica, aumentam a eficiência energética dos edifícios que adornam e ajudam a mitigar o efeito de ilha de calor urbana. Estudos também indicam que a expansão da cobertura arbórea em centros metropolitanos poderia ajudar a reduzir as temperaturas em quase 5°C, em parte devido às copas das árvores que proporcionam sombra às ruas.
Portanto, ao redor do mundo, uma abordagem baseada em plantas está criando raízes. Acolhendo essa tendência onipresente, Evergreen Architecture analisa um amplo espectro de espaços residenciais, institucionais, urbanos e rurais. Desde o projeto do Heatherwick Studio para o Maggie’s Leeds, um centro de apoio a pacientes com câncer, que adota uma série de características biofílicas justamente por seu valor terapêutico, até arranha-céus como o Bosco Verticale em Milão, uma floresta artificial equivalente a 30.000 metros quadrados de mata que tem sido um protótipo pioneiro, e o Urban Forest em Brisbane, que será construído em breve, um edifício de 30 andares com emissão zero de carbono projetado para demonstrar o potencial da arquitetura verde na resolução de problemas climáticos, já que não apenas é coberto por plantas, mas cada elemento de seu projeto e construção foi ponderado sob uma perspectiva ambiental.
Para projetar espaços verdes sustentáveis, no entanto, arquitetos/as devem ir além da estética para considerar as implicações financeiras, práticas e ambientais de seus empreendimentos: O edifício será forte o suficiente para suportar o peso das plantas? Quanta infraestrutura adicional isso requer? De onde vêm as espécies e quais cuidados elas precisam? O projeto é ecologicamente correto ou apenas parece "verde"?
Em um nível superficial, a arquitetura verde nos oferece um alívio estético da continuidade de concreto do ambiente construído, proporcionando uma conexão com a natureza e imbuindo os espaços com seus benefícios curativos. Se olharmos mais a fundo, ela tem a capacidade de reimaginar nossas cidades e nossas vidas, de maneiras que são, ao mesmo tempo, sustentáveis e belas. Este livro explora exemplos recentes de um movimento que já está em pleno curso e oferece vislumbres de futuros possíveis onde — como se escreveu outrora sobre a antiga Babilônia — torres que lembram montanhas cobertas de árvores povoam o horizonte.





